A virtude na política consiste na prática ética e responsável do poder em prol do bem comum. Implica colocar os interesses coletivos acima dos pessoais ou partidários. Exige honestidade, justiça, prudência e coragem nas decisões públicas. É o compromisso de agir com transparência e respeito às instituições. Representa a busca constante de equilíbrio entre autoridade e serviço à sociedade.
Tese: dois candidatos com a mesma probabilidade: 50%.
O que tem virtude — É restrito pela própria virtude: não pode mentir; não pode manipular; não pode prometer coisas que ele não pretende fazer.
O que não tem virtude — Não tem restrição: pode caluniar o primeiro; pode inventar coisas; prometer coisas que são impossíveis de serem executadas; oferecer coisas que bajulem os interesses pessoais de seus eleitores.
Consequência — A probabilidade, que era inicialmente, meio a meio, começa a pender para um dos lados. Um pode tudo e o outro não pode nada. imagina que um diga: "Olha, se eu assumir a sua classe social talvez tenha que fazer um sacrifício maior, ter uma tributação um pouco maior para equilibrar o todo." Quem escolheria um candidato assim em detrimento do outro que diz: "Você não pagará nada, você será privilegiado". (1)
Platão: os filósofos é que deveriam governar.
Esta afirmação deve ser vista segundo um silogismo dentro da cabeça de Platão.
Raciocinando sobre a República — Platão imagina uma sociedade onde cada um faz tudo o que necessita para a sua sobrevivência. Depois de algum tempo, começa a perceber que um indivíduo tem mais destreza em fabricar casas, outro em tecer roupas... As pessoas chegariam a um acordo de que é mais produtivo, para a sociedade, deixar que cada um se aplicar àquilo que é mais coerente com sua natureza.
Chega uma hora em que a sociedade necessita de justiça.
Qual natureza seria a mais apropriada a esse mister? O filósofo. Por que? O filósofo é a pessoa que ama a verdade, a sabedoria e busca a verdade e a sabedoria pela sua própria natureza, pela sua própria inclinação e não porque alguém o vê do lado de fora? (1)
Uma Passagem de Xenofonte — Num determinado momento as pessoas teriam perguntado a Sócrates: "Sócrates, você é tão bom, fala tão bem, convence tantas pessoas, é tão bom filósofo, por que a gente não vai lá, não pega os 30 tiranos de Atenas e você fala para eles todos até o momento em que todos se convertam em filósofos?"
E Sócrates teria dito: "Olha, minha mãe Fenarete era uma parteira e era uma excelente parteira, mas tem uma coisa que ela jamais seria capaz de fazer, que era dar à luz a uma mulher que não estivesse grávida, entende?
Quer dizer, se você não está grávido da filosofia, do amor, da sabedoria, não sou eu que vou poder fazer o teu parto, por muito que eu seja um excelente parteiro [natureza de Sócrates]. Por muito que você seja muito bom parteiro, se essa pessoa não está grávida da filosofia, ou seja, ansiosa pela busca da sabedoria, não há nada que se possa fazer. (1)
Fonte de Consulta
(1) Lúcia Helena Galvão falando sobre Filosofia e Poder
A virtude na política é entendida como o exercício ético e responsável do poder em favor do bem comum. Ela exige que o governante coloque os interesses coletivos acima dos pessoais ou partidários, atuando com honestidade, justiça, prudência e coragem. Também implica transparência, respeito às instituições e equilíbrio entre autoridade e serviço à sociedade.
Quando se comparam um candidato virtuoso e um sem virtude, ambos partem, em tese, de chances iguais. No entanto, o candidato virtuoso é limitado por princípios éticos: não mente, não manipula e não faz promessas que não pretende ou não pode cumprir. Já o candidato sem virtude não reconhece restrições morais, podendo caluniar, enganar e prometer benefícios impossíveis ou direcionados a interesses particulares.
Essa assimetria produz uma consequência política importante: a disputa deixa de ser equilibrada. Enquanto um candidato é contido pela ética, o outro pode explorar promessas fáceis e discursos sedutores. Em geral, propostas que exigem sacrifícios em nome do bem comum tendem a ser rejeitadas em favor de promessas ilusórias de privilégios, o que favorece o candidato sem virtude.
Platão, refletindo sobre esse problema em A República, defende que os filósofos deveriam governar. Seu raciocínio parte da ideia de que a sociedade funciona melhor quando cada pessoa exerce a atividade conforme sua natureza. Assim como alguns são mais aptos a produzir bens materiais, haveria uma natureza mais adequada para cuidar da justiça e do governo: a do filósofo, que ama a verdade e a sabedoria por inclinação própria, e não por conveniência.
Por fim, a passagem atribuída a Sócrates por Xenofonte mostra o limite dessa proposta. Sócrates compara o filósofo a uma parteira: ele só pode ajudar a “dar à luz” a sabedoria em quem já está disposto a buscá-la. Se alguém não está “grávido” do amor à verdade, não pode ser transformado em filósofo à força. Isso revela que a virtude política não pode ser imposta externamente, mas depende da disposição interior de quem governa e de quem é governado.
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