II - RITOS DE UMBANDA
6.3 – AÇÕES RITUALÍSTICAS
AMACI: São lavagens de cabeça com ervas frescas maceradas na água limpa (de cachoeiras, nascentes, etc…). Pode ser amaci de preparação, iniciático ou amaci específico; cada Orixá tem sua receita de ervas que devem ser utilizadas; O Amaci deve ser aplicado pelo dirigente ou por outra pessoa autorizada (Veja também o item 13 – BANHOS E AMACIS NA UMBANDA).
ASSOBIOS E BRADOS: Os assobios e brados dos caboclos parecem despertar alguma coisa em nós. Muitos pensam, ingenuamente tratar-se dos chamados que davam nas matas, para se comunicarem com os companheiros de tribo, quando ainda vivos. Não é bem assim. Os assobios traduzem sons básicos das forcas da natureza, os chamados "Tatwas". Estes sons precipitam assim como o estalar dos dedos, um impulso no corpo Astral do médium para direcioná-lo corretamente, afim de liberá-lo de certas cargas que se agregam, tais como larvas astrais, etc.
Os assobios, assim como os brados, ou sons graves e guturais emitidos pelos Pais Velhos quando incorporados, são o chamados mantras; cada entidade emite um som de acordo com a linha que trabalha, para ajustar condições especificas que facilitem a incorporação, ou para liberarem certos bloqueios nos consulentes."
BANHOS: Os banhos ritualísticos de uma maneira geral, são rituais, onde utilizamos determinados elementos da natureza, de maneira ordenada e com conhecimento de causa, com o intuito de troca energética entre o indivíduo e a natureza, afim de fornecer-lhe equilíbrio energético e mental (Veja também o item 13 – BANHOS E AMACIS NA UMBANDA).
BATER CABEÇA: O médium da Casa, num ato de humildade e em respeito às firmezas do Congá, deita-se de barriga pra baixo em frente a ele (Gongá) a fim de pedir proteção. Tem, também, o significado ritual de entrega ao serviço de Deus no trabalho mediúnico espiritual do Templo a que pertence.
BATISMO: É uma consagração iniciática, realizada com a água, do fogo (vela), do sal, das ervas, da pemba e óleos sacramentais.
BENÇÃO: Na maioria das casas de Umbanda existe a prática de pedir a benção ao Pai De santo ou Pai Pequeno; esse costume é influência do catolicismo onde se pede a benção ao Padre e dos cultos a Nação onde a ordem hierárquica é bem maior e a benção deve ser pedida pelo novato a todos que possuem alguma posição na hierarquia; a benção também pode ser um ritual em que o guia chefe abençoa um casal que vai se unir.
CAMBONEAR: atender as entidades quando incorporadas e interpretar sua fala para os consulentes. O Cambone geralmente é um aspirante ou médium em desenvolvimento designado para tal função.
CASAMENTO: A exemplo do que ocorre em outras religiões, trata-se de cerimônia abençoando a união de casais; não são todas as casas que praticam esse ritual por acreditarem ser ritual católico; nesse caso limitam-se a dar a benção ao casal que se une; em qualquer situação o ritual é comandado pelo guia chefe da casa.
CONCENTRAÇÃO: É ter a mente fixada sobre um objeto. Trata-se do movimento Tântrico.
CRUZAMENTO: É a pratica de imantação ou benzimento de objetos e fios de conta (guias) ou objetos que traduzem o sagrado como imagens e medalhas; esse procedimento é feito por uma entidade e o objetivo é imantar o objeto para trazer proteção ao seu usuário.
CUMPRIMENTO CRUZANDO AS MÃOS: Quando os médiuns cumprimentam-se cruzando as mãos em três etapas; apertando as mãos, palma contra palma, significa que estão cumprimentando-se um ao outro, aos seus Orixás e às suas entidades.
CUMPRIMENTO OMBRO-A-OMBRO: Quando um Guia cumprimenta um consulente ou um assistente com o bater de ombro, isto é sinal de igualdade, de fraternidade e grande amizade.
DEFUMAÇÃO: Ato de purificar o ser, o objeto e o ambiente, através da fumaça. É o ato de anular e neutralizar as energias negativas através de aromas, ou seja, das essências de ervas. No ritual das Giras umbandistas a defumação é feita com a mistura de alecrim, benjoim, incenso, alfazema e mirra. Em outros tipos de defumações são usadas ervas de acordo com a necessidade da utilização. A defumação é uma prática antiquíssima de todas as religiões e de todos os povos e tem sempre caráter de limpeza ambiental e psico espiritual.
Atuação do Defumador:
1ª. – A essência do defumador, desfazendo-se no ambiente, isto é, misturando-se com o éter atmosférico, vai ser sentido e usado pelos espíritos, neutralizando e desfazendo as energias pesadas;
2ª – Seu aroma desperta alguns centros nervosos dos médiuns, fazendo esses centros vibrarem de acordo com as irradiações fluídas espirituais.
O emprego sistemático da fumaça deve ser reminiscência indígena. Entre todas as tribos da raça Tupi, o Tabaco é considerado como planta sagrada. O segredo e a utilização desses elementos por parte de nossas entidades, do uso do cachimbo, do charuto e do cigarro nos trabalhos, é uma forma de defumação, não se trata de uso como vício, por isso eles sopram a fumaça.
DESCARREGO: É o ato do médium, devidamente preparado, incorporar espíritos de baixa vibração ou Kiumbas que acompanham outras pessoas ( Vide item: 18 – TRANSPORTE E DESCARRÊGO).
DESPACHO: O despacho é a conclusão de um processo que são feitos sempre nos pontos de força dos Orixás ou das Entidades, canalizando toda energia evocada em um trabalho para o portal de entrada das forças envolvidas (Vide item 15 – OFERENDAS E DESPACHOS).
ESTALAR OS DEDOS: Esta é uma das coisas que refletem alguns detalhes esotéricos de grande importância; nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais nervosos que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo; o dedo Polegar tem uma ligação direta com o chacra esplênico; indicador: Chacra cardíaco; anular: Chacra genésico (rádico / Básico); Dedo médio: chacra coronário; uma polegada abaixo do anular o chacra solar e no lado oposto do dedo polegar, no monte de Vênus o chacra frontal.
Ramatís afirma:” A verdade é que vossas mãos, como vossos pés, possuem terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos gânglios e plexos nervosos do corpo físico e com os chacras do complexo etérico astral, como demonstramos a seguir:
Dedo polegar - chacra esplênico (região do baço);
Indicador - cardíaco (coração);
Médio - coronário (alto da cabeça);
Anular - genésico ou básico (base da coluna);
Mínimo - laríngeo (garganta);
Na região quase central da mão, chacra do plexo solar (estômago);
Próximo ao Monte de Vênus (região mais carnuda logo abaixo do polegar) - chacra frontal (testa).
Essas terminações nervosas das palmas das mãos são há muito conhecidas da Quiromancia e das filosofias orientais.
O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus e dentre as inúmeras funções conhecidas disso, está a retomada de rotação e frequência do corpo astral, "compensando-o" em relação às vibrações do duplo etérico, aumentando a exsudação 1 (liberação, doação) de energia animal - ectoplasma - pela aceleração dos chacras. Com isso se descarregam densas energias áuricas negativas, além do estabelecimento de certas condições psíquicas ativadoras de faculdades propiciatórias à magia e à intercessão no Plano Astral. São fundamentadas nas condensações do fluido cósmico universal, imprescindíveis para a dinâmica apométrica, e muito potencializadas pela sincronicidade entre o estalar de dedos e as contagens pausadas de pulsos magnéticos”.
Continua Ramatís: "Já quando bateis palmas, sendo vossas mãos pólos eletromagnéticos, a esquerda (-) e a direita (+), quando as duas mãos ou pólos se tocam é como se formassem um curto-circuito, saindo faíscas etéricas de vossas palmas. Quando os pretos velhos em suas manifestações batem palmas, durante os atendimentos de Apometria, é como se essas faíscas fossem "detonadores" de verdadeiras "bombas" ectoplásmicas que desmancham as construções astrais, laboratórios e amuletos dos magos negros.
FECHAMENTO OU CRUZAMENTO DE CORPO: Trata-se de ritual para proteção do astral que reflete na nossa matéria; isso quer dizer que a proteção espiritual reflete em nosso corpo; mas não quer dizer que nada nos fará mal e sim que vibração energética estará contribuindo para nossa proteção; o rito de fechamento de corpo normalmente é praticado na quaresma mas pode ser feito também em outros momentos para dificultar ações de demandas e de espíritos sem luz que nos queiram prejudicar. Os procedimentos variam de acordo com a cultura da casa mas podem ser um simples cruzamento com pemba pelo guia chefe, ou uma catilagem.
FOGO: Utilizado para acender defumadores, charuto, cachimbo, cigarro e pólvora. O fogo da pólvora (tuia) produz o estouro e a fumaça para que expulse a negatividade, rompendo o campo magnético. Associado nos ritos de magia religiosa age como afastador de espíritos inferiores e destruidor (queima) as energias pesadas, estourando as bolsas miásmicas do ambiente, sempre fruto dos pensamentos dos seres que nele estão ou habitam.
GIRA OU SESSÃO: Reunião dos adeptos da Umbanda para seus rituais e assistência aos necessitados de amparo espiritual; homenagem aos Orixás e Guias ou desenvolvimento mediúnico.
INICIAÇÕES: É um dever, um compromisso com a função sacerdotal do médium. Implica na presença do Sacerdote, que com sua força espiritual, com o conhecimento do ritual e do material a ser aplicado na Iniciação, estabelece o elo, o canal entre o filho e as forças espirituais da egrégora.
MAGIA DE PEMBA: É a firmeza dos pontos riscados com a pemba que têm o objetivo de restaurar as forças das entidades e mantê-las durante a gira ou em função de um trabalho que está sendo executado (Vide item: 9 – PONTOS RISCADOS).
MEDITAÇÃO: É uma corrente contínua de pensamentos a respeito desses objetos.
OFERENDA: É um ato livre através do qual se oferece aos Orixás e Guias elementos materiais, principalmente relativas à alimentação, elementos extraídos da natureza, com o fim de homenagear aos Orixás e Guias e realizar a magia pelo trabalho, por parte dos espíritos, da contraparte etérica das oferendas (Vide item 15 – OFERENDAS E DESPACHOS).
PADÊ DE EXU: Trata-se de despacho oferecido a Exu no início dos trabalhos ou festas com alimentos, bebidas, velas, flores e outras oferendas, a fim de que os mesmos afastem as perturbações nas cerimonias que irão acontecer na casa.
PASSE: Os passes fazem parte do corpo doutrinário do Espiritismo. Eles remontam aos tempos e constituem recursos naturais, postos à disposição dos homens para as tarefas de socorro ao próximo. O Novo Testamento demonstra que Jesus e os Apóstolos utilizavam-se dos passes como recursos magnéticos curadores aliados a recursos espirituais, curando pela imposição das mãos ou pelo influxo das palavras de fé. Graças à sua feição, o Espiritismo conserva e difunde essa modalidade de auxílio, a fim de atender uma infinita quantidade de pessoas que batem às portas dos Centros Espíritas, na esperança de cura ou de alívio. O Passe é uma “transfusão de energias psicofísicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em benefício de outrem” (Emmanuel). Para o êxito dessa operação, cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida. Mágoas excessivas, paixões, desequilíbrio nervoso e inquietude, bem como alimentos inadequados e alcoólicos, são fatores que reduzem as possibilidades do passista e que, portanto, devem ser evitados. Aqueles que se consagram aos trabalhos de assistência aos enfermos através de passes, devem cultivar, além da humildade, boa vontade, pureza de fé, elevação de sentimentos e amor fraternal. Nos processos patológicos orgânicos, os “passes” não dispensam os recursos da Medicina, devendo ser utilizados como complemento.
PÉS DESCALÇOS: Na maioria das casas de Umbanda existe o costume de se trabalhar descalços durante as sessões. O médium, sempre que possível, ao incorporar, deve trabalhar descalço por uma questão de humildade e para facilitar a incorporação, bem como para haver melhor descarga dos fluídos nocivos, diretamente para a terra. Estando o médium calçado, estará isolado da terra, o que dificultará a eliminação dos fluídos nocivos (negativos). O grande mestre Matta e Silva nos explica :
"Nós, umbandistas, consideramos o conga', mesmo sem "santos" no altar, um lugar imantado, onde forma fixadas certas forcas ou vibrações positivas, que deve estar sempre limpo de fluidos negativos e onde conservamos os pontos riscados destas mesmas forcas ou ordens, mesmo porque certos preceitos são procedidos nele.
Assim, é de obrigação se tirar o calcado, visto este objeto ser anti-higiênico, pois se pisa com ele em tudo, às vezes em detritos e putrefações, ainda por querermos estar em ligação desembaraçada com o elemento terra, sabendo-se que esta é o escoadouro natural das vibrações ou ondas eletromagnéticas."
PONTOS CANTADOS: São cânticos homenageando e invocando as Entidades, marcando o início de sua incorporação ou desincorporação, para criar formas mágicas para determinados trabalhos, para abrir e fechar sessões no Terreiro, parar pedir forças espirituais, para afastar espíritos maus, etc…(Vide item exclusivo: 8 – PONTOS CANTADOS).
PRECE: É uma evocação por meio da qual colocamos nossos pensamentos em relação a Olorum, Orixás ou às Entidades. Pode ser pensada ou mentalizada, falada ou cantada.
PRECEITOS: Normas, proibições e recomendações relativas ao culto.
TRANSPORTE: É a incorporação da entidade de um médium por outro médium preparado para essa função; (Vide item: 18 – TRANSPORTE E DESCARRÊGO).