Descartes (156-162, 179-182)
Dúvida radical e hiperbólica - consiste em tomar como falso tudo aquilo em que haja a mínima dúvida / não é compatível com a vida prática, mas é exigida a quem procura a verdade.
A única coisa que sobrevive à dúvida radical - Só sei com certeza que existo como ser pensante, tudo o resto é incerto (mundo exterior, poder dos sentidos e razão).
Posso ter mais certeza que existo como ser pensante do que como ser físico.
Um ser absolutamente perfeito (Deus) tem de existir, senão não seria perfeito - parte polémica do pensamento de Descartes.
Consequências de aceitar a existência de Deus:
o erro vem do mau uso do entendimento pela vontade. (Deus, que me criou, não é enganador, só usando mal as faculdades que ele me deu é que posso ser levado ao erro.)
tudo o que eu compreender de forma clara e distinta será verdadeiro.
método cartesiano: não aceitar como verdade aquilo que não compreendo de forma clara e distinta - se só aceitar por verdadeiro aquilo que for indubitável não cairei em erro. (defesa do racionalismo e crítica implícita às religiões da época)
Hume (163-168, 181)
Aceita a dúvida de Descartes mas não que Deus possa ser usado para sair dela.
Simplesmente não temos nenhuma razão para duvidar que há objectos exteriores que dão origem às nossas sensações e/ou que sejam totalmente diferentes do que vemos neles.
Não há razão para duvidar que o mundo existe e de que é pelo contacto com ele que formamos as nossas sensações e ideias. (empirismo)
Problema da indução: como posso saber se o futuro será semelhante ao passado? Segundo Hume nunca poderei ter a certeza disso e portanto, é por hábito, que pensamos que o sol vai nascer amanhã e que o futuro será semelhante ao passado.
Diferença entre ciência e senso comum (189-193)
A diferença essêncial é que o senso comum está voltado para o que é aceite socialmente. Se estivéssemos na alemanha nazi diríamos todos (dentro e fora das aulas) aquilo que era comum dizer e ninguém se questionaria enquanto o regime não fosse destruido e substituído por outro. O senso comum é dizer e pensar o que convém.
A ciência, tal como todos os descendentes da filosofia, procuram a verdade, o que está para lá das aparências.
Uma das características específicas da ciência é a sua sistematicidade (investiga muitas alternativas de solução) e ser crítica em relação aos próprios resultados (está aberta a que sejam refutadas as teorias). Outra característica muito importante é o confronto com os factos. As teorias são aceites ou refutadas devido à sua capacidade de prever o que vai acontecer.
Popper (197-201)
Aquilo que permitiu à ciência desenvolver-se rapidamente foi a procura dos erros e de teorias muito precisas e facilmente refutáveis.
A pseudo-ciência caracteriza-se por apresentar teorias vagas e difíceis de refutar e que, precisamente por isso, são pouco úteis.
Assimetria entre verdade e falsidade: É impossível mostrar que uma boa teoria científica é verdadeira mas é fácil mostrar que ela é falsa (pois permite realizar muitas previsões precisas e observáveis).
Kuhn (204-209, 219-220)
Distingue: pré-ciência, ciência normal e ciência revolucionária.
Existe dogmatismo na ciência normal uma vez que os cientistas se limitam a tentar aumentar a precisão e abrangência das teorias / paradigmas da altura aceitando-as como inquestionavelmente verdadeiras.
Em fases de ciência revolucionária as teorias que competem entre si são muitas vezes incomensuráveis (não podemos saber qual delas é melhor) pelo que existe uma componente de irracionalidade na ciência revolucionária.
A ciência, na prática, nem sempre procura os erros das teorias.
Ver também, p.211.