· SEMANA DA TROPICÁLIA :
· ORIENTAÇÕES AOS PROFESSORES:
TROPICALISMO
Mais do que um movimento, o tropicalismo , foi verdadeiramente uma explosão criativa, um movimento de liberdade.
Foi uma festa que durou enquanto o regime pôde se mostrar um pouco mais liberal. Sob este aspecto, o tropicalismo pode ser visto igualmente como a explosão, no artista, de um inconsciente político, após vários anos de repressão das atividades políticas. Altamente simbólico a este respeito, foi a súbita presença de bandeiras, sob várias formas, nas manifestações artísticas, especialmente aquelas levadas às ruas e praças, como o Festival de Bandeiras em São Paulo e no Rio de Janeiro organizado em 1967 por Nelson Leinner e Flávio Motta.
Como diziam Gil e Torquato: “O Poeta desfralda a bandeira e a manhã tropical se inicia”. Mas, logo, a noite veio encobrir esta manhã tropical ou este “verânico de maio”, com a edição de 13 de dezembro de 1968, do Ato Institucional no. 5
· QUE SE TRATA:
· "TROPICÁLIA", ou "TROPICALISMO" refere-se a um movimento de amplo espectro ocorrido na cultura brasileira entre meados da década de 1960 e meados da década de 1970. Muito embora sua repercução se faça sentir de forma muito mais nítida no campo da música , é também bastante marcante nas artes plásticas , onde se manifesta sob a forma das pinturas "ingênuas" (ou "naifs") de artistas como Djanira e outros artistas primitivistas.
· COMO SERÁ TRABALHADA:
· SEGUNDA-FEIRA, 18 de maio - exibição do filme HAIR, de Milos Forman
· TERÇA-FEIRA, 19 de maio, contextualização de várias músicas do período (será fornecida uma planilha para cada professor)
· QUARTA-FEIRA, 20 de maio, produção de trabalhos explorando a expressão plástica dos alunos, exposição de fotos
· QUINTA-FEIRA, 21 de maio, "performances" dos alunos
· ORIENTAÇÕES GERAIS:
· 1. SOBRE O FILME "HAIR":
· * HAIR foi originalmente um musical da Broadway, lançado em 1967, no bojo da contra-cultura , do pacifismo e da contestação à Guerra do Vietnã, sob os "slogans' do "PAZ E AMOR" e "FAÇA AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA" veiculados pelo movimento hippie. O título do filme, "cabelo", refere-se aos longos cabelos da maioria de suas personagens e que, na época, eram uma forma de contestação aos valores sexistas da sociedade tradicional, além de uma manifestação da estética adotada pela juventude . Muito embora não seja um filme que retrate de maneira direta o tropicalismo, HAIR, produzido na década de 1980, é o fiel retrato de uma época em que se consolida o “poder da flor” e que, pela primeira vez na história, os jovens do mundo todo assumiram uma postura crítica e ativa: já não eram mais os jovens “rebeldes” da década anterior (1950), eram jovens genuinamente revolucionários. A sua atitude deixou de ser pautada por um pacifismo apenas conformista, deixou de ser passiva e desengajada, a sua crítica passa a ter consistência. Em várias partes do mundo os jovens demonstram que já tem consciência de sua prórpria força, participando nus no “Central Park” de manifestações contra a Guerra do Vietnã (1968) ou então de manifestações em prol dos direitos civis dos negros no sudeste dos Estados Unidos e contra o “Apartheid” na África do Sul. O que nós podemos vislumbrar, além dos conflitos internos intrínsecos das personagens, é o conflito social e o choque cultural inerente a esta época, o que nos faz afirmar que existe uma grande dose de universalidade no filme HAIR, pois os ideais de seus jovens personagens são também os ideias de todos os nossos jovens que resistiram à ditadura e que procuraram democratizar as relações intersexuais , questionando os papéis homem/mulher, interaciais, religiosos e políticos.
· Podemos identificar em várias personagens atitudes similares às dos nossos Baby e Pepeu, Caetano, Gil e Gal Costa entre outros.
· 2. SOBRE AS MÚSICAS CONTEXTUALIZADAS:
· Tendências gerais:
· Podemos perceber na produção musical desta época duas linhas gerais básicas: o questionamento à realidade social, política e econômica do Brasil na época da ditadura militar (1964 - 1985) mas, mascarada sob a capa da prosa poética e da exaltação do cotidiano (devido à exigência de "driblar" a censura), ou então um questionamento dos valores familiares e dos papéis sexuais, da relação homem/mulher .
· Também existiu, evidentemente, uma produção musical "desengajada", que adotou apenas exteriormente a estética da tropicália, sem se envolver nos questionamentos que a embasavam. Esta produção musical, muito interessou à ditadura, pois esta pôde utilizá-la em função de seus próprios interesses: a propaganda política dos generais/presidentes , o mascaramento das guerrilhas e das tensões internas e a da consolidação do retrato ufanista do "Brasil Grande".
· mundo vivia o ápice da Guerra fria, da corrida armamentista, a bipolarizaçào mundial (de um lado o capitalismo representado pelo AWL-American way of life - de outro, a URSS com o socialismo).
· Tudo parecia prestes a explodir, mas o medo de ambos os lados não permitiu a ocorrência da temida Terceira Guerra Mundial. Vivia-se uma guerra ideo lógica, uma demonstração de poderes. O conflito real era regionalizado: Guerra do Vietnã(1961-1975), a qual pode ser considerada um dos momentos mais violentos da história mundial, de um lado a potência EUA, de outro um país recém saído de uma dependência colonial.
· Foi a Guerra do Vietnã a responsável pela desvalorização da imagem dos EUA tornando a opinião pública solidária aos vetcongs (guerreiros vietnamitas).
· Entrava em cena também a disputa pela conquista espacial:
· Em 1957 era lançado o sputnik, primeiro satélite artificial, pela URSS
· Em 1959, primeiro passo na lua pelos Norte-americanos
· Em 1961, o vôo orbital de "Iuri Gagari" URSS
· A situação política mundial reflete-se de uma maneira forte na sociedade tanto pelas revoltas, que o clima anti-paz trazia, como a criação de uma nova sociedade, dominada agora por um outro tipo de Imperialismo: o ideológico
· Acontece uma larga industrialização nos países mais pobres, uma aceleração na mudança de hábitos (cria-se uma sociedade consumista) incentivada pela televisão que decretava o ínico da "cultura de massa", possível através de uma comunicação mais rápida, atingindo um maior número de "bolsos". É o comiço da HIPNO-TV-TIZAÇÃO.
· CONTEXTO POLÍTICO BRASILEIRO DA DÉCADA DE 60
· Ë preciso regressar um pouco mais no tempo e começar a análise pelo governo de 1955
· Juscelino kubichek - JK (1955-1960)
· Assume a presidência de Getúlio Vargas, uma fase de agitação política e popular, mas de um país que voltava a acreditar em si mesmo.
· Todo esse otimismo passa a se centralizar no ambicioso "Projeto de Metas": 50 anos em 5, baseado no binômio energia e transporte. É considerado uma astuciosa política econômica por combinar a ação do Estado com a empresa privada nacional e capital estrangeiro.
· Detalhes de JK.:
- é chamado de "presidente Bossa Nova", por governar no período de glória de tal movimento musical.
- Em 1959 a indústria automobilística produz 320 mil automóveis o que leva à abertura de 13 mil km de estradas e a transferência da capital Nacional para Brasília, que queria passar a idéia de um Brasil desenvolvido.
· Jânio Quadros -(1961-1961) - 7 meses no poder
· Com seu caráter "popularesco" Jânio foi o primeiro presidente de oposição a assumir o poder. Leva à vice-presidência um candidato de outro partido: João Goulart. Usava a vassoura como símbolo de campanha, queria "varrer a sujeira"da política administrativa do país.
· Assume um país com altos índices de inflação resultantes do "plano metas de JK. Mas o projeto de Jânio diferenciava-se do de Juscelino por não Ter justamente metas definivas, preocupando-se com leis triviais.
· Sete meses após a posse, Jânio renuncia dando para isso a desculpa de que "forças terríveis"estavam contra ele. Mas sabe-se que, na verdade, tinha em mente que os militares não permitiriam a posse do vice João Goulart (considerado comunista), e apoiaram a manutenção dele (Jânio) no poder... O que não aconteceu!
· referente a leis triviais: proibição de maiôs em concursos de miss; obra referente: Rubens Gerchman - Concurso de miss; Bienal da Bahia 1966)
· A MÚSICA BRASILEIRA NA DÉCADA DE 60
· Com a larga "eletrodomesticalização"da televisão, a música passa a ser um produto uito mais do que uma forma de arte, Mas no Brasil a arte continuava acesa, a poesia caminhava ao lado da música e prova disso veio em meados de 1950 como surgimento da Bossa nova, um novo jeito de tratar o violão e associa-lo à voz. O pioneiro foi João Gilberto.
· Apareciam nesta época os aparelhos eletro-acústicos, que foram os responsáveis pela taxação sofrida pelos artistas da Bossa nova de "desafinados", mas se no princípio o novo movimento ficou restrito, logo após viria a ser chamado de revoluáão da MPB.
· Eram muitos os shows, apresentações e programas televisivos, o principal: "O fino da Bossa".
· Houve a confirmação do sucesso com um show nos EUA no "Carneggie Hall" com casa cheia e explosão de composições que permanecem vivas até hoje!
· Os bossa-novistas propunham um novo som, uma nova batida, uma nova música enovas letras, mas ajuventude da época estava desejosa de revoluções mais profundas, mais gritos, mais agitação.
· Os Beatles já estouravam nas rádios de todo país, era o "iê- iê- iê" invadindo a MPB que entrava em declínio caindo na mesmice, já não se sustentava sozinha. Era a época dos festivais, épocas de revelações de talentos, entre os quais encontrava-se Elis Regina, que com interpretações e gestos dava novo brilho à bossa nova. Um período, portanto de subsistência do movimento.
· Enquanto acontecia a descaracterização da MPB, vai ganhando terreno a música importada, a música jovem, cujos representantess faziamparte do programa dominical "Jovem Guarda".
· Roberto Carlos, líder da Jovem Guarda, pega a bossa nova desprevinida e em 1965 lança: "Quero que vá tudo para o inferno"- composição estudada por psicólogos para entendimento da juventude de 60. Atinge elevados níveis de ibope e passa a monopolizar o ercado de discos nacionais. Os artistas da Jovem Guarda propõem além da música estrangeira, uma discussão dos costumes da época: vestuário, vocabulário,versos, etc.Era a "anti música", a revolução saudável, um estilo novo, despojado e jovem.
· Análogamente à bipolarização do mundo, a música brasileira também se dividia em dois "pratos": de um lado o conservadorismo da Bossa Nova, da música de origem brasileira, do violão e do cavaquinho, de outro lado, a Jovem Guarda do "iê- iê- iê" inglês, do romantismo das canções ingênuas, dos instrumentos elétricos.
· A divisão era tanta que surgiram passeatas contra a utilização de instrumentos elétricos na música brasileira e contra a desvalorização da mesma. Os festivais seguem iguais até o ano de 1967, com a apresentação de quatro canções que dão outro rosto à música brasileira. Onde dá-se ínicio ao movimento tropicalista.
· 5º lugar Maria, Carnaval e Cinzas - Roberto Carlos
· 4º lugar Alegria Alegria - Caetano Veloso(uma canção "camara na mão", passa uma idéia dos interesses jovens da época.
· 3º lugar Roda Viva - Chico Buarque (mal vista pelos ditadores militares)
· 2º lugar Domingo no Parque - Gilberto Gil (inovação textual da música -comparada a uma poesia modernista)
· 1º lugar Ponteio - Edu lobo/ Marília Medalha
· Em 68
· GERALDO VANDRÉ - PARA DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES (tornou-se hino -em protesto ao AI-05
· PROIBIDO PROIBIR - CAETANO VELOSO protesto
2.1.TROPICÁLIA – 1968
Caetano Veloso
Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os Chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento no planalto central
Do país
Viva a bossa as Sa
Viva a palhoça ça ça ça ça
Viva a bossa as Sa
Viva a palhoça ça ça ça ça
O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A estrada é uma rua antiga estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente feia e morta
Estende a mão
Viva a mata ta ta
Viva a mulata ta ta ta ta
Viva a mata ta ta
Viva a mulata ta ta ta ta
No pátio interno há uma piscina com a água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina e faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando a eterna primavera
E nos jardins os urubus passeiam a tarde inteira entre os firassóis
Viva a Maria ia ia
Viva a Bahia ia ia ia ia
Viva a Maria ia ia
Viva a Bahia ia ia ia ia
No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração balança ao samba de um tamborim
Emite acorde dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores ele põe os olhos grandes
Sobre mim
Viva Iracema ma ma
Viva Ipanema ma ma mama
Viva Iracema ma ma
Viva Ipanema ma ma mama
Domingo é o fino da bossa
Segunda –feira está na fossa
Terça-feira vai a roça
Porém
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Viva a banda da da
Carmem Miranda da da da da
Viva a banda da da
Carmem Miranda da da da da
Caetano Veloso
Caminhando contra o vento
Sem Lenço sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes pernas bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
O sol nas bancas de revistas
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não?
Por que não?
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço sem documento
Eu vou
Eu tomo uma coca –cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço sem documento
Nada no bolso ouo nas mãos
Eu quero seguir vivendo
Amor
Eu vou
Por que não? Por que não?
Por que não? Por que não?
Por que não? Por que não?
2.3.DOMINGO NO PARQUE -1968
Gilberto Gil
O rei da brincadeira – ê José
O rei da confusão – ê João
Um trabalhava na feira – ê José
Outro na construção – ê João
A semana passada, no fim da semana,
João resolveu não brigar.
No Domingo de tarde saiu apressado
E não foi pra ribeira jogar
Capoeira.
Não foi pra lá, pra ribeira,
Foi namorar.
O José, como sempre, no fim da semana
Guardou a barraca e sumiu,
Foi fazer, no Domingo, um passeio no parque,
Lá perto da boca do rio,
Foi no parque que ele avistou
Juliana,
Foi ele que viu
Juliana na roda com João,
Uma rosa e um sorvete na mão.
Juliana, seu sonh, uma ilusão,
Juliana e o amigo João
O espinho da rosa feriu Zé
E o sorvete gelou seu coração.
O sorvete e a rosa – ê José
A rosa e o sorvete – ê José
Oi dançando no peito – ê José
Do brincalhão – ê José
O sorvete e a rosa – ê José
A rosa e o sorvete – ê José
Oi girando na mente – ê José
Do José brincalhão – ê José
Juliana girando – oi girando
Oi na roda gigante – oi girando
Oi na roda gigante – oi girando
O amigo João – oi João
O sorvete é morango – é vermelho
Oi girando e a rosa – é vermellha
Oi girando, girando – é vermelha
Oi girando, girando – olha a faca
Olha o sangue na mão – ê José
Juliana no chão – ê José
Outro corpo caído – ê José
Seu amigo João – ê José
Amanhã não tem feira – ê José
Não tem mais construção – ê João
Não tem mais brincadeira – ê José
Não tem mais confusão – ê João
2.4.DEBAIXO DOS CARACÓIS DOS SEUS CABELOS - 1970
Roberto e Erasmo Carlos
Um dia a areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar...
Janelas e portas vão se abrir pra você chegarE ao se sentir em casa,
Sorrindo vai chorar...
Debaixo dos caracóis de seus cabelos uma história pra contar de um mundo tão distante...
Debaixo dos caracóis de seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante...
As luzes e o colorido que você vê agora, nas ruas por onde anda, na casa onde mora...
Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente, cocê só deseja agora voltar pra sua gente...
Debaixo dos caracóis de seus cabelos uma história pra contar de um mundo tão distante...
Debaixo dos caracóis de seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante...
Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho deixa sangrar no peito uma saudade, um sonho...
Um dia vou ver você chegando num sorriso, pisando e areia branca que é seu paraíso...
Debaixo dos caracóis de seus cabelos uma história pra contar de um mundo tão distante...
Debaixo dos caracóis de seus cabelos um soluço e a vontade de ficar mais um instante...
2.5.LONDON LONDON –1970
Caetano Veloso – 1970
I’m wandering round and
round nowhere to go
I’m lovely in London
London is lovely so
I cross the street without fear
Everybody keeps the way
Clear, I know, I know no one
Here to say hello
I know they keep the way
Clear I am lonely in London
Without fear .
I’m wandering round and round here nowhere to go
While my eyes go looking for flying saucers n the sky
Oh! Sunday, Monday
Autumn pass by me and people hurry on so peacefully... .
A roup approaches the policeman...
He seems so pleased to please them
It’s good at least to live and I agree...
He seems so pleased at least and it’s so good to live in peace and Sunday, Monday, years and i agree
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
I choose no face to look at,
choose no way...
I just happened to be here and it’s OK! Green grass,
Blue eyes, grey sky, God bless.. .
Silent pain and happiness, I came around to say yes and I say ...
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
Vínicius de Moraes & Baden Powell-1963
Eu sem você
Não tenho porque...
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar.
Eu sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você meu amor
Eu não sou ninguém.
Ai que saudade
Que vontade de ver
Renascer nossa vida
Volta querida
Os meus braços precisam dos
teus
Teus braços precisam dos
Meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados
De olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você meu amor
Eu não sou ninguém.
QUERO QUE VÁ TUDO PRO INFERNO
Roberto & Erasmo Carlos – 1965
De que vale o céu azul
E o sol sempre a brilhar
Se você não vem e eu estou
A lhe esperar
Só tenho você no meu
Pensamento
E a tua ausência
É todo o meu tormento
Quero que você
Me aqueça neste inverno
E que tudo mais vá pro inferno...
De que vale a minha boa vida
De play-boy
Se entro no meu carro
E a solidão me dói
Onde quer que eu ande
Tudo é tão triste
Não me interessa
O que demais existe
Quero que você
Me aqueça neste inverno
E que tudo mais vá pro inferno...
Não suporto mais você longe
De mim
Quero até morrer do que
Viver assim
Só quero que você
Me aqueça neste inverno
E que tudo mais vá pro inferno...
Caetano Veloso –1968
Você precisa saber da piscina,
Da margarina,
Da Carolina,
Da gasolina...
Você precisa saber de mim...
Baby, baby, Eu sei que é assim
Você precisa tomar um sorvete
Na lanchonete,
Andar com agente,
Me ver de perto...Ouvir ...
Aquela canção do Roberto.
Baby, baby, Há quanto tempo...
Você precisa aprender inglês,
Precisa aprender o que eu sei, e o que eu não sei mais,
o que eu não sei mais...
Não sei,
comigo vai tudo azul,
Contigo vai tudo em paz,
Vivemos na melhor cidade da América do Sul...
Você precisa, você precisa, você precisa..
Não sei,
leia na minha camisa ...
Baby, baby...I love you
· 3.EXPRESSÃO PLÁSTICA DOS ALUNOS:
· TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS PELAS CLASSES NA EXPRESSÃO PLÁSTICA:
· QUINTAS SÉRIES E PRIMEIROS TERMOS- LINGUAGEM/PAISAGEM
· SEXTAS SÉRIES E SEGUNDO TERMO - MODA
· SÉTIMAS SÉRIES E TERCEIRO TERMO - CONSUMISMO ENGENDRADO PELA TROPICÁLIA
· OITAVAS SÉRIES E QUARTO TERMO - "PÓS-VIDA" DA TROPICÁLIA / REFLEXOS DA TROPICÁLIA NA POLÍTICA ATUAL.
· TEMA LINGUAGEM/PAISAGEM:
· O professor deve levar os alunos a refletirem sobre as mudanças na linguagem que foram engendradas pela tropicália, a gíria e os neologismos, a maneira mais "solta" de falar derivada da experiência baiana. Pode - e deve - utilizar-se das letras das músicas, apresentadas um dia antes, para realizar analogias, sínteses e tecer comentários.
· O professor deve também levar o aluno a imaginar, refletir e saber interpretar qual é a paisagem retratada pela tropicália: os coqueiros da praia de Itapuã, o mar azul, as árvores frutíferas, o sol, o verão eterno destas composições, que refletem o perene 'estado de verão" da região nordeste.
· TEMA MODA:
· O professor deve se utilizar dos recortes de jornais e revistas disponíveis e rememorar o filme "HAIR", apresentado na Segunda-feira, para falar das transformações sofridas pela moda: os motivos florais, as cores berrantes, o estilo psicodélico, o orientalismo das batas indianas, os cabelos soltos, os "balangandãs", a "boca de sino" e a "pata de elefante", etc. lembrando-se sempre de fornecer ao aluno uma visão crítica a respeito da mesma.
· Além da moda, o professor deverá trabalhar também os modismos, como o consumo de entorpescentes (a "canabis" começa a ser consumida pelas camadas médias da sociedade na época da guerra do Vietnã, o ópio é trazido do oriente e redestilado, o LSD é sintetizado), a adesão às filosofias e seitas orientais (como os "HARE KRISHNA") e a redescoberta do espiritualismo, o "amor livre" decorrente da revolução sexual e da invenção da pílula anticoncepcional e dos novos antibióticos que práticamente erradicaram as doenças sexualmente transmissíveis mais recorrentes no período, o "boom" da música italiana, os "BEATLES", os "ROLLING STONES" e o "THE DOORS" , etc.
· Recomendamos ao professor uma postura crítica e reflexiva, mas que não desestimule a produção do aluno. Devemos ressaltar que o objetivo é estimular a liberdade de criação do aluno, permitindo que ele voe e seja senhor do seu próprio percurso, do seu próprio fazer artístico.
· TEMA CONSUMISMO ENGENDRADO PELA TROPICÁLIA:
· Muito embora, em sua gênese, o tropicalismo tenha tido uma ênfase potencialmente revolucionária e contestadora, muito cedo foi absorvido pela cultura de massa. O capitalismo internacional apoderou-se do repertório de imagens, sons e idéias geradas pelo movimento, reelaborando-as e urilizando-as em seu próprio benefício.
· A moda engendrada pela tropicália (os motivos florais, as cores berrantes, etc.) é a principal - mas não a única - manifestação do consumismo que reelabora a tropicália.
· As viagens à Bahia, o consumo de sucos e lanches supostamente "naturais", o estilo rústico em decoração (onde predominam o vime, a palha, a juta, o tranaçado de babaçu , a treliça e tudo que lembre o sol, o calor, o verão tropical), o culto ao corpo bronzeado e a ênfase no "estar deitado na rede sem fazer nada" são exemplos de como a imagem da tropicália pode ser veiculada, enaltecida, e vendida!
· O professor deverá levar o aluno a refletir sobre todos estes conceitos e produzir um material que seja artístico e crítico ao mesmo tempo. Que tal uma campanha publicitária?
· TEMA PÓS-VIDA DA TROPICÁLIA/ REFLEXOS DO MOVIMENTO NA POLÍTICA ATUAL:
· Antonio Carlos Magalhães é o grande nome do cenário político nacional, na era Fernando Henrique Cardoso. CAETANO Veloso, Gal Costa, Bethânia e até Gilberto Gil (que foi Secretário da Cultura quando ACM era governador) o chamam de "padrinho". Estas figuras, os dois políticos e os vários artistas, serão as grandes estrelas de um monumental "COMÍCIO SHOW", veiculado pela REDE GLOBO em Porto Seguro em abril de 2000, pretensamente para comemorar os 500 anos do "descobrimento".
· Se nos lembrarmos que não houve "descobrimento" e sim INVASÃO do Brasil pelos portugueses (que teóricamente já eram proprietários do Brasil desde o TRATADO DE TORDESILHAS) e que o mito do "descobrimento" serviu aos interesses da camada dirigente da colônia para promover o extermínio em grande escala do elemento indígena, então, perceberemos a gravidade da pantomima que a GLOBO monta em Porto Seguro.
· 4.”PERFORMANCES” OU “HAPPENINGS” DOS ALUNOS:
· Os alunos serão estimulados a comparecerem à caráter neste dia, vestindo roupas que lembrem a transição da década de 1960 para a década de 1970. O professor deve estimular a participação dos alunos em atividades como música (cantar ou dublar, individualmente, em dupla ou em equipe), dança, representação (dramatização) ou mesmo uma genuina atividade performática, que envolva recursos de cena e/ou audio-visuais.
· Antecipadamente agradecemos a colaboração e o empenho de todos no sentido de transformarem a SEMANA DA TROPICÁLIA num evento de sucesso em nossa escola.
· OS ORGANIZADORES, PROFESSORES LUIZ CARLOS CAPPELLANO E MARIA ROSE DARROS BARBOSA.. MAIO 1998