O efeito Pigmaleão na educação (ou efeito Rosenthal) refere-se ao impacto das expectativas do professor sobre o desempenho dos alunos. Quando educadores acreditam que um aluno tem alto potencial, tendem (mesmo sem perceber) a agir de modo que esse aluno realmente aprenda mais.
Conceito — o efeito Pigmaleão é uma profecia autorrealizável em que as expectativas, isto é, os comportamentos do professor tem impacto nas respostas do aluno, o desempenho final. Se a expectativa é positiva, o desempenho tende a melhorar; se é negativa, pode piorar.
Origem do conceito. O termo vem do mito grego de Pigmaleão, escultor que se apaixona por sua obra, que acaba ganhando vida. Na educação, foi sistematizado por Robert Rosenthal e Lenore Jacobson (1968), em um estudo clássico com escolas.
Como funciona na prática. Professores com altas expectativas costumam, ainda que inconscientemente: 1) dar mais atenção e tempo ao aluno; 2) fazer perguntas mais desafiadoras; 3) oferecer feedback mais detalhado; 4) demonstrar confiança e incentivo; 5) tolerar mais erros como parte da aprendizagem. O aluno, por sua vez: sente-se mais capaz, engaja-se mais, arrisca mais respostas e aprende mais.
Exemplos em sala de aula. Um aluno rotulado como “bom em matemática” recebe estímulos extras e melhora ainda mais. Um aluno visto como “fraco” recebe menos desafios, participa menos e confirma a expectativa negativa. Turmas “consideradas boas” tendem a ter aulas mais ricas do que turmas “problemáticas”.
Relação com outros efeitos. Efeito Pigmaleão: expectativas positivas elevam o desempenho. Efeito Golem: expectativas negativas reduzem o desempenho. Efeito Halo: uma característica (ex.: comportamento) influencia o julgamento global do aluno.
Não é só o que o aluno é capaz de fazer, mas o que o professor acredita que ele pode vir a ser.
O filme My Fair Lady é quase uma metáfora perfeita do efeito Pigmaleão.
A ligação direta. O efeito Pigmaleão na psicologia e na educação recebe esse nome justamente por causa do mito de Pigmaleão, e My Fair Lady é uma adaptação do musical baseado na peça Pygmalion (1913), de George Bernard Shaw.
No filme, o professor Henry Higgins: 1) Acredita que Eliza Doolittle pode se tornar uma “dama da alta sociedade”; 2) Passa a tratá-la como alguém capaz de mudar; 3) Oferece treinamento intensivo, atenção constante e feedback; 4) Mantém altas expectativas, apesar das resistências iniciais. Resultado. Eliza internaliza essa expectativa, muda sua forma de falar, agir e se perceber — e seu desempenho social se transforma. Isso é exatamente o mecanismo do efeito Pigmaleão.
Leitura educacional do filme. Em termos educacionais, Higgins funciona como um “professor” que: Define um padrão elevado. Cria um ambiente de exigência + suporte. Produz uma profecia autorrealizável positiva. Eliza representa o aluno que: Era vista socialmente como “incapaz”. Passa a ser vista como “promissora”. Reorganiza sua identidade a partir disso
Diferença importante (crítica). George Bernard Shaw critica a ideia de Pigmaleão: 1) A transformação de Eliza não é apenas mérito de Higgins; 2) O processo envolve poder, controle e classe social; 3) Eliza sofre apagamento de identidade e violência simbólica. Essa crítica é muito relevante para a educação, ou seja, expectativas positivas ajudam, mas quando impostas sem respeito, podem ser opressivas.
Sim, o efeito Pigmaleão tem relação direta com My Fair Lady. O filme encena o mecanismo psicológico das expectativas, mas também alerta para os limites éticos desse efeito.
Sim, há vários filmes que trabalham diretamente a temática do efeito Pigmaleão, mesmo quando não usam esse nome. Eles exploram a ideia de que expectativas, crenças e a forma de tratamento transformam o desempenho e a identidade das pessoas, sobretudo em contextos educativos e sociais.
Educação (mais explícitos)
1. Sociedade dos Poetas Mortos (1989). Professor acredita no potencial criativo dos alunos. Rompe expectativas tradicionais. Exemplo clássico de Pigmaleão positivo. Também levanta dilemas éticos
2. Escritores da Liberdade (2007). Alunos vistos como “casos perdidos”. Professora estabelece expectativas altas e apoio. Transformação acadêmica e pessoal.
3. Ao Mestre, com Carinho (1967). Professor trata alunos marginalizados com respeito e confiança. Mudança de comportamento e identidade.
4. O Triunfo (La lutte des classes / Les grands esprits). Expectativas do professor redefinem o futuro de alunos periféricos. Confronta Pigmaleão e Golem no mesmo contexto.
Transformação pessoal / social
5. Karate Kid (1984). Mestre Miyagi acredita no potencial do aluno. Ensino indireto + confiança. Pigmaleão formativo.
6. As Sessões / The Sessions (2012). Mudança na autopercepção a partir do olhar do outro. Expectativas e reconhecimento
7. Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009). Família acredita no potencial de jovem desacreditado. Profecia autorrealizável social
Crítica ao Pigmaleão (ambíguos ou problematizadores)
8. Whiplash (2014). Expectativas altíssimas, mas com abuso. Mostra o lado tóxico do Pigmaleão.
9. Coach Carter (2005). Altas expectativas acadêmicas e morais. Conflito entre desempenho e dignidade
10. Precious (2009). Professora rompe expectativas negativas. Confronta estigmas sociais.
Ligação direta com My Fair Lady
11. Educating Rita (1983). Relação explícita professor–aluna. Transformação intelectual e de identidade. Pigmaleão reflexivo, não autoritário
Esses filmes mostram que o efeito Pigmaleão pode libertar ou oprimir. Depende de expectativa, reconhecimento e ética. Sempre envolve poder simbólico. Educar não é moldar estátuas, mas reconhecer possibilidades.
O efeito Pigmaleão refere-se ao impacto das expectativas que uma pessoa exerce sobre o desempenho de outra, funcionando como uma profecia autorrealizável. No contexto educacional, ele se manifesta quando professores acreditam no potencial dos alunos e, a partir disso, ajustam suas atitudes, estímulos e práticas pedagógicas, favorecendo o desenvolvimento intelectual, emocional e social. Expectativas positivas tendem a elevar o desempenho; expectativas negativas, ao contrário, podem limitá-lo.
A origem simbólica do conceito está no mito grego de Pigmaleão, em que o escultor dá vida à estátua que idealizou. Essa ideia foi retomada na peça Pygmalion, de George Bernard Shaw, e popularizada no cinema por My Fair Lady. No filme, a transformação de Eliza Doolittle ilustra claramente o efeito Pigmaleão: ao ser tratada como alguém capaz de mudar, ela internaliza essa expectativa e reconstrói sua identidade. Contudo, a obra também introduz uma crítica ética, ao evidenciar relações de poder e o risco de apagamento da autonomia do sujeito.
No campo educacional, Sociedade dos Poetas Mortos é um exemplo emblemático do efeito Pigmaleão positivo. O professor John Keating rompe com expectativas tradicionais e passa a tratar seus alunos como sujeitos criativos e reflexivos. Essa postura modifica o envolvimento dos estudantes com o conhecimento e consigo mesmos, mostrando como o reconhecimento do potencial pode ampliar horizontes e despertar autoria intelectual.
Entretanto, o filme também revela os limites do efeito Pigmaleão quando ele não é sustentado pelo contexto institucional. O conflito entre as expectativas do professor, as imposições familiares e a rigidez da escola expõe que elevar expectativas sem oferecer proteção, diálogo e suporte coletivo pode gerar sofrimento. Assim, o Pigmaleão não é apresentado como solução mágica, mas como força que precisa ser mediada eticamente.
Em síntese, tanto My Fair Lady quanto Sociedade dos Poetas Mortos mostram que o efeito Pigmaleão tem grande poder formativo, mas envolve necessariamente responsabilidade moral e consciência do contexto social. Educar não é moldar o outro segundo um ideal imposto, mas criar condições para que cada sujeito reconheça e desenvolva suas próprias possibilidades, em um processo de reconhecimento, respeito e emancipação.
Fonte de Consulta
ChatGPT