Lilia Moritz Schwarcz, no livro “As barbas do Imperador”, fala da dificuldade que D. Pedro II encontrou para casar as filhas, já que o Brasil era considerado, pelas cortes europeias, uma grande fazenda, cheia de escravos.
O caráter provinciano e relativamente “pacato” do nosso país, sem vida cultural própria e completamente dominado pela elite dirigente, jamais se alterou.
É evidente que, dadas as dimensões continentais do nosso território, existem sim algumas ilhas de cosmopolitismo, como o Rio de Janeiro, antiga capital, Salvador e Recife, destinos turísticos dos mais procurados pelos turistas estrangeiros.
Paradoxalmente, porém, a cidade mais rica e mais economicamente desenvolvida, São Paulo, perde longe, e de uma maneira bastante evidente e notória, para as anteriormente citadas, quando falamos em Educação, Arte e Cultura.
Isolada do litoral pela “muralha” da Serra do Mar, capital interiorizada e interiorana, São Paulo sempre teve vida cultural e artística medíocre.
Em relação à tão cantada e decantada “Semana de Arte Moderna de 1922” nos diz mais sobre São Paulo a reação do público, que vaiou a apresentação de Villa Lobos, e da crítica, que massacrou o Modernismo e os modernistas, do que as próprias obras ali expostas e apresentadas.
Sobre o próprio “Modernismo”, hoje exaltado como tendo se iniciado em São Paulo, temos de ponderar que se trata de releitura local do expressionismo europeu (especialmente o alemão) e que o caráter de São Paulo é melhor representado pelo artigo de Monteiro Lobato “Paranóia ou mistificação?”, que achincalhou Anita Malfatti, do que pela sua exposição de 1917, que apresentou o estilo aos paulistanos.
Os primeiros prédios suntuosos, de boa arquitetura, só foram ser construídos no início do século XX e, ainda assim, como afirmou Benedito Lima de Toledo, em sua obra “São Paulo, três cidades em um século”, logo foram substituídos, em sua maioria, por outros, de qualidade arquitetônica muito inferior.
Não há tradição, como em Buenos Aires ou nas cidades europeias, de conservar os melhores expoentes de cada época. Simplesmente se vai demolindo e reconstruindo, derrubando o bonito e bem construído e levantando o feio e mal acabado no seu lugar.