Por estranho que pareça há uma ciência chamada "epistemologia" que não é acerca de peixes estranhos e luminosos como estes:
Até podia ser, mas não é. A epistemologia é a ciência do saber. Foram os gregos que inventaram a palavra (compreensão = logos, ciência = episteme), imaginem que tinham sido os chineses!!
Porque é que precisamos de uma ciência do próprio saber?
Bem, em primeiro lugar para distinguir a verdade da ilusão: há imensa gente a matar e a matar-se em nome de ilusões. O nosso pobre planeta sofre todos os dias imensas violações porque o homem ainda não se apercebeu que o seu futuro está dependente do bem estar e equilíbrio do nosso planeta.
Tudo aquilo em que nos enganamos tem um preço, e o preço será tanto maior quanto maior for a nossa ilusão e mais tempo a mantivermos.
Sabes que Aristarco, 300 anos antes de Cristo, já tinha descoberto que o Sol é que estava no centro do sistema solar? Porque é que foi ignorado?
Porque há verdades inconvenientes, sabes, aquelas que, se os teus pais soubessem estarias em apuros? Pois a verdade de Aristarco era inconveniente: porque se de facto a terra era um planeta perdido no Cosmos, entre incontáveis milhões de estrelas (a consequência do modelo heliocêntrico), então o homem não estava no centro do mundo, e todas as religiões (excepto o Budismo), que diziam o contrário, estariam erradas.
É claro que já na Idade Média havia padres cientistas, mas a maior parte de nós não consegue imaginar um Jesus viajando de planeta em planeta, tomando a forma dos seus diversos habitantes "inteligentes" para lhes falar sobre a importância de dar a outra face, o casaco a mais e o Reino de Deus; fazendo, nos entretantos, imensos milagres para curar aquele polvo ou ressuscitar aquele batráquio (imaginando que há polvos e batráquios inteligentes noutros planetas). Aliás, a própria ideia de um Jesus que assume a forma de batráquio parece ter algo de fortemente herético. Como se a santidade do homem face à natureza fosse posta em causa. Como se a nossa grandiosidade ficasse perdida no meio destes milhões de milhões de milhões de estrelas...
Vimos um filme chamado "A Invenção da Mentira" de Ricky Gervais, o filme convida-nos a pensar em como seria uma sociedade em que só disséssemos a verdade. Segundo o autor seria muito semelhante à nossa, excepto o facto de não haver ficção ou religião.
Esta visão de Ricky Gervais é, como vimos na aula, demasiado simplista. A nossa capacidade de imaginar o que não existe, de usar a imaginação, é a base da nossa inteligência. Portanto, uma sociedade onde ninguém conseguisse imaginar algo que não existe (o conceito de mentira), seria semelhante a uma sociedade de animais que só conseguissem viver o presente. Nunca teria sido inventada nem a religião nem a ciência, pois ambas têm o mesmo tronco comum: a capacidade de imaginar.
A questão que se coloca é esta:
O que sabemos com certeza absoluta?
Consegues responder?