Rio de Janeiro. 2018.
Vício, segundo definição do dicionário Aurélio online, na data de 9 de maio de 2018:
Mas, para os profissionais de saúde, como descrever o vício? Eu descreveria como um comportamento repetitivo que afeta a saúde da pessoa. Sabendo que saúde, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças, e que o vício pode afetar qualquer um desses aspectos da vida de uma pessoa.
O vício surge à partir de comportamento repetitivo. Isso quer dizer que quanto mais se faz alguma coisa, mais se tem a vontade de fazer, um exemplo poderia ser beber refrigerante no almoço, quando a pessoa se dá conta, está bebendo no jantar, no lanche, a qualquer hora… Mas isso é só para o refrigerante? Não. Vale para qualquer coisa, até mesmo pessoas ou situações.
Mas esse comportamento não é apenas um comportamento. Tudo que a gente faz na vida libera alguma coisa dentro da gente. Tanto antes do comportamento, quando durante, quanto após. Nossos sentimentos e emoções são manifestados à partir da liberação de hormônios. Não temos ainda como afirmar o que vem antes ou o que vem depois, se existe algum fator não orgânico. A ciência ainda está estudando muito sobre isso, então não tem como determinar tudo. A parte importante aqui é que os hormônios são a chave. Então a gente tem que entender como esse processo funciona para entender como surge o vício.
Você já deve ter ouvido falar de prazer (é… isso que você pensou também faz parte, mas eu não tô falando só disso. Foco!rsrs). Essa sensação é resultado do aumento de alguns neurotransmissores que são liberados por causa dos estímulos que o organismo recebe.
As células do cérebro são chamadas de neurônios e tem capacidade de mandar sinais elétricos para o corpo (para mover um músculo por exemplo) e de produzir substâncias para se comunicar com as células que precisam de outro tipo de comunicação. Essas substâncias que os neurônios produzem são chamados de neurotransmissores.
Os neurotransmissores que são responsáveis pelo prazer são os hormônios endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina. E cada estímulo pode atuar de forma diferente para liberação de um ou mais desses hormônios. Como a pessoa se sente bem, então, a pessoa vai querer mais. Um bom exemplo disso é quando alguém come uma comida maravilhosa e quer mais e mais e mais… Essa comida causa prazer e você vai querer mais disso (quem não quer?).
No caso do comportamento, é a mesma coisa. Você tem um comportamento que faz com que você se sinta bem, sente prazer ao fazer aquilo. Logo, vai querer fazer sempre que possível ou quando estiver se sentindo mal vai logo lembrar disso. Por exemplo, quando a criança cai no chão, às vezes nem se machuca, mas corre pro colo do responsável. Esse carinho faz com que a criança se sinta melhor.
Isso é o chamado sistema de recompensa que falam tanto e que muitos acabam não entendendo como funciona. Essa sensação de prazer é chamada por muitos de sistema de recompensa. Já que a gente sempre está em busca por se sentir bem, né… Então esse nome “sistema de recompensa”, é por que ele ocorre sempre que a gente faz alguma coisa para “ativar” esse sistema. Seja comer, fazer exercício e no caso das crianças, abraçar o responsável, brincar, comer doce…
Então… Já deu pra entender que o vício é um comportamento repetitivo que ativa esse sistema de recompensa e que acaba fazendo com que a coisa saia do controle com o passar do tempo.
Por isso é sempre importante avaliar o que está acontecendo com a criança e perguntar e principalmente, entender o que se passa com ela. Já que os sentimentos não são só sentimentos, emoções, eles também são parte do organismo por causa dos neurotransmissores. Quando existem problemas com esses neurotransmissores, as pessoas podem desenvolver ansiedade, depressão e outros problemas que vão afetar a saúde. E o comportamento é afetado por causa disso. Mas essa é outra parte.
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