Rio de Janeiro, 2018.
A modernidade tem facilitado nosso dia a dia. Está tudo online, e em fração de segundos são documentos e entretenimentos a qualquer momento não é mesmo? Mas sentimos lembrar que tudo tem seus prós e contras. Isso porque essa facilidade se dá origem ao sedentarismo e obesidade em adultos e também em crianças que por causa do dia a dia acabam não recebendo acompanhamento responsável (compram um doce quando os pais estão no trabalho com o dinheiro que ganharam dos avós, quem nunca passou por isso?)
No século XXI, numa época em que você pode desfrutar de um alto nível de conhecimentos e meios tecnológicos ao serviço da saúde, a expectativa de vida das futuras gerações corre o risco de ser reduzida com relação a seus pais. Além disso, o risco de viver com uma menor qualidade de vida também é aumentada. Essas projeções, resultados negativos se devem à epidemia nutricional mais importante do século: a obesidade.
Especificamente, estima-se que a obesidade infantil atinja o mundo todo, afetando pelo menos 5% da população de 5 anos, e até excedendo 15% em algumas áreas.
Existem diversos mecanismos fisiopatológicos (Fisiopatologia é um campo da medicina que se dedica ao estudo dos mecanismos pelos quais se originam as mais variadas doenças, isso permite explicar porque ocorrem seus sintomas e as diversas manifestações), envolvidos no desenvolvimento e manutenção da obesidade e que participam na regulação do apetite e na ingestão de comida, no padrão de armazenagem do tecido adiposo (gordura) e no desenvolvimento de resistência à insulina (que é o hormônio que promove a entrada do açúcar na célula). Desde a descoberta da leptina (hormônio que dá sensação de satisfação quando a gente come), foram estudados diversos outros mediadores, como a grelina (hormônio responsável pela sensação de fome), insulina, orexina, colecistocinina e a adiponectina (mediadores produzidos pelo tecido adiposo). (A gente vai falar sobre esses hormônios todos em outras matérias)
Pessoas com excesso de peso têm duas vezes mais chances de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) devido aos altos níveis de hipertensão (popular pressão alta) e colesterol (gordura). Também estão mais propensos a desenvolver problemas psicológicos, como ansiedade e baixa autoestima. 80% têm algum tipo de depressão.
O acúmulo de placas de gordura no interior das artérias coronarianas dificulta a circulação do sangue e leva a aterosclerose (formação de placas de gordura sobre a parede das artérias). A obesidade é um dos principais fatores de risco do infarto do miocárdio. Quanto maior o peso, maior a chance de hipertensão, diabetes e altos níveis de colesterol no sangue.
A circulação sanguínea é prejudicada e interfere no sistema vascular. Os obesos tendem a sofrer de varizes e a desenvolver trombose (coágulos de sangue nas paredes dos vasos). Segundo cálculos, o excesso de peso aumenta em três vezes a chance de trombose.
O excesso de peso prejudica a livre movimentação do diafragma, aumenta a sobrecarga de trabalho e provoca falta de ar. Em alguns casos, causa crises de apneia obstrutiva do sono e redução no volume dos pulmões. Também aumenta a incidência de asma devido à produção de uma substância (eotaxina) que provoca o fechamento dos brônquios.
É um dos órgãos mais afetados porque não consegue metabolizar toda a gordura ingerida e parte dela fica acumulada. Com o tempo, esse acúmulo pode causar esteatose hepática, cirrose e até câncer de fígado. Normalmente, a cirrose está associada ao consumo de álcool, mas, neste caso, pode aparecer em quem não ingerem bebida alcoólica.
Como nas pessoas obesas a produção de colesterol tende a ser maior que o habitual, quantidades maiores também são liberadas na bile. Esse colesterol pode cristalizar-se na vesícula biliar e produzir cálculos (pedras na vesícula). Cerca de 2/3 dos indivíduos obesos sofrem desse problema.
Obesos estão três vezes mais propensos a ter diabetes tipo 2. A insulina controla a absorção da glicose do sangue pelas células. O excesso de peso faz com que o suprimento normal de insulina não supra o aumento da demanda. A entrada da glicose nas células fica prejudicada e seus níveis aumentam.
A obesidade tende a aumentar a incidência de alguns tipos de câncer como os de cólon, reto e intestino. Mulheres obesas são quase 90% mais propensas a desenvolver câncer de cólon. Quanto maior o excesso de peso nelas, maior o risco de câncer de útero e de mama. Nos homens, o problema é o câncer de próstata.
Obesos costumam sofrer de dores persistentes nas costas. Isso porque a parte superior do corpo está pesada e os músculos abdominais que a sustentam perdem o tônus. Resultado: o excesso de peso desgasta as articulações e leva à calcificação das vértebras.
O excesso de peso aumenta a sobrecarga nas articulações dos membros inferiores e provoca sérios problemas como a osteoartrite nos joelhos. Com o tempo, provoca desde dor, inchaço e sensação de rigidez até limitações funcionais, como deformidade e perda dos movimentos.
Nas mulheres, o excesso de peso causa redução da fertilidade. Nos homens, queda na produção de espermatozoides e impotência sexual. Estudos comprovam que 85% dos homens que sofrem de disfunção sexual são obesos. Além disso, levantamentos recentes já associam a obesidade a alterações no ciclo menstrual.
Agora que você já sabe os malefícios da obesidade, veja como ela atua na infância.
Bibliografia
NAVAS-CARRETERO, Santiago. Obesidad infantil: causas, consecuencias y soluciones. In: Anales del sistema sanitario de Navarra. Gobierno de Navarra. Departamento de Salud, 2016. p. 345-346.
MUÑOZ, Fabián. Obesidad infantil: un nuevo enfoque para su estudio. Revista Científica Salud Uninorte, v. 33, n. 3, 2017.