Rio de Janeiro, 2018.
Ah, o ciclo circadiano… Também chamamos ele de relógio biológico. Por que?
Simples, é esse “relógio” que regula nosso sono, fome… Sabe todo o básico para o corpo humano sobreviver? Então. É isso.
O nosso organismo tem diversos mecanismos internos de regulação. Ele tem necessidades específicas e se essas necessidades não forem satisfeitas, vamos ter algum problema de saúde, que pode aparecer logo ou levar algum tempo para se instalar. Um bom exemplo disso é a Síndrome Metabólica (link para acessar). Ela normalmente surge após muito tempo de descuido para com o corpo, somado a falta de atividades físicas com a má alimentação.
Se você já leu nosso artigo sobre vício, sabe o que são os neurotransmissores e tem uma idéia de como eles funcionam em nosso organismo.
Aqui vamos tratar basicamente de sono, que é um fator chave para a regulação do organismo e sempre principal tema abordado quando se trata de ciclo circadiano (já que ninguém consegue comer enquanto dorme… Mas todos podemos sonhar, não é mesmo?...)
Claro que existem diversos fatores que podem afetar nosso “timer”, mas um dos principais responsáveis pela regulação dos estados “dormindo” (sono) e “acordado” (vigília) é a nossa querida glândula pineal.
Vamos falar mais dela em outro artigo, o que importa saber aqui é só que ela existe, que fica no cérebro e que é a responsável por produzir alguns hormônios importantes para que a criança possa dormir (e você possa ter paz). Também é importante saber que ela é regulada pela luz. Sim, luz!
Então, vamos a um pouco de ciência: os lipídios que ingerimos tem sua síntese em diversas substâncias, no caso do sistema de sono/vigília, um importante regulador é a serotonina (neurotransmissor sintetizado à partir de lipídios) que será biossintetizada posteriormente pela glândula pineal em melatonina. A melatonina é o hormônio responsável por sentirmos sono. Sono, não cansaço. O cansaço é acontece por vários outros fatores, não é culpa da melatonina. A principal responsável pela sensação de cansaço é uma molécula chamada adenosina, mas não vamos falar sobre ela ainda.
Agora em uma língua não-cinetifiquês: a gordura que a gente come é transformada em diversas substâncias no corpo, entre essas substâncias temos a serotonina (um dos hormônios de prazer. para saber mais sobre eles link). Parte da serotonina é transformada em melatonina pela glândula pineal e essa glândula é regulada pela luz.
A falta de um sono adequado pode gerar irritabilidade, ansiedade e até contribuir para o surgimento da depressão. O hormônio do crescimento é liberado pelo corpo em maior quantidade nas primeiras 2 horas de sono profundo, então tem que dormir e dormir bem para liberar esse hormônio que é necessário para o crescimento e amadurecimento do organismo.
Super legal, né? Agora vem a parte chata… Quanto mais luz, mais estímulo para glândula, e se for luz azul, então… A glândula fica lá, mandando um monte de coisas para o corpo, menos o que você quer, que é a melatonina. Por isso assistir tv, jogar videogame e ficar no Tutube (YouTube) acabam sendo tão prejudiciais ao sono.
O mais interessante sobre a luz é que a “pior” seria a luz azul. Aí você pensa: mas eu não vejo essa tal luz azul. Resumindo bem, ela tá mais presente quando a gente vê iluminação branca. Sabe a lâmpada de luz branca que você provavelmente tem em casa? Então, tem muita luz azul, por isso ela também é classificada como prejudicial ao sono.
Mas, como então eu faço para que o corpo entenda que é hora de dormir?
Você precisa criar um ritual do sono, que também chamam de rotina de sono ou rotina de dormir.
Vamos te ajudar a criar a rotina de sono para a criança. Acesse e aprenda a montar uma rotina de sono.
Bibliografia
HALL, John E. Guyton E Hall Tratado De Fisiologia Médica. Elsevier Brasil, 2017.
NETO, Júlio Anselmo Sousa; DE CASTRO, Bruno Freire. Melatonina, ritmos biológicos e sono-uma revisão da literatura. Rev Bras Neurol, v. 44, n. 1, p. 5-11, 2008.
PEDROSA, C.; CRUZ, G.; PEREIRA, S. Hábitos e perturbações do sono de uma população infantil de Vila Nova de Gaia. Acta Pediátrica Portuguesa, v. 4, n. 35, p. 323-328, 2004.
FERNANDES, Regina Maria França. O sono normal. Medicina (Ribeirao Preto. Online), v. 39, n. 2, p. 157-168, 2006.