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Há cerca de 1600 anos, vivia na cidade de Sabária, na Hungria, um valente cabo-de-guerra romano. Quando lhe nasceu um filho (cerca do ano 316), pôs-lhe o nome de Martinho, pois Marte era, para os romanos, o deus da guerra.
Para que Martinho se habituasse às lides guerreiras, o pai levava-o, ainda muito pequeno, para os acampamentos. Mais tarde, Martinho foi viver para Itália com o pai, que entretanto tinha sido transferido para Pavia. Certo dia, espavorido com uma forte trovoada, refugiou-se numa Igreja, onde o bispo se encontrava a pregar um sermão sobre a vida de Cristo e dos Apóstolos. Martinho ficou tão interessado na doutrina que ouvira expor, que desde esse dia começou a preparar-se para se tornar cristão.
Aos 15 anos, tornou-se também soldado e, pouco depois, foi enviado para Amiens, no norte da Gália.
Um dia, ao entrar na cidade, encontrou na berma da estrada um pobre a tremer de frio. Como não tinha dinheiro para lhe dar, Martinho repartiu com ele o que possuía: rasgou com a espada a sua capa ao meio e deu metade ao pobre. A partir deste gesto de generosidade, se criou o costume, que em certas terras ainda perdura, de fazer do dia de S. Martinho um dia de "partilha". O tradicional "pão-por-Deus", que, ainda existe nalgumas aldeias portuguesas, é disso exemplo.
Conta a história que, nessa mesma noite, Martinho teve uma visão: acordou e viu Jesus trazendo a metade da capa que ele dera ao pobre. Ficou tão contente, que logo na manhã seguinte se dirigiu à igreja mais próxima e pediu para ser batizado. Diz a tradição que, em memória do gesto de S. Martinho, no seu dia nunca há frio. Daí o hábito de se designar o tempo soalheiro nas proximidades de 11 de novembro por "verão de S. Martinho". Conta ainda a história que, dois anos depois, Martinho não quis continuar a ser soldado e decidiu seguir a vida religiosa. O pai de Martinho não aceitou bem esta decisão, pois preferia que ele fosse militar. No entanto, Martinho persistiu, regressou a França e fundou, em Ligugé, um pequeno mosteiro, que foi o primeiro da Europa.
De todas as partes acorriam então pessoas a pedir-lhe ajuda, doentes e atribulados, todos encontravam em Martinho um sólido apoio.
Mais do que acolher multidões, Martinho gostava da vida solitária, do silêncio e da oração. Quando morreu o bispo de Tours, Martinho teve de o substituir, mas não quis residir no paço e, por isso, fundou outro pequeno mosteiro, nas margens do Loire, onde passou a viver austeramente com alguns monges. O imperador tinha tanta estima e consideração por Martinho, que um dia, em Tours, o convidou para a sua mesa, na altura da prova do vinho novo (que fica pronto após as vindimas de setembro). Embora relutante, Martinho aceitou o convite, a fim de lhe pedir um favor: clemência para os presos da cadeia de Tours injustamente detidos. O imperador acedeu ao seu pedido e, para lhe provar o seu apreço, deu-lhe a beber a primeira taça de bom vinho, que era sempre oferecida ao convidado de honra. Daí que tenha surgido o costume e o ditado popular. "Pelo S. Martinho, prova o vinho."
Trabalhando incansavelmente, a pregar o Evangelho e a curar os enfermos, Martinho chegou aos oitenta anos. Morreu em 397, numa das suas jornadas apostólicas. Os monges levaram-no então num barco para o seu mosteiro do Loire, onde ficou sepultado numa pequena capela, que em breve se tornou lugar de peregrinações. Aí foi mais tarde construída uma grande basílica.
· Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
· Em dia de S. Martinho faz magusto e prova o vinho.
· No dia de S. Martinho fura o teu pipinho.
· No dia de S. Martinho mata o teu porco e bebe teu vinho.
· No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
· Pelo S. Martinho abatoca o teu pipinho.
· Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
· Por S. Martinho todo o mosto é bom vinho.
Designa-se "Magusto" a fogueira em que se assam castanhas ou as próprias castanhas assadas na fogueira ou ainda o convívio que isso proporciona.
Desconhece-se a etimologia da palavra ”magusto“, que aparece já em documentos do séc. XVI. É provável que se relacione com o latim ”ustus“ (queimado).