Consiste na mudança de paradigma: da centralização aos silogismos da Escolástica, passamos o exercício do método teórico-experimental. Em geral, porém, o termo refere-se a um grande conjunto de transformações estruturais ocorridas entre os séculos XVI e XIX. Essas transformações mudaram a forma de produzir, pensar, governar e organizar a vida social.
1) Transformação política — as revoluções burguesas. A “revolução moderna” pode designar o ciclo de revoluções que substituiu o Antigo Regime por Estados baseados em: cidadania, constituição escrita, direitos individuais, separação entre Estado e Igreja. Exemplo: Revolução Inglesa (séc. XVII), Independência dos EUA (1776), Revolução Francesa (1789).
2) Transformação econômica — a Revolução Industrial. Outro uso frequente associa a “revolução moderna” à passagem: do trabalho artesanal ao trabalho fabril, da economia agrária à economia industrial, do campo às cidades. Consequência: novas classes sociais (burguesia e proletariado), mecanização e tecnologia, mercado mundial. Ela cria as bases do capitalismo industrial moderno.
3) Transformação intelectual — a revolução científica e racionalista. Em alguns contextos, o termo remete às mudanças culturais que: colocam a razão e a ciência no centro, rompem com explicações teológico-medievais, valorizam o método experimental e a crítica. Ligadas a: Renascimento, Iluminismo, Revolução Científica. É o nascimento da mentalidade moderna.
A “revolução moderna” consiste no processo histórico de formação da modernidade, caracterizado por: novas formas de poder político, nova ordem econômica industrial, nova visão científica e racional do mundo, nova organização social e urbana. Não é um único evento, mas um conjunto de revoluções interligadas.
A Filosofia Moderna corresponde, em geral, ao período que vai do século XVI ao XVIII (às vezes estendido até o XIX) e marca a transição do pensamento medieval para a racionalidade moderna. Ela surge em um contexto de grandes transformações: Reforma Protestante, Renascimento, expansão científica, formação dos Estados nacionais e início do capitalismo.
1) Centralidade da razão (racionalismo). A razão passa a ser vista como a principal fonte de conhecimento e o critério de verdade. Destaca-se: a confiança na capacidade humana de conhecer o mundo, busca de fundamentos seguros e universais, crítica à tradição e à autoridade. Pensadores: Descartes, Spinoza, Leibniz. O lema cartesiano resume bem o espírito do período: “Penso, logo existo”.
2) Virada para o sujeito (o problema do conhecimento). A pergunta filosófica desloca-se do mundo para o sujeito que conhece: Como conhecemos?; O que garante a verdade?, Há limites para o conhecimento humano? Isso inaugura a teoria do conhecimento (epistemologia) como núcleo da filosofia moderna. Exemplo: Kant — crítica das condições do conhecimento.
3) Experiência e ciência como fontes de saber (empirismo). Outra corrente fundamental é o empirismo, que enfatiza a experiência sensível, ou seja: conhecimento vem das sensações, mente como “tábula rasa”, valorização da observação e do método científico. Autores: Locke, Berkeley, Hume. Esse movimento fortalece a ciência moderna.
4) Mecanicismo e visão científica da natureza. O mundo passa a ser entendido como: ordenado, mensurável, regido por leis naturais. Influências: Revolução Científica, Galileu e Newton. Natureza deixa de ser vista como organismo simbólico e passa a ser vista como sistema mecânico.
5) Individualismo e autonomia moral. O indivíduo torna-se: sujeito de direitos, agente racional, responsável por suas escolhas. Impactos na ética e na política: crítica ao absolutismo, defesa do contrato social, valorização da liberdade. Autores: Hobbes, Locke, Rousseau.
6) Crítica à tradição e à autoridade. A modernidade rompe com: escolástica medieval, autoridade religiosa, verdades dadas. Busca-se justificar ideias por argumentação racional, não por tradição.
7) Projeto de emancipação humana. A filosofia moderna é orientada por um ideal: progresso, autonomia do pensamento, confiança na ciência e na educação. Esse projeto será posteriormente criticado por Marx, Nietzsche, Freud, entre outros — o que abrirá caminho para a filosofia contemporânea.
A Filosofia Moderna caracteriza-se por: centralidade da razão, foco no sujeito e no conhecimento, desenvolvimento da ciência moderna, racionalização da natureza, autonomia moral e política, ruptura com a tradição medieval.
O mundo de hoje não é simplesmente “moderno”, mas pós-moderno ou tardo-moderno — isto é, ele nasce da modernidade, mas também a transforma e a rompe em vários aspectos.
Muitos elementos do projeto moderno continuam estruturando nossas sociedades:
1) Ciência e tecnologia como fundamento do progresso. A modernidade acreditava na razão científica como motor de desenvolvimento — isso permanece: medicina, engenharia, IA, biotecnologia, confiança em dados, evidências, modelos técnicos, estado e economia organizados tecnocraticamente. Ainda vivemos em um mundo racionalizado e científico.
2) Capitalismo e industrialização ampliados. O capitalismo moderno não desapareceu — ele se globalizou: produção mundial integrada, financeirização, consumo como forma de vida. Isso é frequentemente chamado de: modernidade tardia ou hipermodernidade.
3) Estado, direitos e indivíduo. Valores modernos permanecem como referência: direitos humanos, cidadania, autonomia individual, democracia liberal (mesmo em crise). Ou seja, o núcleo institucional da modernidade continua vivo.
Vários traços atuais rompem ou relativizam o projeto moderno clássico.
1) Fim da ideia de verdade única e progresso linear. A modernidade acreditava: na racionalidade universal, no progresso inevitável, na verdade objetiva. Hoje vemos: pluralidade de perspectivas, relativismo cultural, críticas à ciência como neutra, desconfiança das “grandes narrativas”. Esse é o traço típico chamado pós-modernidade.
2) Fragmentação da identidade. O sujeito moderno era: autônomo, racional, estável. Hoje vivemos: identidades múltiplas e fluidas, vínculos sociais frágeis, pertencimentos instáveis. Sociedade de redes, não de estruturas fixas.
3) Cultura do consumo e do espetáculo. Enquanto a modernidade valorizava: trabalho, disciplina, produção. O presente enfatiza: consumo, experiência, imagem, instantaneidade. Tempo acelerado, efêmero e performático.
4) Globalização e digitalização. A modernidade era nacional e industrial. O presente é: global, digital, interconectado. As fronteiras simbólicas e culturais se dissolvem.
Podemos dizer que o mundo de hoje nasce da modernidade, mas ultrapassa seus limites. Ele é moderno nas instituições (ciência, Estado, capitalismo, racionalização) e não-moderno nas experiências subjetivas, culturais e simbólicas. Por isso muitos autores falam em: pós-modernidade, modernidade líquida, modernidade tardia, hipermodernidade (depende da abordagem teórica).
A chamada “revolução moderna” consiste em uma profunda mudança de paradigma que marcou a transição do mundo medieval para a modernidade. Ela representa o abandono do pensamento escolástico, baseado na autoridade e nos silogismos, em favor da razão crítica, do método científico e da experimentação. Não se trata de um único evento, mas de um longo processo histórico ocorrido, sobretudo, entre os séculos XVI e XIX.
No plano intelectual, a revolução moderna manifesta-se na Revolução Científica, no Renascimento e no Iluminismo. A razão humana passa a ser o principal critério de verdade, rompendo com explicações teológicas tradicionais. O conhecimento deixa de se apoiar na autoridade religiosa e passa a fundamentar-se na observação, na matemática e na crítica racional, inaugurando a mentalidade científica moderna.
No campo político, a revolução moderna aparece nas chamadas revoluções burguesas, que colocam fim ao Antigo Regime. Surgem Estados baseados na cidadania, na constituição escrita, nos direitos individuais e na separação entre Igreja e Estado. Revoluções como a Inglesa, a Americana e a Francesa redefinem o poder político, substituindo o absolutismo por formas de governo representativas.
Na dimensão econômica e social, a revolução moderna está associada à Revolução Industrial. O trabalho artesanal e agrário é substituído pela produção fabril e mecanizada, impulsionando a urbanização, o capitalismo industrial e o surgimento de novas classes sociais, como a burguesia e o proletariado. Essas mudanças alteram profundamente as relações de trabalho e a organização da sociedade.
Em síntese, a revolução moderna consiste no processo de formação da modernidade, caracterizado pela transformação simultânea do pensamento, da política, da economia e da vida social. Ela inaugura uma nova visão de mundo centrada na razão, no progresso, na ciência, na autonomia do indivíduo e em instituições modernas, cujos efeitos ainda estruturam grande parte da sociedade contemporânea.
Fonte de Consulta
ChatGPT
Observação: Essas três perguntas foram extraídas de Saber-Fazer Filosofia: O Pensamento Moderno, de Giovanni Semeraro (Coordenador). Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2011 (Coleção Saber-Fazer, 2).