Olá, estudante! Seja bem-vindo a mais uma lição do curso Técnico em Agronegócio, da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural. Já vimos diversos assuntos por aqui, não é mesmo? Em nossa última lição, estávamos aprendendo sobre a importância das associações no contexto do turismo, enfatizando a colaboração eficaz, a cocriação de valor e o fortalecimento de relacionamentos entre associados para promover o desenvolvimento sustentável e o sucesso coletivo no setor.
Hoje, iniciaremos um novo capítulo de nossa disciplina ao definirmos o que são bens ou mercadorias, produtos e o que são serviços. Aprenderemos na lição de hoje como podemos definir os serviços que uma empresa presta à comunidade como se fossem produtos e como observar produtos pelos serviços que eles nos possibilitam. Ou seja, será uma abordagem bem legal, venha comigo nessa aventura, mais uma vez.
A definição de serviços nos remete à complexidade e diversidade desse conceito, deixando espaço para uma reflexão aprofundada sobre como diferentes setores e empresas interpretam e oferecem serviços. Ao considerarmos as diversas definições ao longo do tempo, como essa variedade de perspectivas influencia as estratégias de gestão de serviços em setores específicos, como o agronegócio? Será que a compreensão dos serviços como produtos tangíveis ou intangíveis impacta a forma como os profissionais do setor abordam a criação de valor e a satisfação do cliente?
Ao explorar a ampla definição de serviços, incluindo atividades econômicas que nem sempre resultam em um produto físico tangível, surge um problema crucial na distinção entre setores e empresas de serviços e a oferta de serviços como produtos. Como essa diferenciação se manifesta no contexto específico do agronegócio, onde a produção muitas vezes é associada a bens físicos tangíveis?
Como integrar estratégias que envolvem tanto a produção de cultivos e criação de animais quanto a oferta de serviços intangíveis, como consultorias agrícolas e turismo rural, para otimizar a eficiência e a competitividade no agronegócio? Uma outra visão é: e se avaliarmos os bens físicos pelos serviços que oferecem? Como os produtos agrícolas, como grãos ou carne, podem ser percebidos não apenas como bens físicos, mas também como veículos para fornecer serviços adicionais, como saúde ou conveniência, aos consumidores?
Tudo isso são assuntos que competem ao profissional Técnico em Agronegócio e que abordaremos na lição de hoje. Devemos considerar uma perspectiva mais abrangente na gestão de produtos agrícolas, reconhecendo não apenas sua forma física, mas também os benefícios e serviços agregados que podem oferecer. Vem comigo aprender isso!
O estudo de caso que trago a você hoje é fictício, mas retrata bem o conteúdo da desta lição. Em uma pequena comunidade agrícola chamada Vale Verde, os agricultores locais enfrentavam um dilema comum: como agregar valor aos seus produtos para atender às crescentes demandas do mercado e garantir a sustentabilidade de suas operações? Determinada a encontrar soluções inovadoras, Maria, uma jovem Técnica em Agronegócio recém-formada, propôs a criação de um serviço de consultoria agrícola personalizada.
Maria percebeu que muitos agricultores, apesar de possuírem habilidades notáveis na produção de alimentos, enfrentavam desafios em áreas como otimização de cultivos, gestão da cadeia de suprimentos e implementação de práticas sustentáveis. Com a visão de conectar a expertise local com as necessidades específicas de cada produtor, Maria desenvolveu um serviço que oferecia consultorias adaptadas às características individuais de cada propriedade.
Ao lançar sua iniciativa, Maria não apenas proporcionou aos agricultores locais acesso a conhecimentos especializados, mas também promoveu uma colaboração mais estreita entre a comunidade agrícola. O serviço não se limitava a conselhos técnicos, Maria facilitava a troca de experiências entre os agricultores, fortalecendo os laços da comunidade e estimulando a implementação de práticas inovadoras.
O sucesso do serviço de consultoria agrícola personalizada de Maria além de impulsionar a eficiência e a sustentabilidade na produção local, também serviu como um exemplo inspirador para outras comunidades agrícolas enfrentando desafios semelhantes. Portanto, com essa história podemos destacar como a aplicação criativa de serviços no contexto do agronegócio pode não apenas aprimorar as práticas agrícolas, mas também fortalecer o tecido social e econômico das comunidades rurais!
Vamos aprender mais sobre esse assunto?
De uma maneira bem simples, segundo Zeithaml et al. (2014), podemos definir serviços como ações, processos e desempenhos oferecidos por uma pessoa ou entidade para outra. Esses serviços nem sempre são algo tangível, ou seja, não podem ser tocados, vistos ou sentidos, mas são atos e desempenhos intangíveis e/ou coproduzidos para os clientes. Em termos mais práticos, isso pode envolver consertos e manutenção de equipamentos, consultoria para aplicações, treinamento, web design e hospedagem, entre outros.
Para ilustrar, considere o exemplo de um treinamento, em que o serviço oferecido inclui não apenas materiais tangíveis, como relatórios finais ou websites, mas é predominantemente representado por atividades como análise de solução de problemas, reuniões com os clientes, telefonemas para verificar a situação e geração de relatórios. Essas são uma série de ações, processos e desempenhos que compõem o serviço.
É importante destacar que essa compreensão se aplica não apenas às atividades específicas, como consertos e treinamentos, mas também às principais ofertas de setores como hospitais, hotéis, bancos e empresas de serviços públicos. Essas entidades essencialmente manifestam-se através de ações realizadas para os clientes ou coproduzidas com eles, indo além do aspecto tangível para abranger ações, processos e atuações que compõem os serviços oferecidos.
Apesar de Zeithaml et al. (2014) adotar uma definição simples e abrangente para o termo serviços, é importante ter em mente que ao longo do tempo, diferentes interpretações têm sido atribuídas aos serviços e ao setor de serviços na economia. A diversidade dessas definições muitas vezes contribui para a confusão e desacordo observados em discussões sobre serviços e nas descrições das diversas áreas do setor de serviços na economia.
Em apoio a essa definição ampla e simplificada, uma abordagem compatível descreve serviços como todas as atividades econômicas cujo resultado não se traduz em um simples produto físico ou construção, mas que é consumido no momento de sua geração, proporcionando valor agregado de formas essenciais aos interesses daquele que o adquire. Esses interesses podem incluir conveniência, entretenimento, geração oportuna, conforto ou saúde. Essa perspectiva ampla reflete a natureza dinâmica e variada dos serviços, abrangendo uma gama de benefícios que vão além da mera produção física.
É fundamental diferenciar entre setores e empresas de serviços, serviços considerados como produtos, atendimento ao cliente e serviços derivados. Embora o serviço seja categorizado em quatro grupos, as ferramentas e estratégias são aplicáveis a todas as categorias. Os setores e empresas de serviços englobam aquelas normalmente classificadas como parte do setor de serviços, cuja principal oferta é um serviço. O setor de serviços, como um todo, apresenta diversas ramificações, com empresas atuando nestes setores vendendo serviços como sua oferta principal. Já os serviços como produtos abrangem uma ampla gama de ofertas intangíveis valorizadas pelos clientes, pelas quais estão dispostos a pagar no mercado. Esses serviços são comercializados tanto por empresas de serviços quanto por aquelas que não estão literalmente no setor, como fabricantes e empresas de tecnologia.
Por exemplo, lojas de departamentos oferecem serviços como embalagens para presente e transporte, enquanto pet shops oferecem estética para animais de estimação e serviços de treinamento. Esses são exemplos de como os serviços podem ser tratados e percebidos como produtos no mercado.
O atendimento ao cliente, para Zeithaml et al. (2014) é um elemento crucial do que definimos como serviço. Esse suporte é oferecido para complementar os principais produtos de uma empresa, geralmente sem custos adicionais. Essa forma de serviço pode ser fornecida no local, como quando um funcionário de uma loja auxilia um cliente a encontrar um item ou responde a perguntas por telefone ou por meio de sessões de bate-papo em tempo real. Muitas empresas mantêm centrais de atendimento ao cliente, frequentemente operando 24 horas por dia. A qualidade do atendimento ao cliente é fundamental para construir relacionamentos duradouros com os clientes, mas é importante destacar que não deve ser confundido com os serviços oferecidos para venda pela empresa.
O serviço derivado oferece outra perspectiva na interpretação do termo serviço. Se propõe uma nova lógica dominante para o marketing, que sugere que todos os produtos e bens físicos devem ser avaliados com base nos serviços que proporcionam. Ou seja, a ênfase recai não apenas nos produtos tangíveis em si, mas também nos benefícios e valor agregado que os serviços associados a esses produtos oferecem aos consumidores.
Com base nas contribuições de renomados economistas, filósofos e profissionais de marketing, é proposto que o valor derivado de bens físicos reside, na verdade, nos serviços que esses produtos oferecem, não no produto em si. Por exemplo, segundo essa linha de pensamento, um medicamento fornece serviços de saúde, uma lâmina de barbear oferece serviços de barbearia, e computadores oferecem serviços de informação e manipulação de dados. Embora essa perspectiva possa parecer abstrata, ela sugere uma visão mais ampla e inclusiva do significado do termo serviço, destacando a importância dos benefícios e utilidades proporcionados pelos produtos além de suas características físicas.
Lozada (2016) destaca a importância do que uma empresa produz como um fator crucial que diferencia as organizações, influenciando suas abordagens de gestão, processos e até mesmo sua administração. A natureza do que uma empresa se propõe a produzir tem impacto direto nos objetivos organizacionais, metas, indicadores de desempenho e outros aspectos, todos os quais devem estar alinhados para alcançar resultados satisfatórios.
Ao analisar a produção, Lozada (2016) sugere uma divisão inicial em dois grandes fatores: a fabricação de bens e a prestação de serviços. Os bens tangíveis e suscetíveis de estocagem e transporte envolvem uma produção que antecede o consumo. Eles apresentam um contato reduzido com o cliente, e sua qualidade é objetiva, mensurada por padrões de conformidade.
Por outro lado, os serviços, intangíveis e não armazenáveis diferem significativamente. A produção e o consumo ocorrem simultaneamente, envolvendo um alto nível de interação entre consumidor e empresa. Além disso, a qualidade dos serviços é subjetiva, dependendo da percepção individual do cliente. Essa distinção ressalta as características únicas desses dois tipos de produção e sua influência nas estratégias organizacionais.
Esses recursos, segundo Lozada (2016), podem ser categorizados em dois tipos principais:
Recursos Transformados: aqueles que são tratados, transformados ou convertidos durante o processo (como materiais, informações e consumidores).
Recursos Transformadores: são os elementos que atuam diretamente sobre os recursos transformados, facilitando o processo de transformação. Isso inclui instalações e funcionários, que desempenham papéis fundamentais na execução do processo produtivo.
O processamento representa a atividade central, em que as entradas dos insumos são transformadas em produtos acabados, destinados à satisfação dos clientes. As saídas, resultantes desse processamento, segundo Lozada (2016), podem ser divididas em dois grupos básicos:
Bens ou produtos: refere-se a algo tangível, encontrado na forma de um objeto físico, com finalidades básicas para o consumidor. Esses bens podem ser consumidos no curto ou longo prazo.
Serviços: são intangíveis, ou seja, atividades que beneficiam e satisfazem as necessidades do consumidor. Diferentemente dos bens, os serviços não têm uma forma física e envolvem interações e experiências que proporcionam utilidade ao cliente.
Ao explorar a diversidade de definições e abordagens relacionadas à produção, fica evidente que a administração eficaz desse processo é essencial para moldar a oferta de bens e serviços em sintonia com as expectativas do mercado agrícola. Espero que tenha gostado da temática da lição de hoje.
Bom, agora chegou a hora de aplicarmos o conhecimento aprendido na lição de hoje. Sugiro a você uma atividade prática enriquecedora, enquanto estudante do curso técnico em agronegócio, na disciplina de produção, serviços e turismo rural: a elaboração de um projeto integrado que explore a aplicação dos conceitos aprendidos em serviços específicos voltados para o setor agrícola.
Você pode se juntar a seus colegas, formando equipes para desenvolver planos de negócios para serviços agrícolas inovadores, como consultoria especializada em otimização de cultivos, turismo rural com experiências educativas ou até mesmo a criação de uma plataforma on-line para troca de informações e serviços entre produtores locais. Isso permitirá que vocês compreendam profundamente os conceitos teóricos, mas também permitiria que os apliquem criativamente na resolução de desafios práticos enfrentados pelos profissionais do agronegócio.
Outra opção seria uma visita a empreendimentos agrícolas locais que se destacam na oferta de serviços inovadores. Isso proporcionaria a vocês a oportunidade de vivenciar na prática o funcionamento de serviços agrícolas, interagir com empreendedores bem-sucedidos no setor e adquirir ideias valiosas sobre as demandas e expectativas do mercado. Ao final do projeto, as equipes poderiam apresentar suas propostas, evidenciando não apenas a compreensão dos conceitos teóricos, mas também a capacidade de aplicá-los de maneira estratégica e empreendedora no contexto do agronegócio.
Espero que tenha se interessado pelo assunto abordado na lição de hoje, pois ele será início de mais uma etapa de nossa disciplina, onde abordaremos diversos aspectos dos serviços e produtos do agronegócio! Desejo sucesso na execução de sua atividade e te vejo na próxima lição. Até lá!
LOZADA, G. Administração de produtos e serviços. Porto Alegre: SAGAH, 2016.
ZEITHAML, V. A.; BITNER, M. J.; GREMLER, D. D. Marketing de serviços: a empresa com foco no cliente. 6. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.