PREFÁCIO
ESTAS ANOTAÇÕES FORAM FEITAS COM O OBJETIVO EXCLUSIVO DE RELATAR CONHECIMENTOS SOBRE A UMBANDA, ADQUIRIDOS DURANTE MINHA VIDA NA RELIGIÃO; TRATA-SE DE UMA VISÃO PESSOAL SOBRE O TEMA E TAMBÉM UMA REUNIÃO DE TEXTOS COMPILADOS DE VÁRIAS ORIGENS E AUTORES; PORTANTO É UM MATERIAL RESTRITO A UM GRUPO DE ESTUDOS E SUA PUBLICAÇÃO OU DIVULGAÇÃO FORA DO GRUPO DE ESTUDOS NÃO ESTÁ AUTORIZADA.
Não tenho a pretensão de criar um Código de Umbanda mas sim resgatar a cultura e a prática de ritos com os quais tive contato; a maior parte desse trabalho converge para os ensinamentos adquiridos através de meu falecido Pai De Santo Sr. Antonio, na Tenda de Umbanda Caboclo Calunga Beira-Mar.
A Umbanda foi formada por diferentes culturas e teve influência de outras práticas religiosas que proporcionaram uma religião com diferentes vertentes; com maior ou menor ênfase de cada seguimento, variando de templo para templo; por isso hoje temos tal diversidade.
Temos uma farta literatura sobre a Umbanda e uma boa parte tenta estabelecer um código, de forma a definir o que seria certo ou errado em nossa religião; eu discordo totalmente dessa postura e entendo que a Umbanda jamais será codificada pois a diversidade de práticas ritualísticas, aliada a nossa diversidade cultural, é a nossa maior qualidade e nos dá liberdade de expressar nossa fé.
Entendo que todos os umbandistas devam se interessar por toda literatura e refletir sobre todas as formas de entender a Umbanda; porém, na nossa religião não existem diretrizes para definir quais práticas e ritos seriam certos ou errados; cada casa tem sua ritualística que está calcada na sua cultura e na influência que sofre.
Nos últimos tempos observo que há uma tentativa por parte de um grupo, de criar o que chamam de “Carta Magna de Umbanda”; me parece um trabalho louvável já que não pretende codificar a Umbanda, mas sim normatizar seus princípios morais, de forma a identificar-nos perante ao leigo como uma religião; esse grupo vem promovento amplo debate entre federações de todos os Estados brasileiros e também países onde a Umbanda já surge como religião.
À seguir, vou transcrever o conceito de Umbanda, segundo Eduardo Refkalefsky, Doutor em Comunicação e Cultura e professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ao lado da aluna de graduação (ECO/UFRG) Cyntia R. J. Lima, apresentaram o tema POSICIONAMENTO E MAKETING RELIGIOSO IURDIANO: UMA LITURGIA SEMI-IMPORTADA DA UMBANDA, onde faz considerações importantes para o estudo desta nacionalidade e brasilidade tão original da Umbanda:
*****
(...) a Umbanda representa melhor do que qualquer outra religião, culto ou doutrina os elementos da “Matriz Religiosa Brasileira”, termo criado pelo sociólogo José Bittencourt Filho (2003). A Matriz Religiosa é parte da Matriz Cultural Brasileira, fruto do processo de colonização. No processo de formação da nacionalidade brasileira, o que em demografia representa a miscigenação, se traduz no campo religioso como sincretismo. Do ponto de vista conceitual, a Matriz compreende:
As características principais da Matriz Religiosa Brasileira e da Umbanda, em especial, são:
a) o contato direto com o sagrado (através das incorporações de “espíritos”);
b) o uso intensivo de elementos sincréticos, provenientes de várias origens religiosas;
c) o caráter de magia prática para solução de problemas cotidianos;
d) a relação de trocas (“eu te ajudo para que você me ajude”) com estas entidades e o Sagrado, de modo geral;
e) a prática de uma religiosidade individual, à margem das instituições eclesiásticas; e
f) uma moral “franciscana” (LIMA FILHO, 2005), que privilegia atitudes e comportamentos “simples”, “líricos”, quase animistas em relação à natureza, avessos à cultura letrada, ao intelectualismo, mercantilismo (a modernidade de Weber) e defensores dos “fracos e oprimidos”.
REFKALEFSKY e LIMA, 2007, p. 52 e 53
Luiz de Xangô
Ano de 2013
Atualizações: 17/01/2020 – Entendendo Exu
14/08/2022 - Filá ou Pano de torso
30/08/2022 - Cargas Negativas ou Positivas