O empirismo é uma corrente filosófica que afirma que o conhecimento tem sua origem principal — ou mesmo exclusiva — na experiência sensível, isto é, na observação, nos sentidos e na prática. Em vez de confiar na razão pura ou em ideias inatas, o empirismo sustenta que a mente começa como uma “tábula rasa” e que aprendemos a partir do contato com o mundo. Alguns representantes clássicos: John Locke, George Berkeley e David Hume.
Em linhas gerais, o empirismo defende que: o conhecimento vem da experiência; as ideias são formadas a partir de impressões sensoriais; o critério de validade do conhecimento é sua verificação na prática. Ele se opõe (ou complementa) o racionalismo, que coloca a razão como fonte principal do conhecimento. Em Hume, por exemplo, o empirismo ganha um caráter crítico: ele mostra que muitas noções que tomamos como certas (causalidade, identidade do eu, necessidade) são hábitos da mente formados pela experiência — não verdades absolutas.
O empirismo teve grande impacto na:
1) Formação da ciência moderna. Ele reforçou a importância da observação, experimentação, método científico, hipóteses verificáveis. Sem empirismo, não haveria o modelo científico que usamos hoje.
2) Crítica às ideias dogmáticas. O empirismo combateu: verdades aceitas sem evidência; especulações puramente abstratas; argumentos de autoridade. Ele exigiu que o conhecimento tivesse fundamento real.
3) Influência na ética, política e educação. Em Locke: o ser humano não nasce com ideias prontas, a experiência social molda a pessoa. Isso abriu espaço para: defesa da tolerância, educação como formação da mente, bases do liberalismo político.
Algumas críticas comuns: nem tudo pode ser reduzido aos sentidos (ex.: matemática, lógica); a experiência pode ser enganosa; a ciência também depende de teorias e modelos. Por isso, muitos filósofos posteriores buscaram uma síntese entre experiência (empirismo) + razão (racionalismo) como fez Kant.
Significado: conhecimento deriva da experiência sensível. Valor: base do método científico, crítica ao dogmatismo e valorização da observação e da prática.
A ideia de que os métodos dedutivo e indutivo são “subjetivos” não significa que eles sejam arbitrários ou inválidos, mas que dependem da mente humana em certos pontos: escolhas de premissas, interpretação dos fatos, seleção de dados, pressupostos conceituais etc.
Analisemos:
A dedução segue esta estrutura: Se as premissas são verdadeiras, a conclusão também é.
Exemplo: Todo ser humano é mortal. Sócrates é humano. Logo, Sócrates é mortal. Aqui a conclusão é objetiva mas… a escolha das premissas depende do sujeito. Ou seja: quem formula o argumento escolhe as leis gerais, interpreta conceitos, define categorias. Se as premissas forem falsas, vagas ou ideológicas, a dedução será formalmente correta — mas pode conduzir a erro.
Exemplos históricos: “Os nobres são superiores aos plebeus” → conclusão política errada. “Mulheres são menos racionais” → conclusões morais injustas. Em ambos os casos, o problema não é a lógica, mas a subjetividade nas premissas iniciais. Portanto, a dedução é objetiva na forma, mas subjetiva na escolha e interpretação das premissas.
A indução parte do particular para o geral: Observei vários casos → concluo uma regra geral.
Exemplo: Observei vários cisnes brancos. Concluo: “todos os cisnes são brancos”.
O problema apontado por Hume é: A indução depende do hábito da mente, não de uma prova lógica absoluta. Ela depende de: quais casos escolhemos observar; quantos casos analisamos; como interpretamos os dados; expectativas e crenças do pesquisador. Dois cientistas podem observar os mesmos fatos e formular generalizações diferentes.
Ou seja: A seleção e a interpretação da experiência envolvem subjetividade. Além disso, a indução nunca garante certeza absoluta: pode surgir um cisne negro amanhã; a regra cai. Por isso dizemos: A indução é probabilística, não necessária.
Dedução — objetiva na forma lógica; subjetiva nas premissas escolhidas
Indução — baseada em experiência real, mas subjetiva na seleção e interpretação dos dados e nunca fornece certeza absoluta.
Fórmula curta para lembrar: Dedução = depende das premissas. Indução = depende da observação e interpretação. Ambos os métodos são valiosos — mas não eliminam completamente a participação do sujeito que conhece.
Esta questão vai ao núcleo do projeto filosófico de David Hume. Do empirismo humeano derivam uma concepção específica de homem (ser humano) e de sociedade, ambas marcadas pela experiência, pelos sentimentos e pelos hábitos — e não por razões ou essências metafísicas.
Para Hume, o homem não é um ser dotado de razão pura ou de ideias inatas. A mente humana é composta por: impressões (experiências imediatas, vívidas — sensações, emoções); ideias (cópias enfraquecidas das impressões).
Não existe um “eu” substancial e permanente. O que chamamos de eu é: um feixe (ou feixe contínuo) de percepções em fluxo ligado por memória, hábito e associação. Portanto: o homem não conhece o mundo por verdades necessárias; conhece por hábitos formados na experiência.
Mesmo a noção de causa e efeito não é racionalmente demonstrável: nós apenas nos acostumamos a ver eventos juntos e passamos a esperar a repetição. Assim, o homem é um ser: limitado, falível, movido mais por crença e hábito do que por razão demonstrativa.
Na moral, Hume afirma: “A razão é e deve ser escrava das paixões.” Isso não significa irracionalismo, mas que os sentimentos morais são a base de nossos juízos.
A moral nasce de: simpatia (capacidade de sentir com o outro), benevolência, aprovação ou desaprovação afetiva. A razão apenas organiza meios; quem move a ação humana são as paixões e afetos. O homem é, antes de tudo, um ser afetivo e social, não puramente racional.
A sociedade não deriva de: um contrato racional absoluto, de uma “lei natural” metafísica ou da autoridade divina. Ela surge historicamente, por convenções úteis consolidadas na experiência.
Instituições como: propriedade, justiça, governo não são naturais nem sagradas; são frutos de acordos sociais estáveis que se mostraram vantajosos para a convivência. A justiça, por exemplo, é vista como: uma convenção necessária para estabilizar interesses e evitar conflitos.
Hume é profundamente antidogmático: rejeita justificações metafísicas do poder, critica fundamentos absolutos, compreende a sociedade como resultado de práticas, costumes e hábitos coletivos.
A ordem social é sustentada por: confiança, hábito, utilidade comum, simpatia moral mais do que por razões universais ou princípios racionais a priori.
Homem (antropologia humeana) não possui ideias inatas, conhece pelo hábito e pela experiência, não há “eu” substancial — apenas fluxo de percepções, sentimentos e paixões orientam a ação moral
Sociedade nasce de convenções úteis consolidadas historicamente, justiça e propriedade são práticas sociais estáveis, coesão social depende de hábito, confiança e simpatia, não há fundamento metafísico absoluto do poder.
Em Hume, tanto o homem quanto a sociedade são produtos da experiência compartilhada, dos costumes e dos afetos, não de essências racionais imutáveis.
O empirismo é uma corrente filosófica que sustenta que o conhecimento tem sua origem fundamental na experiência sensível, isto é, na observação, nos sentidos e na prática. Em oposição às ideias inatas e à confiança exclusiva na razão pura, o empirismo afirma que a mente humana começa como uma “tábula rasa” e constrói suas ideias a partir do contato com o mundo. Seus principais representantes clássicos são John Locke, George Berkeley e David Hume.
O significado central do empirismo está na defesa de que as ideias derivam das impressões sensoriais e de que o critério de validade do conhecimento é sua verificação na experiência. Em Hume, essa posição ganha um caráter crítico e cético: noções como causalidade, identidade pessoal e necessidade não são verdades absolutas, mas hábitos mentais formados pela repetição da experiência. Assim, o empirismo questiona certezas metafísicas e revela os limites do conhecimento humano.
O valor do empirismo foi decisivo para o surgimento da ciência moderna. Ele fundamentou a importância da observação, da experimentação e do método científico, combatendo o dogmatismo e os argumentos de autoridade. Além disso, influenciou profundamente a ética, a política e a educação, especialmente em Locke, ao defender que o indivíduo é moldado pela experiência social, abrindo espaço para ideias como tolerância, formação educacional e liberalismo político.
Apesar de sua importância, o empirismo também enfrenta limites e críticas. Nem todo conhecimento parece reduzir-se aos sentidos, como ocorre na matemática e na lógica, e a experiência pode ser enganosa ou incompleta. Além disso, a própria ciência depende de teorias e modelos conceituais. Por isso, filósofos posteriores, como Kant, buscaram conciliar empirismo e racionalismo, reconhecendo tanto o papel da experiência quanto o da razão.
No empirismo de David Hume, deriva uma concepção específica de homem e de sociedade. O ser humano não possui um “eu” substancial, mas é um feixe de percepções ligadas por hábito e memória, guiado mais por sentimentos do que pela razão. A sociedade, por sua vez, não se funda em princípios metafísicos ou contratos racionais absolutos, mas em convenções úteis construídas historicamente. Tanto o homem quanto a ordem social são, em Hume, produtos da experiência compartilhada, dos costumes e dos afetos.
Fonte de Consulta
ChatGPT
Observação: Essas três perguntas foram extraídas de Saber-Fazer Filosofia: O Pensamento Moderno, de Giovanni Semeraro (Coordenador). Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2011 (Coleção Saber-Fazer, 2).