Sueco - Um esboço

Esboço de Gramática Sueca(Grundritning av Svensk Grammatik)

Criado em 18 de fevereiro de 1999



Recebi muitos e-mails solicitando uma gramática sueca ou informações gerais sobre as línguas escandinavas, e aqui está um pequeno ensaio sobre sueco. Quem estiver interessado, mande mais e-mails sugerindo alterações e melhorias no presente trabalho, que de qualquer forma será melhorado no decorrer do tempo.


AMBIENTE LINGÜÍSTICO

O sueco é uma língua indo-européia, do ramo germânico, sub-ramo germânico setentrional. Isso significa que o sueco é uma língua relacionada geneticamente com a maioria das línguas da Europa, do Irã e da Índia, que também são indo-européias, mas é mais próxima das línguas germânicas, como o inglês, o alemão, o holandês, o iídiche (que são germânicas ocidentais) e em especial das línguas germânicas setentrionais (ou escandinavas) como o norueguês, o dinamarquês e o islandês. Note que o finlandês não é uma língua aparentada com o sueco, pois nem sequer é indo-européia, e sim uraliana.

As características das línguas germânicas são:

a) simplicidade morfológico-semântica

b) riqueza de vocabulário

c) acento tônico na primeira sílaba do radical

A simplicidade morfológico-semântica a que me refiro é em comparação às demais línguas indo-européias, como as línguas eslavas e itálicas. Ela se reflete na "pobreza" de formas verbais e nominais. Os verbos nas línguas germânicas têm apenas presente e passado, além do infinitivo, do gerúndio e do particípio passado, e são divididos em duas classes: fracos (regulares) e fortes (irregualares). Os verbos fortes formam o passado com uma mudança na vogal da raiz:

inglês: to drink (beber); I drink (bebo); I drank (bebia); drunken-drunk (bebido)

holandês: drinken (beber); ik drink (bebo); ik drank (bebia); gedrunken (bebido)

alemão: trinken (beber); ich trinke (bebo); ich trank (bebia); getrunken (bebido)

sueco: dricka (beber); jag dricker (bebo); jag drack (bebia); drucken-druckit (bebido)

norueguês: drikke (beber); jeg drikker (bebo); jeg drak (bebia); drukken-drukkit (bebido)

Já os verbos fracos formam o passado com a adição de um sufixo -d ou -t (conforme a língua) à raiz sem modificação da mesma:

inglês: to open (abrir); I open (abro); I opened (abria); opened (aberto)

holandês: openen (abrir); ik open (abro); ik opende (abria); geopend (aberto)

alemão: öffnen (abrir); ich öffne (abro); ich öffnete (abria); geöffnet (aberto)

sueco: öppna (abrir); jag öppnar (abro); jag öppnade (abria); öppnad (aberto)

Note que as línguas escandinavas têm peculiaridades ausentes das línguas ocidentais, como o presente em -r. O inglês às vezes é mais próximo ao escandinavo devido à influência dos invasores víquingues da Inglaterra medieval, por exemplo, no particípio passado o inglês perdeu o prefixo ge- que é preservado em alemão e holandês.

Há um outro passado para exprimir idéia de ação completa, que é formado com o auxiliar "ter/ haver" ("to have" em inglês; "hebben" em holandês; "haben" em alemão; "ha" em sueco; "have" em norueguês e dinamarquês)

O plural dos substantivos é formado com -n em holandês e em inglês antigo (devido à influência francesa, o inglês moderno usa -s), em -r nas línguas escandinavas, e em -e, -r, -n ou outras formas em alemão. Note que há excessões a essas regras. O plural dos adjetivos não segue a mesma regra, tendo diversas terminações de acordo com o artigo e o gênero. (em inglês, contudo, os adjetivos não variam).

Isso abre uma questão importante das línguas germânicas, que é o trio gênero-artigo-declinação. Exceto no inglês, isso é vital em germanística. O alemão por exemplo tem três gêneros: masculino, feminino e neutro. Os artigos definidos respectivos são: der, die e das. E indefinidos são: ein, eine e ein. O adjetivo leva terminações diferentes se vier acompanhado pelo artigo definido ou indefinido, e se estiver no singular ou no plural. Em alemão há ainda um fenômeno chamado declinação, que faz com que os artigos, e conseqüentemente os adjetivos levem terminações específicas de acordo com sua função sintática.

Nas demais línguas germânicas, essa característica da declinação se perdeu, sobrou apenas o problema gênero-artigo.

PANORAMA SUECO

No sueco, há dois gêneros, o comum (realgenus) e o neutro (neutralgenus). O comum é a fusão do antigo masculino com o feminino. O artigo em sueco é um sufixo: -en (comum) e -et (neutro): "bil"= "carro"; "bilen"= "o carro"; "hus"= "casa"; "huset"= "a casa". Se hover um adjetivo qualificando o substantivo, há de se usar o artigo de adjetivos "den" (comum) e "det" (neutro): "den röda bilen"= "o carro vermelho" (röd= vermelho). Note que o adjetivo "röd" ganhou -a, pois com o artigo definido é isso o que acontece aos adjetivos: "det röda huset"= "a casa vermelha", mas "en röd bil"; "ett rött hus" (um carro vermelho; uma casa vermelha; "en" é o artigo indefinido comum e "ett" neutro). A transformação "röd" > "rött" ocorreu porque quando com o artigo indefinido, o adjetivo que está qualificando um substantivo neutro (hus, no caso) ganha -t. Na ortografia sueca antiga se escrevia "rödt", mas hoje se admite a absorção do -d final dos adjetivos pelo -t, que é a terminação neutra indefinida singular, criando então um t duplo (tt). Há algumas peculiaridades na colocação dos atigos pospostos e nas terminações dos adjetivos.

O plural dos artigos pospostos é -na para o comum e -en para o neutro. Os artigos adjetivais "den" e "det" fazem plural "de" /dom/. O plural dos substantivos é geralmente:

a) em -ar ou mais raramente em -er para comuns terminados em consoante e em -e: bil> bilar; kväll (noite)> kväller; pojke (garoto)> pojkar

b) substituindo o -a final dos comuns por -or: kvinna (mulher)> kvinnor (mulheres)

c) sem alteração para neutros terminados em consoante e para comuns com o sufixo -are: hus> hus; lärare (professor)> lärare (professores)

d) em -n para neutros em -e: äpple (maçã)> äpplen (maçãs)

e) plurais anômalos: man (homem)> män (homens); ros (rosa)> rosor (rosas)

O plural dos adjetivos é sempre em -a, seja com ou sem artigos. Mas como eu disse, há algumas classes especiais de adjetivos que não ganham -a, e sim -e. São os particípios passados terminados em -ad usados como adjetivos: organiserad (organizado, do verbo organisera): de organiserade kvinnorna (as mulheres organizadas). Isso vale para a forma singular com artigo definido, que normalmente ganha -a: den organiserade kvinnan (a mulher organizada).

MAIS SOBRE O ARTIGO DEFINIDO POSPOSTO

Isso abre a questão, novamente, da colocação desse inusitado artigo posposto do sueco, que também existe nas demais línguas escandinavas. O artigo posposto causa certas fusões nas palavras. Se a palavra termina em vogal, -en e -et viram -n e -t: kvinna (mulher) kvinnan (a mulher); äpple (maçã) äpplet (a maçã); hjärta (coração, o único neutro em -a) hjärtat. O substantivo comum em -el, -er ou -ortambém ganha apenas -n: sekel (século)> sekeln (o século); fjäder (pena)> fjädern (a pena); doktor (doutor)> doktorn (o doutor) (exceção: himmel [céu]> himlen [o céu]). Mas se o substantivo for neutro e terminar em -er ou el: tempel (templo)> templet (o templo); läger (acampamanto) lägret (o acampamento). Os substantivos neutros, 99% das vezes, não se alteram no plural, e seu artigo definido plural é -en nesse caso: hus (casa ou casas)> huset (a casa), husen (as casas). Nos poucos neutros que se alteram, como "äpple", que fazem plural em -n, seu artigo definido plural é -a: "äpplen" (maçãs)> "äpplena" (as maçãs). Em substantivos neutros e comuns que terminam em -en: sägen (lenda)> sägnen (a lenda); tecken (signo)> tecknet. O artigo neutro plural -en exige perda do -e das terminações -en, -er e -el: tecken> tecknen (os símbolos); segel (vela de barco)> seglen; läger> lägren; vatten (água)> vattnen (as águas).

Alguns substantivos comuns não se alteram quando levam artigo. Os terminados em -an: början (início), anhållan (aplicação); alguns em -en: borgen (garantia); botten (fundo); fröken (senhorita); orden (ordem); examen (exame). Os substantivos de origem latina em -eum são neutros e perdem o -um quando ganham artigo posposto: museum> museet..

Há os substantivos anômalos: man (homem)> mannen (o homem), män (homens), männen (os homens); huvud (cabeça)> huvudet /huvet/ (a cabeça), huvuden (cabeças), huvudena (as cabeças) (note que a sílaba ud de huvud não é pronunciada: huv, huvet, huven, huvena). "Ros" (rosa) faz plural "rosor", "toffel" (xinelo) faz plural "tofflor".

O PLURAL

O plural em sueco não é tão difícil de formar quanto em alemão, pois uma vez que certas regras chatas são compreendidas, e as exceções conhecidas, o mistério desaparece. O plural dos neutros já foi tratado, é simples: se terminado em consoante, o substantivo neutro não se altera; se terminado em -e ganha -n. "Hjärta" (coração) tem plural "hjärtan", assim como outros neutros em vogal: foto, konto, etc. "Öga" e "öra" (olho e orelha) têm plural "ögon" e "öron". Neutros em -eri ou -um fazem plural em -er: bryggeri (cervejaria)> bryggerier; museum> museer.

O plural dos substantivos comuns é mais complexo de se memorizar. Os comuns terminados em consoante ou em -e formam geralmente o plural com -ar. Mas alguns, especialmente de origem estrangeira e monossilábicos terminados em consoante, fazem plural em -er: dam (dama)> damer; student> studenter; färg (cor)> färger; doktor> doktorer; mängd (quantidade) mängder; salt (sal)> salter. Muitos que fazem plural em -er também levam trema na vogal principal: hand> händer (mão); outros são rand (margem), strand (praia); tand (dente); natt (noite); stad (cidade); son (filho); land (país, terra). "Bok" (livro) faz "böcker", "fot" (pé) faz "fötter" e "rot" (raiz) faz "rötter". Outros que duplicam a consoante final são "get" (cabra)> getter; e "nöt" (noz)> "nötter". Algumas poucas palavras estrangeiras em -el ou -er: mirakel> mirakler; tentakel> tentakler; regel (regra)> regrer; fiber (fibra)> fibrer. Mas a maioria desse tipo faz plural em -ar.

Substantivos com os sufixos -nad, -else, -ans, -het e när: månad (mês)> månader; byggnad (prédio)> byggnader; konstnär (artista)> konstnärer; händelse (acontecimento)> händelser; enhet (unidade)> enheter; nyans (nuança)> nyanser.

Substantivos terminados em -u e substantivos monossilábicos fazem plural apenas em -r: hustru (esposa)> hustrur; jungfru (moça)> jungfrur; ko (vaca)> kor; klo (garra)> klor; sko (sapato)> skor; tå (dedo do pé) >tår. Mas "ö" (ilha) faz "öar", "bro" (ponte) faz "broar".

Há alguns plurais curiosos: bonde (camponês)> bönder; fiende (inimigo) fiender.

Ao contrário de "fiende", a maioria dos comuns em -e faz plural em -ar: pojke (menino)> pojkar; krage (colarinho)> kragar; furste (príncipe)> furstar. Outros que têm plural em -ar são comuns em -en, -el, -er ou -en, que perdem o "e" antes da consoante final quando ganham -ar: seger (vitória)> segrar. Alguns são peculiares: afton (tarde)> aftner; morgon (manhã) morgnar; sommar (verão) somrar; dotter (filha)> döttrar; mor (mãe) mödrar.

Substantivos com os sufixos -dom, -ing, -ning, -ling ganham -ar também: sjukdom (doença)> sjukdomar; inföding (nativo)> infödingar; drottning (rainha)> drottningar.

E OS VERBOS?

Já disse acima que os verbos germânicos são muito simples em relação aos latinos- e o sueco não é exceção: em sueco os verbos jamais variam com a pessoa ou ao número (singular ou plural), mas apenas de acordo com o tempo: presente ou passado. Há um infinitivo, um particípio presente e um particípio passado.

Contudo, ao contrário do que acontece em alemão ou em inglês, não há em sueco apenas uma conjugação verbal regular, e sim umas quatro! Mas não se assuste, pois saber a qual conjugação um verbo pertence é tão difícil quanto saber o plural de um substantivo comum, pois a grande dificuldade é saber se um verbo faz o presente em -ar (85%) ou em -er, e uma vez que se saiba as regras gerais, as coisas começam a parecer mais fáceis.

O infinitivo verbal é de regra em -a. Apenas os verbos monossilábicos podem terminar em outra vogal, mas nenhum termina em consoante.

A negação dos verbos é feita através de "inte", que os segue.

PRIMEIRA CONJUGAÇÃO

A primeira conjugação consiste de verbos que fazem o presente em -ar, e seu infinitivo é em -a, nunca monossilábico, seu passado é em -ade e seu particípio passado em -at. A vasta maioria dos verbos se encaixa nessa conjugação. Veja "kalla" (chamar): presente: kallar; passado: kallade; pp: kallad.

SEGUNDA CONJUGAÇÃO

Geralmente os verbos da 2a. têm uma vogal frontal (e, i, y, ö, ä) na raiz- o que faz pensar em harmonia vocálica por influência finlandesa- , e são ainda subdivididos em dois grupos de acordo com a letra final do radical: a)se for uma consoante surda (k, p, s, t) ou b) se for consoante sonora (d, j, l, m, n, r, v). Em a), o passado é em -te e em b) o passado é em -de. Em todos, o presente é em -er, e o particípio passado em a) é -t e em b) é em -d.

a) "köpa" (comprar): presente: köper; passado: köpte; pp: köpt.

b) "böja" (flexionar): presente: böjer; passado: böjde; pp: böjd.

Se a raiz do verbo termina em -r, a terminação -er é absorvida: "höra" (ouvir): presente: hör; passado: hörde; pp: hörd; do mesmo modo "köra" (dirigir); "lära" (ensinar); röra (mexer) e outros.

Verbos da segunda que não têm vogal frontal na raiz são, entre outros: befalla (comandar); blåsa (soprar); gnaga (roer); åka (andar).

Quando a raiz verbal termina em -t ou -d, há um duplicamento no passado e no pp: leda (liderar): passado: ledde; pp: ledd; "byta" (trocar): passado: bytte; pp: bytt.

Quando a raiz termina em -mm ou -nn , estes se simplificam no passado e no pp: "glömma" (esquecer): passado: glömde; pp: glömd; "känna" (conhecer): passado: kände; pp: känd.

O verbo "leva" (viver) é irregular no pp: levad.

Verbos que terminam em -ja perdem o -j- no passado e no pp, geralmente com alguma outra peculiaridade: "glädja" (alegrar): passado: gladde (sem trema); pp: gladd; "skilja" (separar): passado: skilde; pp: skild; "smörja" (untar): passado: smörde; pp: smörd; sälja (vender): passado: sålde; pp: såld; välja (escolher): passado: valde; pp: vald. Alguns verbos que em sueco antigo terminavam em -ja agora terminam simplesmente em -a, mas as mudanças na vogal da raiz ainda segue padrão similar:

böra (ter de): presente: bör; passado: borde; pp: bord

göra (fazer): gör; gjorde; gjord

lägga (pôr): lägger; lade; lagd

säga (dizer): säger; sade; sagd

sätta (colocar): sätter; satte; satt

Nota em pronúncia: "lade", "sade" são proninciados /la/ e /sa/, "säga" é /séia/.

TERCEIRA CONJUGAÇÃO

É pequena, e compreende todos os verbos monossilábicos. O presente é em -r, o passado em -dde e o pp em -dd.

"bo" (morar): bor, bodde, bodd

"bry" (incomodar): bryr; brydde; brydd

"strö" (torcer): strör; strödde; strödd

QUARTA CONJUGAÇÃO

Compreende os verbos irregulares, e se subdivide em dois grupos: os verbos mistos e os verbos fortes.

Veja o primeiro:

"be" (ou "bedja", pedir): ber; bad; bedd

"få" (conseguir); får, fick; fått

"dö" (morrer): dör; dog; dött

"gå" (ir): går; gick; gått

"le" (sorrir): ler; log; lett

"se" (ver): ser; såg; sedd

"slå" (bater): slår; slog; slagen

stå (estar de pé): står; stod; stått

Os verbos fortes se caracterizam por um passado com vogal modificada e um particípio com -en, além de sempre terminarem em -er no presente. "Skriva" (escrever): skriver; skrev; skriven.

O PRETÉRITO PERFEITO, O SUPINO E OUTRAS FORMAS

O sueco tem um passado composto pelo auxiliar "ha" (ter, haver) mais uma forma especial do particípio passado chamada supino. Seu uso e significado correspodem exatamente ao inglês (= I have loved; em sueco "jag har älskat). O supino é obtido mudando-se o -d final do pp para -t: kallad> kallat; jag har kallat = eu chamei = I have called. Nos verbos irregulares fortes, que têm pp em -en, o supino é obtido mudando-se o -en para -it: jag har skrivit = eu escrevi = I have written.

O mais que perfeito é obtido com o passado simples de "ha" mais supino: jag hade skrivit = eu tinha escrito/ escrevera = I had written.

O futuro é analítico: usa-se o verbo auxiliar "ska" (ou em sueco formal ou antigo, "skall"- cf. inglês "shall") mais infinitivo: jag ska göra= eu vou fazer. Também se pode usar "komma att" mais infinitivo: "jag kommer att göra".

A preposição "att" pode preceder o infinitivo (cf inglês "to"): "det är svårt att göra" = "isso é dificil de fazer" (det= isso; är= presente do verbo "vara", ser/ estar; svår= difícil).

A voz passiva é outra característica peculiar das línguas escandinavas. Ela é formada adicionando-se -s à forma verbal ativa: "göra" (fazer)> "göras" (ser feito). No presente, contudo, o -r desaparece: jag kallar> eu chamo; jag kallas> eu sou chamado. Se o presente é em -er, e -er inteiro desapa1rece: jag byter> eu troco; jag byts> eu sou trocado. Há uma outra voz passiva, como o auxiliar "bli" (tornar-se) mais particípio passado: jag blev kallad; det blev bytt. Essa se usa mais em estilo formal.

VERBOS AUXILIARES E MODAIS

Nem mesmo o verbo "vara" (ser/ estar) varia de acordo com a pessoa: presente "är", passado "var", supino "varit".

Veja outros verbos:

"ha" (ter, haver): har, hade, haft

"kunna" (poder): kan, kunde, kunnit

"måste" (ter de): måste, måste, -

"ska" (dever, indicador de futuro): ska, skulle, -


PRONOMES

jag /ya/ é pronome pessoal de 1a. pessoa. Sua forma objeto (ou forma oblíqua) é "mig" (mei). Os outros pronomes são: du/ dig /dei/; han, honom (ele); hon, henne (ela), vi/ oss; ni/ er; de /dom/; dem /dom/.

O pronome de 2a. pessoa plural "ni" pode ser usado como pronome de tratamento educado, contudo então é escrito com "n" maiúsculo. O adjetivo que concordar com "Ni" fica no singular.

Os possessivos são: min, din, sin, vår, er, sin. Suas formas neutras são : mitt, ditt, sitt, vårt, ert, sitt. No plural apenas ganham -a. Para a terceira pessoa, além de "sin", há as formas "hans" (masculino), "hennes" (feminino), "dess" (neutro) e "deras" (plural), que são usadas quando não se referem ao sujeito da oração: "han leste sin bok" (ele leu seu [próprio] livro), mas "han leste hans bok (ele leu seu [de alguém] livro).

A palavra "det" /de/ corresponde ao "it" inglês.

PRONÚNCIA

A pronúncia sueca, asim como sua gramática, não é difícil mas algumas regras especiais e exceções devem ser aprendidas.

A - um pouco mais aberto que o "a" português, às vezes quase como "o".

O - se seguido por consoante simples, como "u", se seguido por consoante dupla, como "o".

U - como o "ü" alemão, mas com menos biquinho

Y - como o "ü" alemão, mas com mais biquinho

Ä - como "é"

Ö - como o "ö" alemão

Å - como "ô" se seguido por consoante simples, e como "ó" se seguido por consoante dupla.

E e I como em português.

J - é o "i" semivogal: "ja" /ya/

G- antes de vogal frontal (i, e, ä, ö, y) e "j", soa como "y": "gärna" /yérna/

D - antes de j, é mudo, se no início da palavra: "djur" /yür/

K - antes de vogal frontal e "j", como "tch" retrofexo: "köra" /tchöra/

H - antes de "j" no início da palavra é mudo: "hjälpa" /yélpa/

R - como "r" italiano, antes de consoante quase desaparece e torna a consoante posterior retroflexa.

S - sempre como "s" em "saco", mas antes de "j" como "ch" retroflexo: "sjuk" /shük/

T - antes de "j" como "tch" retroflexo: "tjock" /tchok/

SKJ - como "ch" retroflexo

SK - como "sk" mesmo, exceto quando seguido de vogal frontal, quando vira "ch" retroflexo: "skinn" /shin/

Z - apenas em palavras estrangeiras, soando como "s". O som /z/ não existe em sueco.

Som retroflexo é quando um som é pronunciado com a ponta da língua o mais atrás do céu da boca o possível.

Além do acento tônico, que recai em sueco sempre na primeira sílaba do radical da palavra, exceto quando ela é estrageira, há em sueco os tons. Há dois tons, o simples, que é igual ao do português, e o tom duplo, que consiste em um tom ascendente-cadente. Cada palavra tem seu tom. Palavra monossilábica, estrangeira e cuja segunda sílaba tem a vogal "e", é pronunciada com o tom simples. As outras tem tom duplo.

Casos especiais:

Algumas palavras de duas sílabas são encurtadas: "sedan" /sen/ (então); honom /hom/ (ele, o)

O pronome e artigo "de" é pronunciado /dom/.

Os sufixos "-ig" e "-lig" são pronunciados /i/ e /li/. O sufixo latino: "-tion" é pronunciado "shon" (sh retroflexo)

ORDEM DAS PALAVRAS E USAGEM

A ordem das palavras em sueco é similar à alemã e à inglesa- de fato está entre ambas. Há inversão sujeito-verbo quando a frase não começa com o sujeito, como em alemão; há a colocação de preposições no final da frase em orações subordinadas e há omissão de conjunções como em inglês. Mas, ao contrário do alemão, não há colocação de verbos no final da frase em orações subordinadas nem há partículas separáveis de verbos. Como em todas as línguas germânicas, há inversão sujeito-verbo em questões.

Em orações subordinadas, algums advérbios mais comuns trocam de lugar com os verbos, inclusive o de negação "inte": De sade, att jag inte vet någonting= eles disseram que eu não sei nada. (att= que; någonting /nontin/= algo). Note que não é possível duas palavras negativas na mesma oração em sueco, então eles dizem "não sei algo" em vez de "não sei nada".