Características gerais para a construção da narrativa desta atividade de campo para o Parque Geológico do Varvito:
• Qual nosso público alvo? Com qual idade escolar trabalharemos?
6º ano do ensino fundamental II.
• Quais são as características do ambiente que podem chamar a atenção dos alunos?
Fósseis, glaciação, sazonalidade climática (cores diferentes na sedimentação), disposição das rochas.
• Qual será o tema central que orientará toda a narrativa do campo?
Os diferentes tipos de rocha, relacionando a formação de fósseis a rochas sedimentares em diferentes períodos geológicos.
As questões norteadoras foram desenvolvidas a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC/2017), onde consta a habilidade que direcionou parte das questões, a EF06CI12 - “Identificar diferentes tipos de rocha, relacionando a formação de fósseis a rochas sedimentares em diferentes períodos geológicos.” - do sexto ano, posicionada dentro da unidade temática Terra e Universo. Outro aspecto importante que consta no documento e que foi utilizado é o de “estimular a capacidade de interpretar o mundo natural através de atividades investigativas, desafiadoras e estimulantes”.
Tais questões também foram pautadas nas percepções dos relatos desenvolvidos pelo grupo anteriormente. Por fim, conclui-se que o nicho principal dessa atividade de campo trata de estimular a investigação, a autonomia e a curiosidade dos educandos a fim de buscar respostas que direcionam o aprendizado significativo a cerca dos conteúdos abordados, estimulando o olhar do aluno para com a natureza que o cerca.
Local: Parque Geológico do Varvito, em Itu -SP
Público Alvo: 6º ano - Ensino Fundamental II
As perguntas devem ser feitas uma a uma, a medida que vão sendo respondidas pelos estudantes, a fim de gerar a progressão do aprendizado.
O que vocês conseguem identificar no parque e nas rocha presentes no parque?
Todas as camadas de rocha têm a mesma orientação? Notam algo diferente entre as camadas?
Que pistas esse lugar nos traz a respeito da sedimentação ocorrida no passado, responsável pela formação dessas rochas?
Que tipo de ambiente e clima do passado podem ter gerado essa paisagem que estamos observando no parque?
Após os alunos identificarem os seixos pingados no afloramento:
Observando os seixos pingados, posicionados entre as camadas de rocha, como você sugere que eles tenham chegado ali?
Vocês conseguem identificar algum tipo de registro fóssil nas rochas do parque? Qual?
Por fim:
A partir de tudo que foi discutido e analisado anteriormente, qual correspondência ou analogia temporal é possível fazer entre os icnofósseis encontrados, as marcas de ondas, os seixos entre as camadas e as rochas, presentes no parque? Lembrem-se de juntar todas as pistas dessa nossa investigação científica!
O tema central que orientará toda a narrativa do campo, é investigar os registros de uma glaciação passada, existentes no afloramento do parque. A partir desse objetivo principal, outros tópicos poderão ser trabalhados, como por exemplo sedimentação, formação de icnofósseis, tipos de ambientes, condicionantes climáticos e a influência humana no afloramento, envolvendo as relações entre essas rochas e a sociedade, desde o uso dos materiais na construção até o uso científico e recreativo.
Essa atividade de campo pretende ainda, estimular a investigação, a autonomia e a curiosidade dos educandos a partir de um contexto simulado e sistematizado no pré-campo, a ser vivenciado em campo considerando a interpretação dos fenômenos observados e suas características aparentes, uma das lentes principais que compõem o conteúdo adquirido, e por fim, num momento pós-campo, a constituição desse conhecimento desenvolvido em um processo formativo contínuo e co-construído.
Considerando os trabalhos ilustrativos pré-campo, os alunos já terão algum repertório visual para reconhecer algumas feições. Baseado nisso, esse será um momento para eles trabalharem suas habilidades de observação e percepção ambiental em um processo investigativo, permitindo que eles possam refletir, discutir e formular hipóteses conjuntamente, o que poderá estimular o senso crítico-reflexivo. A proposta didática abarca bem a categoria investigativa do trabalho de COMPIANI e CARNEIRO (1993), além de o caráter investigativo constar na BNCC para o sexto ano.
Seguindo a lógica da categoria investigativa, os alunos terão um momento de autonomia para exercitar as habilidades mencionadas aqui. Apesar de se tratar de uma modelo de ensino não dirigido, ou seja, onde o professor não é o centro, perguntas norteadoras e eventuais esclarecimentos podem vir a ocorrer nessa fase de campo, mas evitando ao máximo dar o conhecimento “pronto”.
Os fenômenos e conteúdos que podem ser abordados e que estão relacionados com as formações, são os processos de sedimentação associados a sazonalidade, no caso, em um contexto glacial; processos de formação de registros fósseis como os icnofósseis presentes nos depósitos várvicos; os registros sedimentares associados às armadas de icebergs, o efeito estufa que influenciou na glaciação de Karoo no Gondwana no Permo-Carbonífero BANGERT (1999) e ainda, a influência antrópica no afloramento, no que tange o uso da rocha do varvito nas estruturas e pavimentação dentro do parque e em seu entorno, por fim analisar as características das águas do Rio Tietê ao longo do percuso da viagem, como a presença de espuma, o sentido do rio e o que isso tudo pode significar.
No trajeto: 1) Sinuosidade; 2) Espuma
Em campo: 3) Afloramento principal; 4) Área dos icnofósseis
1º ponto - Sinuosidade (permanência 15 min) - Por volta de determinado quilômetro, estacionamos o ônibus e os alunos poderão observar da janela, um ponto do trajeto onde destaca-se a vista de uma curva muito bem definida do Rio Tietê. Ali destaca-se o contraponto entre o rio retificado da cidade de São Paulo e a sinuosidade natural do rio, presente em trechos mais à dentro do estado.
2º ponto: Espuma (permanência 15 min) - Ao longo dos quilômetros finais do percurso, sem estacionar o ônibus, os alunos poderão observar pela janela o longo trecho espumoso do rio, onde bolhas branca/amareladas e grandes, boiam na água. Neste trecho, os dejetos despejados no rio, misturam-se a maior força do curso d’água, o que resulta na formação de espuma de coloração branca/amarelada. Busca-se pensar e refletir acerca da poluição presente ao longo do Tietê.
3º ponto: Afloramento principal (permanência de cerca de 1h) - O primeiro ponto trata-se do local onde encontra-se o afloramento principal a ser trabalhado, a exposição do varvito, rocha sedimentar, plano-paralela vertical, que possui marcas de onda, alguns seixos e clastos caídos, variação na espessura das camadas, diferentes tons e colorações de rocha, diferenças sutis de granulometria (entre lâminas de areia fina à argila), além de cortes feitos na época em que as rochas eram exploradas por uma pedreira local. Essas características devem ser observadas, analisadas e constatadas pelos estudantes, em proximidade e em perspectiva à distância. Os alunos podem tatear, usar a lupa, registrar desenhos e observações em cadernetas e devem ainda dialogar e discutir sobre as observações, dúvidas e possíveis constatações.
4º ponto: Área dos icnofósseis (permanência de cerca de 20 a 30 min.) - O segundo ponto trata-se da área onde os estudantes devem com o auxílio da lupa, observar e analisar a abundância de pistas atribuídas a invertebrados aquáticos bentônicos, sobre os planos de estratificação da rocha (Rocha-Campos, A.C., 2002). Os alunos podem tatear, utilizar a lupa, observar a intensidade, a forma dos rastros/marcas, a escala utilizando uma régua milimetrada. Devem refletir com base nas questões norteadoras e outras tantas que surgirem durante a experimentação, acerca do porquê e como as marcas ficaram registradas na rocha.
O exercício de percepção, investigação e reflexão autônoma será fundamental para a prática do roteiro de excursão.
Tendo em vista que o campo está vinculado a uma sistemática de estudos pré-campo, propõem-se que os alunos façam conexões entre os conteúdos, descobrindo e investigando as relações das geociências com os aspectos históricos e culturais associados nessa excursão didática, destacando a atividade econômica desenvolvida no local, a mineração, a partir de pontos relevantes como a disposição do afloramento e o uso da rocha na infraestrutura do parque e nas construções do entorno.
Objetiva-se que esse conhecimento processual, investigativo e autônomo seja fidelizado a partir dos registros na caderneta de campo. Essa caderneta pode ser feita pelos alunos com a orientação do educador, determinando uma quantidade de folhas e a inserção de perguntas chaves que serão trabalhadas durante a excursão. As perguntas seguem um ordenamento de acordo com os pontos principais do roteiro de visitação e podem ser respondidas com descrições, desenhos entre outras possibilidades como as fotografias que podem ser extraídas durante a atividade de campo e utilizadas nas atividades de pós-campo.
Os alunos farão anotações, observações e irão buscar pistas, entre elas, sobre as atividades antrópicas realizadas naquelas rochas utilizando fotos de atividades minerárias e comparando com os aspectos morfológicos do afloramento como os cortes feitos para a extração das rochas. Os registros feitos na caderneta e fotos que eles possam tirar no dia do campo, portanto, também serão utilizadas no pós - campo para fazer comparações com imagens conhecidas de pedreiras ativas.
Bangert, B.; Stollhofen, H.; Lorenz, V.; Armstrong, R. 1999, The geochronology and significance of ash-fall tuffs in the glaciogenic Carboniferous–Permian Dwyka Group of Namibia and South Africa: Journal of African Earth Science, v. 29, p. 33–49.
Compiani, M.; Carneiro, C.D.R. Os papéis didáticos das excursões geológicas. Enseñanza de las ciencias de la Tierra, 1(2): 90-98, 1993.
Rocha-Campos, A.C. 2002. Varvito de Itu, SP - Registro clássico da glaciação neopaleozóica. In: Schobbenhaus,C.; Campos,D.A. ; Queiroz,E.T.; Winge,M.; Berbert-Born,M.L.C. (Edits.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. 1. ed. Brasília: DNPM/CPRM - Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), 2002. v. 01: 147-154.