BIOGEGRAFIA HISTÓRICA
A Biogeografia Histórica pauta seus estudos em períodos de longa duração (milhares a milhões de anos). Esta área de pesquisa da Biogeografia tem como preferência em suas análises grandes áreas e possui como objeto investigativo os animais em sua maioria. Os animais por sua vez possuem um ótimo registro fóssil, possibilitando aos pesquisadores entender com exatidão suas evoluções e distribuição ao redor do globo, as antigas conexões entre os continentes, entre outras questões evolucionárias. Desta forma, a biogeografia histórica tem como papel compreender os maiores padrões de vida em nosso planeta.
Para que se possa compreender a distribuição dos animais em grandes áreas, é importante o destaque as barreiras geográficas. As barreiras geográficas determinam os limites de distribuição de muitas espécies, dispondo aos organismos péssimas condições de sobrevivência, é o exemplo de mares e oceanos. Para a maioria das espécies de animais terrestres, mares e oceanos representam um limitador determinante para sua distribuição a ilhas ou continentes. Outros exemplos de barreiras são os desertos e montanhas, que apresentam temperaturas adversas para a maioria dos organismos, dificultando a distribuição dos mesmos. Ou seja, oceanos, montanhas e desertos constituem as três principais barreiras geográficas naturais ao redor do mundo, estas são fundamentais as descontinuidades das espécies, principalmente dos animais.
Outro fenômeno fundamental que influencia e influenciou nos padrões de distribuição das espécies em longo prazo são as derivas continentais. Antes da comprovação científica da Tectônica de Placas, Wegner propôs a hipótese de um super continente, também denominado como Pangeia. Ao longo do tempo geológico este super continente teria se segmentado em diversas porções ao redor do globo, dando origem aos continentes que conhecemos hoje. Porém, Wegner, não foi capaz de propor um mecanismo que explicasse tal fenômeno. É importante ressaltar que as ideias de Wegner não eram bem vistas pela comunidade científica até antes de 1970. Posteriormente com o avanço da Teoria da Tectônica de Placas e o grande salto tecnológico que a humanidade viveu, foi possível o aprimoramento de técnicas de registros de fenômenos sísmicos pelo globo. O sensoriamento remoto possibilitou uma imagem mais precisa da posição dos continentes ano há pós ano, dentre outros avanços, levaram a conclusão de que hoje existem cerca de 12 placas deslizando pelo manto terrestre, convergindo e divergindo, influenciando diretamente na distribuição dos organismos vivos, mas também indiretamente com as mudanças da dinâmica do clima global ao longo do tempo geológico, a partir da formação de barreiras geográficas que modificam a circulação atmosférica. Tais mudanças provenientes da deriva continental se dão de forma gradual, podendo levar milhões de anos, pois os continentes se movem cerca de 5 a 10 cm por ano.