Referente ao surgimento da Biogeografia, se levarmos em consideração em nossa análise as pinturas rupestres, que por meio de representações artísticas o homem pré-histórico buscava ilustrar os animais em seus ambientes, podemos mencionar uma "Biogeografia pré-histórica", cujo as representações contidas nas rochas retratavam as primeiras observações sobre a distribuição dos seres vivos. Porém, foi com a civilização greco-romana a 1.100 a.C que importantes estudos foram produzidos, como as análises do clima relacionado com o desenvolvimento da vegetação. Teofrasto, aluno e sucessor de Aristóteles produziu importantes conhecimentos relativos a botânica nesta época e teve grande impacto e contribuições até o Renascimento. Logo após, durante o século V ao XV na Idade Média, temos a grande influencia do poderio intelectual da igreja por todo o tecido social da época. Por este fato, a primeira teoria que sustentou os estudos biogeográficos neste período foram as histórias bíblicas na qual Noé reúne diferentes espécies em sua barca durante o evento do grande dilúvio e atraca na região do Monte Ararat, Leste da Turquia, sendo este o segundo ponto de partida da distribuição das espécies no globo. Com a ascensão da Idade Moderna em torno dos séculos XVI ao XVIII, temos o descobrimento de novas porções territoriais, consequentemente houve novos registros de espécies de plantas e animais, sendo o início do fim das ideias hegemônicas da igreja, que a partir dos esforços de naturalistas e exploradores, puderam criar modelos teóricos que permitiriam explicar tal distribuição.
Foi botânico, zoólogo e médico sueco, sendo considerado o pai da taxonomia moderna. Caracterizou e nomeou plantas e animais por todo o mundo. Em suas observações concluiu que as características das espécies não eram imutáveis como se imaginava. Pela grande influencia das histórias bíblicas que perduravam na época, Carolus Linnaeus considerou que diferentes biomas teriam sido colonizados por espécies da arca de Noé e registrou qual tipo de ambiente cada organismo foi encontrado, dando início ao que caracterizamos hoje como biogeografia ecológica.
Naturalista francês, também foi matemático e escritor. Influenciou toda uma geração de naturalistas como Charles Darwin e Lamarck. Em seus estudos teve conclusões importantes que ajudaram a romper o hegemônico pensamento religioso vigente. Percebeu a possibilidade da extinção de espécies, como por exemplo o mamute. Foi o primeiro naturalista a perceber as diferenças entre os organismos nas regiões globais. Tais organismos variavam a partir do clima, vegetação, latitude e altitude. Observou a existência das mesmas espécies em continentes diferentes, como por exemplo ursos, esquilos e cervos na América do Norte e Eurásia. Logo, compreendeu que tais organismos só poderiam ter se dispersado através de uma massa de terra firme, sua principal hipótese foi o Alasca, em um período que o clima global era mais quente e possibilitava uma conexão entre os continentes. Utilizou os registros fósseis para decifrar a história da terra em uma escala temporal de milhares de anos, pontuando que as espécies não eram rígidas, mas sim mutáveis. Buffon estabelece o que é considerado hoje o primeiro princípio da Biogeografia: regiões similares ambientalmente mas separadas tem espécies diferentes de aves e mamíferos (Lei de Buffon).
Em sua segunda viagem ao redor mundo o navegador James Cook levou consigo o botânico e naturalista Joseph Banks e o naturalista alemão Johann R. Forster ao Oceano Pacífico a bordo do HMS Resolution em 1772 a 1775. Ambos os naturalistas fizeram importantes descobertas de espécies nunca antes reconhecidas pela ciência. Forster, em suas observações concluiu que a Lei de Buffon também se aplicava as plantas em qualquer área geográfica que estivesse dividida por barreiras naturais. Forster também pontuou o que chamamos hoje de gradiente de diversidade. Esta análise identifica uma maior diversidade de organismos em baixas latitudes que progressivamente diminui quando nos deslocamos para altas latitudes. Este sintoma é reflexo de alguns fatores como o clima, que interfere no tipo de vegetação da região, que por sua vez influencia na fauna e consequente na riqueza de organismos de todo o ecossistema. E por fim, é feita as primeiras observações e considerações relativas a Biogeografia Insular. Toda via, o paradigma religioso ainda era hegemônico em meio a tantas descobertas e observações científicas.
Foi um importante farmacêutico, médico e botânico alemão. Acreditava em um momento único da criação dos organismos em áreas diferentes. Tinha como base o grande dilúvio bíblico. Segundo sua visão, em cada área geográfica a flora local teria recuado para áreas de maior altitude, e assim colonizando o mundo a partir do retroceder das águas.
Geógrafo, naturalista e explorador, nascido na Alemanha. Se especializou em diversas áreas da ciência como: física, geologia, mineralogia, antropologia, etnografia, entre outras. Lançou as bases para as ciências: Oceanografia, Geologia, Geografia e Climatologia. Também é conhecido como o fundador da fitogeografia (geografia das plantas). Em sua famosa expedição ao vulcão Chimborazo em 1799 a 1804 no Peru, observou o gradiente de organismos em altitude, fenômeno semelhante ao gradiente de diversidade de espécies em latitude descrita por Forster. Em sua análise, as plantas em níveis mais baixos eram do tipo tropical, nível intermediário do tipo temperado e nos níveis mais elevados do tipo ártico. Em 1805 lança suas observações botânicas do Novo Mundo, que posteriormente seria levado a frente pelo botânico Augustin Candolle.
Botânico suíço, observou a dispersão de plantas pelo a ação de animais, vento e água. Estes meios dispersariam estas plantas até que encontrassem um fator limitante, comumente mares e oceanos, desertos e montanhas. Outro fator limitante descoberto por Candolle foi a concorrência entre as espécies de flora. Foi o primeiro a empregar o termo "endêmicas", utilizado para caracterizar organismos que se encontram apenas em uma região do globo. Também observou que existiam espécies que se encontravam em diversas áreas do planeta (espécie cosmopolita). Outras apresentavam dispersão disjunta, em regiões totalmente desconexas. Além de ter caracterizado 20 regiões, das quais 2 eram de ilhas e 18 de continentes.
Contratado pelo novo Museu de História Natural da França, criado pelo governo francês pós-revolução para reorganização de toda a ciência, antes vinculada ao pensamento religioso. Lamarck, sugere uma escala biológica hierárquica entre as espécies (inferiores e superiores), sendo o ser humano o líder desta pirâmide. Segundo o mesmo, todas as espécies poderiam evoluir e chegar ao estágio de "superiores", desta forma, não aceitou a ideia de organismos extintos, apenas que tais espécies teriam evoluído e seus descendentes ainda estariam vivos.
Naturalista e zoologista francês, foi veementemente contra as ideias de Lamarck. Provou que os mamutes da Europa e América do Norte, e a Preguiça Gigante na América do Sul se originaram de espécies diferentes das hoje vivas. Logo, assumia a extinção como fato indiscutível. Cuvier rejeitava a evolução das espécies.
Naturalista e zoólogo francês, também pesquisador do Museu de História Natural da França, estava alinhado com os postulados de Lamarck. Propôs linhas evolucionárias entre animais diferentes, porém, suas tentativas de provar sua tese eram falhas e contraditórias, facilmente sendo ridicularizado por outros zoólogos não adeptos a evolução das espécies.
Foi um importante naturalista, geólogo e biólogo. No início do XIX, a evolução era vista como ideia "perigosa" pela sociedade, muito pouco aceita pelos cientistas da época. Por isso, Charles Darwin sempre se mostrou muito cauteloso em propagar suas teses e observações. Sua famosa viagem há América do Sul durou cerca de 6 anos, a bordo do HMS Beagle. Darwin concretizou experimentos na tentativa de provar a hipótese da evolução das espécies. Porém, não foi o primeiro cientista a propor que os organismos são mutáveis, mas sua principal inovação e colaboração nessa discussão foi a elaboração de um mecanismo pelo qual essas mudanças poderiam acontecer. Darwin observou que as espécies tanto de flora e fauna produzem mais descendentes do que as condições biológicas podem suportar, por este fato, haveria competição entre os descendentes por recursos limitados pela sobrevivência, os mais aptos poderiam sobreviver e reproduzir, enquanto os menos aptos seriam descartados pela seleção natural. É importante destacar que, os descendentes apresentam naturalmente leves diferenças entre si, tais diferenças podem ser melhor ou pior adaptadas ao ambiente e suas condições. Ocasionando uma manutenção constante de características vantajosas de geração em geração.
Botânico alemão, foi o primeiro cientista a reproduzir um mapa-múndi mostrando a distribuição da flora pelo globo, divididas em 4 regiões, analisando algumas famílias de floras dominantes em cada domínio. Até hoje os sistemas de regiões fitogeográficas são semelhantes ao modelo de Engler.
Advogado e zoólogo inglês, caracterizou 6 regiões, fundamentalmente as aves. Acreditava que as espécies sempre se desenvolveram na região na qual foram encontradas. Não apresentou nenhum mapa baseado em suas conclusões.
Foi um importante geógrafo, naturalista, biólogo e antropólogo inglês, sendo considerado o maior zoogeógrafo do século XIX. Aceitou o esquema de regiões de Sclater a o expandiu para os mamíferos e outros vertebrados. Com suas viagens ao redor do mundo, se fascinou por padrões biogeográficos. Reconheceu a existência das barreiras geográficas, limitantes abruptos que separam espécies de fauna e flora. A linha que separa as faunas da região Oriental e a região Australiana chama-se Linha de Wallace.
Foi botânico, explorador e naturalista britânico. Concretizou viagens há continentes e ilhas no hemisfério Sul e chegou a conclusão que a dispersão de alguns organismos só seria possível caso os continentes estivessem conectados.
Geofísico e meteorologista alemão, propôs a tese de que todos os continentes faziam parte de um único super continente (Pangeia). Porém, ainda se carecia de modelos teóricos para explicar tais movimentações dos continentes.
Botânico Italiano, produziu trabalhos fundamentais para o desenvolvimento da Biogeografia. Seu método de pesquisa se baseava em uma extensa documentação de variados organismos, observando sua distribuição e conectando estas por linhas (tracks). A partir dessas tracks, descobriu que os traços poderiam ser combinados e formar uma linha generalizada. Caracterizou seu método de "panbiogeografia", rejeitando conceitos como dispersão e origem de uma área restrita. Segundo Croizat, as barreiras geográficas surgiram logo depois que os padrões de organismos já foram estabelecidos pelo globo. Esta hipótese de surgimento de uma barreira geográfica dentro da área de distribuição de um táxon ficaria mais tarde conhecida como vicariância.