II - RITOS DE UMBANDA
6 - ELEMENTOS RITUALÍSTICOS NA UMBANDA
Embora durante muito tempo alguns umbandistas tenham se identificado como espíritas para fugir do preconceito, existem grandes diferenças entre as duas manifestações; uma delas é a presença da magia e o uso do ritual ostensivo na Umbanda; elementos que não constatamos no Espiritismo; isso não obsta que grande parte de nossos conceitos sejam espíritas pois partem do princípio da existência da reencarnação e da possibilidade de comunicação com os desencarnados.
Entretanto, não podemos querer “espiritizar” a Umbanda baseando-nos na codificação kardecista; por isso a Umbanda foi criada e implantada no Brasil e desvinculada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, da Federação Espírita, em 15 de Novembro de 1908, com a fundação da Tenda Nossa Senhora da Piedade, da Tenda São Jorge, da Tenda Nossa Senhora da Guia, da Tenda São Jerônimo, e etc… A Umbanda foi criada para ser um movimento, dentro do espiritismo, utilizando-se de meios energéticos naturais, do culto aos Orixás e evocação de espíritos de índios e africanos, mas acabou tornando-se outra religião.
Por isso a Umbanda tem sua beleza própria e capacidade de religar o homem com Olorum (Deus), através de Oxalá, por meio de todos esses instrumentos de culto e dessa doutrina embasada nos valores religiosos cristãos, kardecistas, afro, ameríndio e oriental.
6.1 – ADENTRANDO NO TERREIRO
Uma das principais coisas que chama atenção das pessoas que vão a primeira vez num terreiro é ver os médiuns vestidos de branco e envoltos por colares (fios de conta ou guias) de várias cores.
Cada objeto encontrado no Terreiro de Umbanda ou na posse do médium tem um valor litúrgico; o colar ou fio de contas, ou guia é uma peça fundamental, formada por contas de cristal ou louça, tem como objetivo proteger o médium de qualquer má influência ou vibração; bem como identifica as entidades que trabalham com o médium. O cristal e a louça são grande condutores de energia, quando preparados e magnetizados pelos guias, trarão a proteção e ajudarão na canalização energética entre o médium e a entidade.
O mesmo objetivo de proteção também é atribuído aos cocares, chapéus, pulseiras e etc., utilizados pelas entidades.
A Pemba também é de grande importância; tanto na forma de pedra quanto na forma de pó; como pó tem a função de fixar energias ao ser soprada no ambiente pelos guia ou pelo dirigente; como pedra, é utilizada na “Magia de Pemba”; ou seja para riscar os pontos no chão, criando um elo com o plano espiritual emanando energias, fluídos e vibrações.
Portanto, todas as vezes que adentrar em um Terreiro de Umbanda saiba que tudo é magistico e faz parte de um ritual sagrado, resultado de práticas consagradas e estabelecida pelas entidades e cultura daquela casa, devendo ser respeitado independente de se assimilar ou não às práticas que você conhece.
6.2 – OBJETOS RITUALÍSTICOS DA UMBANDA
ADEJÁ OU ADJÁ: Trata-se de um instrumento utilizado pelo dirigente para comandar a Curimba e os trabalhos de uma forma geral; tem também o significado litúrgico de chamar a atenção para o sagrado e evocar os Orixás e os bons espíritos trabalhadores.
AGOGÔ: Trata-se de Um instrumento de percussão que é utilizado em algumas oportunidades pela Curimba.
ÁGUA: Sua utilidade é imensa. Serve para os banhos, amacis, para cozinhar, para lavar as guias, para descarregar os maus fluídos pela captação, para o batismo, para fluidificação. Dependendo de sua procedência (mares, rios, chuvas e poços), terá um emprego diferente nos rituais; a água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego.
ATABAQUES: Eles servem para manter o ambiente sob uma vibração homogênea e fazer com que todos os médiuns permaneçam em vibração. Normalmente em um terreiro, os atabaques são múltiplos de três, o maior dos atabaques é o Rum, destinado ao guia que rege a casa; o segundo, é o Rumpi, destinado ao segundo guia que rege a casa ou ao guia que rege a coroa do pai ou mãe de santo fundadores do terreiro; o terceiro, e o menor deles, é o Lé, muitas vezes destinado à Exu ou a um guia homenageado pela casa. As ordens dos donos de cada atabaque são definidas pelos guias que regem o terreiro, podendo eles alterarem essa disposição.
O Rum é geralmente tocado pelo ogã chefe e só poderá ser tocado por outro ogã
desde que o ogã chefe permita. Ele, o Rum, serve para dar os primeiros toques nos pontos, repicar e conduzir os trabalhos. O Rumpi é tocado pelo segundo ogã, dando o ritmo do toque e mantendo a harmonia. O Lé é tocado pelo ogã iniciante, que ainda está em processo de aprendizado, seguindo sempre os toques do Rumpi.
Se um ogã de outro terreiro visitar a casa, este deve pedir autorização ao guia chefe para poder tocar o atabaque, e deverá ter permissão do ogã chefe para tocar o atabaque, que lhe direcionará ao atabaque próprio para receber um convidado (normalmente não é permitido ao convidado tocar no Rum). Em terreiros tradicionais e candomblés, o ogã chefe sempre é considerado o detentor do conhecimento sobre as giras, assumindo sempre sete anos a mais de experiência sobre o pai ou mãe de santo. Isso se deve ao fato de que o ogã conhece todos os preparos para as giras, e é quem conduz a energia de sustentação dos trabalhos. Os guias normalmente indicam os futuros iniciantes ao ofício de ogã, mas cabe ao ogã chefe permitir a entrada e designar o atabaque para o iniciante. Um ogã mal intencionado pode derrubar uma gira apenas tocando o atabaque, e muitas vezes, consegue derrubar todo o terreiro. Para que se evitem problemas, há pontos chamados de provocação, onde o ogã do terreiro tenta quebrar as forças do ogã mal intencionado entoando pontos de quebra de forças e demanda. Cada ogã tem sua função nas giras, além de tocar os atabaques e facilitar a corrente de energias. Um dos ogãs, sempre volta sua atenção ao que acontece dentro do congá, mantendo o trabalho em equilíbrio e de acordo com as orientações do guia chefe; outro ogã tem sua atenção voltada à assistência, onde fica atento sobre possíveis problemas ou olhares de pessoas mal intencionadas; o terceiro ogã presta atenção de uma maneira geral, auxiliando os outros ogãs (Vide Item: 7 - CURIMBA).
BEBIDAS ALCOÓLICAS OU AGUARDENTE: Utilizadas tanto por guias de direita (Caboclos, Pretos Velhos, Baianos e etc.) como por guias de esquerda (Exus, Pomba giras e Exus-Mirins) para melhorar a vibração do ambiente onde está ocorrendo à manifestação (Veja o item: 11 – BEBIDAS ALCOÓLICAS E TABACO NA UMBANDA).
BENGALAS: Elemento da indumentária dos Pretos Velhos, Exus, Baianos, Boiadeiros ou Malandros, utilizado em algumas casas.
BERRANTE: Elemento da indumentária dos Boiadeiros, utilizado em algumas casas.
CAPAS E CARTOLAS: Elementos da indumentária dos Exus utilizados em algumas casas.
CASA DAS ALMAS OU CRUZEIRO: Além de um campo de proteção de ataques de seres infelizes vampiros espirituais, etc., é o local onde ficam direcionadas as forças do Orixá Obaluaê.
Muitas vezes um determinado guia nos da uma vela branca e nos pede para firmá-la no mesmo, logo interpretamos que estamos com eguns, quiumbas ou algum sofredor, mas nos esquecemos que tal qual no campo santo (Cruzeiro encontrados nos cemitérios), ali também é um ponto natural e sagrado de Obaluaê e muitas vezes a "vela" não é para outros, mas sim para nós mesmos; para podermos, com a ajuda do Pai, transmutarmos algo de ruim que ainda não estamos conseguindo sozinhos resolver dentro de nós. Como podem ver nada tem a ver um cruzeiro das almas com azar ou chamamentos da morte; isso é fruto de crendices populares e gente infelizmente ainda mal informada dentro e fora da Umbanda.
Lembramos ainda que o Cruzeiro das Almas é um ponto de luz e devemos sempre quando nos direcionarmos a ele como em qualquer outro campo de força de Orixás, fazermos com respeito e muita fé.
CASA DE EXU: Sempre quando entramos num terreiro, geralmente a primeira coisa que visualizamos, na maior parte dos casos é chamada casinha de Exu, geralmente de portas fechadas, já que as mirongas lá dentro não podem ser vistas pelo público em geral.
Os donos desse espaço são os Exus ou Guardiões e costumam também ser chamados de: Compadre, o Homem da Rua ou das Encruzilhadas; suas oferendas costumam ser colocadas neste local ou em seus pontos de força (encruzilhadas, calungas, ferrovias, pântanos e etc.).
O objetivo da Casa de Exu ficar próxima da entrada do Terreiro é o de proteger o espaço sagrado.
CHAPÉUS DE COURO OU DE PALHA: Elementos da indumentária dos Baianos, Boiadeiros e Malandros utilizados em algumas casas.
CHARUTOS, CACHIMBOS E CIGARROS: – Tem a função semelhante da defumação, porém de forma mais dirigida aos trabalhos que estão sendo executados pelos guias (tanto de direita como de esquerda) ( Veja item: 11- BEBIDAS ALCOÓLICAS E TABACO NA UMBANDA).
CHICOTES OU REIOS: Elementos da indumentária dos Baianos e Boiadeiros utilizados em algumas casas.
COCARES: Elemento da indumentária dos Caboclos utilizado em algumas casas.
CONGÁ: Altar Ritualístico, onde ficam os símbolos, elementos de irradiação, imagens, etc… É o ponto de atração e irradiação no Abaçá.
DEFUMADOR: É uma mistura que pode conter várias ervas como o alecrim, benjoim, incenso, alfazema e mirra e outras ervas.
ERVAS: Folhas e Ervas são a base de quase tudo na Umbanda; é o sangue vegetal que na forma de banhos nos purifica e consagra. Quem for banhado por elas espanta os males físicos e espirituais. As ervas possuem vasto uso, nos rituais são muito utilizadas em homenagens, invocando sua proteção para que os atos litúrgicos sejam bem encaminhados. Enfim, seu uso é primordial, pois nada acontece sem folhas. Um dos grandes mistérios em quase todos os ramos da Magia em todo o mundo é a utilização das plantas, raízes e sementes das ervas mais variadas. São usadas tanto em forma de defumações para os Deuses quanto para banhos purificadores, protetores e de cura (Vide item: 12 - FOLHAS E ERVAS DAS ENTIDADES E ORIXÁS).
FERRAMENTAS DE SANTO: São várias as ferramentas e seus formatos dependem da entidade ou Orixá; por exemplo: o Oxé de Xangô; o tridente de Exu; a Flecha de Oxossi; a Espada de Ogum; e outros.
FITAS COLORIDAS: Trata-se de elemento representativo das cores das entidades ou Orixás que podem ser utilizados compondo a indumentária ou fazendo parte de firmeza ou assentamentos.
FILÁ OU PANO DE TORSO: Filá para os homens e Pano de torso para mulheres; tanto torço como o filá tem como função proteger a coroa ou ori (cabeça) do médium. A cabeça é um ponto de contato entre o o Orixá e o médium; o médium recebe toda a energia do Orixá pela coroa; o filá ou pano de torso fazem a filtração de formas de pensamento e projeções mentais ruins, além do que seu uso significa respeito às forças emanadas pelos Orixás. Na Umbanda que eu pratico o filá ou pano de torso são utilizados apenas em cerimônias onde há invocação dos Orixás.
FUNDANGA OU PÓLVORA: Sua aplicação também é conhecida como “Roda de Fogo”; é instrumento utilizado pelos Guardiões ou pelo dirigente devidamente preparado para esse ritual. Ela é presidida pelas entidades Chefe, onde respeitosamente é elaborada a corrente de Luz vibratória dos médiuns onde o Guardião ativa o portal de uma terceira dimensão; no momento da queima da pólvora, ocorre uma desobsessão em massa dos filhos favorecidos . É nesta hora que os Guardiões agem pela misericórdia Divina, buscando onde quer que estejam, os espíritos trevosos obsessores, espíritos e falanges das sombras, chefes e todos os seus comandados. Toda esta falange é retirada da orbe terrestre, através de um minucioso plano estratégico traçado pelos Guardiões. A massa densa e negativa que envolve a Terra, é fruto de espíritos inferiores que atuam com o auxílio dos que ainda habitam o planeta vibrando negativamente, com pensamentos e atos egoístas, invejosos, ambiciosos e de desamor. Estas atitudes vão contra as Leis de Olorum que ensinou e demonstrou o Amor em sua forma e ação sublime através de Oxalá. É com a autorização e em nome de Oxalá que tão despretensiosamente e caridosamente vêem todo esse exército - Os soldados da Luz – trabalhar em prol dos irmãos necessitados de auxílio e de Luz.
GIBÃO: Elemento da indumentária dos Boiadeiros, utilizado em algumas casas.
GUIAS, FIOS DE CONTA OU COLARES: É um colar ritual de miçangas, contas de cristal, de louça, de frutos pequenos, de pedras, construídos de acordo com a Entidade, que designa também a cor de sua preferência. Podem ter pequenos objetos presos a eles. Estes “colares” são verdadeiros para-raios em defesa dos os médiuns. É um objeto no qual os Guias e Protetores imantam com determinadas forças para servirem de instrumentos em ocasiões precisas. A Guia é então, uma das muitas ferramentas utilizadas pelo médium que serve como defesa deste que, muitas vezes, se vê obrigado a entrar em contato com energias às quais ele não poderia suportar, daí a explicação para as guias que arrebentam de repente. Por ser de material altamente atrativo, a guia recebe toda a carga negativa que foi direcionada ao médium e arrebenta. A guia não serve somente como proteção do médium. Esta tem muitas outras utilidades como, por exemplo:
-serve como instrumento de ligação psíquica entre Médium e Espírito;
-serve como instrumento de tratamento;
-serve como material de trabalho das Entidades, atraindo ou emitindo energias e etc.
As guias devem ser confeccionadas com produtos naturais, pois são imantáveis e condutores de energias. Esses materiais podem ser: sementes, madeira como o bambu, pedras, conchas e outros objetos marinhos, pedras preciosas e semipreciosas (mesmo que lapidadas), cristais, porcelana, miçangas, dentes de animais, guizos e outros, como por exemplo, os metais. Jamais se usa plástico ou outro produto artificial. Usando-se os materiais citados acima, as guias serão confeccionadas de acordo com o pedido feito pelas entidades, de acordo com a doutrina da casa que você frequenta ou de acordo com a necessidade daquela guia. Não se pode montar uma guia só porque acha bonito, ou porque todos usam, ou porque você acha que deva usar. Espere, tudo na sua hora! Nas lojas especializadas encontram-se guias prontas dos mais variados modelos, mas existem casos em que a entidade pede para que você monte a guia pedida. Porquê?
A guia é uma peça “benta” com força e irradiação para nos proteger e aumentar nossa força, nossa vibração e etc. São ritualisticamente preparadas, ou seja, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam.
As guias normalmente são confeccionadas de forma cabalística, utilizando-se separações e inserções de outras cores, sempre determinados pelos números magísticos múltiplos de três e sete; ao final a guia é encerrada por um elemento denominado “firma” por onde passam todos os fios e são amarrados.
Geralmente, quando uma entidade pede para seu filho montar a sua Guia, a mesma estará presente naquele momento, ou para dar orientações na montagem por intuição, ou para ver se o filho realmente tem o devido respeito pela religião (objetos, entidades, rituais e etc.) ou por vários outros motivos como, por exemplo, testes de fé, de paciência, pois tem vezes que a guia se quebra várias vezes antes de ficar pronta, ou às vezes a entidade está desenvolvendo sua mediunidade através das intuições e muito mais. Por isso, para montar uma guia, deve-se estar tranquilo, sem agitação externa e sem preocupações, enfim trabalhando, meditando e se conectando com seus Guias espirituais. As guias, depois de prontas ou compradas devem ser descarregadas e cruzadas (benzidas). Dependendo da doutrina de cada casa, as guias serão colocadas no conga por um determinado tempo, as vezes serão colocadas em certos recipientes com misturas de ervas, ou colocadas em sal grosso, e etc. Só depois de feito isso é que a entidade chefe da casa ou seu próprio guia vai cruzá-la. Lembre-se, se a guia não foi cruzada, a mesma não terá nenhum valor. Como dissemos acima, a guia será imantada com energias de acordo com as necessidades de quem vai usá-la e a que finalidade será utilizada. Existem pelo menos quatro tipos de guias que são utilizadas frequentemente pelos filhos de fé. São elas:
•Guia de proteção
•Guia de tratamento
•Guia do Orixá
•Guias das Entidades
Cada guia tem seu formato e cores específicas, como já lemos acima, ela será de acordo com a necessidade a que se destina. Veja a seguir algumas características das guias mais utilizadas:
Guia de Proteção:
Geralmente, quando um médium entra para a religião e começa a trabalhar numa casa de Umbanda, pede-se para que ele providencie a sua guia de proteção. Essa guia, não é uma regra, mas geralmente pede-se uma Guia de Oxalá, ou de Sete Linhas, em algumas casas utiliza-se uma guia “incomum”, ou seja, uma guia com cores e formatos diferentes do tradicional, de acordo com as instruções do Mentor da Casa é preparada uma guia “Daquele Centro”. A guia de Oxalá é de cor branca. Oxalá é o Orixá Maior; essa é a mais usada nos casos de proteção e tratamentos. Já a guia de Sete Linhas, é aquela que tem sete cores, ou seja, representa as sete Linhas da Umbanda. É utilizada também para proteção, pois significa que o médium está sob a proteção das Sete Linhas da Umbanda.
Guia de Tratamento:
Como vimos acima, usa-se muito a guia branca, pois ela tem, “também”, um efeito psicológico no tratamento. Quando uma pessoa vai passar por um tratamento utilizando essa guia, é dito ao paciente que é uma guia devidamente cruzada para aquele tratamento, e que essa guia branca é a guia que representa a força ou vibração de Oxalá. Dito isso, a pessoa acaba tendo sua fé aumentada; e com isso se obtém melhores resultados no tratamento, não que outras guias não sirvam, mas a parte psicológica conta e muito. Existem casos em que a entidade lhe empresta ou te dá a guia dela. Nestes casos, quando você for presenteado com uma, não precisa repor; mas, quando for solicitada a sua reposição, não se esqueça de fazê-la, existe aí uma grande ligação entre paciente e entidade.
Guia (de trabalho) do Orixá :
É a guia que está ligada à faixa vibratória do médium e também é a guia que representa o Orixá que comanda sua coroa (Ori). A guia do Orixá é feita na cor relacionada ao Orixá, geralmente de uma cor só. Por exemplo, um Filho de Ogum, usa uma guia vermelha e um Filho de Oxossi usa uma guia verde. Ogum (guerreiro) tem sua vibração nos campos abertos, já Oxossi (caçador) tem sua vibração nas matas
Guias (de trabalho) das Entidades:
São aquelas guias que não tem um padrão, ou seja, cada entidade pede sua guia de trabalho de acordo com suas necessidades. Por isso é que temos tantos modelos de guias tão diferentes umas das outras; temos guias feitas com contas (bolinhas) coloridas e intercaladas com outros materiais, como dentes, olho de cabra, coquinhos e etc. As guias das entidades devem ser feitas exatamente como elas pediram, pois tem grandes significados para elas que nós nem sequer imaginamos, é como um ponto riscado, cheio de mistérios. Geralmente as guias dos Pais de Cabeça (entidades que regem o médium) são confeccionadas na mesma cor do Orixá de Cabeça; podendo ser cruzadas com outras forças e com isso, apresentarem mais de uma cor; por exemplo: uma guia toda verde quer dizer que é um Caboclo de Oxossi; se tiver a presença de alguns elementos brancos indicará que está cruzada com Oxalá; e assim por diante, segue uma variedade, de acordo com a herança cultural da casa.
Cores das Guias:
Existem cinco tipos de guias que tem cores e formato “padrão”.
•Branco e Verde – Caboclo
•Branco e Preto - Preto Velho
•Azul e Rosa – Crianças
•Vermelho e Preto – Exu
•Branco, Vermelho, Azul, Verde, Amarelo, Marrom e Roxo - 7 Linhas
Utilizando as Guias:
As guias usadas no pescoço servem como um elo de ligação entre seu Orixá (faixa vibratória) e a entidade atuante naquele momento.
Usa-se a guia no pescoço para dar mais intensidade no lado mental do médium, melhorando a comunicação ou transmissão daquilo que a entidade pretende passar ou até mesmo ajudando na ligação do médium ao espírito na hora da incorporação das entidades, onde o médium precisa elevar a sua faixa vibratória e a entidade descer a sua, para que ocorra a comunicação. As guias são elementos ritualísticos pessoais, individuais e intransferíveis, devendo ser confeccionadas, manipuladas e utilizadas somente pelo médium a quem se destinam. Deve-se observar que cada indivíduo e cada ambiente possuem um campo magnético e uma tônica vibracional próprios e individual (tanto positivo quanto negativo). Por este motivo cada Guia é preparada separadamente. Este também é o motivo que se aconselha a nunca tocar nas Guias de outrem, para que não haja mistura de energias
A confecção ou manipulação das guias por outras pessoas, ou ainda, seu uso, em ambientes ou situações negativas ou discordantes com o trabalho espiritual, fatalmente acarretará uma "contaminação" ou interferência vibracional. Como elemento de atração e isolamento, funcionam como um tipo de "Para-Raios", atraindo para si, toda (ou quase) a carga negativa ou estranha ao médium, isolando-o até certo ponto. No entanto, as guias irão permanecer "carregadas", até serem devidamente "limpas".
Excepcionalmente as guias podem ser utilizadas pelo médium, para "puxar" uma determinada vibração, de forma a lhe proporcionar alivio em seus momentos de aflição; nesse caso, a guia ira proporcionar uma interferência no campo magnético do médium; dependendo da situação ou circunstância, poderá até mesmo causar-lhe um certo desconforto aparente ou mal-estar, devido a um aceleramento de sua Faixa Vibratória.
Mesmo durante um trabalho espiritual ou ritualístico, notadamente antes de uma incorporação, o uso indiscriminado de diversas guias ao mesmo tempo, poderá prejudicar a sintonia do médium, uma vez que, diversas falanges serão atraídas ao mesmo tempo.
Apenas em casos muito raros e excepcionais, podem ser utilizadas em outra pessoa, como forma a favorecê-la com uma vibração positiva específica (notadamente em relação à saúde), observando-se, contudo o cuidado de, ao retirá-las, limpá-las adequadamente antes de serem reutilizadas pelo médium.
Como vimos, as guias são elementos ritualísticos muito sérios e como tal que devem ser respeitados e cuidados.
Seu uso deve se restringir ao trabalho espiritual, ao ambiente cerimonial (terreiro) e aos momentos de extrema necessidade por parte do médium. Utilizar a guia em ambientes ou situações dissonantes com o trabalho espiritual, ou por mera vaidade e exibicionismo, é no mínimo um desrespeito para com a vibração a qual representam. Lembre-se que as guias são objetos sagrados e como tais devem ser tratadas.
Mas, o mais importante de fato, é que o Filho aprenda a ter fé e confiança nas Entidades e em Deus, não se apoiando em verdadeiras "muletas psicológicas" para se sentir protegido.
IMAGENS: Imagens de Entidades, Orixás e Santos Católicos que representam entidades e Orixás são na verdade firmezas imantadas com suas respectivas energias.
As imagens também são pontos de focalização, baseado no conceito de egrégora, ponto focal seria um concentrador de energia, é uma herança católica, que veio para umbanda no confuso sincretismo.
Outra característica marcante é o congá de um terreiro de Umbanda que tem, lado a lado, imagens de santos católicos (estes representando os orixás), imagens das entidades (marinheiros, caboclos ameríndios, pretos velhos, crianças, etc) e também podem ter outras imagens como de Santa Luzia, Santo Agostinho, Santo Expedito, etc.
Porém a propagação de uma imagem errada pode gerar má interpretação como é o caso do Exu que não tem nada a ver com as imagens vendidas nas casas de artigos religiosos, com chifrinhos e rabos... Exu não é o Diabo. Essa é uma das confusões causada por esse casamento da umbanda com o catolicismo (sincretismo).
INDUMENTÁRIA: (Vide item exclusivo sobre esse assunto: 10 - INDUMENTÁRIA NA UMBANDA).
MARÁCAS: Instrumentos utilizados pelos Caboclos durante o passe, de influência Xamânica.
OTÁ: Pedra (de rio, cachoeira ou praia), axé do Orixá (onde se fixa a força mágica da Vibração). O otá tem vida energética quando ativado; somente assim passa a ser um otá; sua forma, dependendo do Orixá, poderá ser redonda, arredondada (ovalada) ou comprida. É um condensador e funciona como um transformador energético.
PANO DE TORSO OU FILÁ: Filá para os homens e Pano de torso para mulheres; tanto o pano de torço como o filá tem como função proteger a coroa ou ori (cabeça) do médium. A cabeça é um ponto de contato entre o o Orixá e o médium; o médium recebe toda a energia do Orixá pela coroa; o filá ou pano de torso fazem a filtração de formas de pensamento e projeções mentais ruins, além do que seu uso significa respeito às forças emanadas pelos Orixás. Na Umbanda que eu pratico o filá ou pano de torso são utilizados apenas em cerimônias onde há invocação dos Orixás.
PEMBA: A força esotérica da Escrita astral, na Umbanda, é feita pela Pemba (giz oval – forma cônica), que tem o poder de abrir e fechar trabalhos de magia, e de purificar, quando em forma de pó é lançada ao ar no ambiente em que se utiliza.
PONTEIROS, PUNHAIS E FACAS: Normalmente utilizados por Guardiões em firmezas ou trabalhos onde se interrompe energias que estão atuando de forma indesejada.
VELAS: As velas vieram para a Umbanda por influência do Catolicismo. As velas funcionam como um transmissor rumo aos planos que se desejar atingir. A chama da vela é a conexão direta com o mundo espiritual superior, sendo que a parafina atua como a parte física da vela ou símbolo da vontade, e o pavio a direção.
Na vela encontramos a vibração dos 4 elementos naturais: água, terra, fogo e ar; é a atuação da magia dos elementos; ao acendê-las de forma religiosa através da prece, produz-se a indução ao movimento magístico com as Forças Sutis Eólicas, Ígneas, Hídricas e Telúricas.
As velas podem ser brancas ou da cor do Orixá ou Entidade a qual destinam-se as vibrações; podem ser do tipo palito que queimam em poucas horas ou de sete dias.
Nos terreiros, há sempre alguma vela acesa, são ponto de convergência para que o umbandista fixe sua atenção e possa assim fazer sua rogação ou agradecimento a entidade ou Orixá a quem dedicou.
Ao iluminá-las, homenageia-se, reforçando uma energia que liga, de certa forma, o corpo ao espírito.
A função da uma vela, que já foi definida como o mais simples dos rituais, é, no seu sentido básico, o de simplesmente repetir uma mensagem, um pedido.
O pensamento mal direcionado, confuso ou disperso pode canalizar coisas não muito positivas ou simplesmente não funcionar. Diz um velho provérbio: "cuidado com o que pede, pois poderá ser atendido!". A pessoa se concentra no que deseja e a função da chama é o de repetir, por reflexo, no astral, a vontade e o pedido do interessado. Existem diversos fatores dentro da magia no tocante ao número de velas a serem acesas e outros detalhes.
O ato de acender uma vela deve ser um ato de fé, de mentalização e concentração para a finalidade que se quer. É o momento em que o médium faz uma "ponte mental", entre o seu consciente e o pedido ou agradecimentos à entidade ou Orixá que estiver sintonizado.
Muitos médiuns acendem velas para seus guias, de forma automática e mecânica, sem nenhuma concentração. É preciso que se tenha consciência do que se está fazendo, da grandeza e importância (para o médium e Entidade), pois a energia emitida pela mente do médium, irá englobar a energia ígnea (do fogo) e, juntas viajarão no espaço para atender a razão da queima desta vela.