A ideia de que os continentes não são estáticos e estão em movimento foi pioneiramente proposta por Alfred Wegener, um meteorologista alemão. Em 1912, aos 32 anos de idade, Wegener propunha sua teoria, de que os continentes estavam uma vez unidos em um supercontinente que ele denominou de Pangeia, que após milhares de anos começou a se fragmentar dando origem a dois blocos: Laurásia e o Gondwana, que teriam a partir de então continuado o processo de separação, originando os continentes que conhecemos na atualidade.
Embora a teoria de Wegener teria sido inovadora, ela enfrentou resistência significativa, principalmente devido à falta de um mecanismo plausível para explicar como os continentes poderiam se mover. Somente décadas mais tarde, com o avanço da teoria da tectônica de placas na década de 1960, que forneceu uma explicação para a movimentação dos continentes através da deriva das placas tectônicas, é que a teoria de Wegener foi amplamente aceita e confirmada.
O trabalho de Wegener foi crucial para o desenvolvimento da geologia moderna e da ciência da Terra. Sua teoria da deriva continental lançou as bases para a compreensão dos processos tectônicos que moldam a superfície do planeta. A ideia de que os continentes se movem e mudam ao longo do tempo continua a ser uma parte fundamental da geologia.
Wegener observou que os continentes pareciam se encaixar como um quebra-cabeças, especialmente a costa leste da América do Sul com a costa oeste da África, observou também que os fósseis da vida animal e vegetal em continentes diferentes representam as mesmas espécies ou indivíduos com características biológicas muito semelhantes.
Dessa forma, ele sugeriu que, há 250 milhões de anos atrás, no permiano, os continentes formavam um único supercontinente chamado "Pangeia" que vem do latim e significa "toda a Terra", quando todas as terras estavam unidas em um só bloco, banhada por um só oceano, que recebeu o nome de Panthalassa.
Há 230Ma na era Mesozóica, no período Triássico os blocos começaram a se fragmentar e alcançando a configuração de 2 grandes blocos uma predominante no hemisfério norte e a outra no hemisfério sul, chamadas de Laurásia e Gondwana, banhados pelo oceano Pantalassico e o Mar de Tétis
1- LAURÁSIA (América do norte, Europa e Ásia)
2- GONDWANA ( América do sul, África, Índia, Austrália e Antártica)
Na Era Cenozoica, que inclui o Paleógeno e o Neógeno, a separação dos continentes continuou e levou à configuração mais próxima da atual. A separação entre a América do Norte e a América do Sul formou o Oceano Atlântico, e a América Central surgiu, conectando os dois continentes.
A Eurásia se estabilizou em sua forma moderna com o fechamento do Mediterrâneo e a separação do Atlântico Norte. A África continuou a se mover para o norte, aproximando-se da Europa e criando o Estreito de Gibraltar.
A Índia continuou sua colisão com a Ásia, resultando na formação das montanhas do Himalaia e das regiões tibetanas.
A Austrália continuou a se mover para o norte isoladamente.
A separação da América do Sul e da Austrália levou à formação das correntes oceânicas circumpolares, que isolaram a Antártica e contribuíram para o desenvolvimento das suas atuais plataformas de gelo.
Essas mudanças moldaram a configuração dos continentes como conhecemos hoje.
A teoria das placas tectônicas é uma das grandes revoluções da geologia moderna e surgiu como um desdobramento da teoria da deriva continental .
Apesar das evidências geológicas, como a correspondência entre as linhas costeiras de continentes opostos, sua teoria não explicava o “como” desse movimento.
A pergunta essencial que Wegener não conseguia responder em sua teoria era: “qual o tipo de força conseguiria mover os blocos de continentes a grandes distâncias?”
Somente, décadas depois, após a morte de Wegener, as suas ideais foram retomadas, com o avanço de novas tecnologias, como o estudo do fundo oceânico e a análise de atividade sísmica, os cientistas desenvolveram a teoria das placas tectônicas. Essa teoria esclareceu toda a duvida de Wegener, evidenciando que a crosta terrestre não é uma peça única, mas formada por vários blocos rígidos — as placas tectônicas — que flutuam sobre um manto viscoso, chamada astenosfera.
O movimento das placas tectônicas é impulsionado pelas correntes de convecção no manto terrestre. Essas correntes são geradas pelo calor intenso vindo do interior da Terra, criando zonas de subida de material quente (que formam dorsais oceânicas) e zonas de descida de material mais frio (nas zonas de subducção). As correntes são como uma panela de sopa no fogo. A parte de baixo da panela fica quente e o líquido começa a subir, enquanto a parte mais fria na superfície desce. Na Terra, o manto se comporta de forma parecida: o material quente sobe, o frio desce, e isso empurra as placas tectônicas, fazendo com que elas se movam.
As placas se movimentam a uma velocidade média de poucos centímetros por ano, e essas movimentações são responsáveis pelas transformações contínuas da superfície da Terra.
A imagem ilustra o movimento das placas litosféricas em um limite divergente. As correntes de convecção no manto empurram as placas para os lados, formando um rifte no centro, onde o magma sobe e cria nova crosta oceânica.
Existem três tipos principais de limites entre as placas litosféricas:
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Ocorre quando as placas se afastam uma da outra, imagine que você está separando duas folhas de papel, puxando uma para cada lado, o magma presente na litosfera sobe para preencher o espaço vazio, formando nova crosta oceânica. Um exemplo é a Dorsal Mesoatlântica, uma cadeia de montanhas submarinas no meio do Oceano Atlântico.
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Ocorrem quando placas litosféricas colidem, podendo haver diferenças dependendo da densidade das placas, dentro do limite convergente temos 3 distintas colisões.
Quando duas placas continentais se encontram, por possuírem a mesma densidade, elas se empurram, formando grandes cadeias de montanhas, como os Himalaias, que resultaram da colisão entre a Placa Indiana e a Placa Eurasiática.
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Quando uma placa oceânica colide com uma placa continental, devido à maior densidade da placa oceânica, ela é empurrada para baixo em direção ao manto, em um processo chamado subducção. Isso é semelhante a empurrar um bloco de LEGO para dentro de um montículo de areia. Conforme a placa oceânica mergulha, ela cria uma fossa no fundo do oceano e, muitas vezes, vulcões ao longo da borda continental. Um exemplo disso é a formação da Cordilheira dos Andes, localizada na América do Sul.
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Nos limites transformantes, duas placas entram em contato de maneira oblíqua, deslizando lateralmente uma em relação à outra, nesses limites não ocorre a presença de magmatismo ou subducção. Esse atrito cria tensões e provoca abalos sísmicos. Um exemplo bem conhecido desse tipo de movimento é a Falha de San Andreas (EUA), onde as placas tectônicas deslizam paralelamente em sentidos contrários.