I - O QUE É UMBANDA?
7 – O MÉDIUM DE UMBANDA
Médium é toda pessoa que têm a qualidade de se comunicar com espíritos desencarnados, seja pela mecânica da incorporação, pela vidência (ver), pela audição (ouvir) ou pela psicografia (escrever movido pelos espíritos); em tese, todos os seres humanos têm essa capacidade.
Na Umbanda as qualidades mediúnicas são doutrinadas para a prática da caridade; o médium é um espírito que reencarnou com a responsabilidade e compromisso de servir como um instrumento de guias ou entidades espirituais superiores.
Para tanto, o médium de Umbanda deve preparar-se através do estudo, desenvolvendo a sua mediunidade, prezando a elevação moral e espiritual; deve respeitar os guias e Orixás, ter assiduidade e compromisso com sua casa; deve ter em seu coração a caridade, amor e fé; deve entender que a Umbanda é uma prática que deve ser vivenciada no dia a dia e não apenas no terreiro.
O médium de Umbanda, também chamado de “Cavalo” pelas entidades da direita e “Burro” pelas entidades de esquerda, nunca deve envaidecer-se de suas faculdades mediúnicas, visto não ser um premio e sim uma missão para trabalhar em beneficio de irmãos sofredores ou dos que passam por algum problema ou aflição.
A mediunidade na Umbanda deve servir e não ser servida; os médiuns devem respeitar-se e cultivarem o amor incondicional e a caridade aos seus próximos.
Além dessas qualidades, o médium de Umbanda deve respeitar e ter fé em sua religião; deve procurar sempre estar preparado para os trabalhos do terreiro, tomando seus banhos, fazendo suas obrigações e procurando sempre estar disponível nos dias e horários que se dispuser participar.
Quando adentrar ao Terreiro para prestar a caridade o médium deve deixar seus problemas pessoais sempre do lado de fora; o médium deve esforçar-se para entrar no terreiro com a cabeça “arejada e limpa”, separando as coisas materiais das espirituais; caso não se sinta preparado deve evitar dar assistência e procurar ajuda com as entidade que estiverem, em trabalho.
Para ter uma boa incorporação, o médium necessita de preparos antes e durante os trabalhos, como:
- Tomar os banhos recomendados pelos guias ou pelo dirigente;
- Fazer sempre firmezas para os guias;
- Se preparar para uma boa concentração;
- Buscar uma boa irradiação e manter sua boa vibração;
- Não passar à frente dos guias;
- Caso venha se lembrar de algum fato ou informação pessoal de algum assistido, obtida durante sua incorporação, deve manter sigilo e não fazer qualquer comentário;
- Deve procurar afastar sempre todo sentimento de orgulho ou superioridade por estar servindo como intermediário das entidades trabalhadoras.
7.1 - COMO RECEBER OS NOVOS MÉDIUNS NO NOSSO TERREIRO?
Vou transcrever à seguir um texto psicografado por Rubens Saraceni, extraído do livro “O Código de Umbanda” (obra inspirada pelos mestres da Luz: Senhor Ogum Beira-Mar, Pai Benedito de Aruanda. Li-Mahi-An-Seri-yê, Seiman Hamiser yê e Mestre Anaanda), Editora Masdra, que traduz de forma perfeita os cuidados que devemos ter com os novos médiuns que adentram em nossa casa:
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Novo Médium....deve merecer dos filhos de Fé já maduros (iniciados) toda atenção, carinho e respeito quando adentram no espaço interno das tendas, pois é mais um filho da Umbanda que é “dado” à luz. E tal como quando a generosa mãe dá à luz mais um filho, onde tanto o pai quanto os irmãos se acercam do recém-nascido e o cobrem de bênçãos, amor, carinho e… compreensão para com seus choros, o novo filho de Fé ainda é uma criança que veio à luz e precisa de amparo e todos os cuidados devido à sua ainda frágil constituição íntima e emocional.
Do lado espiritual, todo o apoio lhe é dado, pois nós, os espíritos guias deles, sabemos que este é o período em que mais frágil se sente um ser que traz a mediunidade.
Para um médium iniciante, este é um momento único em sua vida, e também um período de transição, onde todos os seus valores religiosos anteriores de nada lhe valem, pois outros valores lhe estão sendo apresentados.
Para todos os seres humanos este é um período extremamente delicado em suas vidas. E não são poucos os médiuns que se decepcionam com a falta de compreensão para com sua fragilidade diante do novo e do ainda desconhecido.
É tão comum uma pessoa dotada de forte mediunidade e de grandes medos, ser vista como “fraca” de cabeça pelos já “tarimbados” médiuns. Mas estes não param para pensar um pouco no que realmente incomoda o novo irmão e, com isto, o Ritual de Umbanda Sagrada vê mais um dos seus recém-nascidos filhos perecer na maior angustia.
Mas alguns milhões de filhos de Fé com um potencial mediúnico magnífico já foram perdidos para outros rituais, porque os diretores das tendas não deram a devida atenção ao “fator médium” do ritual de Umbanda, assim como não atentaram para o fato de que aqueles que lhes são apresentados pelos guias zeladores dos novos médiuns, se lhes são enviados, o são pelo próprio espírito universal e universalista que anima a Umbanda Sagrada, e que é o seu espírito religioso, que no lado espiritual tem meios sutis de atuar sobre um filho de Fé, mas no lado material depende fundamentalmente dos pais e mães no Santo, animadores materiais desse corpo invisível, mas ativo e totalmente religioso.
O ritual é aberto a todas as manifestações, mas o lado material ( médiuns) tem de ser esclarecido de que as manifestações só acontecem por causa desse espírito religioso invisível conhecido por Ritual de Umbanda Sagrada, e que fora dele não há manifestações, mas tão somente possessões espirituais.
Mas para que isso possa ser realmente dito, é chegado o tempo de a Umbanda deixar de perder seus filhos recém-nascidos para religiões que ainda recorrem a princípios medievais, quando não obscurantistas.
É chegado o momento de todos os médiuns, diretores espirituais, dirigentes espirituais e pais e mães no Santo, imprimirem aos seus trabalhos mais uma vertente da Umbanda Sagrada: a doutrinação dos irmãos e irmãs que afluem às tendas nos dias de trabalho..
Nós temos acompanhado com carinho e atenção os irmãos umbandistas que têm oferecido a maior parte de suas vidas a esta necessidade da religião umbandista – abençoados sãos estes verdadeiros filhos de Umbanda, mas temos acompanhado a vida de todos os pais e mães no Santo e temos visto que bloqueiam a si próprios e às suas potencialidades doutrinadoras dentro da Umbanda Sagrada, quando limitam a si e sua religião aos trabalhos dentro de suas tendas, quando os seus guias incorporam e … trabalham.
Umbanda significa: o sacerdócio em si mesmo, na umbanda, no médium que sabe lidar tanto com os espíritos quanto com a natureza humana.
Umbanda, na banda do “Um” , um todos são e sempre serão, desde que limpem seus templos íntimos dos tabus a respeitos dos orixás e os absorvam através da luz divina que irradiam seus mistérios. Daí em diante, serão todos “mais um”, plenos portadores dos mistérios dos orixás.
Despertem para esta verdade, pais e mães de Santo! Olhem para todos os que chegam até vocês, não como seres perturbados, mas sim como irmãos em Oxalá que desejam dar “passagem” às forças da natureza que lhes chegam, mas encontram seus templos (mediunidade) ocupados por escolhos inculcados neles, através de séculos e séculos que estiveram afastados de seus ancestrais orixás. Não inculquem mais escolhos dizendo a eles que tem orixá brigando pela cabeça deles, ou que Exu está cobrando alguma coisa.
Tratem os filhos que Olorum, o Incriado, lhes envia com o mesmo amor, carinho e cuidados que devotam a seus filhos encarnados.
Cuidem deles; transmitam a eles amor aos orixás, pois orixá é o amor do Criador às Suas criaturas.
Ensinem-lhes que, na lei de Oxalá, ninguém é superior a ninguém, pois na banda do “Um”, mais um todos são.
Mostrem-lhes que orixá é um santo, mas é mais do que isso: orixá é a natureza divina se manifestando de forma humana, para os espíritos humanos.
Esclareçam ao filho recém-chegado que se sente incomodado, que isto não é nada ruim, pois há todo um santuário aprisionado em seu intimo que está tentando explodir através de sua mediunidade magnífica.
Conversem demoradamente com ele e procurem mostrar-lhe que Umbanda não é a panaceia para todos os males do corpo e da matéria, mas sim o aflorar da espiritualização sufocada por milênios e milênios de ignorância e descaso para com as coisas do espírito.
Expliquem que pode fazer o que quiser com seu corpo material, mas deve preservar sua coroa (cabeça), pois é nela que a luz dos orixás lhe chega e o liberta dos vícios da carne e do materialismo brutal.
Ensinem-lhe que, como templos, deve manter limpo seu íntimo, pois nesse íntimo há uma centelha divina animada pelo fogo divino que a tudo purifica, e que o purificará sempre que entregar sua coroa ao seu orixá. Instrua-os com seu mentor guia chefe, irmãos e irmãs (pais e mães de Santo).
Ensinem aos médiuns que eles trazem consigo mesmo todo um templo já santificado e que nele se assentam os orixás sagrados. E que através desse templo muitas vozes podem falar, e serem ouvidas pois Umbanda provem de Embanda: sacerdote!
E o médium é um sacerdote, um embanda, um Umbanda, ou mais um na banda do um, a Umbanda!
Nota: Embora os ensinamentos acima cabem a todas vertentes da Umbanda, o autor (Rubens Saraceni) faz referência a Umbanda Sagrada, cujas bases codificadoras foram resultado de seus estudos.
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7.2 - O MÉDIUM DE TRANSPORTES E DESCARREGOS
Trata-se de médium desenvolvido e capacitado e firmado dentro da corrente mediúnica para essa responsabilidade; o transporte significa incorporar a entidade espiritual de outro médium que, no momento, está incapacitado de fazê-lo ou ainda para viabilizar a comunicação do outro médium e sua própria entidade; já o descarrego significa incorporar entidades de baixa vibração energética que acompanhavam a pessoa, e assim efetuar a sua doutrinação e limpeza.
Apesar de existir essa diferença entre transporte e descarrego, é comum nos referirmos às duas situações como transporte e portanto, classificarmos o médium que executa o transporte ou descarrego como médium de transporte.
O médium de transporte precisa ter em mente que estará sempre sendo julgado sob diferentes óticas que influenciarão em sua vibração energética.
Para alguns, o médium de transporte é aquele inconveniente que interrompe o curso de uma gira atingido por um “Kiumba” ou espírito sem luz qualquer; para outros é aquele herói que consegue atrair para si energias maléficas e conduzi-las para o seu destino, de forma fantástica.
E para o médium de transporte o que significa sê-lo?
Eu lhes respondo não como um estudioso mas como um observador que, por algum tempo de sua vida, vem servindo a esse propósito de oferecer seu aparelho para manipulação de energias em prol da caridade.
Ser um médium de transporte é um exercício constante de humildade, serenidade e paciência que, em alguns momentos da vida, é difícil de se conseguir ter.
Quando se apresenta uma situação do tipo: “Esse médium é um fraco e atrai tudo o que não presta para cima dele”; deve-se ter paciência e entender que num mesmo grupo existem pessoas com diferentes níveis de compreensão e esse irmão ainda levará algum tempo até entender efetivamente que aquele médium, alvo de sua crítica, poderá estar lhe fazendo um benefício ao absorver energias que eventualmente estariam destinadas ao desequilíbrio do grupo.
Outra situação possível de ocorrer é quando alguém é submetido a um processo de descarrego e acontece o seguinte tipo de comentário: “Nossa! Como esse médium é bom; ele conseguiu tirar a coisa ruim do consulente”; nesse caso, deve-se ter o cuidado de não ser atingido pelo vírus mais destruidor da humanidade, o “orgulho”.
Eu já tive a oportunidade de ver terreiros perderem excelentes médiuns de transportes e, por outro lado, grandes médiuns de transporte se perderem.
Além desse cuidado, o médium de transporte deve esforçar-se por ter uma conduta moral exemplar de forma a imprimir autoridade sobre forças energéticas negativas e poder conduzi-la a contento.
E o mais importante: Um médium de transporte sempre estará assistido em suas atividades pelos seus Guias, Mentores, Orixás e Anjos de Guarda; nunca estará só em sua tarefa.