I - O QUE É UMBANDA?
12 – HIERARQUIA NO TERREIRO DE UMBANDA
Na maioria dos Terreiros de Umbanda existe uma ordem hierárquica parecida; existe uma organização administrativa que viabiliza todas as ações da casa e cuida da parte legal; e outra estrutura que se dedica a condução da parte espiritual; em grande parte das casas pequenas essas atribuições são todas do Pai de Santo ou Dirigente.
Babalorixá (quando homem) ou Ialorixá (quando mulher).
Em algumas casas são chamados de Dirigentes Espirituais, em outras de Pai de Santo e Mãe de Santo; ou Babá; ou ainda Sacerdotes; todas essas denominações referem-se ao mesmo cargo.
Eu particularmente entendo que o termo Dirigente Espiritual seja o mais conveniente pois os demais indicam a origem africana ou católica, subentendendo-se que a formação dessas pessoas esteja relacionada àquelas ritualísticas; e isso não ocorre necessariamente.
Na Umbanda, diferentemente das outras religiões, não existe consenso sobre a formação de um Dirigente Espiritual; normalmente são pessoas escolhidas pelo plano Astral; a rigor o Dirigente Espiritual é um médium desenvolvido que passou por toda sorte de experiências dentro de uma Casa de Umbanda, realizou todas as obrigações para seus Orixás e Guias; é conhecedor e praticante do fundamento da Umbanda e da sua ritualística; e suas entidades determinaram que devesse constituir um novo grupo, ampliando a prática da caridade.
Esta figura é a responsável espiritual por tudo que acontecer dentro da gira (antes, durante e depois); eles têm a função de cuidar e zelar pela vida espiritual dos médiuns do terreiro, orientar e dirigir os trabalhos abertos e fechados a público. São os responsáveis por fazer cumprir as diretrizes estabelecidas pelo Astral, para o Terreiro.
Pai Pequeno ou Mãe Pequena
É também um dirigente e a segunda pessoa dentro de um Terreiro de Umbanda; têm como função auxiliar o Dirigente Espiritual em todos os trabalhos.
Em algumas casas esse cargo não existe de forma clara; porém, sempre haverá um médium mais experiente e comprometido com as regras e fundamentos da casa que irão auxiliar o Dirigente Espiritual.
Na ausência do Dirigente Espiritual o Pai Pequeno ou Mãe Pequena assumem toda a responsabilidade deste; fora isso, suas atribuições variam de Terreiro para Terreiro.
Médiuns de Pontas
São médiuns desenvolvidos que, dada sua firmeza, são eleitos para ocupar lugares de destaque como se fossem fechos da corrente mediúnica; localizam-se nas extremidades da entrada da gira (porteira) e do Congá.
Esse cargo é de muita responsabilidade pois tem a função de concatenar a energia da corrente que seria interrompida pelo seguimento da Porteira e do Congá; por isso há muito cuidado por parte do Dirigente Espiritual na escolha desses médiuns; quando sua vibração não está favorável à concatenação, eles são substituídos por auxiliares e depois retornam quando restabelecidos.
Médiuns de Transporte
Trata-se de médium desenvolvido, capacitado e firmado dentro da corrente mediúnica para efetuar transportes e descarregos.
Embora qualquer médium possa exercer essa atividade, o dirigente acaba identificando na corrente mediúnica, quem melhor canaliza as energias de transportes e descarregos; bem como consegue melhor restaurar sua vibração energética após uma passagem.
Médiuns de Trabalho
São os médiuns que dão consulta; as suas entidades já riscaram ponto, deram nome, e este passou por alguns preceitos (isto também varia de terreiro para terreiro) que os firmaram como médiuns.
Alguns chamam de Médiuns batizados; outros de Médiuns feitos; essa nomenclatura também varia de acordo com a orientação do Dirigente Espiritual e da raiz da Casa.
Médiuns em Desenvolvimento
São médiuns que como o nome já diz, estão em desenvolvimento. Dependendo do terreiro eles podem dar passes, já incorporam uma ou outra linha, mas ainda não dão consultas e as suas entidades ainda não deram nome ou não riscaram ponto. Estão sendo preparados para tornarem-se médiuns de trabalho.
Médiuns Iniciantes
Também como o nome diz, são médiuns que ingressaram a pouco tempo no terreiro e ainda não incorporam.
Cambone
Normalmente são médiuns iniciantes ou em desenvolvimento que são responsáveis por atender as entidades, no que diz respeito a acender charutos, velas, cachimbos, interpretar o que a entidade está querendo dizer, coordenar a entrada da assistência para consulta ou passe.
Essa tarefa lhes dá também a possibilidade do aprendizado pois acabam tendo contato com todas as situações que se apresentam no Terreiro; outo aspecto positivo é de que a entidade que estiver sendo assistida pelo Cambone vai também ajudar no desenvolvimento de sua mediunidade.
Costuma-se chamar a atividade do Cambone de “Cambonear”.
Curimbeiro, Atabaqueiro ou Ogã
Os três nomes são utilizados e identificam sempre o mesmo cargo: é a pessoa que bate (toca) o tambor e/ou canta os pontos.
Esse cargo é de suma importância, à medida que a atividade do toque e do ponto cantado é uma forma de magia que permite abrir e fechar portais por onde se estabelece contato com o plano espiritual.
É uma habilidade nata, embora alguns, com muito exercício e dedicação, acabam desenvolvendo.
O Ogã que tem alabê é o que intuiu a presença das energias que atuam na casa e por isso tem a autorização de conduzir o trabalho, cantando os pontos necessários para atrair ou afastar aquelas forças.
Embora na Umbanda se utilize o termo Ogã, o conceito é diferente dos cultos a nação onde esses médiuns tem uma feitura especial e suas responsabilidades são ainda maior.