compreensão e interpretação de texto
A esfera de circulação diz respeito ao espaço social onde o texto circula. Esse espaço influencia o modo como o texto é escrito, seu nível de formalidade e seus objetivos.
🔎 Exemplos:
Esfera jornalística → notícias, reportagens
Esfera acadêmica → artigos científicos, resenhas
Esfera jurídica → leis, contratos
Esfera publicitária → anúncios, propagandas
Cada esfera tem regras e expectativas próprias.
O propósito comunicativo é a intenção do autor ao produzir o texto.
🎯 Exemplos:
Informar → notícia
Convencer → artigo de opinião
Ensinar → manual, receita
Entreter → conto, piada
Entender o propósito ajuda a interpretar melhor o texto.
Os tipos textuais são formas mais gerais de organização da linguagem. Diferente dos gêneros, eles são poucos e fixos.
📌 Principais tipos:
Narrativo
Descritivo
Dissertativo-argumentativo
Expositivo
Injuntivo
Um mesmo gênero pode misturar mais de um tipo textual.
Gêneros textuais são as formas concretas de comunicação usadas no cotidiano. Eles surgem das necessidades sociais e mudam com o tempo.
✅ Exemplos de gêneros:
Carta
Receita
Notícia
Anúncio
Post em rede social
Cada gênero tem finalidade, estrutura e linguagem próprias.
A estrutura textual mostra como o texto é organizado internamente. Cada gênero possui uma estrutura típica.
📄 Exemplo (texto dissertativo-argumentativo):
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Uma boa estrutura ajuda o leitor a compreender o texto com mais facilidade.
Argumentação é o conjunto de estratégias usadas para defender uma ideia ou ponto de vista e convencer o leitor/ouvinte.
🧠 Inclui:
Opiniões
Dados
Exemplos
Autoridades citadas
Comparações
É muito comum em artigos de opinião, redações do ENEM, editoriais e debates.
A coerência está relacionada ao sentido global do texto. Um texto coerente apresenta boas ideias e bem conectadas, sem contradições.
❌ Texto incoerente:
“Gosto de calor, por isso odeio dias quentes.”
✅ Texto coerente:
“Gosto de calor, por isso prefiro o verão.”
A coesão envolve os mecanismos linguísticos que ligam palavras, frases e parágrafos.
🔗 Exemplos de elementos coesivos:
Pronomes (ele, isso, aquele)
Conjunções (porque, portanto, porém)
Sinônimos e repetições controladas
Sem coesão, o texto fica fragmentado e difícil de ler.
Intertextualidade ocorre quando um texto dialoga com outro texto, de forma explícita ou implícita.
📚 Exemplos:
Citação direta
Paródia
Releitura de obras famosas
Ela enriquece o texto e amplia seu significado.
Adequação linguística é usar a linguagem certa na situação certa.
🗣️ Exemplos:
Linguagem formal → redação escolar, artigo acadêmico
Linguagem informal → conversa, mensagens em redes sociais
Não existe linguagem “errada”, mas inadequada ao contexto.
Conceitos para interpretação textual
É o assunto geral do texto.
📌 Exemplo: amizade, bullying, meio ambiente, desigualdade social.
É o ponto mais importante que o autor quer transmitir sobre o tema.
📌 Exemplo: O bullying causa danos emocionais profundos nas vítimas.
Tudo aquilo que está dito claramente, sem precisar interpretar.
📌 Exemplo: “João tem 15 anos e estuda no 9º ano.
É aquilo que não está escrito claramente, mas pode ser entendido pelo leitor.
📌 Exemplo: Um personagem sai batendo a porta → implícito que ele está com raiva.
Muito parecido com o implícito, é algo que o texto sugere, sem afirmar diretamente. É uma dedução feita pelo leitor, a partir de pistas do texto.
📌 Exemplo: “Ele olhou o relógio pela terceira vez” → subentende-se impaciência.
📌 Exemplo: Se o céu está escuro e o vento forte → inferimos que vai chover.
São as provas que sustentam uma ideia ou inferência.
📌 Exemplo: dados, estatísticas, citações, fatos observáveis.
É o resultado final do raciocínio, depois de analisar todas as informações.
📌 Exemplo: Após várias pistas, o leitor conclui quem é o culpado da história.
É tudo o que ajuda a entender melhor a situação apresentada.
📌 Exemplo: época histórica, local, situação social, quem fala e para quem.
DIFERENÇA ENTRE COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
Fique atento aos enunciados:
COMPREENSÃO
(está no texto)
* Segundo o texto...
* O autor/poeta/narrador do texto diz que...
* O texto informa que...
* No texto...
INTERPRETAÇÃO
(está fora (além) do texto)
* Depreende-se / infere-se / conclui-se do texto que...
* O texto permite deduzir que...
* É possível subentender-se a partir do texto que...
* Qual a intenção do autor quando afirma que...
OBSERVE O EXEMPLO E PERCEBA A DIFERENÇA
Ana caminhava cabisbaixa
Para o mesmo exemplo é diferente a percepção ao analisar:
Compreensão
(não pode dizer que Ana está triste)
Interpretação
(pode-se dizer que ela está triste)
Atenção: Inferir é tirar conclusões
(porém, conectadas ao texto).
Assista ao vídeo para aprofundar seu aprendizado:
EXERCÍCIOS:
RESPONDA NO CADERNO:
1) Infere-se a partir do poema a classe social do eu lírico. Qual seria? Justifique.
2) É possível saber detalhes da vida do eu lírico por meio dos pedidos feitos. A partir da análise das suas necessidades, conclua como seria a vida dele?
3) A postura adotada pelo autor em relação ao consumismo, principalmente ao analisar a vida do eu lírico, sobre o consumo, o poeta faz uma crítica indireta ou defende a ideia do consumismo, tão incentivada pelo capitalismo? Ele é a favor ou contra? Justifique.
O Nino apareceu na porta. Teve um arrepio. Levantou a gola do paletó.
- Ei, Pepino! Escuta só o frio!
Na sala discutiam agora a hora do enterro. A Aída achava que de tarde ficava melhor. Era mais bonito. Com o filho dormindo no colo Dona Mariângela achava também. A fumaça do cachimbo do marido ia dançar bem em cima do caixão.
- Ai, Nossa Senhora! Ai, Nossa Senhora
Dona Nunzia descabelada enfiava o lenço na boca.
- Ai, Nossa Senhora! Ai, Nossa Senhora.
Sentada no chão a mulata oferecia o copo de água de flor de laranja.
- Leva ela pra dentro!
- Não! Eu não quero! Eu... não... quero!...
Mas o marido e o irmão a arrancaram da cadeira e ela foi gritando para o quarto. Enxugaram-se lágrimas de dó.
- Coitada da Dona Nunzia!
A negra de sandália sem meia principiou a segunda volta do terço.
- Ave Maria, cheia de graça, o Senhor...
Carrocinhas de padeiro derrapavam nos paralelepípedos da Rua Sousa Lima. Passavam cestas para a feira do Largo do Arouche. Garoava na madrugada roxa.
- ... da nossa morte. Amém. Padre Nosso que estais no Céu…
O soldado espiou da porta. Seu Chiarini começou a roncar muito forte. Um bocejo. Dois bocejos. Três. Quatro.
- ... de todo o mal. Amém.
A Aída levantou-se e foi espantar as moscas do rosto do anjinho.
Cinco. Seis.
O violão e a flauta recolhendo de farra emudeceram respeitosamente na calçada.
Na sala de jantar Pepino bebia cerveja em companhia do Américo Zamponi.
- Quero só ver daqui a pouco a notícia do Fanfulla. Deve cascar o almofadinha.
- Xi, Pepino! Você é ainda muito criança. Tu é ingênuo, rapaz. Não conhece a podridão da nossa imprensa. Que o quê, meu nego. Filho de rico manda nesta terra que nem a Light. Pode matar sem medo. É ou não é, Seu Zamponi?
Seu Américo Zamponi soltou um palavrão, cuspiu, soltou outro palavrão, bebeu, soltou mais outro palavrão, cuspiu.
- É isso mesmo, Seu Zamponi, é isso mesmo!
O caixãozinho cor-de-rosa com listas prateadas (Dona Nunzia gritava) surgiu diante dos olhos assanhados da vizinhança reunida na calçada (a molecada pulava) nas mãos da Aída, da Josefina, da Margarida e da Linda.
- Não precisa ir depressa para as moças não ficarem escangalhadas.
A Josefina na mão livre sustentava um ramo de flores. Do outro lado a Linda tinha a sombrinha verde, aberta. Vestidos engomados, armados, um branco, um amarelo, um creme, um azul. O enterro seguiu.
O pessoal feminino da reserva carregava dálias e palmas-de-são-josé. E na calçada os homens caminhavam descobertos.
O Nino quis fechar com o Pepino uma aposta de quinhentão.
- A gente vai contando os trouxas que tiram o chapéu até a gente chegar no Araçá. Mais de cinquenta você ganha. Menos, eu.
Mas o Pepino não quis. E pegaram uma discussão sobre qual dos dois era o melhor: Friedenreich ou Feitiço.
- Deixa eu carregar agora, Josefina?
- Puxa, que fiteira! Só porque a gente está chegando na Avenida Angélica. Que mania de se mostrar, que você tem!
O grilo fez continência. Automóveis disparavam para o corso com mulheres de pernas cruzadas mostrando tudo. Chapéus cumprimentavam dos ônibus, dos bondes. Sinais-da-santa-cruz. Gente parada.
Na Praça Buenos Aires, Tibúrcio já havia arranjado três votos para as próximas eleições municipais.
- Mamãe, mamãe! Venha ver um enterro, mamãe!
Aída voltou com a chave do caixão presa num lacinho de fita. Encontrou Dona Nunzia sentada na beira da cama olhando o retrato que a Gazeta publicara. Sozinha. Chorando.
- Que linda que era ela!
- Não vale a pena pensar mais nisso, Dona Nunzia…
O pai tinha ido conversar com o advogado.
RESPONDA NO CADERNO:
1) Qual a classe social e a que raça pertence os principais envolvidos com o velório, cortejo e enterro?
2) Enquanto ocorria o cortejo, durante a passagem pelas ruas, ocorreram momentos que não condizem com o sofrimento da família. Quais momentos foram esses? Explique.
3) Descubra quem morreu? Sexo, Idade aproximada?
4) Quem a matou e como? Explique.
5) O que o pai queria com o advogado?