Num momento em que a crise climática exige respostas urgentes e transformações profundas, assistimos a uma crescente banalização do discurso ambiental. A sustentabilidade tornou-se uma palavra omnipresente, mas nem sempre acompanhada por ações que correspondam à sua gravidade e exigência.
O greenwashing é uma das expressões mais preocupantes desta realidade. Trata-se da utilização estratégica de causas ambientais para construir uma imagem “verde”, sem que exista uma mudança estrutural nas práticas que estão na origem dos problemas. Não é compromisso, é mera comunicação.
Cada vez mais, vemos iniciativas que destacam ações pontuais, projetos simbólicos ou apoios a causas ambientais, enquanto se mantêm modelos de atuação com impactos ambientais significativos. Esta lógica não só desvirtua o conceito de sustentabilidade, como cria uma falsa sensação de progresso, atrasando mudanças reais e necessárias.
Particularmente preocupante é quando estas estratégias chegam a contextos educativos e comunitários. A associação a projetos locais, escolas ou iniciativas de sensibilização pode transmitir uma imagem positiva e responsável, mas levanta uma questão fundamental: estamos perante um contributo genuíno para a transição ecológica ou perante uma tentativa de legitimação pública?
Não podemos aceitar que pequenas ações sirvam para compensar ou encobrir impactos ambientais de grande escala. A transição ecológica não se faz com gestos isolados nem com campanhas bem desenhadas. Faz-se com decisões difíceis, mudanças estruturais e compromissos mensuráveis.
Enquanto comunidade, é essencial recusar uma visão acrítica da sustentabilidade. É necessário questionar:
O impacto global das atividades é coerente com a imagem que é promovida?
Existem metas claras, verificáveis e alinhadas com a urgência climática?
Ou estamos apenas perante uma narrativa cuidadosamente construída?
A educação ambiental deve, hoje mais do que nunca, incluir esta dimensão de pensamento crítico. Formar cidadãos conscientes implica também dar ferramentas para reconhecer incoerências entre o discurso e a prática e exigir responsabilidade.
Num tempo de emergência climática, não há espaço para ilusões:
Mais do que parecer sustentável, é preciso ser sustentável.
Mafalda de Taborda Lourenço
Presidente da LOURAMBI