Rio de Janeiro, 2018
Quem já ouviu falar em melancolia?
É aquela sensação ruim, de tristeza profunda, tristeza existencial, em que você sente dor apenas por ser você.
A melancolia muitas vezes pode ser experimentada junto com a nostalgia, sabe as fotos de escola, quando a gente era feliz e não sabia, e vendo que acabou mudando muito? Onde você começa a reavaliar seu posicionamento sobre a vida? Muita gente diria que nesse momento “bate uma bad”... Então… Experimentou por alguns momentos a melancolia.
Esse termo era adotado na antiguidade para nomear o que hoje conhecemos como depressão.
Sim, conhecida como mal do século e que vem afetando cada vez mais pessoas. Tem gente que associa a insatisfação, frustração, perda… Mas a depressão, enquanto doença, é muito mais profunda que isso.
"Melancolia"
Edvard Munch, 1894.
Classificada pela psiquiatria como um transtorno de humor, a depressão acomete mais mulheres que homens (pelo menos esses são os dados), tem diversos subtipos, tendo até mesmo uma classificação sazonal (por estações do ano...Louco, né? Talvez nem tanto…).
Agora, pensa comigo… Se um momento de “bad” já faz com que a pessoa se sinta suuuupeeerrrr ruim, imagina passar dias, semanas, até mesmo anos com isso? A depressão faz com que a pessoa literalmente veja o mundo mais cinza, sim, as coisas perdem um pouco (ou um muito)a cor, a comida não tem o mesmo gosto, o prazer não é o mesmo, tudo perde um pouco o sentido. É uma situação bem complicada de viver ou existir…
Pra piorar a situação (é claro que tem como piorar!) a depressão tem um fundo genético. Então acreditar que a pessoa está triste ou é frescura, ou que a pessoa é fraca agora estão oficialmente fora de questão. Como você está lendo, acho que já tinha notado que o caldo é mais grosso do que parecia, né…
Vou colocar em miúdos pra você entender melhor como é que a depressão atua.
Já havíamos explicado sobre os neurotransmissores, né?
Então. Os neurotransmissores são fundamentais para o funcionamento do corpo e equilíbrio orgânico, assim como para a nossa sensação de bem estar. Sendo que a depressão pode atuar em 3 dos 4 neurotransmissores do prazer.
Deixa eu explicar melhor. A depressão acontece por um problema uma redução na secreção dos neurotransmissores, então o quem deveria receber esse neurotransmissor, vai receber uma quantidade menor do que a que precisaria para que o funcionamento do organismo estivesse adequado. É claro que é um pouco mais complexo que isso, mas esse é o resumão.
Os neurotransmissores (ou hormônios) que podem ser afetados eu chamo de “As inas”, pois são: acetilcolina, dopamina, serotonina, endorfina e noradrenalina. eles são os principais que são afetados e, claro, tem uma palavrinha que eu aprendi e amo: HOMEOSTASE. Essa palavra quer dizer basicamente equilíbrio orgânico e quando alguma coisa se altera no organismo, afeta a homeostase, o que quer dizer: “Adeus equilíbrio orgânico, olá caos!”
Os sintomas da depressão estão em todo lugar, então nem preciso listar.
Depressão é doença e tem de ser tratada. E, sim, muitas vezes apenas com medicamentos é que a pessoa consegue ter uma vida normal. Apesar de eu, particularmente, não conseguir encontrar um normal na vida.
Preferi explicar primeiro o que é a depressão para poder passar para a depressão na infância.
Bibliografia
DE ANDRADE, Rosângela Vieira et al. Atuação dos neurotransmissores na depressão. Sistema nervoso, v. 2, p. 3, 2003.
HYDE, Craig L. et al. Identification of 15 genetic loci associated with risk of major depression in individuals of European descent. Nature genetics, v. 48, n. 9, p. 1031, 2016.
WRAY, Naomi R. et al. Genome-wide association analyses identify 44 risk variants and refine the genetic architecture of major depression. Nature genetics, v. 50, n. 5, p. 668, 2018.
CANALE, Alaíse; FURLAN, Maria Montserrat Diaz Pedrosa. Depressão. Arquivos do Museu Dinâmico Interdisciplinar, v. 11, n. 1, p. 23-31, 2013.