II - RITOS DE UMBANDA
7 – CURIMBA
Curimba é o conjunto de instrumento e grupo e médiuns responsáveis pelos toques e cantos sagrados dentro de um terreiro de Umbanda. São médiuns desenvolvidos e predestinados à função de percutir os atabaques (instrumentos sagrados de percussão), e entoar os cânticos sagrados; esses médiuns devem conhecer todo o ritual umbandista; são identificados como tabaqueiros ou atabaqueiros, curimbeiros ou ogãs.
Os pontos cantados, junto dos toques de atabaque, são de suma importância no decorrer da gira e por isso devem ser bem fundamentados, esclarecidos e entendidos por todos; os pontos têm a função ritualística pois marcam todas as partes dos trabalhos; assim temos pontos para abertura, bater cabeça, defumação, puxada de guias e etc..
Mas a importância maior dos pontos está na magia de evocar as entidades e a energia necessária para desenvolver os trabalhos; bem como estabilização da faixa vibratória de toda corrente, trazendo firmeza e concentração para todos os médiuns e assistência.
A batida do atabaque induz o cérebro a emitir ondas cerebrais diferentes do padrão comum, facilitando o transe mediúnico; esse processo também é muito utilizado nas culturas xamânicas do mundo afora.
As ondas energéticas sonoras emitidas pela curimba tomam todo o Terreiro e dissolvem formas e pensamento negativos; energias pesadas agregadas nas auras das pessoas, miasmas e larvas astrais são diluídas, limpando e criando toda uma atmosfera psíquica com condições ideais para a realização das práticas espirituais.
A Curimba é um verdadeiro pólo irradiador de energia dentro do terreiro, potencializando ainda mais as vibrações dos Guias e Orixás.
Os pontos são orações cantadas, verdadeiras determinações de magia, com um altíssimo poder de realização pois são fundamentos sagrados e divinos.
A Curimba funciona como sustentadora da manifestação dos guias; embora o médium da Curimba normalmente não incorpore, possui uma intuição muito aguçada e seus guias normalmente lhe proporcionam sustentação para desenvolvimento dos trabalhos.
Os guias que atuam na Curimba podem ser Caboclos, Pretos Velhos, Exus, Pomba–Giras, etc, que trabalham nos “bastidores”, sem incorporarem ou tomarem a “linha de frente” dos trabalhos espirituais.
Também existe uma corrente de espíritos que auxiliam nos toques e cantos da curimba; eles são mestres na música de Umbanda; verdadeiros guardiões dos mistérios do som; são espíritos bondosos, muito alegres e divertidos, que com o cantar encantam a muitos no astral.; alguns estão presentes auxiliando o toque, outros o canto e outros ainda auxiliam a manutenção da energia e sua dissipação dentro do terreiro; muitos são os relatos de ogãs sobre um ponto que vem na hora que ele é necessário e depois você simplesmente o esquece; isso acontece pela inspiração desses mentores.
Os Guias incorporados fazem sua saudação à frente dos atabaques; nesse momento estão saudando a Curimba e todas as entidades do astral que inspiram a atuação desta.