Para compreender a estrutura atual da Terra, que conhecemos como manto, núcleo e crosta, é essencial revisitar um período primordial da sua história, quando o planeta ainda era intensamente bombardeado por planetesimais e outros corpos celestes maiores. Durante essa fase de formação, a Terra sofreu impactos contínuos de objetos que, ao colidirem com o planeta, convertiam a maior parte da energia cinética em calor.
Um dos impactos mais significativos ocorreu quando um grande corpo celeste, possivelmente um planeta do tamanho de Marte, colidiu com a Terra. Esse impacto foi tão poderoso que liberou uma quantidade de energia equivalente à explosão de vários trilhões de bombas nucleares. A colisão gerou uma imensa chuva de detritos que, eventualmente, se agregaram para formar a Lua. Além disso, o impacto não apenas contribuiu para a formação de nosso satélite natural, mas também alterou o ângulo de inclinação da Terra, ajustando sua rotação para aproximadamente 23 graus.
Este processo de impacto intenso e subsequente agitação térmica também desempenhou um papel crucial na diferenciação da Terra. À medida que o planeta aquecia, seus materiais começaram a se separar com base em suas densidades, formando uma estrutura interna diferenciada: o núcleo interno sólido, o núcleo externo líquido, o manto e a crosta. Esse processo de diferenciação criou as camadas distintas que compõem a Terra hoje e foi fundamental para o desenvolvimento de sua estrutura geológica.
Imagem adaptada do livro Understanding Earth, 4ª edição, de Press, Siever, Grotzinger e Jordan. Todos os direitos reservados.