A Festa Brega
A Festa Brega aconteceu nas dependências da FESB, em Bragança Paulista, com participação dos alunos do 1º, 2º e 3º ano do curso de Desenho e Artes Plásticas.
Sob a coordenação do professor de Estética e História da Arte, Luiz CarlosCappellano,que afirma: “Todo estilo tem a sua fase de nascimento, seu clímax – maior esplendor – e sua decadência. O renascimento tornou-se o maneirismo, o barroco tornou-se o rococó e o neo-clássico tornou-se o academismo. Não consideramos, como muitos, que o maneirismo seja uma “degeneração” do renascimento, mas é inequívoco que perverte alguns dos paradigmas daquele estilo. Da mesma maneira, o rococó certamente não possui a força e o vigor do primitivo barroco, tendo se tornado uma arte meramente decorativa, centrada em temáticas frívolas e mundanas. Quanto ao academismo,repetição mecânica e esquemática dos princípios neo-clássicos, muita tinta e muito papel já foram gastos para comentá-lo, de maneira que nos abstemos de faze-lo. O que acontece no mundo das artes plásticas repete-se em todo o domínio da estética, na vida das formas, inclusive na moda: um estilo vigoroso, muitas vezes, sucumbe ante a sua própria repetição extemporânea... O que era moda, vira modismo e, neste momento, surge o que costumamos chamar “brega”, “kitsch” ou “cafona”: a repetição ou o uso anacrônico de elementos de uma moda passada, ou o uso inadequado destes elementos, ainda que de um modismo atual. Hoje havia uma aluna, vestida exatamente como Simone de Beauvoir, a quem não faltava inclusive o cabelo composto em pomposo e largo coque com uma mecha solta lateral, ou a lapela de pele. Na década de 1950, este costume negro, de cintura marcada, seria extremamente chic, em nossos dias, porém, combinado ao escarpin e ao óculos “gatinha” , é totalmente “cafona”. A título de conclusão devemos esclarecer que existe uma diferença fundamental entre o “brega” e o “cafona”: enquanto o primeiro é quase exclusivamente aplicado ao gosto popular ou popularesco (caso, por exemplo, da música dita “sertaneja”), o segundo é típico da classe média emergente. O “brega” é atemporal, no sentido de que sempre pode ser usado como um substantivo: há coisas intrinsecamente bregas, existe um gosto e um estilo brega. Já o cafona não existe enquanto categoria explicativa, as coisas só se tornam cafonas porque deixam de ser utilizadas pela classe social para a qual foram feitas, ou para a época na qual nasceram: ao se apropriar dos antigos índices de status das oligarquias, a classe média os banaliza, descontextualiza... O que seria chic usado por Jacqueline Onassis ou Maria Callas na década de 60 é cafona usado hoje pela Xuxa ou pela Monique Evans... Para compreendermos tudo isto, de uma forma clara e contextualizada (figurinos, comida, adereços cênicos, música, etc) , é que foi organizado este evento”.
“FESTA BREGA” ocorrida na FESB, no dia 08/06/2000, com participação dos alunos do 1º, 2º e 3º ano de Desenho e Artes Plásticas. O evento, divulgado pela internet através do sitehttp://www.fesb.br/repbrega.htm , foi uma festa temática, que buscou discutir moda e modismos, estabelecendo a conceituação correta para os termos “brega” e “cafona”.