Olá, estudante! Seja bem-vindo(a) a mais uma lição da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural, do curso Técnico em Agronegócio. Espero que tenha gostado do nosso primeiro contato na lição anterior e que esteja nesse momento ansioso para aprender um pouco mais sobre os assuntos que começamos a ver, ou seja, as definições de turismo rural, sua visão e alguns conceitos importantes que nos serão úteis ao decorrer da disciplina.
Na lição de hoje, por outro lado, veremos o turismo em sua forma mais geral e seus diferentes tipos. Isso porque este é realmente o objetivo da lição de hoje: te mostrar o que é turismo, ou ainda quem são os turistas, e quais os principais tipos de turismos encontrados, sobretudo no Brasil. Pronto para mais uma parte de nossa aventura juntos? Vamos nessa?!
Talvez você escute a palavra turista e pense: “um dia eu quero ser uma pessoa assim, que possa viajar pelo mundo, conhecer lugares maravilhosos, experimentar sabores, tradições, sensações das mais diversas possíveis e mais um monte de coisas!”.
Talvez, essa até seja sua realidade, ou um sonho a se realizar no futuro, porém, o que eu quero que você pense é: será que é necessário fazer tudo isso para ser considerado um turista? Vamos pensar juntos sobre isso. Imagine uma pessoa que mora em uma cidade pequena, com poucas oportunidades de emprego, e que todo dia sai de casa amanhecendo o dia, se desloca até a cidade vizinha, que é maior, com mais e melhores oportunidades de emprego, trabalha e retorna a sua casa ao anoitecer. Será que esta pessoa pode ser chamada de turista?
Indo um pouco além, será que aquela pessoa que mora no interior do estado e faz algum tratamento específico na capital pode ser chamada de turista? E aquele estudante que consegue fazer um intercâmbio, será que ele pode ser considerado um turista?
Esses são questionamentos importantes a serem feitos neste momento, pois, possivelmente, alguns deles você não consegue responder com certeza, outros talvez até já consiga, e será através desta lição que você compreenderá o que de fato é um turista! Sendo assim, sem mais demora, vamos lá!
No case desta lição, trago a você a história do Sr. José, um produtor rural que reside em uma pacata vila rural no interior do Paraná. Em sua propriedade, ele se dedica ao cultivo de lavanda, destinada à venda para uma indústria de perfumaria da região que estabeleceu parcerias com produtores da região. No entanto, o Sr. José observou algo interessante. Ao longo de diversos períodos durante o ano, sobretudo no período de “alta temporada” – períodos em que ocorrem as férias escolares ou até mesmo as férias coletivas de fim de ano –, sua região apresentava um aumento considerável no fluxo de pessoas que circulavam pela vila e consumiam dos serviços do vilarejo.
Essas pessoas geralmente passavam brevemente pela área, muitas vezes não permaneciam por muitos dias no local. Alguns deles sequer pernoitavam no vilarejo, apenas passavam, observavam os campos de lavanda, tiravam algumas fotos e seguiam viagem. Sr. José nunca soube exatamente quem eram essas pessoas ou qual era o propósito das visitas, mas achava que talvez estivessem com pressa ou então tivessem um destino específico em mente.
Contudo, certo dia, percebeu que seu vizinho os chamou de “turistas” e explicou que eles não estavam necessariamente indo a outro lugar, apenas vinham buscando experiências pelos campos de lavanda. Esse vizinho ainda disse que era algo chamado de “turismo rural” ou “turismo da natureza”. Ele não tinha detalhes precisos, mas revelou que havia descoberto uma maneira de monetizar essa passagem dos visitantes e atrair ainda mais deles. Mas esse é assunto para outra lição.
Este case, apesar de ser fictício, apresenta uma situação real. Cidades que possuem montanhas, campos de flores – como girassóis –, cachoeiras e outros espaços que proporcionam belas fotos e experiências diferentes são bastante frequentadas por pessoas que não residem na cidade, e, geralmente, elas vão a esses locais para permanecerem por pouco tempo. Neste caso, será que realmente essas pessoas são turistas? Venha comigo que iremos descobrir!
Vamos começar esta etapa definindo o que a literatura diz a respeito de “turismo” em geral e quem poderia ser chamado de “turista”. Segundo a própria Organização Mundial do Turismo (OMT), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), turista é definido como alguém que viaja, mas não é simplesmente qualquer viagem, pois depende de alguns critérios. A OMT (2001, p. 38) afirma que “o turismo compreende as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outros”.
Sendo assim, vimos que, se uma pessoa viaja e, independentemente de sua motivação, permanece em um local por período superior a um ano, ela não será mais considerada turista – pelo menos não oficialmente.
Se eu viajar e voltar no mesmo dia, posso dizer que sou um turista? Bem que eu gostaria que a resposta fosse sim, porque eu também poderia me incluir nessa classificação! E aquela situação apresentada na etapa da problematização, em que uma pessoa mora em um local e trabalha em outra cidade, ela seria turista? Bom, de acordo com a OMT, fica claro que não, como exposto a seguir:
O turismo compreende as atividades realizadas pelas pessoas durante suas viagens e estadias em lugares diferentes de seu entorno habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano, tendo em vista lazer, negócios ou outros motivos não relacionados ao exercício de uma atividade remunerada no lugar visitado (ONU; OMT, 1999, p. 5).
Assim, no exemplo apresentado – em que a pessoa viaja e volta no mesmo dia –, embora a partir das definições mais recentes possamos incluir como turistas as pessoas que viajam por menos de 24 horas para um local não habitual, temos dois problemas nesta situação: se é um trabalho diário, então se trata de atividade habitual, mesmo que seja em cidade diferente da qual reside, ela recebe remuneração pelo desenvolvimento dessa atividade, portanto, não poderíamos incluir essas pessoas como turistas.
Dessa forma, pode ser compreendido que o turista tem por motivação atividades de lazer, de trabalho esporádico, entre tantas outras motivações, que conseguimos destacar algumas das principais tipologias do turismo encontradas na literatura, sobretudo as que possuem atuação no Brasil atualmente.
As que cito a partir de agora foram retiradas de um trabalho de grandes proporções realizado por Oliveira (2018), na tentativa de classificar os diferentes tipos, ainda que não sejam limitados a essas classificações. Neste trabalho, foram coletadas informações de diversos autores e suas publicações, encontrando indicações que as classificações mudam de acordo com o local, período ou atividade possível de se realizar.
No que se diz respeito à atividade em áreas urbanas, podemos separar por quatro grupos:
Turismo esportivo: quando a atividade tem como objetivo assistir, participar ou praticar uma determinada atividade ou modalidade esportiva.
Turismo estudantil ou intercâmbio: quando a atividade ocorre motivada por algum tipo de programa de aprendizagem e/ou intercâmbio, objetivando proporcionar a um estudante experiência internacional em sua área.
Turismo de negócios ou eventos: quando a atividade tem finalidade comercial, promocional, técnica, científica ou social.
Turismo de saúde: quando o turista vai em busca da utilização de meios e serviços para finalidades médico-hospitalares, terapêuticas ou estéticas.
Já com relação às que ocorrem no meio rural, ou em meio a natureza – que é nosso maior enfoque –, citarei algumas das mais relevantes, mas te adianto que iremos abordá-las melhor ao longo do nosso curso:
Turismo de aventura: deslocamentos e estadas decorrentes da prática de aventura, em que se busca experiências físicas e sensoriais recreativas, envolvendo desafio, riscos avaliados, controláveis e assumidos.
Ecoturismo: atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural existente em um determinado local, como formações físicas, biológicas e geológicas (esse é um de nossos assuntos futuros, aguarde).
Turismo esportivo rural: compreende as atividades turísticas que objetivam a prática, a participação ou a observação de modalidades esportivas que acontecem no meio rural, como voos livres, ciclismo off-road, entre outras atividades.
Turismo de estâncias: está ligado ao grupo que reúne os hotéis-fazenda, fontes termais, entre outras organizações, com o objetivo de promover descanso ao turista e lazer.
Turismo náutico: neste tipo de turismo são utilizadas embarcações para a movimentação dos turistas, também podendo receber outros nomes, como turismo fluvial, lacustre ou em represas.
Turismo de pesca: principalmente voltado a deslocamentos com objetivo de pesca amadora em lagos, rios e pesque-pague.
Agroturismo: onde são realizadas atividades no meio rural, simulando a vivência nas atividades clássicas de uma fazenda produtiva.
Além desses tipos, há outros, como o turismo de saúde, já mencionado anteriormente, que também pode ser feito em áreas rurais pela maior tranquilidade, contato com o campo, com a natureza, clima, qualidade do ar, baixo ruído, entre outros benefícios à saúde que podem ser gerados pelo ambiente rural.
Podemos ainda diferenciar o turismo com relação ao local praticado, como o turismo litorâneo, onde temos vários dos tipos de turismos mencionados, entretanto, com variações enquanto a sua possibilidade de atuação. Por exemplo, pensando no turismo litorâneo, uma de suas variações é o turismo esportivo, pois há atividades como surfe e futevôlei que são realizadas no mar/areia. O turismo náutico, realizado no mar, podemos chamar de turismo marítimo. Agora, com relação ao turismo de pesca realizado no mar, podemos chamá-lo de turismo de pesca amadora em alto mar. Além disso, também há espaço para o turismo em saúde, que se relaciona com tratamentos de saúde nas áreas litorâneas.
Todos esses tipos de turismo podem existir, mas o que mais se destaca é o turismo sol e praia, que, como o próprio nome diz, remete à utilização com fins recreativos, de entretenimento e de descanso nas praias e resorts em regiões litorâneas.
Por fim, um último grande grupo, apresentado por Oliveira (2018), de tipologia turística diz respeito às questões culturais, em que se encontram alguns grupos, como:
Turismo cívico: os deslocamentos são motivados pelo conhecimento de monumentos, fatos que acontecem ou que já aconteceram, sendo chamado também de turismo histórico.
Turismo étnico: os turistas têm o objetivo de conhecer e estabelecer contato com diferentes modos de vida (como visitas a tribos indígenas).
Turismo gastronômico: os turistas são motivados pela individualidade gastronômica de uma localidade (pensando no Paraná, um exemplo é quando as pessoas vão até Morretes para comer o famoso Barreado).
Turismo místico ou esotérico: turistas vão em busca da espiritualidade e do autoconhecimento por meio de práticas, crenças e rituais alternativos.
Turismo religioso: turismo guiado pelas práticas religiosas em locais ou eventos relacionados às religiões institucionalizadas (como as romarias e festas santas).
Como você pôde conhecer, há diversas motivações para se realizar o turismo, e, consequentemente, há muitos tipos de turismo existentes. Nesta lição, tivemos um conhecimento geral sobre eles, mas, ao longo da disciplina, vamos focar em alguns específicos e estudar suas características de forma aprofundada!
Para que você se sinta mais conectado com a teoria apresentada, vamos realizar nesta etapa uma aplicação do conhecimento adquirido na lição. A tarefa de hoje é simples e legal! Ela servirá para que você comece a treinar o seu olhar criativo e crítico sobre as diversas possibilidades de atuação que terá após formado. Além disso, ajudará você a enxergar com exemplos mais próximos de você alguns dos tipos de turismo estudados na lição de hoje.
Como você deve ter percebido, apresentei a você diversas categorias e tipos de turismo que foram encontrados na literatura. Parece que já existem muitos, não é mesmo?
No entanto, ainda há vários outros tipos de turismo, menos conhecidos e indicados por somente alguns autores. E nesse ponto fica a sugestão de aplicação de hoje. Você deve observar a cidade/região onde mora e indicar os tipos de turismo presentes. Depois disso, o desafio que deixo a você é de se colocar no lugar de um autor renomado que estivesse estudando sua cidade/região com relação aos tipos de turismo existentes e tivesse que escolher um novo nome para um tipo de turismo específico de sua cidade/região. Qual você escolheria?
Após escolher o novo tipo de turismo, descreva quais seriam as características necessárias para que as pessoas interessadas pudessem realizar a visita. Fazendo isso, teremos mais uma classificação para colocarmos em nossa lista de possibilidades que o turismo pode nos proporcionar.
Você pode apresentar aos seus colegas de sala sua sugestão e verificar os outros tipos de turismo encontrados e sugeridos por eles! Tenho certeza de que essa atividade, além de trabalhar sua capacidade criativa, ainda possibilitará conhecer um pouco mais sobre a cidade/região em que mora!
ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. OMT – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE TURISMO. Mise à jour des Recommandations sur les Statistiques du Tourisme. Nice: ONU; OMT, 1999.
OMT – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Introdução ao turismo. São Paulo: Roca, 2001.
OLIVEIRA, A. R. Considerações Sobre a Tipologia do Turismo Brasileiro. Observatorium: revista eletrônica de geografia, v. 9, n. 1, p. 12-23, jan./abr. 2018.