RECADO DE UM AMIGO
Um dia, quando acordei, meu amigo já encontrava-se ao meu lado.
Verdadeiro amigo! Pronto para qualquer situação que eu me encontre; quer seja de alegria ou de tristeza; em todas elas ele me induz ao crescimento; assim como devem ser os melhores amigos.
Então ele me disse que o tempo não apaga nossa história pois ela contém todos ensinamentos que obtivemos até esse instante; disse-me que a história que vivemos até esse momento foi para contribuir com a nossa evolução em direção ao bem e a ser um espírito melhor.
Ainda que hoje nos sintamos piores, o tempo contribuiu para o nosso aprendizado; portanto caminhamos um pouco na nossa escala evolutiva; esse sentimento de estar pior é, na verdade, a consciência pouco mais aguçada que antes não desfrutávamos.
Essa consciência é uma dádiva de Olorum para tornarmo-nos cada vez melhor; purificando nossas almas e enriquecendo nosso ser.
Meu amigo me disse também que devo sempre compartilhar tudo que chega à luz do meu entendimento pois o conhecimento só é verdadeiro quando compartilhado; caso contrário é apenas um pensamento perdido no éter.
Ainda que não possa fazer muito sentido, estou compartilhado contigo essa mensagem.
Um grande e fraterno abraço; meu e de meu amigo, Caboclo Sete Montanhas.
Luiz de Xangô
I. CABOCLO SETE MONTANHAS
"CHE KO'APE (Estou aqui)
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalização: Luiz de Xangô)
(Adaptação: Maria Aparecida Oliveira)
Somente um espírito livre pode saber o que há nas profundezas das matas.
Esta libertação do espírito vai mostrar a você a vida exuberante que há nas matas do teu mundo.
Mantenha seu espírito livre e traduza os bons conselhos em ações e verá que estou ao seu lado, assim como tantos outros bons espíritos estão em nossa companhia.
Pode me chamar e irá me perceber!”
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A SEMELHANÇA DA LUA E O VAGA-LUME
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Quando ainda kurumi (criança) o Pajé (Sábio feiticeiro) me fazia sempre uma pergunta: “Qual a semelhança da airequeê (lua) e o uauá (vaga-lume)? Eu não sabia responder e ele, talvez por entender que eu ainda não estivesse preparado, adiava sempre a resposta.
Certo dia, o Pajé me chamou para ocara (centro da aldeia) e começou a me falar sobre todas as coisas do universo criadas por Tupã (Deus); me fez olhar para os uauás que voavam ao nosso redor com luzes intermitentes, em seguida olhar para airequeê que derramava seus raios prateados sobre os arredores da aldeia, dando a impressão de que compartilhava sua energia com a dos uauás para projetarem sua luz; nesse momento, ainda que faltassem palavras para explicar, eu pude entender claramente a tal semelhança.
Tudo que existe no universo é energia e está em constante evolução; dos astros, dos seres mais complexos até um ínfimo grão de areia; tudo tem sua importância e foi colocado no lugar certo, pelo tempo necessário; se observarmos bem, conseguiremos ver semelhança em tudo e em todos os seres.
Todos caminhamos em direção a Tupã, matéria e espírito; fazemos parte de um aprimoramento cujo tempo de evolução não é o mesmo contado pelo homem; uma existência pode ser marcada por frações de segundo ou por séculos na nossa escala de tempo.
Todos os seres estão em transformação e dependem um do outro; somos uma centelha emanada do criador e cumprimos uma trajetória em direção a criação.
Nós espíritos, na vivência do processo de evolução, conquistamos a inteligência que nos proporciona o direito da escolha e da modificação do nosso meio ambiente; isso nos dá a possibilidade de agregar conhecimentos e ajudar a todos os seres e tudo que nos rodeia.
Caminhamos no sentido de sermos seres perfeitos, ainda que estejamos muito longe disso, Tupã nos mostra o caminho a todo momento, em direção à sua semelhança; tal como a luz que é emanada pela airequeê e pelo uauá.
Haverá então um momento em que deveremos partir mas isso não nos tornará distantes pois seremos sempre uma centelha Divina e estaremos sempre ligados ao criador.
Todos temos tempos diferentes nessa escala evolutiva; alguns necessitam de várias encarnações ou repetição do processo a que se propõe; mas, ainda que descompassados, estaremos sempre juntos pois fazemos parte do universo.
Com esse ensinamento, o Pajé (Sábio feiticeiro) me fez entender que a mesma luz emanada pela airequeê (lua) está presente no uauá (vaga-lume) e que isso é um sinal de Tupã (Deus) para nos demonstrar que todos os seres do universo estão ligados a criação e todos estão em evolução pois são a mesma energia criadora.
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FÉ
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Era dia quando acordei, tremendo de frio e com muita febre; o pajé ao meu lado fazendo suas orações e convidando nossos antepassados com a autorização de Tupã; eu não podia ver direito o seu rosto pois a luz de uns poucos raios que invadiam a oca e amerê (fumaça) emanada pelo seu cachimbo faziam-me confundir com várias pessoas que habitavam a aldeia e outros que já haviam partido.
Ouvi alguns murmúrios:
_ Abaçai! Abaçai! Abaçai! (Espírito maligno)
Então o pajé me perguntou se eu tinha fé; prontamente respondi que sim; mas intimamente não sabia exatamente o que era fé; talvez fosse simplesmente crer.
Como se lesse meus pensamentos, o pajé me disse que não era simplesmente crer; tampouco necessitava ver para crer; havia um meio termo que minha pouca sabedoria de dez anos de idade haveria de assimilar; então ele me disse para fechar os olhos e imaginar tudo ao meu redor; então eu pude ver toda a aldeia; as crianças no rio, as mulheres cozinhando o beijú, as aracemas batendo em revoada e os homens saindo à caça; então ele me perguntou sobre o que eu via; relatei detalhadamente; foi quando ele me disse que fé era sentir para crer e que, quanto mais evoluído se tornasse o meu espírito, mais possibilidade eu teria de sentir e ter fé.
No momento que pude entender o que é a fé, abaçai se afastou instantaneamente e o pajé encerrou a pajelança dizendo que eu já era um baquara (sabedor de coisas).
Oque lhes posso passar com o meu aprendizado é que a fé é essencialmente “sentir para crer”.
A crença pura e simples deixa a criatura vulnerável a todas afirmativas, nem sempre verdadeiras e muitas vezes capazes de levar ao fanatismo.
Por outro lado, o indivíduo que se posta numa posição irredutível de acreditar somente naquilo que lhe é provado, deixa de viver experiências verdadeiras que a todo momento conspiram para sua evolução.
Por essa razão se deve “ouvir o coração”; abrir o canal da percepção liberando a nossa razão para buscar argumentos também em nossa sensibilidade.
Há inúmeras formas do universo contribuir para nossa evolução; para percebê-las temos que sintonizar nossa vibração a essas energias; para se beneficiar dos “bons fluídos energéticos” temos que vibrar nessa busca; esse exercício constante nos leva paulatinamente ao encontro das respostas.
A fé me trouxe a segurança de que existe algo mais além da limitada visão de um espírito em evolução.
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Aracê (O Nascer do dia)
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Que os campos ressurjam férteis em todos os dias da sua vida e o sol resplandeça no horizonte a partir de onde seu olhar possa alcançar.
A natureza por sí só pode semear; mas, ao ser humano foi também dado esse direito; isso torna cada um mais responsável.
Caberá sempre a você plantar a semente que são seus sonhos de hoje; tenha sabedoria ao escolhê-los e determinação em concretizá-los.
Acredite sempre nas suas possibilidades e inclua sempre os seus nos teus melhores dias.
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“OS SENTIMENTOS”
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
A semente dos sentimentos germina em cada coração; cabe a cada um cultivar esses sentimentos acompanhando à cada momento sua evolução.
Pequenas atitudes, gestos e até pensamentos vão orientar o desenvolvimento da nossa personalidade que é traduzida pela planta que dará ou não seus frutos.
Cada planta tem seu papel na natureza; umas oferecem os frutos; outras os remédios para cura; outras a sua beleza; outras ainda, rústicas, verdadeiras ervas “daninhas”, por mais que pareçam ser inconvenientes e prejudiciais, têm também o seu papel; quer o de oferecer abrigo a outras criaturas; quer o de proteger o solo para que as outras possam se desenvolver.
Essa analogia serve para nossa reflexão: devemos sempre cultivar os bons sentimentos baseados sempre na moral que cultivamos e nos ensinamentos que recebemos; porém, não devemos discriminar as outras pessoas pois cada um tem o seu papel e sua importância na sociedade.
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PACIÊNCIA
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
A paciência é uma grande virtude do homem sábio; ser paciente é ter consciência do que se quer atingir e respeitar o tempo de cada coisa acontecer.
A velha árvore do Jatobá cresceu durante gerações de minha tribo; quando a conheci, já tinha bem uns duzentos anos dando frutos que eram utilizados nos nossos rituais de meditação e a sua casca era utilizada para fazer o chá.
Os antigos diziam que a semente havia sido plantada por um velho da tribo; tendo sido o mesmo indagado sobre o fato de que essa planta demoraria muito para se tornar uma árvore e dar furtos, o velho sábio respondeu que tinha toda eternidade para aguardar pois haveria de reencarnar tantas vezes quantas fosse necessário e ver como aquela planta haveria de ser útil a coletividade.
Há coisas que não se consegue realizar durante uma vida mas havemos de ser pacientes pois outras vidas teremos para realizar nossas missões.
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SONHOS
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Muitas vezes, esperamos toda uma existência para realizar um sonho; mas não notamos que parte dele já está se concretizando no nosso dia-a-dia; para chegarmos num objetivo necessitamos dar cada passo; as soluções mágicas e milagrosas existem sim, mas carecem de ser interpretadas; ganhar um grande prêmio pode ser um milagre se contribuir com os nossos objetivos mas pode ser também um grande fardo que tornará nossa caminhada ainda mais longa.
Somente se frustram os irmãos que não conseguem fazer essa leitura da sua vida; avaliar com imparcialidade seus progressos, reconhecer as lições que foram agregadas com seus erros e sobretudo, sempre traçar suas novas metas para não ficar preso a um lapso do tempo.
Ademais, um sonho somente se realiza quando envolve outras pessoas, por mais egoísta que ele seja; logo, compartilhar, respeitar, amar seus irmãos, é um exercício para você realizar os seus sonhos.
“Pode me chamar e eu estarei ao seu lado”.
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Para um Filho de Ogum:
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Não se abata com a revelação do inimigo; Olorum o coloca no teu caminho para fortalecer ainda mais a tua fé; ame-o de forma incondicional pois esse amor é a arma mais poderosa que Ogum colocou em tuas mãos.
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A LUTA CONTRA ANDIRÁ
(Mensagem do Caboclo Sete Montanhas – canalizada por Luiz de Xangô)
Todos os curumins sentados à beira da fogueira no centro da aldeia; era hora dos ensinamentos do grande pajé baquara.
Ele era muito respeitado e amado por toda tribo; era quem tinha o poder nanbiquara e transmitia ensinamentos ancestrais para os mais novos.
Todos os jovens curumins absorviam cada palavra sábia do pajé para aplicar no seu dia a dia.
O pajé falava sobre a luta que cada um devia ter no seu dia para afastar todos os agouros tristes e trazer a paz interior; dizia que essa paz era a propulsora de toda felicidade de cada indivíduo e do grupo; dava-nos a receita infalível: ao levantar deveríamos caminhar em torno da aldeia, pisando o orvalho ainda no solo e observando o nascer do sol, ouvindo o canto dos pássaros.
Essa sintonia com a natureza nos permitiria entender que se iniciava um novo ciclo e que teríamos a oportunidade de construir um novo dia feliz; que baseava-se em poucos elementos como a fé, o bem querer e a satisfação de ser uma pessoa útil para sí e para toda tribo.
Durante muito tempo as sábias palavras do pajé ecoaram em minha mente, me conduziram e me trouxeram várias outras questões como: o que deve ser melhor para mim e para tribo?
Hoje, vejo a resposta muito obvia e simples: Viver cada dia pois todos os dias são o início de um novo ciclo; aproveitar a experiência do dia anterior mas buscar sempre o aperfeiçoamento; o sol nascerá todos os dias, o orvalho estará no solo e os pássaros estarão sempre anunciando um novo tempo.
A vida é formada por ciclos de aprendizado, aperfeiçoamento e evolução!
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UM SENTIMENTO VERDADEIRO
Quando o amor reside em nossos corações, aguça todos os nossos sentimentos; ficamos extremamente sensíveis a todas emoções; chegamos a perder a razão cometendo atos e pensamentos que muitas vezes nos distanciam do alvo de nosso amor.
O tempo geralmente é o remédio que nos cura, desde que tenhamos consciência de uma lei da natureza que é aplicável a tudo que for material e imaterial: “Tudo se transforma”.
Quando menino, banhava-me todas as manhãs em uma lagoa próxima da aldeia; era um local tranquilo e descampado onde eu encontrava a paz acompanhada daquele aroma silvestre, dos pássaros e borboletas; aqueles momentos que eu passava ali no meu lugar eram de verdadeira felicidade.
Depois de alguns anos, já moço, voltei ao lugar de minha antiga aldeia; já não era o mesmo; a lagoa tornou-se um pequeno banhado, os arbustos deram lugar a árvores frondosas, os pássaros eram outros e as borboletas já não eram tão coloridas e em igual quantidade.
Fechei meus olhos e procurei pelas lembranças; aquele não era mais o meu lugar; tudo tão diferente e sem relação nenhuma com a minha história; nesse momento, senti uma brisa passando pelo meu rosto e com ela aquele inesquecível aroma silvestre que acabou trazendo à minha memória todo aquele sentimento de bem-estar.
Com isso Tupã me mostrou que o tempo transforma tudo, até a maneira de sentirmos, mas os sentimentos verdadeiros são elos que unem a história de nossa existência.
Procure se desapegar do sentimento de posse e das imagens materiais; assim você conseguirá atingir o “sentimento verdadeiro” que habita tua alma e que é o elo da tua existência. Feche os olhos e procure sentir, você vai resgatar e entender esse amor.
II. DR. VELUDO
QUANDO ABRE A PORTA DO TERREIRO:
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
É curioso o comportamento das pessoas ao adentrarem no terreiro; nós guardiões temos uma visão privilegiada e nos cabe filtrar tudo que passa pela porta a dentro; vou citar aqui algumas situações que não são críticas a ninguém mas exemplos de situações que presenciamos no dia a dia.
Como todos sabem o assentamento de Exu fica na entrada do terreiro; na maioria das vezes do lado esquerdo de quem entra; os guardiões não esperam nenhum tipo de reverência, mas o mínimo de respeito; se o indivíduo não conhece o assunto e passa direto por nós, não há problema nenhum, entendemos perfeitamente que o comprometimento das pessoas deva ser proporcional ao seu conhecimento; entretanto, se o indivíduo é sabedor de que nesse local há um assentamento e que isso representa uma energia circulando, deve, no mínimo pedir licença para adentrar no recinto, sintonizando nossa vibração.
Então imaginem aquele indivíduo que chega na casa e para na entrada ignorando totalmente nossa presença, mesmo sendo consciente dela; começa a conversar com outro amigo e o assunto discorre pelos mais variados temas; desde a vitória do time de futebol até a beleza avantajada da vizinha do 501; em dado momento, o indivíduo já cansado de ficar em pé, encosta-se na parede e apoia um dos pés justamente na entrada do assentamento de Exu; imaginem a carga energética que esse indivíduo vai carregar; não se trata de desejar o mal para os desrespeitadores ou os desavisados; é sim uma questão física da ação e reação.
Da mesma forma que existe o assentamento dos guardiões, existem também, o assentamento das almas que fica ao lado direito da entrada do terreiro e os assentamentos e firmezas que ficam no congá, que também devem ser respeitados.
Costuma-se dizer por aí que as pessoas procuram o terreiro pela dor ou pelo amor; mas, na verdade vemos que muitos procuram o terreiro para uma reunião social e não reunião religiosa; e ai você começa a prestar atenção nas conversas; tanto da assistência quanto do corpo mediúnico; e novamente os assuntos são os mais variados possíveis, indo da política a reunião que vai ter no final de semana no bar do zé; perdem a preciosa atenção de se concentrar no objetivo de sua ida ao terreiro; os médiuns então, nem se fale, só começam a se concentrar para incorporação ou sustentação, no momento que se toca os pontos; mesmo assim um vira por outro e comenta: “Se viu o guia do Fulano, veio bravo pra caramba!”; lógico, as entidades todas estão presentes desde a firmeza feita pelo dirigente; esperam o mínimo de dedicação do médium.
Mesmo com os guias todos em terra, a assistência continua num alvoroço, chegando a interferir no que acontece na gira pois distrai aqueles médiuns menos concentrados que passam a prestar atenção na menina ou no garoto bonitos que estão na assistência.
Toda essa situação de desrespeito e falta de objetivo que é o caso da maioria que nem sabe por que está ali, proporciona um desgaste enorme a espiritualidade, fazendo com que a energia e o tempo que deveriam ser empregados nos seus propósitos sejam muito reduzidos.
Até que em um dado momento, depois de muito trabalho das entidades presentes, consegue-se um equilíbrio energético e então o trabalho transcorre de forma regular e a caridade pode, efetivamente, ser praticada.
Então a assistência é convidada a adentrar na gira onde recebe o passe e faz seus pedidos e desabafos.
Nos deparamos com situações as mais curiosas possíveis; pessoas que pedem aos guias para ganharem na loteria; que pedem amarração para o seu amor, sorte nos negócios, distanciamento do vizinho ou inimigo que não lhe convém e daí por diante; há ainda os que se plantam na frente do guia e ficam esperando uma adivinhação dos fatos que são uma verdadeira confusão em sua cabeça.
Ao voltarem para os seus lugares, passam a comentar o que aconteceu em sua consulta, o quanto aquele guia lhe parece “forte” ou não; relatam outras vezes que estiveram na casa e que conseguiram ou não atendimento aos seus pedidos; na verdade, esse era um momento que deveria ser dedicado a oração com o objetivo de atingir sua graça e de ajudar outros necessitados ali presentes, dando sustentação ao trabalho mediúnico.
Diante de todo esse quadro ainda tem as crianças que são levadas ao terreiro como se lá fosse um parque de diversões; ai começa a correria e gritaria; lógico que os pequenos não tem culpa disso, mas seus pais deveriam orientar sobre o fato de que ali é um local sagrado e que a festa dos Erês onde esse comportamento e apreciado ocorre somente em setembro.
Chegaremos num dia em que esse comportamento será diferente; as pessoas adentrarão ao Terreiro cumprimentando os pontos de força; virão com um propósito único que é o de receber ajuda para aprimorar-se enquanto almas em evolução, na vantagem do contato direto com o sagrado; mas enquanto esse dia não chega, vamos refletir sobre o nosso comportamento diante das coisas sagradas; no que se pode melhorar proporcionando um bem estar melhor para si e para os que nos rodeiam.
Gostaria de enfatizar que as experiências relatadas não são unânimes; existem casas por ai que primam pelo respeito e seus médiuns e assistentes são muito mais dedicados e esclarecidos com os preceitos da religião; mas, de uma forma ou de outra, meu alerta serve para todos pensarem sobre o assunto e desenvolverem um senso crítico e moral mais aguçado.
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GRATIDÃO NA UMBANDA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Fico observando o quanto se fala em gratidão dentro do Terreiro de Umbanda; porém muito poucos sabem o sentido real dessa palavra; principalmente por não se tratar de um ato mas sim de um sentimento.
Algumas pessoas, quando alcançam alguma graça e acreditam que foi pelo meu intermédio, vem a mim agradecer; então eu fico observando qual a real intenção dessas pessoas; quando as palavras “muito obrigado” saem de suas bocas elas assumem a figura do pagamento; sim, o “muito obrigado”, mais uma vela ou um marafo deixado na encruzilhada, fica como forma de pagamento e sugere que não te devem mais nada. E não devem mesmo! A vela ou o marafo foram desperdiçados se não houve o sentimento de gratidão.
O primeiro ponto é o de que não há graça, sem o merecimento; o segundo ponto é o de que não existe o milagre sem a fé.
O meu trabalho de ajuda resume-se na magia do manuseio da energia que envolve as pessoas, fazendo com que o equilíbrio o leve a graça desejada; bem como o aconselhamento baseado na visão da energia que envolve essas pessoas; esse, efetivamente é o meu trabalho de caridade; não sou adivinho; não faço previsões; não ajudo ninguém a ganhar na loteria; não trago seu amor de volta em trinta dias; e, principalmente, não faço o mal a ninguém.
O meu aprimoramento que desencadeia minha evolução, não depende de nenhuma pessoa ser grata pela minha ajuda; depende tão e somente do meu trabalho de caridade.
Então eu lhes pergunto: Qual a importância da gratidão na Umbanda?
A gratidão é uma energia fenomenal que agrega uma vibração extremamente positiva para quem tenha esse sentimento.
Uma pessoa verdadeiramente grata irradia energia positiva que atinge todos ao seu redor, contaminando-os pelo sentimento de gratidão; essa energia positiva é de tal maneira propagadora que forma uma redoma em torno das pessoas que vivem a gratidão e dos que estão próximos a ela; por essa razão, o sentimento de gratidão é uma forma de caridade; a gratidão agrega valores principalmente a quem é grato.
Por isso, eu concluo dizendo-lhes que gratidão não é o simples ato de agradecer mas sim o sentimento de sentir-se grato.
Gratidão a todos que de alguma forma contribuem fazendo a caridade!!!!
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AOS DIRIGENTES:
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
A mim que foi delegada a responsabilidade sobre os caminhos e sobre os portais que se abrem ou fecham, de acordo com as leis do universo, lhe digo afirmando categoricamente: “Feliz aqueles seres aos quais foi dada a incumbência de conduzir o bem-estar dos seus semelhantes pois esses conquistam muito na sua caminhada evolutiva”.
Mas não se esqueça de que você não é um semideus; também você está sob provação; é preciso ter cautela e lucidez na administração das coisas ao seu redor; nem sempre os que o rodeiam semeiam a paz; é nesses momentos que se deve ter firmeza para não depender de opiniões alheias e selecionar somente as intervenções que são construtivas e procuram elevá-lo e auxiliá-lo.
Deves estar receptivo as tarefas de auxiliar os que estão vindo para uma missão terrena; eles não são prematuros, estão vindo no tempo certo e, não raras vezes, esperaram muito para te reencontrar aqui e nessas circunstâncias; não podes confundir tua contagem etária com o estado evolutivo desses seres que se apresentam aos teus cuidados; muitas vezes são espíritos muito evoluidos que encarnaram para desfrutar de tua companhia e te auxiliar em tua jornada; a “inocência” que cobras desses seres, muitas vezes, reflete a tua própria inocência quanto as coisas da espiritualidade.
Haja com serenidade e verás o quanto é gratificante tua tarefa; teu caminho está livre para viver a verdadeira felicidade.
Conte comigo para abrir teus caminhos!
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MENTIRA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Já imaginaram o quanto a mentira é prejudicial ao ser humano?
Existem pessoas que vivem num mundo imaginário às voltas com suas próprias mentiras; tecendo no seu dia a dia caminhos, como se fossem uma teia, onde os próprios se veem emaranhados.
A mentira pode ser prejudicial a terceiros, mas sempre o será para sí próprio; por vezes a mentira assume características de traição, sendo ainda mais grave; tornando a “lei do retorno” aplicável; uma mentira pode levar a outra, que por sua vez, pode levar a outra e assim consecutivamente; e o maior prejudicado sempre será o mentiroso que nunca conseguirá atingir sua paz interior.
Mentir é uma opção que muitos adotam para se verem livres de julgamentos, para alimentarem seus próprios egos ou para se desvencilharem de situações; muitas vezes as pessoas passam a viver suas próprias mentiras e as têm como verdades, levando-as a habitarem um mundo totalmente imaginário.
A mentira é tão presente na vida humana que muitas vezes parece impossível extirpá-la; mas as pessoas deveriam se conscientizar desse grande mal e procurar, a cada dia, livrarem-se dela; a energia que circula em torno de uma mentira é de muito baixa vibração, atraindo outras fontes e espíritos negativos que passam a obsediar e absorver toda energia vital do indivíduo.
A paz interior está intimamente ligada a verdade do ser humano e a sua transparência; não esperemos que as pessoas se tornem santificadas, mas que busquem a evolução, tentando tornarem-se melhores e conscientes de suas opções.
No universo, tudo é energia! Sejam o mais transparentes e felizes possível e encontrarão a vibração de paz!
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QUANDO O TERREIRO É UMA FUGA DA REALIDADE?
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Existem vários aspectos que envolvem essa questão e que se aplicam a assistência e ao corpo mediúnico; o mais comum está relacionado a paz de espírito que o indivíduo sente ao adentrar numa casa onde vibram as energias dos Orixás e das entidades espirituais que trabalham na caridade; é como se a pessoa fosse outro ser renovado a partir do momento que é atingido por essa vibração; a sensação de paz é tamanha que o indivíduo não tem mais vontade de sair e lamenta quando as reuniões terminam e é obrigado a voltar para sua casa.
Além da vibração cativante do Terreiro, alguns médiuns têm enorme prazer em se colocar à disposição da espiritualidade na prestação da caridade; essas pessoas se realizam ao ceder sua mediunidade para colocar as entidades a serviço dos que procuram a casa com seus diversos problemas.
O apego também se dá quando há dependência do médium em relação ao dirigente e corrente mediúnica que contribuem para seu desenvolvimento espiritual; para essa pessoa é inconcebível desenvolver sua mediunidade fora do ambiente do Terreiro.
Outro aspecto é o vício! Sim, é isso mesmo; o vício de estar naquele local, naquele horário, nos dias em que acontecem as reuniões; algumas pessoas, médiuns ou assistentes, frequentam o Terreiro por anos à fio, sem entender efetivamente qual é o seu papel naquele espaço; não compreendem a razão da existência de nada; estão alí pelo vício de estar e quando são impossibilitados de comparecer, chegam a ficar em depressão.
Existem os casos de indivíduos, sejam médiuns ou assistentes, que buscam incansavelmente o Terreiro esperando que essa prática traga-lhes alguma retribuição material; ou solução para problemas materiais que advém de suas próprias escolhas; essa “fé” costuma não ser eficaz pois visa exclusivamente uma troca para obtenção de um resultado material.
Alguns médiuns ou mesmo assistentes frequentam o Terreiro buscando um reconhecimento; ou tentando demonstrar uma qualidade; esse vínculo é o mais prejudicial, tanto para o médium ou assistente, quanto para a boa vibração da casa; é uma postura que desenvolve a vaidade, o orgulho e tudo de ruim que esses sentimentos podem provocar no ser humano; essa modalidade de apego quando não detectada e corrigida, leva, efetivamente, o médium ao fracasso e ao distanciamento de suas entidades.
Para todos os casos de fuga da realidade que relatei aqui, onde médiuns e assistentes procuram aconchego no Terreiro, e outros que porventura não tenha citado, existe um remédio; esse remédio é muito simples mas tem uma eficácia imediata, a partir do momento que houver essa conscientização: O templo de Umbanda deve estar dentro de cada indivíduo; para qualquer local onde a pessoa se deslocar, o templo estará com ele; junto dele, toda a vibração dos Orixás e das entidades; cada indivíduo é um resumo do universo e traz dentro de sí toda sua fé e energia que dão sustentação às suas crenças.
Independente de ter um local físico para prestar a caridade, cada indivíduo pode praticá-la como se tivesse a estrutura de um Terreiro.
A dependência de um Terreiro ou de uma corrente mediúnica deve sempre ser convergida para um sentimento de congregação onde o amor fraternal que une as pessoas reflita em cada indivíduo.
Práticas viciosas como: buscas de conquistas materiais; vaidade e orgulho; são práticas e sentimentos que não contribuem para evolução do ser humano e não devem estar no templo que reside no coração das pessoas.
A harmonização do templo que está dentro de cada um, com o Terreiro e com todos os ambientes que vive cada indivíduo é o grande segredo para não fugir da realidade pois trará para qualquer lugar onde estiver, a mesma paz e boa vibração!
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CERTO OU ERRADO?
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Existe uma linha tênue que separa o certo do errado! Essa linha é construída durante a formação de um grupo ou pessoa, abrangendo sua moral, seus valores, sua história, seu aprendizado e sua sabedoria.
É prudente que, ao julgarmos outras pessoas e outros grupos, avaliemos a possibilidade de seu comportamento estar vinculado a sua cultura.
Assim, quando nos chocamos com determinadas atitudes ou pensamentos, devemos considerar as circunstâncias e os fatores que influenciaram; isso não quer dizer que devamos aceitar como certo ou errado, apenas temos que aferir nossa medida de julgamento.
Uma doutrina religiosa, por exemplo, é decorrente de fundamentos que serviram como alicerce para sua criação ou manutenção.
Tenho transitado por inúmeras casas de Umbanda e vejo semelhança em todas elas; cada uma enveredando para determinados paradigmas que, em algumas situações, se contrapõe aos fundamentos clássicos; mas todas, sem exceção, guardam fiel semelhança aos ditames emanados pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Então, oque dizer de outras religiões cujos conceitos ainda são mais acirrados por basearem-se numa codificação, em escrituras como o novo e velho testamentos, o Torá, o Alcorão e etc.? Para essas religiões, além do conceito do certo ou do errado, existe também o compromisso com suas codificações.
A Umbanda foi construída com base em conceitos e valores de outras religiões e outras culturas que formaram o Brasil; nela, não se adota nenhuma codificação, embora se tenha como parâmetro a moral cristã, os valores silvícolas e tradições africanas, dentre elas a que fundamentalmente constrói sua doutrina que é a reverência aos Orixás; mas em momento nenhum o umbandista pode lançar mão das escrituras ou de uma codificação para argumentar sua doutrina; exceção feita aos elementos básicos que compõe a doutrina espírita, no que se refere aos estudos científicos sobre os fenômenos espirituais e a moral cristã também herdada do cristianismo.
Isto posto, a Umbanda não deve ser considerada um elenco de diversidades mas sim a reunião de elementos afins, presentes nas demais religiões; pois quem consegue enxergar as semelhanças não tem olhos para o diferente.
Quando entro em uma casa e escuto um médium criticar outras doutrinas para justificar suas práticas, fico pensando o quanto de tempo e energia se perde; um ritual é uma magia para se evocar determinada energia e poder manipulá-la para se atingir um objetivo; quando se dispersa a atenção para julgar práticas ritualísticas conduzidas em outros ambientes, perde-se o foco e a magia que se pratica não tem nenhuma funcionalidade.
O julgamento é inerente ao ser humano pois ele faz com que se evite situações de perigo ou indesejadas; mas, ao julgar, tenha aferidas suas ferramentas pois seu julgamento somente lhe serve em função dos seus valores!
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CUIDADO COM O EGOISMO!
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Desde a antiguidade, bem antes do surgimento do cristianismo, tem se falado sobre os sete “pecados capitais” (gula, avareza, inveja, ira, soberba e preguiça); tais pecados serviram como base para as igrejas criarem seus dogmas e implantarem a moral cristã que norteia até hoje as culturas ocidentais e as religiões cristãs.
Com a Umbanda não foi diferente; apesar de ser uma religião nova, ela incorporou a moral cristã que está presente em todo a sua doutrina.
Mas existe um elemento que não é tratado nessas religiões e ele permeia todos os “pecados capitais” mas não tem um foco individual como deveria; é o egoísmo; podemos dizer que o egoísmo está por traz de todos os sete “pecados capitais”.
O egoísmo é o comportamento mais deplorável do ser humano e, ao mesmo tempo, é um elemento primordial para o enriquecimento e evolução das pessoas; todos os seres humanos possuem uma certa dosagem de egoísmo; porém, algumas criaturas, um pouco exagerada.
Para todo pecado capital existe uma qualidade antagônica correspondente: Para gula, a temperança; para avareza, a caridade; para inveja, o desapego; para ira, o amor; para soberba, a humildade; e para preguiça, a dedicação.
Em todo comportamento vemos claramente a presença do bem e do mal e a luta constante em um vencer ao outro; o momento em que vivemos vislumbra a tentativa do mal se sobrepor; mas é apenas uma batalha e o objetivo é a evolução das pessoas para transformar a Terra num planeta melhor e, os que por aqui passarem, em seres melhores.
Mas qual seria a qualidade antagônica ao egoísmo? Seria a abnegação? O altruismo? A generosidade? A empatia? Podemos dizer que seriam todas essas qualidades.
É uma luta entre energias; vibrar no sentimento egoísta traz para as pessoas comprometimentos e abertura para que se instale ao seu redor as energias maléficas; para se combater tal comportamento é necessária a vigilancia constante e a busca do sentimento oposto.
A humanidade passa hoje por um momento em que Olorum proporcionou a oportunidade de todos perceberem o egoísmo no seu comportamento; a pandemia do Corona Vírus tem prestado essa importante contribuição; perceber que o “eu” prevalece em relação ao “nós”; o eu está presente até mesmo nos momentos em que está mascarado de uma conduta empática, como por exemplo: “vamos usar máscaras para proteger as pessoas do vírus que talvez eu esteja portando”; quando na verdade o sentimento real é de que “estão todos contaminados e devem usar máscaras para não transmitirem o vírus para mim”.
Na situação em que todos gostariam de estar em uma reunião para alguma comemoração ou algum culto religioso, pode prevalecer o sentimento de que “já que eu não posso ir, é melhor que o evento não aconteça pois assim, ninguém irá”.
Logicamente que existem as criaturas que são exceção e estão realmente imbuídas em proporcionar a segurança e o bem-estar ao próximo, mas isso deve ser uma questão de constante reflexão; até que ponto existe o direito de influenciar no livre arbítrio do outro?
O comportamento egoísta é uma porta aberta para que as energias negativas e para os que as manipulam entrarem e computarem sua influência como “êxito”.
O que os Terreiros de Umbanda chamam “demanda” é exatamente o resultado de comportamentos egoístas; uma pessoa acha que o êxito de uma casa ou de outra pessoa pode interferir no seu sucesso, então passa a realizar magia; ou emitir pensamentos negativos; ou criar ambiente de maledicência; ou, de alguma forma, interferir o livre arbítrio do outro; isso é demanda!
O guardião tem papel importante nessas situações; o de proteger, criando uma cortina de defesa a quem esteja sendo alvo da força maléfica do egoísmo; tem também o papel de esclarecer ambas as partes do que representa o egoísmo e da energia negativa que circunda esse comportamento.
Então, aqui fica uma mensagem desse que vos estima muito: “Cuidado com o Egoísmo! Controlem seus comportamentos e sentimentos egoístas e vejam os seus semelhantes como tais, dignos de respeito e de exercitarem seu direito de livre arbítrio”; essa postura vai dar-lhes a experiência de viver melhor com o seu maior juiz, tua própria consciência”!
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HARMONIA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Harmonia é um termo que traduz um dos elementos básicos da Umbanda; significa você estar em sintonia com as boas energias que fazem parte da sua egrégora e do seu ambiente; essa é uma condição que não deve ser forçada mas sim incorporada no seu dia a dia.
A harmonia significa dizer que você detém um escudo de proteção inviolável e não será atingido nem mesmo pelas baixas vibrações que podem estar ao seu redor.
Quando dizemos “vigiai” estamos nos referindo exatamente a harmonia pois significa que devamos procurar nos afastar dessas energias que tentam nos absorver no ódio e na tristeza.
O umbandista vive a magia no seu dia a dia e trabalha com a manipulação dessas energias; então, nunca deve ficar a mercê de algo que lhe afaste das boas vibrações.
Esse controle é uma luta diária mas quando se tem consciência da batalha, tudo fica mais claro.
Ao mesmo tempo, não se deve ter o sentimento de repulsa pelos irmãos que talvez estejam inconscientemente lhe trazendo uma baixa vibração; a importância de termos essa clareza é também para poder elevar o campo energético dos irmãos que fazem parte da nossa egrégora.
Cabe-nos trazer sempre uma mensagem de paz, amor e alegria; quando isso não for possível, cabe-nos apenas o silêncio!
Fuja sempre do campo energético que lhe indique um sentimento de ódio, revolta e vingança!
Mesmo as entidades espirituais, muitas vezes dominadas por resquícios de sentimento do médium podem sugerir uma reação contra “inimigos”; mas essa vibração nunca vai resolver as pendências, vai apenas levar ao enfrentamento e aniquilação da harmonia, levando o indivíduo a dificuldade de relacionamento e a depressão psicológica.
Em outros termos, poderia dizer que: “Nada pode atingir qualquer pessoa se não houver sua permissão”; ou seja se o indivíduo estiver vibrando na harmonia com boas energias ele tem um escudo contra qualquer mal que se apresente.
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MORAL E CONSCIÊNCIA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Não devem adiar os propósitos e compromissos com o bem; não se pode prever o momento e a forma como acontecerá o desencarne; tudo está ligado a forma como as criaturas se conduziram e ao aprendizado que absorveram, ou não. Olorum designou Oxalá para criar esse mundo como sendo uma escola e mandou vários mestres, dentre eles o espírito mais puro que pisou neste planeta: Cristo; o grande mestre, deixou um grande legado, a moral cristã; a qual é padrão de comportamento, mesmo entre os descrentes e os que se dizem ateus; esses ensinamentos não são simplesmente os ditados nos livros sagrados que podem oferecer interpretações diferentes, conforme a conveniência dos seres; mas sim os praticados à luz do que está gravado nos corações de cada um; a “palavra” de Olorum está no íntimo de cada pessoa e todos a têm; a isso se dá o nome de consciência; portanto nada mais certo do que seguir esses ensinamentos para um desencarne em paz. Seja qual for o motivo que Olorum estabelecer para o resgate, estarão sempre amparados pelos bons espíritos e pelas forças dos Orixás! Que a paz esteja com todos e que os corações de cada um que perdeu momentaneamente seus entes queridos seja reconfortado!
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RUPTURAS NO COTIDIANO E A DESAGREGAÇÃO ENERGÉTICA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Toda ruptura que acontece no cotidiano do indivíduo causa necessariamente uma desagregação energética; seja o indivíduo o agente que provocou a ruptura, ou ela tenha sido provocada por terceiros, ou pelo “destino”; coisas como receber um grande prêmio; mudar-se de localidade; perder um ente querido; uma separação de casal; enfim uma ruptura com laços importantes que uniam a criatura ao seu grupo ou ao meio que vive e as coisas que o rodeiam.
Devemos entender aqui a desagregação não como algo necessariamente negativo mas sim um desalinhamento energético decorrente da lei de ação e reação.
A desagregação energética se dá como fosse um rompimento de um elo da corrente que seria a vida da criatura; o rompimento necessita de um tempo necessário a reconstituição dessa corrente; esse tempo é diretamente proporcional a importância que o fato tenha na trajetória do indivíduo; muitas vezes esse tempo é maior que a criatura possa suportar, fazendo com que o indivíduo, quando possível, volte atrás a ação que provocou a desagregação; mas uma ruptura nem sempre é passível de recuperação; muitas vezes, quando a ruptura permite o indivíduo voltar atrás, o reequilíbrio energético não se dá ao mesmo tempo e o sofrimento ou contrariedade da criatura pode ser ainda maior do que antes aos fatos que levaram a ruptura.
A ruptura pode ocorrer independente de fatos alimentados positivamente ou negativamente; mas a desagregação é inevitável; ocorre porém que uma ruptura alimentada positivamente como por exemplo, um prêmio ganho, pode ter um realinhamento energético muito mais rápido; já a ruptura alimentada negativamente como uma separação de casal, fatalmente terá um realinhamento muito mais demorado; muitas vezes esse realinhamento avança nas próximas reencarnações, caracterizando o chamado “carma”. Há de se frisar que toda ruptura ocasionada em função do livre arbítrio do indivíduo é sempre somada à sua situação carmática mas as rupturas alimentadas negativamente sempre terão um reflexo maior pois serão motivos de resgate nas existências seguintes.
O realinhamento energético sofre ainda grande influência da condição moral da criatura; indivíduos com trajetória marcada pela retidão moral, tem maior facilidade de realinhar sua energia, reconstituindo os elos rompidos pela desagregação energética.
A ruptura sempre traz como prêmio o ensinamento; mas quando a criatura já passou pelo aprendizado e torna repetir a mesma ação negativa que provocou a desagregação energética como resultado de seu livre-arbítrio, o realinhamento energético é mais difícil e demorado; um exemplo disso são os indivíduos criminosos ou infratores que optaram por uma vida desregrada mesmo tendo consciência de sua conduta imoral; esses indivíduos estão num estado constante de desagregação energética e poderão continuar nessa situação até o seu desencarne.
Mas temos que ter em mente que rupturas e desagregações energéticas estão presentes no cotidiano dos indivíduos em graus diferentes e na maioria das vezes quando acontecem nem mesmo são perceptíveis, mas a consciência desse processo pode facilitar muito a vida de todas as criaturas.
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OBSESSÃO ESPIRITUAL
(Mensagem do Exu Dr. Veludo e Conego Auguste)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Sempre que se fala em obsessão pressupõe-se que algum espírito maligno, vindo de um local onde muitos acreditam ser as profundezas do inferno, age sobre uma alma fragilizada e propensa a adquirir toda a sua influência maligna e negativa; mas esse conceito é um pouco equivocado.
As almas da terra são as próprias produtoras de todo mal que possa lhe influenciar; existem várias classes de espíritos que os circundam e que trazem baixa vibração; por isso todos devem estar em constante vigilância com a sua conduta moral; algum deslize ou alguma má interpretação do cotidiano, transformam a vibração do indivíduo, abrindo as portas para esses “espíritos do mal”, sedentos por esgotarem toda energia do obsediado; e fazem isso com a cumplicidade de suas vítimas.
Muitos acreditam ou aceitam que, em determinados períodos como no carnaval e na quaresma, esses eguns, classificados como quiumbas (espíritos zombeteiros) estejam à solta procurando vítimas para se aproximarem e sugarem; quando na verdade, eles estão sempre à solta e sua atuação depende de como o as almas se comportam e das facilidades que oferecem para sua aproximação.
Cada religião tem uma abordagem sobre essa questão, mas acreditem não se trata das criaturas infernais mas sim de vibrações que favorecem a aproximação de entidades que estão vagando à busca de esclarecimento e orientação.
Na Umbanda existem várias maneiras mágicas de se combater essa vibração negativa; mas a principal é a conduta moral do indivíduo; a magia ajuda a lembrar que a conduta moral deva ser observada; a magia nada mais é do que um escudo protetor; e sua eficácia depende de ser praticada com amor e sem prejudicar aos semelhantes pois esse também é um grande valor moral (não faça para os outros o que não quer que façam para ti).
Mas afinal, o que se pode entender como uma conduta moral desejável?
Todas as almas vindas ao mundo têm gravado em sua consciência as leis do universo que se costuma chamar de leis de Deus; necessariamente, não são aquelas leis compiladas nos vários livros sagrados pois essas também ficam sujeitas e expostas a edição e interpretação de alguém imperfeito; mas grande parte dessas leis constantes nas escrituras fazem parte das que estão gravadas no íntimo de cada alma.
A obsessão espiritual é patrocinada pelo obsediado, na medida que seu desenvolvimento moral esteja comprometido; quer pela ignorância; quer pela sua estrutura psicológica.
E não se enganem quanto as aparências pois a obsessão pode atingir até mesmo as almas que se colocam como sábias ou superiores; aliás esses sentimentos de superioridade já indicam uma fragilidade moral.
O indivíduo deve sempre estar vigilante e deve evitar ou contornar qualquer sentimento de culpa pois até mesmo esse pode ser resultado da ação dos obsessores; a postura do obsediado deve ser a de rejeitar qualquer energia que seja contrária a sua moral e jamais se conformar com a ação obsessora, aceitando-a por julgar ser algum tipo de castigo divino.
Já andei por lugares onde se estuda a fundo a questão da obsessão e, até mesmo nesses locais, pude observar a existência de obsediados. Já vi a prática de rituais mágicos sem o envolvimento da manipulação energética tornando a obsessão ainda mais presente.
O segredo não está em julgar a obsessão um mal vultuoso que deve ser extirpado a todo custo pois ela também faz parte da expiação a que todos os encarnados se submetem; o segredo está em entender o processo e elevar o nível moral a ponto de se exercitar na superação de todas as ações desse tipo.
Por essa razão, todos devem estar sempre vigilantes!
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PORQUE CUIDAR DO ASSENTAMENTO DE SANTO?
(Mensagem do Exu Dr. Veludo canalizada por Luiz de Xangô)
Sempre que é recomendado fazer a manutenção do assentamento do Orixá, não se está atribuindo a ninguém uma obrigação; cada pessoa tem seu livre arbítrio e a sua fé. A limpeza da quartinha, do Otá e dos elementos que compõe o assentamento servem para melhorar a energia que circunda ao seu redor; melhorar sua energia ao contatar o Orixá; e principalmente, é um momento íntimo em que você está se relacionando com uma força que rege o seu Ori. É o momento em que você se despe diante de uma força a qual você pertence e que lhe pertence; ao vibrar na energia do seu Orixá você está vivendo um momento sublime, tal como no seu nascimento quando Olorum determinou, a partir daquele instante, em qual campo energético você atuaria durante essa encarnação. Não encare a tarefa de fazer a manutenção do seu assentamento como uma obrigação mas sim como uma oportunidade!
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A ENERGIA VIBRACIONAL DE UMA EGRÉGORA
(Mensagem Dr. Veludo – Canalizada por Luiz de Xangô)
Já me julgaram dizendo que deveria intervir quando meus tutelados encarnados se desligam de seus grupos e provocam a ruptura e desagregação energética; para quem assim me julgar, tenho alguns argumentos que discorro a seguir:
Primeiramente devemos considerar o principal motivo que é o respeito a lei do livre arbítrio pois a todos deve ser dado o direito às suas escolhas; mas, independente disso, devemos ponderar que dentro de uma egrégora existem “n” laços energéticos; existe a relação com o grupo como um todo; existe a relação com o líder; e existem as várias relações com cada integrantes do grupo.
Cada relação dentro de uma egrégora se dá com energias e formas diferentes de vibração; a liderança não deve se dar de forma impositiva pois isso se torna a causa determinante de uma possível desagregação.
A egrégora deve manter vínculos energéticos e alimentá-los o tempo todo para que sua existência seja renovada; a rotatividade dos indivíduos na liderança do grupo deve ser sempre encorajada; isso torna as relações energéticas renovadas, ventiladas e revigoradas.
Não raras vezes acontece da vibração entre os indivíduos não estar se realizando mas todos se mantém unidos em função de uma relação bem revigorada com o grupo e com o seu líder; quando a liderança não consegue manter sua relação energética com algum indivíduo do grupo; ou mesmo esse indivíduo abandona a trajetória energética estabelecida pela egrégora; isso pode resultar na ruptura desse indivíduo com o grupo.
Pode ocorrer ainda que um indivíduo totalmente desajustado energeticamente com sua egrégora mas compondo bem a sua trajetória com outros indivíduos do grupo, resolva insistir na sua permanência na egrégora, pela sua liberdade de escolha; nesse caso, esse indivíduo tende a se neutralizar e sucumbir na sua expressão enquanto indivíduo vibrante e energético, levando seus afins para o mesmo caminho.
A decisão de um indivíduo em se afastar de sua egrégora por questões vibracionais pode ser a mais acertada pois sua permanência poderia causar um mal maior; ou mesmo a completa desagregação.
Para o indivíduo que se afasta existe grande perda em relação aos seus afins que continuam na egrégora.
Existe também a questão da missão; a vibração energética e a permanência numa determinada egrégora pode ter prazo de duração; a prolongação desse prazo pode não ser saudável.
A minha presença numa egrégora entre encarnados se dá principalmente em função da participação de um irmão que esteja sob a minha tutela; nesse caso, minha participação só ocorre na comunhão de ideias e na evolução do meu tutelado; nunca haverá, de minha parte, influência sobre a sua decisão em estar ou não nessa egrégora. Haverá momentos em que minha participação será necessária; mas ela será sempre no sentido de ajudar e reforçar essa relação, na medida que o processo evolutivo esteja sendo favorável a todos.
Cabe a um líder estar vibrando sempre numa energia favorável ao desenvolvimento e evolução de todos; bem como a responsabilidade de provocar a realimentação energética de todos e reforçando os laços que os unem; o resultado deve ser um ganho evolutivo para todos.
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MORAL E ÉTICA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo e Conêgo Eugenio)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
A moral e a ética são ferramentas que temos à mão para balizar nosso comportamento, o comportamento de nossos irmãos e a relação do grupo.
Mas afinal quem dita as regras para o nosso padrão de comportamento?
A maioria das culturas, principalmente as ocidentais, segue o padrão da moral cristã, cuja origem está na Torah e no Alcorão que são os livros sagrados nos quais se baseia o cristianismo; esses livros sagrados foram resultantes das revelações feitas por Deus ao profeta Moisés/Maomé.
Basicamente as revelações feitas a Moisés e Maomé trazem os Mandamentos da Lei de Deus, nos quais baseia-se a moral cristã e estão presentes até hoje na humanidade, imprimindo regras que regulam as relações humanas.
Há de se considerar que as diferentes interpretações dos grupos humanos, de acordo com sua capacidade de entendimento e conveniência, trouxeram comportamentos díspares sobre questões muito básicas das escrituras sagradas, tornando essas diferenças motivos de desentendimentos e guerras “santas”.
A moral é um conjunto de regras que a sociedade estabelece para tornar a convivência dos grupos harmoniosa; já a ética é o comportamento individual seguindo as regras morais do grupo.
A mudança de um comportamento ético pode levar a mudanças do padrão moral e ao distanciamento dos Mandamentos da Lei de Deus, desencadeando uma completa desagregação social, na medida em que as regras morais passam a ser desobedecidas; isso é flagrante em vários momentos da história da humanidade; um exemplo típico foi durante a queda do Império Romano que já apresentava evidente desagregação no seu padrão moral tornando-se frágil a influência de povos bárbaros que avançavam cada vez mais sobre o espaço físico romano.
Em menor escala podemos constatar a influência da ética mudando o padrão moral dentro de uma família ou outro grupo social; quando a ética desafia a moral existente, a desagregação é certa.
Não podemos condenar a ética que desafia e provoca a mudança do padrão moral; porém existem condições mínimas para que o indivíduo possa conviver de forma saudável num grupo social.
Devem estar sempre atentos aos seus anseios; o ser humano é um ser social; depende um do outro; então qual é o padrão moral que deseja manter para uma boa convivência?
Como caminham nas questões morais e qual é a sua ética?
Querem um mundo de paz ou de guerra?
Essa reflexão deve ser de cada indivíduo pois a ética pode comprometer, modificar ou destruir a moral ou o grupo.
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O QUE É SER CRISTÃO NA UMBANDA
(Mensagem do Exu Dr. Veludo e Conêgo Eugenio)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Houve época que ser cristão estava restrito aos seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana; ou àqueles que aceitavam Jesus como o Filho de Deus; mas o tempo nos mostrou que a palavra cristão não é tão restritiva assim; a começar pela pulverização do cristianismo entre as várias igrejas que hoje representam e defendem as suas escrituras sagradas; cada uma criou seu estado confortável de crer na palavra e o adaptou às suas necessidades.
Ser cristão passou não mais a identificar os seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana mas sim, seguidores de Cristo; ser cristão passou agora a ser um termo que identifica as crenças ligadas aos seus evangelhos; mas será que é somente isso?
Então se a alma for dotada de moral e respeito aos seus semelhantes mas não desfrutar da crença nos livros sagrados, não poderá ser um cristão?
Para entendermos essa questão devemos ter em mente que Jesus Cristo foi o libertador e resgatador da humanidade, trazendo as almas que viviam na escuridão para clareza de seu propósito na Terra; Ele resgatou a moral que já estava implícita nas almas, trazendo o conhecimento e o sentido da vida para todos, libertando-os da ignorância.
Jesus Cristo, filho de Deus como todos os habitantes da Terra; porém dotado de uma moral inabalável; o espírito mais puro que já pisou a face terrena, veio com a missão de trazer a luz às almas ignorantes que aqui viviam.
Todo o mundo, não somente o ocidente, segue essa moral dita Cristã que é a condição que o criador imputou para vida na Terra; que, à rigor, está gravada no subconsciente de cada alma; essa moral, que poderíamos chamar de Mandamentos da Lei de Deus, está disponível em cada alma que habita a Terra; mas as versões dadas pelas criaturas são encontradas nas principais escrituras sagradas como o Novo e Antigo testamento, no Alcorão, no Torá e etc..
A sabedoria africana identifica na Terra vários formas energéticas (Orixás) que representam o Criador; dentre elas existe uma que representa a moral, a retidão, a paz e a sabedoria, é Oxalá.
Os antigos sábios africanos que pisaram o solo brasileiro na condição de escravos, embora nas suas origens tivessem outros papéis, incluindo o de reis e rainhas, puderam identificar facilmente a relação de Jesus Cristo, espírito cultuado pela Igreja, com Oxalá; então, deu-se a associação de um espírito (Cristo) com uma força da natureza (Oxalá).
A imagem de Jesus Cristo, com a moral que ele representa, está plenamente identificada com o Orixá Oxalá; logo, é possível afirmar que na Umbanda todos sigam a “moral cristã”; e portanto, são todos cristãos? Já que o termo cristão, com a compreensão de agora, não está mais relacionado a uma religião mas sim às almas que primam por seguir sua moral.
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EMPRESTANDO A MÃO PARA COISAS DO SANTO
(Luiz de Xangô, na vibração de Dr. Veludo)
Vamos abordar aqui uma questão própria da ritualistica umbandista que é o ato de emprestar a mão para coisas do Santo; não trataremos de práticas no âmbito das casas de nação, onde a cobrança pelo empréstimo da mão está vinculada as suas raízes culturais e as pessoas que prestam esses serviços estão preparadas dentro dos cultos e autorizadas para isso.
É sabido que na Umbanda não deve existir a cobrança pela execução de qualquer tipo de ritual; essa regra vem de uma premissa básica que é: “Dar de graça o que de graça receber”; embora se encontre por ai algumas casas de Umbanda com outra visão sobre essa regra e, sob o pretexto de arrecadar fundos para manutenção do templo, acabam cobrando “taxas” por esse tipo de intervenção.
As pessoas acabam cedendo a essa imposição e desembolsam valores para pagamento de rituais; esse comportamento pode ser decorrente de vários motivos; como: Medo de que as entidades ou Orixás possam lhes ser hostis, caso não façam o pagamento e realizem o ritual; ou medo de que a não realização de determinado ritual possa ser motivo de sua segregação do grupo; o motivo mais comum é do indivíduo ficar confortável diante do pagamento, achando comprar direitos sobre as questões espirituais.
Veja que estamos tratando aqui de comportamentos no âmbito das práticas umbandistas e vale salientar que algumas casas cujas práticas se mesclam com as casas de nação, seguem outras regras fundamentadas nas suas raízes culturais.
Alguns indivíduos se sentem confortáveis em pagar pelas práticas ritualisticas a ponto de desvalorizarem a ação de quem não cobra; é muito comum utilizarem a expressão “aquela Umbanda é fraquinha” quando se referem a um local onde nada lhes é cobrado; em contrapartida acharem que a casa que lhes cobra por tudo, até para sua entrada nos trabalhos, ser uma “Umbanda forte”.
O dirigente umbandista deve sempre ter em mente que nenhum ritual praticado na casa de Umbanda deve ser cobrado; a casa deve se manter pelo seu corpo mediúnico e pelos simpatizantes e assistentes que demonstrarem interesse em contribuir para o bem-estar do grupo.
Meus mentores insistem que devo sempre realizar todos os rituais, sem a pretensão de receber algo em troca; observo que muitas vezes as pessoas não dão o devido valor aos esforços que estão contidos na realização desses rituais e não dão a importância necessária a um passe, uma consulta, um trabalho de limpeza, um assentamento de santo, um trabalho de cura, um benzimento, ou a qualquer prática não onerada, onde minha mão esteve emprestada para realização.
Esse aprendizado vem da minha casa mãe, onde meu saudoso Pai de Santo nada cobrava por nenhum trabalho realizado; são valores que estão na formação da gente.
Outra questão é a cobrança não monetária mas sim da fidelidade; as pessoas ficam vinculadas à casa ou ao dirigente e, embora não se sintam mais confortáveis em participar daquele grupo, se tornam “escravas” sob um terrorismo de que no seu afastamento serão perseguidas e não terão mais os beneficios da proteção dos guias e Orixás; grande bobagem pois ninguém, absolutamente ninguém, detém a propriedade dos seus guias e dos seus Orixás; ainda que o dirigente mantenha a obrigatoriedade dos assentamentos de santo do médium ficarem no terreiro.
Podemos notar também a ingratidão e a desvalorização do empréstimo da mão do dirigente por parte do médium, quando nada lhe é cobrado; segundo meus mentores, essa postura não deve ser condenada e nem deve ser motivo para desânimo por parte do dirigente; cada pessoa deve procurar a forma como cultuar e se a cobrança de algum valor servir para sustentar sua fé, ela tem o livre arbítrio para escolher.
Emprestar a mão para coisas do santo de outras pessoas é um ato de caridade e reforça o único fundamento comum a todas vertentes de Umbanda: “Caridade e amor condicional ao próximo”!
Com a ajuda de meus guias e de meus Orixás, continuarei seguindo essa linha de conduta; ainda que chegue o dia em que nenhum dos médiuns beneficiados pelo empréstimo de minhas mãos estejam presentes no meu trabalho.
III. CONEGO AUGUSTE
PASSIVISMO
(Mensagem de Conego Auguste)
(Canalizada por Luiz de Xangô)
Ultimamente tenho me preocupado com a confusão que as pessoas têm manifestado em relação às suas provações; ser passivo é bem diferente de ser pacífico.
O passivo aceita tudo sem raciocinar sobre as coisas, assimilando tudo que lhe é imposto pela força ou pela falta de reflexão; a passividade acontece sempre com uma dose de idolatria.
Ser pacífico significa conviver com a adversidade e aguardar um momento em que as outras pessoas atinjam o entendimento da verdade e estejam vibrando na mesma energia do bem; é aceitar que tudo tenha uma razão e procurar entendê-la.
Aceitar o mal simplesmente por imposição ou por ser um anseio de alguns é passividade; porém, procurar a luz e aguardar o momento para que ela atinja os corações não é passivismo mas sim pacificidade.
Cristo, não era um bonzinho passivo; a lição que nos trouxe foi a de ser pacífico procurando sempre transferir ensinamentos; quando ouvimos citações sobre a passagem da expulsão dos mercadores do templo ou do ato de oferecer a outra face, vemos que a moral cristã foi a maior herança deixada por esse espírito superior; uma herança pacífica e não passiva.
Então, quando ouço a frase passiva: “fica tranquilo que Deus vai colocar tudo em seu lugar” me causa tremenda estranheza pois essa não é a razão dessas almas estarem encarnadas, aguardando que tudo aconteça, sem participar das experiências que lhe são apresentadas; é lógico que tudo está no seu devido lugar por força da providência Divina; mas será que Deus está nos estimulando a aceitar o mal como verdade e aceitar as pessoas do mal como baluartes da humanidade? Claro que não! Deus estimula as almas produzirem o melhor que está dentro de cada uma e usa situações como fossem exercícios para evolução.
Ser pacífico significa não cultivar o ódio por pessoas mas também não se conformar com os acontecimentos maléficos impostos pela força ou pela falta de sabedoria.
Ser passivo é o mesmo que ser cúmplice do mal; é o mesmo que apoiar incondicionalmente a presença maléfica.
Meu aparelho tem caído constantemente nessa cilada; por essa rezão estou me manifestando e pedindo para evitar o ódio em relação as outras almas, mas não aceitar o mal como verdade; lutar com todas as forças para vibrar positivamente entre os que o rodeiam e reforçar a egrégora construída, renovando sua energia na paz e no esclarecimento, sempre.
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A DUALIDADE DA ALMA
(Mensagem do Cônego Auguste, canalizada por Luiz de Xangô)
Muitos pensadores vêm tentando definir parâmetros e limites para identificar o bem e o mal; mas, antes de tudo devemos entender que essa definição passa por questões morais, ideológicas e da própria sobrevivência na terra.
A alma está provida de ambas situações que muitas vezes se confundem; por isso é importante que as criaturas tenham bem cristalina sua base moral.
Não raras vezes vemos criaturas assumindo posturas que, no nosso ponto de vista, contrariam toda sua existência; isso não quer dizer que se trata de uma pessoa má ou boa mas sim é apenas um reflexo do seu ser; não se deve pautar um julgamento somente por uma atitude, deve-se considerar o contexto e a linha de conduta dessa alma.
Pode sim existir a perversidade como também a infinita bondade; mas o comum é ambas compartilharem o mesmo ser.
Uma alma pode ser perversa e sempre expor esse seu lado; mas haverá sempre o seu lado benevolente; o mesmo se aplica ao inverso.
A criatura está encarnada para buscar esse equilíbrio! É um processo evolutivo onde se procura a perfeição inatingível; mas a importância está na busca; a alma é um reflexo desse processo evolutivo.
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A IMPORTÂNCIA DE CADA ALMA
(Mensagem do Conego Auguste, canalizada por Luiz de Xangô)
Toda alma tem sua importância e está na terra para cumprir a sua função; assim como todas as criaturas que a rodeiam.
Não é um tratado individual mas sim uma responsabilidade assumida diante do grupo, ao ter a chance de reencarnar.
Cada indivíduo pertence a uma energia maior que vibra em torno de uma causa que nem sempre se apresenta como uma unidade convergente.
Muitas vezes o distanciamento dessas almas visa um propósito maior; dentre eles a possibilidade da reflexão e da evolução.
A alma está encarnada para buscar a evolução; é uma busca inatingível; mas a importância está na troca com o grupo onde cada um tem um papel importante.
Nem sempre existe a consciência sobre cada papel mas a busca é fundamental para o grupo onde está inserida cada alma.
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IV - PAI JOAQUIM DO CONGO
ORAÇÃO NÃO É MOEDA DE TROCA
(Por: Luiz De Xangô na vibração de Pai Joaquim do Congo)
Oração não é moeda de troca mas sim uma forma de conexão energética.
Muitos são os que se desmancham em repetir orações sem mesmo entender o significado das palavras pronunciadas; como se estivessem ofertando algo em troca de seus pedidos ou pagando por tê-los conquistado.
Saiba que as entidades não carecem de orações para evoluírem pois estão em um nível espiritual superior; aguardam nossa oração para trazer-nos seus fluídos e conduzir-nos a realização de nossos pedidos e intenções.
Quando você dirigir a oração a uma determinada entidade sintonizará sua vibração ao campo vibratório desta.
A oração pode ser simplesmente uma intenção; a intenção sincera de se envolver com forças e interlocutores para se ligar ao criador; quando feita em grupo pode se traduzir através do canto, da reza ou dos mantras que deverão ser compreendidos no sentido exato de suas palavras ou sons, de forma a levar todo o grupo ao mesmo objetivo.
As orações feitas em prol de terceiros, buscando vibrações favoráveis aos seus intentos, são a forma mais pura de caridade; assim como as orações feitas na busca de conforto ou encaminhamento do grupo.
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QUANTO CUSTA OBTER UMA GRAÇA NA UMBANDA?
(Por Luiz de Xangô, na vibração de Pai Joaquim do Congo)
Não nos cabe aqui julgar determinadas práticas religiosas onde seus ritos implicam no dispêndio por parte dos adeptos; ou mesmo a participação dos integrantes com vistas a cobrir custos de manutenção do seu templo religioso; nosso foco está dirigido ao conceito do pagamento pelas graças obtidas.
Observamos em algumas religiões a existência de uma moeda de troca; ora ela aparece na forma de escambo de orações por uma graça desejada; ora aparece em forma de “penitência” para reparar um determinado desvio de conduta moral; ora aparece na forma do dízimo onde o indivíduo tem a falsa sensação de comprar seu espaço celestial; ora aparece na forma de oferendas como velas, comidas, flores e etc., onde o indivíduo supõe que a divindade se satisfaça com o presente e lhe retribua da forma esperada.
Há também entre nós os oportunistas que lançam mão de formas ritualísticas e de expressões religiosas para confundir o menos avisado e comercializar pseudos milagres; usando o embuste de alguma religião, arrancando da vítima valores que muitas vezes são maiores que a sua capacidade de ofertar; nessa categoria, existem os que fazem muito mal a nossa religião e que comumente publicam suas ofertas de amarração nos postes e muros, onde, sob o disfarce de uma entidade umbandista, ou utilizando expressões próprias de nossa ritualistica, prometem o impossível, mediante o pagamento de uma oferta em dinheiro.
Muitos, influenciados por tais práticas recorrem a Umbanda com o mesmo preconceito; mas, com o tempo, observam que não há graça sem o merecimento e sem uma reforma íntima; quando as pessoas percebem isso, muitas vezes, o seu pedido acaba ficando sem sentido; aquilo que procuravam ao entrar no Terreiro deixa de ser importante pois as pessoas passam a ter como referência outros valores.
Não podemos crer que, ao acendermos uma vela, estejamos comprando uma graça; todo ritual praticado na umbanda envolve uma magistica que tem o objetivo de estabilizar a energia envolvendo o indivíduo e o grupo; a estabilidade dessa energia nos auxilia na ligação com o sagrado.
Estabilizar nossa energia, nos proporciona a ligação com a espiritualidade de forma a obtermos os bons fluídos e transformar nossa presença em irradiação do amor e da caridade, transmutando todo sentimento negativo, trazendo-nos bons pensamentos e agregando-nos valores morais que nos permitirão uma efetiva mudança de postura e o perfeito entendimento da função “religare” que dá sentido verdadeiro a religião.
Muito dos ensinamentos de Kardec foram apropriados pela Umbanda; dentre eles a premissa: “Dar de graça o que de graça recebestes”.
Como diz o hino da Umbanda: “Umbanda é paz e amor; um mundo cheio de luz; é força que nos dá vida e a grandeza nos conduz”; dentro desse contexto, não cabe a comercialização da fé; portanto, se você entrar numa casa e lhe cobrarem por alguma ajuda, esteja certo de que lá não é Umbanda.
Então, quanto custa obter uma graça através da Umbanda?
Resposta: Custa muita humildade, gratidão, perseverança, aprimoramento, merecimento, respeito, estudo e muito amor para com o seu próximo.