PADRÃO DE DISTRIBUIÇÃO
O padrão de distribuição atual se deu pelas interações dos organismos primitivos no passado, distribuídos pelo globo de acordo com o clima, morfologia dos continentes, períodos glaciais, entre outros fatores, que ao longo do tempo deram origem aos grupos de organismos que conhecemos hoje e suas regiões biogeográficas. O sistema de regiões biogeográficas se fundou no século XIX, a partir dos estudos de Candolle em 1820, Engler em 1879, Sclater em 1858 e Wallace em 1860-76. Todos estes estudiosos proporcionaram a base para a divisão do globo terrestre em áreas biogeográficas a partir de seus animais e plantas endêmicas facilmente observados. É importante entendermos que esses organismos podem ter se dispersado em áreas antes conectadas, que hoje se encontram descontínuas por processos tectônicos ou por função do clima. Por exemplo: no Cenozóico Inferior há fortes indícios que grupos de organismos puderam se dispersar em áreas de altas latitudes pela ponte terrestre de Bering, entre o Alasca e a Sibéria, ou entre o leste da América do Norte e a Europa através da Groenlândia. Pois, no Cenozóico a temperatura média em períodos mais frios eram de 10° a 12° C, ou seja, a existência de gelo em superfície era inexistente ou raro, facilitando a passagem das espécies.
Em períodos mais frios, como as eras glaciais, reduziam drasticamente a faixa quente ideal para a sobrevivência de plantas e mamíferos. Muitos dos organismos que se encontravam ao norte do planeta acabaram extintos por eventos de baixas temperaturas. Os mais adaptados a dispersão foram empurrados ao sul pelas bruscas condições climáticas, porém, se depararam com diversas barreiras geográficas, como o filtro no Istmo do Panamá, na Eurásia pelo Mar Mediterrâneo, os desertos da África e Oriente Médio e ao sul da Ásia, as montanhas do Himalaia. Quando o clima global se estabeleceu, muitas dessas espécies se viram impedidas de retornarem ao Norte do globo por essas mesmas barreiras, por este motivo, não temos uma distribuição das espécies de fauna em zonas de transição gradual entre as regiões, mas sim, famílias separadas umas das outras por barreiras geográficas. Logo, podemos concluir que, o único motivo de termos regiões zoogeográficas bem definidas é devido a estas barreiras.
O enfoque de análise para a criação de áreas biogeográficas se da especificamente aos mamíferos e plantas floríferas, pois são facilmente observáveis e dominantes no globo terrestre. Os mamíferos terrestres tem suas regiões biogeográficas limitadas as bordas dos continentes, pois suas habilidades de dispersão são restritas, ou seja, não possuem bons mecanismos de difusão frente as barreiras marítimas. Todavia, as famílias de plantas floríferas possuem um sistema de dispersão mais sofisticado, pois muitas de suas sementes são adaptadas a dispersão pelo vento, possibilitando que se desloquem em quilômetros de distancia de sua fonte até ilhas afastadas oceano adentro. Também é importante salientar que a distribuição dos mamíferos é muito bem compreendido devido ao ótimo registro fóssil, que nos permitiu com certa confiabilidade descifrar suas rotas de difusão pelo globo. Logo, não existe outra classe com tal nível de descrição em sua história biogeográfica como os mamíferos.
As regiões biogeográficas dos mamíferos são divididas em 6 áreas, sendo elas: America do Norte, America do Sul, Africana, Eurásia, Oriental e Australiana. Todas as seis áreas seguem os limites dos continentes, pois as espécies levadas em consideração na pesquisa não se dispersão facilmente. É importante ressaltar que, um grupo de 11 famílias de mamíferos classificados como nômades, foram excluídos da análise para o processo de criação das áreas biogeográficas, pois sua implementação em qualquer quadro de padrão biogeográfico traria confusão nas relações entre regiões zoogeográficas. As regiões biogeográficas das plantas são divididas em 5 áreas, sendo elas: Holártica (América do Norte e Eurásia), America do Sul, Africana, Indo-pacífica e Australiana. Não seguem necessariamente os limites dos continentes devido a facilidade de dispersão das espécies de plantas aqui analisadas. Todavia, existem problemas relacionados ao estudo da distribuição das plantas pelo globo. Este fato se da por alguns fatores, sendo eles: quantidade de famílias, capacidade de dispersão, registro fóssil, entre outros. Logo, existem muito mais famílias de plantas do que famílias de mamíferos (300 famílias e 12.500 gêneros de plantas versus 100 famílias e 1.000 gêneros de mamíferos). Por conseguinte, os padrões de distribuição das plantas são muito variados, pois sua capacidade de dispersão é mais sofisticada quando comparado aos mamíferos, podendo atravessar grandes barreiras oceânicas e alcançando ilhas distantes, ou até mesmo continentes. Outro fator limitante no estudo da distribuição das plantas são os registros fósseis, por serem menos completos, se tornam mais difíceis de serem interpretados, gerando conclusões muita das vezes subjetivas e variadas entre os pesquisadores.