Fala na abertura da X SEMAC, auditório do INTEP, 26/09/2005.
Já foi dito que “a teoria sem a prática, é uma teoria estéril, e a prática sem a teoria é uma prática cega, ou então uma prática burra”.
Muitos cursos de graduação em artes, ou Educação Artística, até mesmo em instituições conceituadas em nosso país, padecem de um dos dois males:
Alguns apenas adestram mãos habilidosas, não se preocupando em formar sujeitos críticos e reflexivos, em formar intelectos. São quase as extensões dos cursos particulares - de artes ou de artesanato - que florescem, sem nenhum controle oficial ou verificação de indicadores de qualidade, em nossas cidades.
Outros, pelo contrário, formam críticos. Teóricos capazes de realizar uma dissecação completa das obras de arte alheias, mas, incapazes de produzir as suas próprias.
Entre a ingenuidade e o descompromisso da primeira postura, e a aridez da segunda, posiciona-se o nosso curso. Um curso sério, conceituado, com tradição na área e que tem primado pela atitude de dosar teoria e prática na justa medida, nem exagerando no fazer autodidata e nem carregando no formalismo acadêmico.
Esta abertura da Semac reflete a postura, o caráter e a coesão que o nosso curso propõe e desenvolve.
Procuramos desenvolver aqui, de formas simples, várias linguagens artísticas, articuladas por um tema gerador comum que é a busca da identidade.
Busca da identidade nacional, no caso do filme Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, que serviu de pano de fundo. É um marco do cinema novo. Pode-se falar do cinema nacional como “antes de Glauber Rocha” e “depois de Glauber Rocha”.
Busca da identidade sócio-cultural de nossos alunos em suas várias manifestações aqui apresentadas, de música e dança, que também resgatam sua identidade de gênero e os posicionam diante dos presentes, como expoentes de uma determinada geração, que tem características precisas e muito marcadas.
Busca da Identidade artística, especificamente do artista plástico, nos alunos que aqui estiveram se apresentando e produzindo, de forma performática, quadros instantâneos.
Busca da identidade do curso ao estarmos aqui, todos, professores do curso nesta abertura, independentemente do dia/horário de nossa atuação, empenhados em “mostrar a nossa cara”, ou seja, demonstrar, unindo teoria e prática, qual é o nosso fazer cotidiano, os nossos anseios e aspirações e qual a contribuição que podemos dar, no sentido de consolidar a busca das identidades múltiplas aqui presentes.
Agradecemos a presença da sra. Presidente, professora Lenita Harumi Shibuya e do sr. Diretor, Professor Rubens, e a oportunidade que eles nos oferecem em estarmos, de forma simples e direta, mostrando o nosso trabalho.