O critério de demarcação é muito fácil de explicar: trata-se de distinguir entre as teorias científicas e as não-científicas baseando-se na atitude dos investigadores e nas propriedades das teorias. Na ciência procuramos os erros e teorias que sejam facilmente falsificáveis (que proíbam muita coisa e, portanto, tenham muito conteúdo). Ou seja, enquanto na psicanálise e astrologia procuramos teorias muito plausíveis e difíceis de ser falsas (como "algo terrível lhe vai acontecer - em algum momento da sua vida") mas com pouco conteúdo, na ciência verdadeira procuramos constantemente procurar erros ou falhas nas teorias existentes e procuramos teorias que seria muito simples mostrar que estão erradas, porque são extremamente precisas nas suas previsões. É isto que diz o critério de demarcação: em resumo, a ciência distingue-se da pseudo-ciência devido à atitude dos seus investigadores (procuram os erros das teorias) e devido à precisão das teorias científicas (muito precisas = altamente improváveis = muito conteúdo = muito úteis).
Falta explicar a assimetria entre a verdade e a falsidade das teorias científicas: Popper salienta que nunca poderemos mostrar que uma teoria empírica (ou seja, que se aplica à realidade física) universal e precisa é verdadeira, apenas se pode mostrar que ela é falsa.
Imaginemos a teoria de que todos os cisnes são azuis. E, por acaso, estávamos num planeta onde todos os cisnes de facto eram azuis. No entanto poderíamos vir a descobrir mais tarde outros locais do universo onde houvesse cisnes de outra cor. O mesmo se aplica à gravidade por exemplo. Sabemos que a gravidade se pode pensar como exercendo uma determinada força (ou deformação do espaço-tempo) que é proporcional à massa dos objectos. No entanto, noutras partes do universo que ainda não observámos, a gravidade pode ter uma proporção diferente, pode conjugar-se com forças que ainda não observámos, etc. Isto é muito relevante até porque observámos apenas ainda uma pequena parte do espaço (o nosso planeta não passa de uma poeira invisível à escala do universo) e do tempo (a nossa ciência tem apenas alguns séculos, o universo tem mais de 13 mil milhões de anos).
Mas mesmo que tivéssemos observações fiáveis de há muitos milhões de anos atrás e de muitos outros planetas e estrelas, mesmo assim nunca poderíamos provar que a teoria era válida para todos os casos, porque, obviamente, só teríamos observado uma parte deles. Este é o mesmo problema da indução que encontrámos no pensamento de David Hume.
Por isso, segundo Popper, nunca podemos provar que uma teoria empírica universal é verdadeira pois ela, sendo universal, aplica-se a todos os casos, e nós só poderemos observar uma parte dessa totalidade. No entanto é relativamente fácil mostrar que uma boa teoria científica, pois, sendo precisa e universal, basta que ela não se aplique a um único caso para ser falsa. A assimetria entre verdade e falsidade quando aplicada às teorias científicas consiste então nisto: geralmente é fácil mostrar que uma teoria universal é falsa, mas é impossível mostrar que ela é verdadeira pois teríamos de poder observar todos os casos o que não é possível a um ser vivo como nós.