Olá, estudante! Chegamos à última lição da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural, do curso Técnico em Agronegócio.
Na lição passada, aprendemos a importância do Planejamento e Controle da Produção (PCP) na gestão eficaz da produção rural. Vimos, ainda, as etapas fundamentais do PCP, entendendo como os processos contribuem para garantir a eficiência e a eficácia dos processos produtivos em uma empresa rural. Além disso, reforçamos a importância da necessidade de integrar o PCP com as práticas de gestão e tecnologias de produção, a fim de enfrentar os desafios crescentes do setor agrícola e alcançar uma produção sustentável e rentável.
Na lição de hoje, a última da disciplina, falaremos um pouco mais do controle sobre os produtos e serviços de uma propriedade rural. Veremos, ainda, conceitos, como planejamento e controle de produção, previsão de demanda e diferentes níveis de decisão sobre capacidade produtiva. Além disso, você será capacitado(a) a aplicar esses conhecimentos em contextos práticos dentro do agronegócio e, ao final da lição, será capaz de compreender a importância do planejamento estratégico e tático na gestão eficaz da produção agrícola, bem como identificar e analisar os diferentes níveis de decisão envolvidos na otimização da capacidade produtiva em diferentes horizontes de tempo.
Vem comigo nesta última etapa de nossa jornada do conhecimento!
O agronegócio enfrenta constantes desafios, devido à natureza imprevisível do ambiente agrícola. Desde flutuações climáticas até mudanças nas preferências do consumidor, a incerteza é uma realidade que pode impactar, significativamente, a produção e a demanda por produtos agrícolas. Diante disso, como os gestores podem lidar com essa incerteza ao planejar e controlar a produção agrícola? Quais estratégias e ferramentas podem ser adotadas para antecipar e mitigar os efeitos negativos da incerteza no agronegócio?
Além da incerteza, outro desafio enfrentado pelo agronegócio é a sazonalidade da produção e da demanda. Sabendo disso, como os produtores podem ajustar sua capacidade produtiva para lidar com variações sazonais na demanda por produtos agrícolas? Além disso, como podem garantir a disponibilidade de produtos durante os períodos de pico de demanda, sem comprometer a eficiência e a rentabilidade das operações agrícolas?
Como é de seu conhecimento, a tecnologia desempenha um papel cada vez mais importante na modernização e na eficiência do agronegócio. No entanto a adoção de novas tecnologias também apresenta desafios, como o custo inicial de implementação e a necessidade de treinamento da equipe. Portanto, como os produtores podem avaliar e selecionar as tecnologias mais adequadas às suas necessidades e aos seus recursos? Como podem garantir uma integração eficaz dessas tecnologias em seus processos de produção e controle?
Entenderemos estes assuntos tão importantes em nossa última lição. Está pronto(a)?
No case de hoje, conheceremos uma pequena fazenda localizada no interior do Brasil, onde Paulo e sua família, há gerações, dedicavam-se ao cultivo de café. Durante os anos, os desafios foram presentes, entretanto, nos últimos anos, eles se tornaram ainda mais significativos, devido à imprevisibilidade do clima e à flutuação dos preços no mercado de commodities agrícolas. Assim, determinados a enfrentar esses desafios, de forma proativa, Paulo decidiu buscar soluções inovadoras para otimizar a produção e garantir a sustentabilidade do negócio.
Com o auxílio de consultores especializados em agronegócio, Paulo e sua família começaram a implementar técnicas modernas de gestão da produção agrícola. Eles adotaram sistemas avançados de previsão de demanda para antecipar as flutuações no mercado e ajustar suas estratégias de plantio e colheita de acordo. Além disso, investiram em tecnologias agrícolas de ponta, como drones e sensores de solo para monitorar de perto as condições das plantações e otimizar o uso de insumos agrícolas.
Para lidar com a sazonalidade da produção de café, Paulo diversificou suas atividades agrícolas, introduzindo cultivos complementares, como frutas e hortaliças, que ajudaram a equilibrar a oferta ao longo do ano. Ele também estabeleceu parcerias estratégicas com outros produtores locais, permitindo-lhes compartilhar recursos e colaborar na gestão da capacidade produtiva durante os períodos de pico de demanda.
Com o tempo, as iniciativas de Paulo renderam frutos, e a fazenda prosperou. Ao adotar uma abordagem estratégica e tecnologicamente avançada para o controle de produção e previsão de demanda, Paulo conseguiu superar os desafios do agronegócio moderno, garantindo não apenas a sobrevivência de sua fazenda, mas também seu crescimento sustentável e o sucesso a longo prazo.
Agora, veja que a história de Paulo e sua família destaca a importância do planejamento estratégico, inovação e adaptação contínua no mundo dinâmico do agronegócio, bem como do processo de controle da produção e dos serviços agrícolas.
Vamos aprender mais sobre este assunto?
De acordo com Santos et al. (2020), é importante utilizar métodos organizados para controlar e aprimorar a produção agrícola, pois isso evita desperdícios e retrabalhos. No agronegócio, isso significa planejar e monitorar cuidadosamente cada etapa do processo, desde o plantio até a colheita, para alcançar as metas estabelecidas pela empresa, seja a curto, médio seja a longo prazo. Isso envolve decidir o que produzir, quando produzir e quais recursos serão necessários.
Por exemplo, ao planejar a produção de milho, é essencial considerar o momento ideal de plantio e quais insumos serão necessários, como fertilizantes e pesticidas para garantir uma colheita eficiente. Essa abordagem ajuda a equilibrar oferta e demanda, garantindo eficiência nos processos produtivos.
Os autores Corrêa, Gianesi e Caon (2019) enfatizam que, no agronegócio, o planejamento deve ser uma atividade contínua. Isso significa que, constantemente, devemos manter o processo de produção alinhado com um planejamento, considerando as situações atuais e antecipando ações futuras. Em fazendas ou empresas agrícolas, é comum estabelecer um departamento específico para ajudar na tomada de decisões e coordenar a aplicação dos recursos produtivos. Esse setor é conhecido como Planejamento e Controle de Produção (PCP) e desempenha um papel fundamental na gestão eficiente das atividades agrícolas, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma adequada e que a produção ocorra de acordo com as metas estabelecidas. Por exemplo, o PCP pode ser responsável por elaborar cronogramas de plantio, monitorar o estoque de insumos agrícolas e ajustar os planos de produção conforme necessário para atender às demandas do mercado.
De acordo com Santos et al. (2020), o Planejamento e Controle de Produção (PCP) desempenha um papel crucial na gestão da produção agrícola, visto que opera em três níveis hierárquicos para garantir que os objetivos sejam alcançados. No nível estratégico, o PCP define as políticas de longo prazo da empresa. Em seguida, no nível tático, são estabelecidos planos de médio prazo, como o Plano-Mestre de Produção (PMP). Esse plano detalha os itens a serem produzidos e estabelece metas para os produtos, considerando as previsões de vendas e os pedidos existentes. Após uma análise periódica, o PMP é ajustado conforme necessário para garantir que a produção esteja alinhada com a demanda do mercado. Por exemplo, se houver um aumento na demanda por frutas específicas, o PMP pode ser revisado para aumentar a produção dessas variedades.
Por fim, no nível operacional, o Planejamento e Controle de Produção (PCP) desenvolve planos de curto prazo, como a programação da produção. Esse processo envolve o uso de registros de controle e informações de engenharia para determinar o momento de compra, o que comprar e quando fabricar cada produto, com base no Plano-Mestre de Produção (PMP) (SANTOS et al., 2020).
Desta forma, podemos dizer, então, que a gestão da demanda abrange cinco áreas principais:
Estimativa da demanda e previsão futura.
Comunicação eficaz com o mercado.
Identificação dos fatores que influenciam a demanda.
Gerenciamento dos prazos de entrega.
Priorização e alocação de recursos para atender à demanda de forma eficiente.
No contexto do agronegócio, quando pensamos em gestão da demanda significa que estamos prevendo, com precisão, a demanda por produtos agrícolas, como frutas e grãos. Além disso, também diz respeito a comunicar-se efetivamente com os compradores e entender como fatores, como clima e sazonalidade, afetam a demanda. Gerenciar os prazos de entrega é crucial para garantir que os produtos cheguem ao mercado no momento certo, enquanto a priorização e a alocação de recursos ajudam a otimizar a produção para atender às necessidades do mercado. Por exemplo, se consideramos uma fazenda que produz tomates, é essencial estimar a demanda com antecedência para plantar a quantidade certa e garantir que os produtos estejam prontos para a colheita quando o mercado estiver mais receptivo.
No contexto da gestão de demanda, a previsão de vendas aparece como um processo crucial, enfrentando desafios, devido à incerteza e à instabilidade do mercado. Santos et al. (2020) destacam que uma das maiores preocupações reside nas incertezas das previsões e nos erros que podem ocorrer, devido à natureza imprevisível e volátil do mercado. Além disso, o próprio sistema de previsão, baseado em informações coletadas no mercado ou em dados históricos, pode conter incertezas por causa de sua eficácia variável. Dessa forma, o sistema de previsão de vendas engloba uma série de procedimentos para coletar, analisar e interpretar informações, visando estimar as vendas futuras em termos de unidades de produtos. Algumas das principais informações consideradas por esse sistema incluem:
Dados históricos de vendas, analisados período a período.
Informações relevantes que explicam variações incomuns nas vendas passadas.
Dados de variáveis relacionadas às vendas que ajudam a compreender o comportamento passado das vendas.
Situação atual de variáveis que podem influenciar as vendas futuras, ou que estejam relacionadas a elas.
Conhecimento sobre a conjuntura econômica atual e previsões econômicas para o futuro.
Informações dos clientes que possam indicar seus padrões de compra futuros.
Dados relevantes sobre a atuação dos concorrentes que possam afetar as vendas.
Informações sobre decisões da equipe comercial que possam impactar as vendas.
No agronegócio, essas informações são essenciais para planejar a produção e garantir que os produtos sejam cultivados e disponibilizados de acordo com a demanda do mercado, evitando desperdícios e maximizando os lucros. Por exemplo, ao prever as vendas de frutas, é crucial considerar fatores, como o clima, as tendências de consumo e a competição no mercado para garantir uma produção adequada e oportuna.
Santos et al. (2020) explicam que as tecnologias empregadas no processo de produção são categorizadas em máquinas, equipamentos e dispositivos auxiliares, mas todos são integrados em um sistema que gerencia e supervisiona a produção na fábrica. Esse sistema torna os processos mais dinâmicos, melhorando o controle da produção. Sendo assim, quando uma empresa implementa um sistema de controle de produção, surge a necessidade de planejar com base em metas, apoiadas por sistemas de informação que auxiliam na tomada de decisões. O uso de novas tecnologias permite que uma organização controle sua produção, reduza perdas, aumente a rentabilidade e mantenha a qualidade, resultando em satisfação para o cliente. O objetivo é aprimorar a produção, por meio de sistemas e processos que previnam falhas ou as antecipem, possibilitando ações que auxiliem na tomada de decisão.
Quanto ao planejamento e controle de produção, a capacidade pode ser definida de várias maneiras, dependendo do contexto e dos objetivos da gestão. É importante ressaltar que a capacidade não é uma variável fixa e pode variar de acordo com as circunstâncias. Em diferentes situações e objetivos, é possível e extremamente útil determinar a capacidade produtiva, e diversos indicadores podem ser utilizados para monitorar e responder a essa variável, visando obter os melhores resultados para a empresa.
Corrêa e Corrêa (2019) discutem diferentes níveis de decisões sobre a capacidade produtiva em diferentes horizontes de tempo e apresentam as principais perguntas a serem consideradas em cada nível:
Qual é o nível global de capacidade para este período?
Quais decisões estratégicas devem ser tomadas para atender a esses níveis globais?
No agronegócio: abertura de novas fazendas, expansão de áreas de cultivo, aquisição de novos equipamentos agrícolas ou tecnologia para aumentar a capacidade de produção em longo prazo.
Que tipo de produção devemos adotar?
Devemos usar funcionários próprios ou terceirizados durante as flutuações na demanda?
No agronegócio: montagem de equipes para colheita durante períodos de safra, considerando a possibilidade de contratar trabalhadores temporários ou terceirizados para atender às demandas sazonais.
Como devemos alocar recursos para cada tarefa?
Como lidar com flutuações na demanda em curto prazo?
No agronegócio: alocação de horas extras para a colheita durante um período de pico de produção, ou redistribuir a equipe entre diferentes áreas da fazenda para lidar com variações na demanda por produtos específicos.
Em suma, a gestão eficaz da produção no agronegócio requer uma abordagem estratégica, tática e operacional, em que o planejamento e o controle desempenham um papel central em cada fase do processo. Desde a definição das políticas de longo prazo até a alocação de recursos em curto prazo, as decisões sobre capacidade produtiva são fundamentais para garantir a eficiência e a competitividade do negócio. Além disso, a integração de tecnologias avançadas e sistemas de previsão de demanda é essencial para lidar com a complexidade e a incerteza do mercado agrícola. Ao adotar uma abordagem abrangente e proativa, as empresas agrícolas podem otimizar suas operações, maximizar a qualidade e a rentabilidade de seus produtos e serviços e, consequentemente, alcançar o sucesso a longo prazo no dinâmico cenário do agronegócio, devido ao maior controle da produção e dos serviços a serem oferecidos.
Como visto no decorrer da lição, enquanto Técnico(a) em Agronegócio, você precisará ter um controle bem detalhado de tudo o que se passa dentro da propriedade, para, assim, assegurar a eficiência da produção, garantir que os produtos atendam aos padrões de qualidade e segurança necessários e otimizar a produção para responder às flutuações de mercado. Agora, sabendo disso, quero deixar o último desafio da disciplina a você. Seu papel será simular a gestão de uma produção agrícola em uma propriedade de sua região. Ao cumprir este desafio, será possível a aplicação dos conceitos estudados em um cenário prático de gestão agrícola, o que proporcionará a você habilidades de planejamento, tomada de decisão e gestão de recursos.
Para dar início ao desafio, considere a seguinte situação: Você e seus colegas fazem parte de uma equipe de gestão de uma propriedade familiar que cultiva uma variedade de produtos, incluindo milho, soja e feijão. A fazenda está se preparando para os próximos seis meses e enfrenta desafios comuns do agronegócio, como sazonalidade da produção, flutuações de preços e incertezas do mercado. Como equipe de gestão, vocês foram encarregados de desenvolver um plano de produção agrícola para garantir o sucesso da fazenda no próximo semestre. Para realização desse plano de produção, considere itens para otimizar a produção e atender à demanda do mercado, decidam quais culturas plantar, quando plantar, quantos insumos comprar, como alocar recursos e como lidar com variações na demanda e no mercado.
Ao final, preparem um relatório escrito ou uma apresentação oral para apresentar seu plano de produção à equipe de gestão da fazenda. Após a realização desta atividade, você e seus colegas podem se reunir e trocar entre si as estratégias desenvolvidas e identificar os pontos fortes de cada plano, os desafios enfrentados e as lições aprendidas durante o processo de tomada de decisão.
Além disso, por ser a última lição da disciplina, vocês podem ir além e trocar as experiências vividas durante toda nossa disciplina. Desta vez, não lhe esperarei na lição seguinte, no entanto desejo sucesso em sua jornada e espero encontrar você, profissionalmente, pelos caminhos da vida, sabendo que o que aprendeu comigo e com os conteúdos aqui transmitidos, você será um ótimo e preparado profissional Técnico em Agronegócio.
Obrigado por sua participação e pelo privilégio de termos feito parte de sua jornada de aprendizado!
CORRÊA, H. L.; CORRÊA, C. A. Administração de produção e operações. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
CORRÊA, H. L.; GIANESI, I. G. N.; CAON, M. Planejamento, programação e controle da produção: MRP II ERP: conceitos, uso e implantação: base para SAP, oracle applications e outros softwares integrados de gestão. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
SANTOS, A. F. dos et al. Planejamento e controle de produção. Porto Alegre: Sagah, 2020.