Essa distinção é central para entender a originalidade do pensamento de Marx. Em termos simples, o materialismo de Marx (materialismo histórico-dialético) é diferente do chamado materialismo vulgar porque não reduz a vida social a fatores materiais de forma mecânica ou simplista. Ele vê a matéria em movimento histórico, mediada por práticas humanas, conflitos sociais e relações de produção.
O que é o “materialismo vulgar”. O materialismo vulgar é uma forma simplista e mecanicista de materialismo. Ele tende a afirmar coisas como: “A economia determina tudo de forma direta”; “As ideias são apenas reflexos passivos da matéria”; “O ser humano é produto do ambiente físico”. Nesse tipo de materialismo: não há mediações históricas, não há papel ativo da prática humana, não há análise das contradições sociais. É uma visão estática, quase biológica ou naturalista. Marx criticou duramente esse tipo de materialismo.
O que é o materialismo de Marx. O materialismo de Marx é histórico e dialético, ou seja: parte da vida concreta dos indivíduos, considera as relações sociais e a produção, entende a sociedade como processo histórico em transformação. Para Marx: Não é a consciência que determina a vida, mas a vida social que forma a consciência. Mas isso não significa determinismo econômico simples. A estrutura material: cria condições, limita possibilidades, mas é transformada pela prática humana. O ser humano não é espectador passivo: ele atua, trabalha, luta, organiza-se — e muda a realidade. Esse papel ativo é a práxis.
Materialismo vulgar — 1) Mecanicista; 2) Estático; 3) Reduz tudo à matéria bruta; 4) Não considera a prática humana; 5) Vê ideias como reflexo passivo; 6) Não há contradições.
Comparar esses números com o debaixo.
Materialismo de Marx — 1) Dialético; 2) Histórico; 3) Analisa relações sociais; 4) Centraliza a práxis; 5) Vê ideias em disputa social; 6) A história é conflito.
Fórmula final da diferença: O materialismo vulgar = matéria sem história; O materialismo de Marx = matéria em movimento histórico e social.
Entender a relação entre Marx e Hegel é essencial para compreender como Marx constrói seu próprio método. Marx não rejeita Hegel totalmente. Pelo contrário: ele parte de Hegel, aprende com ele — e depois inverte e critica seus pressupostos.
1) Qual é a ligação entre Marx e Hegel? Marx foi profundamente influenciado por Hegel, especialmente por sua dialética. De Hegel, Marx aproveita: 1) a ideia de que a realidade é processo; 2) que a história é feita por contradições; 3) que nada é fixo ou definitivo; 4) que a sociedade muda por conflitos. Ou seja: A dialética de Hegel mostra o movimento e transformação da história. Marx reconhece nisso um método poderoso.
2) Onde Marx diverge de Hegel? Para Hegel: o fundamento da realidade é o Espírito (Ideia, Consciência), a história é o desenvolvimento da Razão, as instituições (Estado, moral, direito) são formas do Espírito objetivo. Ou seja: Em Hegel, a consciência tem primazia sobre a realidade material. Marx considera isso idealismo.
3) O que Marx faz? — A “inversão materialista”. Marx afirma que Hegel está de cabeça para baixo. Ele escreve que: É preciso colocar a dialética de Hegel “com os pés no chão”. Isso significa: não é a consciência que cria a vida social, é a vida social concreta que forma a consciência. Ou seja: As condições materiais de existência vêm primeiro (trabalho, produção, relações econômicas, organização social). As ideias não são motor da história — elas surgem a partir da prática humana.
4) Qual é a crítica principal de Marx a Hegel?
Crítica 1: Hegel “mistifica” a realidade. Hegel transforma relações sociais históricas em expressões da Ideia. Para Marx, isso: encobre os interesses materiais, naturaliza a ordem social e torna as contradições abstratas.
Crítica 2: Hegel vê o Estado como realização da Razão. Hegel considera o Estado moderno como: expressão racional da liberdade, culminação do Espírito. Marx critica isso porque: o Estado é atravessado por classes e interesses; ele não supera as contradições sociais; ele pode legitimar dominação.
Crítica 3: a dialética de Hegel termina na reconciliação. Em Hegel: as contradições tendem à síntese; o conflito encontra solução no plano do Espírito. Para Marx: as contradições sociais são materiais e se expressam em luta de classes, que pode transformar a própria estrutura social. Não há reconciliação automática — há práxis e conflito histórico real.
Hegel — 1) Idealista; 2) A história é da Ideia / Espírito; 3) Contradições são conceituais; 4) O Estado é realização da Razão; 5) A síntese reconcilia.
Comparar os números de cima com o debaixo.
Marx — 1) Materialista; 2) A história é da vida material; 3) Contradições são sociais; 4) O Estado expressa conflitos de classe; 5) A prática transforma.
Fórmula curta — Marx mantém a dialética de Hegel, mas retira seu caráter idealista e a aplica ao mundo material e histórico. Ou, como muitos dizem: Marx inverte Hegel: de “consciência determina o ser” para “o ser social determina a consciência”.
Essa questão toca diretamente no lugar de Marx dentro da tradição filosófica moderna. A resposta curta é: Sim, Marx pretende superar a filosofia burguesa — mas não negando-a simplesmente; ele a critica, aprofunda e transforma a partir de suas bases históricas e sociais.
O que Marx chama de “filosofia burguesa”? É o conjunto de filosofias que surgem e se consolidam com a sociedade capitalista moderna, como: Iluminismo, Liberalismo, Kant, Hegel, Economia política clássica (Smith, Ricardo), Direito e filosofia do Estado moderno. Essas filosofias defendem a liberdade, a razão, o indivíduo, mas tomam a sociedade burguesa como universal e definitiva; naturalizam a propriedade privada e o mercado; analisam o homem como “indivíduo abstrato”, fora das relações de classe. Ou seja, elas revelam muito — mas também encobrem contradições materiais.
O que Marx reconhece como mérito da filosofia burguesa? Ele não a rejeita por completo. Marx valoriza: 1) a crítica ao feudalismo; 2) a defesa da liberdade civil; 3) o conceito de sujeito histórico; 4) a noção de desenvolvimento histórico; 5) a ideia de que a sociedade é obra humana. Mas afirma que ela para no meio do caminho. Ela critica o passado… mas legitima o capitalismo como fim da história.
Onde começa a crítica de Marx? Para Marx, a filosofia burguesa: 1) trata os indivíduos como universais → mas eles são indivíduos situados em relações de produção; 2) fala em liberdade → enquanto a maioria vive sob exploração do trabalho; 3) fala em igualdade jurídica → mas ignora desigualdade material; 4) analisa o homem como ser abstrato → e não como ser social-histórico. Por isso Marx diz que ela é: crítica na forma, mas conservadora no conteúdo.
Como Marx supera a filosofia burguesa? Ele a supera materializando seus conceitos. Ao invés de: indivíduo abstrato → indivíduo social; razão universal → interesses de classe; liberdade formal → condições materiais de vida; Estado como razão → Estado como mediação de classes; história das ideias → história das relações de produção. Ou seja: Marx transforma uma filosofia abstrata sobre o homem em uma análise concreta da vida social e da produção. Isso é a passagem de: filosofia especulativa → crítica da economia política e da sociedade.
Em termos marxistas: A “superação” (Aufhebung) significa: negar o que é limitado, conservar o que é válido, elevar a outro nível teórico. Marx conserva da filosofia burguesa: o universalismo, a racionalidade histórica, a crítica do absolutismo, a noção de emancipação. Mas supera: seu idealismo, seu individualismo abstrato, sua neutralidade de classe. Ele desloca a questão da consciência para a práxis social.
A filosofia burguesa critica o mundo “em pensamento”. Marx critica o mundo nas suas bases materiais e aponta para sua transformação histórica. Por isso ele diz que a filosofia não deve apenas interpretar o mundo — mas transformá-lo.
O materialismo de Marx distingue-se do chamado materialismo vulgar porque não reduz a realidade social a fatores materiais de forma mecânica ou simplista. Enquanto o materialismo vulgar entende a matéria como algo estático e determinante direto de todas as ideias e comportamentos, Marx concebe a matéria como histórica, social e em constante movimento. Seu materialismo é mediado pela ação humana, pelas relações sociais e pelos conflitos que estruturam a vida coletiva.
O materialismo vulgar tende a afirmar que a economia determina tudo automaticamente e que as ideias são meros reflexos passivos da matéria. Nessa perspectiva, não há espaço para mediações históricas, contradições sociais ou para a ação consciente dos sujeitos. Marx criticou duramente essa visão por considerá-la reducionista, incapaz de explicar a dinâmica real da sociedade e da história.
Já o materialismo marxiano é histórico e dialético. Ele parte da vida concreta dos indivíduos e analisa como as relações de produção moldam a consciência, sem cair em determinismo rígido. Para Marx, as condições materiais criam limites e possibilidades, mas são transformadas pela prática humana — a práxis. O ser humano não é passivo: trabalha, luta, organiza-se e, nesse processo, transforma a realidade.
A ligação de Marx com Hegel é central para essa concepção. Marx herda de Hegel o método dialético, isto é, a ideia de que a realidade é processo, marcada por contradições e mudanças históricas. No entanto, ele critica o idealismo hegeliano, segundo o qual a consciência ou o Espírito seriam o fundamento da realidade. Marx “inverte” Hegel, colocando a dialética “com os pés no chão”: não é a consciência que determina o ser, mas o ser social que determina a consciência.
Por fim, Marx propõe superar a filosofia burguesa não por simples negação, mas por transformação crítica. Ele reconhece seus méritos — como a defesa da razão, da liberdade e da historicidade —, mas denuncia seus limites, como o individualismo abstrato e a naturalização do capitalismo. Ao materializar conceitos filosóficos e analisá-los a partir das relações de produção e da luta de classes, Marx desloca a filosofia do plano especulativo para a crítica concreta da sociedade, afirmando que o objetivo não é apenas interpretar o mundo, mas transformá-lo.
Fonte de Consulta
ChatGPT
Observação: Essas três perguntas foram extraídas de Saber-Fazer Filosofia: O Pensamento Moderno, de Giovanni Semeraro (Coordenador). Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2011 (Coleção Saber-Fazer, 2).