Olá, estudante! Seja bem-vindo a mais uma lição do curso de Produção, Serviços e Turismo Rural. Estudamos diversos temas por aqui até agora, não é mesmo? No entanto, nas últimas lições nos concentramos em relação ao estudo dos roteiros e projetos turísticos, e você também conheceu como deve ser o processo de organização de programas e roteiros turísticos, enfatizando o papel do turismo rural nesse processo.
Na lição de hoje, vamos continuar a estudar esse assunto, focando nossa atenção nos impactos que esse projeto pode trazer para as pessoas que acabam sendo envolvidas nesse processo, bem como os benefícios e a dimensão que a exploração turística pode alcançar ou gerar para a comunidade local e os turistas. Vem comigo aprender mais um pouco sobre esse assunto.
Ao estudarmos em nossas últimas lições sobre a implantação de projetos turísticos e a importância da roteirização nesse contexto, deve ter ficado claro a você que esse tema é de extrema importância. Assim, estabelecer quais são os impactos que um projeto turístico causa, ou os benefícios que ele pode trazer à comunidade local, pode ser a parte mais importante desses projetos.
Como já estudamos em lições anteriores, a opinião e aceite da comunidade precisa ser levada em consideração quando estamos realizando o projeto e a roteirização turística. Até porque, sem mensurar, ou seja, medir os impactos que esses projetos irão gerar fica difícil para a comunidade saber se aceitam ou não essa atividade econômica. Assim, vamos na aula de hoje entender os impactos negativos e positivos que o turismo pode gerar na região, a seus usuários e mais que isso, saber como podemos agir frente aos mesmos. Vem comigo!
O estudo de caso que trago a você é um episódio fictício, que retrata a importância de identificar a dimensão de exploração de um projeto turístico. Passa-se em uma pacata comunidade rural chamada Vale das Flores. Nessa localidade, as colinas verdejantes e plantações de flores eram a principal atração. A comunidade buscava formas de preservar sua identidade e prosperar economicamente.
Marcela, uma agricultora visionária, percebeu o potencial turístico da região e decidiu liderar um projeto que pudesse destacar as belezas naturais e a rica cultura local. Ao se aprofundar nos estudos sobre dimensionamento da exploração do projeto turístico, descobriu que, além de atrativos visuais, era fundamental compreender a capacidade da comunidade em receber visitantes de maneira sustentável e autêntica. Com isso em mente, ela reuniu um grupo diversificado de moradores locais, incluindo artesãos, agricultores e guias turísticos.
O primeiro passo foi mapear os recursos disponíveis, identificando não apenas as paisagens pitorescas, mas também as tradições culturais e a gastronomia única da região. Com o auxílio de especialistas em turismo rural, aprenderam a avaliar a capacidade de carga, ou seja, quantos turistas a comunidade poderia receber sem comprometer seus valores e recursos. Marcela e sua equipe perceberam que o dimensionamento adequado significava equilibrar o desejo de crescimento econômico com a necessidade de preservar o ambiente e a cultura local.
Assim, implementaram práticas sustentáveis na agricultura, incentivaram a produção de produtos artesanais e promoveram eventos culturais que envolviam a participação ativa da comunidade. O resultado foi surpreendente. Os turistas que visitavam o Vale das Flores não apenas se encantavam com as paisagens, mas também se envolviam com as tradições locais, participando de colheitas simbólicas, aprendendo a fazer artesanato tradicional e desfrutando de refeições preparadas com ingredientes locais.
A comunidade não apenas experimentou um aumento nas receitas provenientes do turismo, mas também se tornou um exemplo de como o dimensionamento cuidadoso da exploração do projeto turístico pode preservar a autenticidade de uma área rural. Os moradores passaram a valorizar ainda mais sua herança cultural, enquanto os turistas levavam consigo não apenas fotografias, mas também memórias enriquecedoras.
Esse case mostra que, quando estudamos e aplicamos o dimensionamento da exploração do projeto turístico, podemos não apenas impulsionar o desenvolvimento econômico, mas também preservar e celebrar as riquezas culturais e naturais que tornam a área rural única e especial.
Ao analisarmos como será a exploração gerada pela execução de um projeto turístico, muitos fatores devem ser levados em consideração. Ao desenvolver um roteiro, é essencial realizar uma análise minuciosa das ações necessárias para a efetiva implementação do produto planejado. Essas ações abrangem a infraestrutura turística e de apoio ao turismo, a qualificação dos equipamentos e serviços turísticos, a capacitação específica e a identificação das possíveis dificuldades durante a implementação. Dentro desse contexto, é importante estar atento para identificar:
As lacunas existentes na região relacionadas à infraestrutura turística e de apoio ao turismo.
As demandas por melhorias na qualificação dos equipamentos e serviços turísticos.
As necessidades específicas de capacitação.
As potenciais dificuldades que podem surgir durante a implementação do roteiro, abrangendo aspectos legais, políticos, socioculturais e ambientais.
Outra ação indispensável para a implementação do roteiro é determinar a capacidade de carga dos atrativos envolvidos, bem como do roteiro como um todo. A capacidade de carga refere-se ao nível máximo aceitável de uso de um atrativo pelos visitantes, garantindo alto nível de satisfação para os usuários e mínimos impactos negativos nos recursos utilizados. Diversos instrumentos são recomendados para identificar estas ações, incluindo eventos como reuniões, oficinas e seminários, visitas técnicas, pesquisas de campo, diagnósticos anteriores e consultas à comunidade.
É importante lembrar que, para um roteiro ser executado, precisa-se de uma série de operações ocorrendo, como hospedagem, transporte, alimentação, serviços em geral, onde são cobradas taxas, por exemplo para traslados, entre outros. Da mesma forma, ao se estabelecer uma atividade nova na região, isso aumenta a arrecadação de impostos, que por sua vez, também é refletida em melhorias para a população.
Na prática, entender como um projeto impacta positiva ou negativamente os mais diversos fatores é parte fundamental de sua supervisão e avaliação contínua. Desde as etapas iniciais até a implementação, a monitoria e avaliação devem ser constantes, para medir a eficácia das ações e seus possíveis impactos. Nesse contexto, podemos definir impactos como sendo as ações ou conjuntos de ações que influenciam um determinado aspecto, causando uma transformação ao longo do tempo. É importante ressaltar que eles podem ser tanto positivos quanto negativos, resultando em consequências (ambientais, socioculturais e econômicas) benéficas ou não. Durante o processo de roteirização, os impactos negativos monitorados abrangem:
Ambientais: como aumento da erosão do solo, poluição, geração de lixo, e devastação de ecossistemas locais.
Socioculturais: incluindo descaracterização cultural, aumento da criminalidade, prostituição, entre outros.
Econômicos: como aumento do custo de vida, amplo crescimento do fluxo de imigrantes, e ampliação das desigualdades.
Nessa etapa, é crucial realizar uma análise para considerar a possibilidade de ocorrerem esses impactos negativos. Quando essa possibilidade se mostra real, a análise serve como base para tomar decisões sobre a necessidade de redefinir ou readaptar o roteiro, visando a diminuição dos impactos produzidos. Para garantir a qualidade e durabilidade do produto, é essencial estruturá-lo considerando os princípios da sustentabilidade ambiental, sociocultural e econômica. Monitorar os impactos negativos é uma tarefa fundamental para respeitar adequadamente os princípios da sustentabilidade (BRASIL, 2007).
É necessário que os projetos turísticos e sua roteirização sejam continuamente supervisionados, devendo ser conduzidos de maneira sistemática, seguindo um Planejamento de Monitoramento e Avaliação. Esse plano deve ser desenvolvido em colaboração entre os agentes envolvidos nesse processo. É preciso estabelecer indicadores específicos para cada fase da roteirização, incluindo as etapas subsequentes à implementação do roteiro. Na seleção desses indicadores, é fundamental escolher aqueles capazes de medir, tanto qualitativa quanto quantitativamente, os impactos positivos e benefícios resultantes da roteirização e implementação dos roteiros turísticos. Tais indicadores devem estar alinhados com os princípios fundamentais da sustentabilidade ambiental, sociocultural e econômica.
Para cada uma dessas categorias, é necessário criar indicadores específicos que permitam a mensuração das variações ocorridas dentro de prazos definidos, comparando com os valores iniciais encontrados no início da avaliação ou do projeto. Além disso, a análise deve abranger, entre outros aspectos, os impactos positivos e negativos relacionados aos aspectos ambientais, socioculturais e econômicos resultantes da atividade turística. Esses impactos devem ser monitorados conforme alguns critérios, de acordo com o seu tipo de atuação.
Entre os aspectos positivos ambientais, destacam-se melhorias significativas nos padrões de uso do solo, tanto urbano quanto rural, na região turística. A preservação das áreas verdes é mantida, e observa-se um aumento notável nas atividades voltadas à educação ambiental. Além disso, a coleta e destinação de lixo e outros resíduos sólidos apresentam melhorias substanciais, contribuindo para a redução da poluição ambiental. A qualidade da água é preservada, e verifica-se uma notável melhoria na qualidade do esgotamento sanitário na região (BRASIL, 2007).
Esses aspectos positivos refletem os benefícios ambientais gerados pela atividade turística, promovendo práticas sustentáveis e a preservação dos recursos naturais na área turística em questão. Existem ainda benefícios socioculturais, tais como a consolidação da identidade cultural com resgate e valorização de atividades típicas da região e o aumento de ações que foquem no resgate e preservação do patrimônio histórico e cultural.
Por fim, no que diz respeito aos aspectos positivos de natureza econômica, esses podem ser vastos, porém, podem ser resumidos em diversos pontos relevantes:
Diversificação e expansão das atividades econômicas na região.
Incremento do fluxo e circulação de capital.
Crescimento no número de empregos, especialmente aqueles direcionados às atividades da comunidade local.
Ampliação e distribuição da renda média na comunidade local.
Inclusão socioeconômica dos diferentes segmentos da cadeia produtiva do turismo.
Aumento na demanda por produtos agrícolas locais.
Elevação do consumo de bens e serviços pelas comunidades.
Fortalecimento da competitividade dos produtos gerados no setor.
Contribuição do turismo para o equilíbrio da balança de pagamentos.
Esses aspectos positivos evidenciam os benefícios econômicos gerados pela atividade turística, promovendo o crescimento econômico local, a geração de empregos e a inclusão socioeconômica, ao mesmo tempo em que impulsiona setores-chave da economia regional. No entanto, também podemos destacar alguns impactos negativos, também gerados nesses aspectos.
É o caso do aspectos negativos ambientais como uso inadequado do solo e exploração descoberta dos recursos naturais, ocupação desorganizada do espaço, crescimento não planejado do turismo que pode resultar em manipulação ambiental, aumento da poluição em geral e geração excessiva de resíduos devido à sobrecarga ou saturação da região e poluição sonora ou visual, originada pelo excesso de publicidade.
No caso dos aspectos negativos socioculturais, podemos citar as mudanças ocorridas nos hábitos e padrões culturais e de consumo, a perda da identidade cultural pela influência externa e a ampliação das desigualdades sociais. E, por fim, há ainda aspectos negativos econômicos, como o aumento da dependência local e regional da atividade turística, que acaba deixando de atuar em outras atividades, a não constante demanda turística, proporcionando períodos de poucas vendas, o aumento do custo de vida e especulação imobiliária e o aumento das desigualdades econômicas.
Santos e Souza (2010) apresentam que o processo de valorização do rural decorrente do ambiente cansativo e estressante das cidades gera uma preocupação sobre os impactos e a dimensão gerada pelo turismo rural ultimamente. Isso porque, até pouco tempo, o rural era visto apenas como espaço onde se produziam os alimentos e matérias-primas, mas passou a ser visto como a oportunidade de maior contato com a natureza e melhoria na qualidade de vida. Assim, como a demanda tem sido crescente por atividades voltadas ao campo, os cuidados em relação às dimensões que essa demanda gera também devem aumentar.
Hoje, estuda-se até como o convívio das comunidades onde se desenvolve o turismo são modificados por essa prática, ou seja, não é apenas em relação a fatores ambientais, mas também a aspectos sociais. Esses comportamentos são moldados a partir das relações existentes entre turistas e moradores locais dessas comunidades, e podem gerar benefícios, como aumentar sua renda e fazê-la circular no mercado local, mas também pode acarretar uma série de malefícios, ou seja, trazer transtornos para toda população envolvida. Por isso, faz-se necessária a mensuração desses impactos e o dimensionamento da exploração do turismo rural que será realizado nesses locais.
Bom, chegou o momento da nossa lição em que vamos aplicar um pouco do conhecimento adquirido até aqui. Quero dizer que, na atividade de hoje você poderá se sentir como se já estivesse formado e poder atuar como técnico em agronegócio, mais especificamente, atuando no setor de desenvolvimento do turismo rural. A tarefa é a seguinte: em seu caderno, quero que imagine um determinado empreendimento que deseje iniciar a atividade de turismo rural, bem como as ações que ele deve tomar para que isso se torne possível. Após essa visualização, quero que elabore uma espécie de quadro contendo os principais impactos que esse empreendimento pode gerar ao meio ambiente e nas pessoas envolvidas no processo, sejam elas pertencentes a comunidade local, ou turistas de todas as partes do mundo.
Para isso, sugiro que siga as orientações apresentadas em nossa lição, elencando os aspectos positivos e negativos em relação às questões ambientais, socioculturais e econômicas. Utilize esse roteiro para facilitar sua identificação na realização da atividade, mas em sua atuação você já deverá estar apto a identificar tais fatores de acordo com o tipo de atividade que for atuar.
Com essa visualização, será possível que você pratique um olhar mais apurado e técnico da situação. Se você morar em uma área rural, pode inclusive fazer com que esse projeto iniciado aqui se torne algo real, então capriche na identificação do maior número de variáveis que conseguir reunir. Deixo-te com essa importante missão e te aguardo para a próxima na lição seguinte. Até lá!
BRASIL. Ministério do Turismo. Coordenação Geral de Regionalização. Programa de Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil: Módulo Operacional 7. Roteirização Turística/ Ministério do Turismo. Secretaria Nacional de Políticas de Turismo. Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico. Coordenação Geral de Regionalização. – Brasília, 2007.
SANTOS, E. O. S.; SOUZA, M. de. (org.). Teoria e prática do turismo no espaço rural. Barueri, SP: Manole, 2010.