As Artes Cênicas podem colaborar para abordar o tema da Negritude no ensino de PCLE?
É fundamental poder abordar a negritude como um tema transversal durante os processos de ensino-aprendizagem do Português como Cultura e Língua Estrangeira. Poder refletir sobre a formação cultural do Brasil com suas raízes africanas; perceber a presença sonora e simbólica dessas raízes nas transformações cotidianas do português brasileiro; dar espaço para se trabalhar em sala de aula no sentido de se produzir a compreensão do racismo estrutural que atravessa o Brasil; procurar colaborar com a reflexão e produção de ações concretas, cotidianas, para que possamos produzir num futuro, ainda que longínquo, a erradicação do racismo - podem se constituir como eixos organizadores para programar propostas pedagógicas de suma importância.
Mas como podemos abordar esses temas que a experiência em sala de aula vem nos mostrando o quantum de tato e cuidado para tratá-los?
Os jogos dramáticos podem funcionar como um recurso valioso nesse sentido. Propor exercícios de improvisação criando personagens, quando há condições de desenvolver tais dinâmicas, podem colaborar para tratar, refletir e buscar colocar estereótipos em movimento. Quando não há condições de se trabalhar com improvisações, o trabalho com a palavra é um grande recurso. Ler em voz alta é uma prática que vem sendo tomada como algo menor e é de fundamental importância no ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira. Trabalhar detidamente na produção fonológica de cada estudante, poder trabalhar entonação, projeção de voz, matizes interpretativos a partir de contos, poemas, trechos de obras teatrais são exercícios que não são mais esquecidos pelos estudantes, porque entra em cena a aprendizagem corporal.
Preparar e ampliar a escuta, propiciar vivências com textos específicos a partir das possibilidades das Artes Cênicas e refletir sobre estas vivências posteriormente vem se confirmando como um tripé que sustenta práticas pedagógicas com um impacto positivo sobre os estudantes e a prática docente. Esta é a breve experiência que quero compartilhar com vocês.
Prof. Ana Terra Leme
Navio Negreiro de Castro Alves
Versão performática de Caetano Veloso e Maria Betânia de trechos do poema de Castro Alves
Emicida: Versão animada dos livros
Concessa, personagem de Cida Mendes, no canal Tecendo Prosa, falando sobre racismo
Elisa Lucinda, dizendo Mulata Exportação, poema de sua autoria.
Leia em: Arte Afro Brasileira (uma “pré”-história do conceito)
Catálogo Cem anos de arte Afro-brasileira
Kiriku e a Feiticeira (francês: Kirikou et la Sorcière) é um filme de animação tradicional escrito e dirigido por Michel Ocelot em 1998.
Sinopse: Kiriku é um menininho nascido na África Ocidental. Tão pequeno, ele não chega aos joelhos de um adulto. O desafio que impõe seu destino, no entanto, é imenso: enfrentar uma poderosa e malvada feiticeira, que secou a fonte de água da aldeia, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la e ainda roubou todo o ouro ali guardado. Para recuperá-lo, Kiriku enfrenta muitos perigos e se aventura por lugares onde somente pessoas pequeninas poderiam entrar.
Español - https://youtu.be/8Jod0ESmQg4 / Português - https://youtu.be/Q4IuNCxQ-gs
Sugestões de Atividades sobre o filme :
Projeto kiriku e a feiticeira de Beatriz Paulistana (Professora na Pré Escolar Municipal Cantinho do Saber)
Plano de aula: Cinema e Educação: Kiriku e a Feiticeira
Òrun Àiyé: A criação do mundo (2015)
O filme narra a história do vovô Bira (Carlos Betão), um griô que divide seus saberes com sua neta Luna (Fernanda Crescencio), que conta o mito iorubá da criação do mundo: como os deuses africanos Olodumaré (João Miguel), Orunmilá (Jorge Washington), Oduduwa (Fábio de Santana), Oxalá (Carlinhos Brown), Nanã e Exú interagem para criar a Terra e os seres humanos. Dirigido por Cintia Maria Jamile Coelho tem a duração de 12 minutos.
Saiba mais sobre o assunto:
O Programa Aprovado entrevista os diretores da animação baiana que utiliza a técnica stop motion e dá a conhecer as etapas de elaboração do projeto.
2021: Centenário de Mercedes Baptista (1921 — 2014)
Mercedes foi uma bailarina e coreógrafa brasileira, a primeira negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Responsável pela criação do balé afro-brasileiro, inspirado nos terreiros de candomblé, foi responsável pela consolidação da dança moderna do Brasil. Segundo a pesquisadora Mariana Monteiro, da UNESP: “Mercedes estruturou uma aula de dança afro, com barra, centro e diagonal. Criou uma gramática corporal específica, a partir da observação das danças do candomblé e do folclore e acabou sendo de enorme importância para o aperfeiçoamento dos bailarinos". Fonte.
Heitor dos Prazeres (Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1898 — Rio de Janeiro, 4 de outubro de 1966) foi um compositor, cantor e pintor brasileiro.
Pintura sem título de Heitor dos Prazeres, 1962. Foto: Sérgio Guerini/Cortesia Almeida e Dale Galeria de Arte
Foto da capa: Enciclopédia Itaú cultural