Olá, estudante! É com satisfação que lhe recebo para mais uma lição da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural do curso Técnico em Agronegócio! Até o presente momento, você já estudou sobre algumas tipologias de turismo, sobretudo a definição de turismo rural, que será o grande foco de análise da nossa disciplina.
Na lição de hoje, como continuidade de nosso estudo, você conhecerá como podemos monetizar esta atividade, ou seja, o objetivo principal da lição de hoje é te mostrar quais produtos podem ser extraídos dessa atividade, de forma que se torne econômica. Venha comigo em mais um passo da nossa caminhada que desvenda o turismo rural e como ele pode ser utilizado enquanto fonte de renda pelo produtor rural. Está pronto(a)?!
Imagine que você seja proprietário(a) de uma área rural onde já desenvolveu uma atividade econômica, mas, devido a diversos fatores, essa atividade perdeu sua lucratividade. Ou ainda, imagine que você esteja indo bem com a atividade rural desempenhada e obtendo lucratividade boa em relação ao que esperava, mas se depara com a oportunidade de atuar no turismo rural e, assim, potencializar os seus ganhos.
A principal questão é: como ganhar dinheiro com isso, ou seja, quais são os diferenciais únicos da propriedade que podem ser transformados em uma fonte rentável? Será que existe uma fórmula a ser seguida, ou ainda, produtos permitidos a serem explorados e outros não?
Na lição de hoje, aprenderemos como identificar os recursos e atrativos que podem ser transformados em oportunidades econômicas. Está pronto(a) para descobrir como aproveitar ao máximo o potencial do turismo rural em sua propriedade? Vamos juntos nessa jornada!
No case de hoje, apresento a você, Joaquim, um agricultor que estava desenvolvendo uma atividade agropecuária e ganhava uma renda relativamente alta, o suficiente para arcar com seus compromissos e, ainda, permitir uma reserva financeira.
Com intuito de diversificar sua atuação, no entanto, este proprietário descobriu no turismo rural uma maneira de obter mais ganhos e, assim, diminuir sua dependência em relação a uma única atividade. Joaquim visualizou, principalmente, a possibilidade de reduzir os riscos da sua atividade por meio da diversificação. Diante disso, ele solicitou a visita de um profissional Técnico em Agronegócio em sua propriedade, para diagnosticar a possibilidade de obter renda com a atividade de turismo.
Neste diagnóstico inicial foi identificado que, em sua propriedade rural, havia muitas possibilidades de trilhas a serem realizadas. Com isso, Joaquim contratou um profissional habilitado nesta área que o auxiliou na construção de um projeto para transformar esse potencial de sua propriedade em algo rentável, ou seja, monetizá-lo.
Como principais produtos desta descoberta, houve a elaboração de atividades de ecoturismo, o processo de fazer a trilha que possuía quedas da água em seu percurso bem como o desenvolvimento de uma tirolesa. Em parte desse processo, também foi possível, como um produto adicional, identificar um local onde era possível realizar a escalada ou a descida de rapel.
Sendo assim, foi aberta à visitação aquela área da propriedade, a qual se transformou numa empresa de turismo rural e passou a ser administrada pelo filho do proprietário e, em pouco tempo, atraiu muitos turistas, sobretudo aqueles que gostavam de atividades com mais aventuras. Essa nova atividade inclusive gerou uma receita considerável, mas não substituiu a atividade principal, que continuou sendo a produção agropecuária, apenas completou e fortaleceu a renda e a atuação da família junto à atividade rural.
Dessa forma, mesmo este case apresentando uma história e personagens fictícios, ele descreve como Joaquim, inicialmente envolvido em atividades agropecuárias lucrativas, reconheceu a oportunidade de explorar o potencial turístico de sua propriedade para reduzir sua dependência em relação a uma única atividade econômica, ou seja, por meio do Técnico em Agronegócio, o proprietário conseguiu identificar como poderia diversificar e fortalecer sua renda.
Na conceitualização de hoje, apresentarei a você alguns produtos do turismo rural e como podemos usá-los para obter renda e diversificar nossa forma de atuação. Primeiramente, devemos lembrar que turismo rural não se trata de todo o turismo praticado em área rural, mas sim se refere àquele turismo que, sobretudo, valoriza a atividade rural e que, segundo algumas correntes de pensamento, tem a intenção de manter, junto da atividade de turismo, as atividade agropecuárias, em suas mais diferentes formas.
Iniciaremos a lição de hoje definindo o que podemos chamar de produto, antes de definirmos produto turístico. Segundo a literatura, o produto é algo que pode ser vendido, algo que possibilita um retorno financeiro pela sua comercialização. Sendo assim, toda mercadoria ou serviço que seja possível prestar a outrem, possuir, produzir ou gerar, e que se possa cobrar, é produto.
Entender o produto como conceito mais amplo torna-se extremamente relevante aqui, pois não se trata de sinônimo de mercadorias. Digo isso porque, inclusive, é possível cobrar pelo acesso a determinado território, a um pacote de serviços oferecidos, ou a uma experiência típica e, sendo assim, podemos, então, entender que produto rural é todo tipo de bem ou serviço originado do campo, ou ainda, que acontece no campo ou no ambiente rural, ou está ligado a ele.
Podemos, ainda, diferenciar um produto em relação às suas características físicas ou mensuráveis, também conhecidas como parte tangível. No caso do produtor rural, ele tem a opção de representar o próprio produto, fruto da sua atuação agropecuária, como o milho, a soja, a criação de gado, entre outros. Além disso, existe a parte considerada intangível, a qual se refere à percepção, às expectativas ou experiências que os consumidores têm ao adquirir aquele produto. Essa parte também pode ser percebida em relação ao componente valor, ou seja, a descrição dos serviços ou mercadorias consumidos juntamente com as possibilidades geradas ao se consumir determinado produto.
O que, antigamente, era definido apenas em coisas físicas, passou a ser possível de se definir em bens intangíveis, como os serviços bancários ou os próprios produtos turísticos, foco da nossa lição de hoje. Podemos, então, caracterizar o produto turístico como uma mistura de tudo que uma pessoa consome, utiliza, experimenta, observa e aprecia, durante uma viagem ou estadia.
Dessa forma, definiremos o produto turístico rural como algum bem ou serviço material ou imaterial, pertencente a determinado território destinado a uma atividade própria. Engloba, portanto, o patrimônio, as atrações, a infraestrutura, alguns equipamentos, a acessibilidade do local de destino, enfim, tudo que um consumidor, ou neste caso, um turista, adquire ou consome. O produto turístico rural é constituído, assim, pela atividade-fim (ramo de atuação) e todas as atividades de apoio que a envolvem, por exemplo, estabelecimentos hoteleiros, serviço de informação, restaurantes, organizações de roteiros turísticos, comércio e demais serviços.
É possível dizer que um produto turístico representa um conjunto de bens unidos, capazes de oferecer uma experiência para o consumidor que deseja conhecer determinado local ou atividade diferente das suas atividades ou locais de costume. Podemos, ainda, diferenciar os produtos por tipo, como:
Produtos com responsabilidades de gestão de recursos públicos: praias, florestas, museus, monumentos, castelos etc.
Empresas turísticas: hotéis, agências de viagens, restaurantes, operadores turísticos, transportes etc.
Entidades responsáveis pela infraestrutura: estradas, aeroportos, serviços de limpeza e saneamento.
Serviços de apoio ou complementares: parques temáticos, instalações esportivas ou culturais, resorts etc.
Há possibilidade, também, de caracterizar o produto turístico em relação às suas características econômicas: estático, com local fixo, intangível, deve ser consumido no local, ao vivo, sem possibilidade de testagem prévia. Trata-se de um produto abstrato, de considerável diferenciação, consumido de maneira instantânea, perecível, não podendo ser armazenado e estocado.
É nesse ponto que você deve prender sua atenção! O mesmo produto pode ser oferecido em locais diferentes, e a experiência de consumo dos consumidores pode ser igualmente diferente.
Ao definir a criação de um produto turístico, sobretudo no meio rural, deve-se identificar o público consumidor e suas características específicas, para que se possa oferecer produtos personalizados de acordo com cada público e, nesse ponto, contamos com bastante apoio dos profissionais de marketing e de economia.
Não existe uma regra sobre qual produto turístico é o melhor, ou ainda, quais são os produtos turísticos disponíveis. Isso deve ser analisado de acordo com cada região, momento, tendências, características naturais da propriedade, do empreendedor ou produtor rural. Ainda que tais produtos sejam comuns a várias propriedades locais, em um mesmo momento ou em períodos diferentes.
Por isso, deixo a você uma dica! Não se trata do que há ou não em determinada propriedade, mas sim de qual experiência será oferecida ao turista, quando ele decidir consumir seu produto, e qual o pacote de serviços que você oferecerá a ele!
É importante se atentar ao fato de que a existência de um recurso natural ou artificial não garante sua comercialização, ou seja, se sua propriedade tiver algo com potencial de gerar receita pelo turismo rural, esse algo pode ser denominado recurso turístico. O que deverá acontecer, em seguida, é transformá-lo em um produto turístico, por meio da adaptação e da transformação desse recurso em algo possível de ser comercializado, isto é, algo que possa ser consumido pelo turista, ou por quem adquirir esse produto.
Sendo assim, o turismo utiliza de meios e recursos para transformar, de forma ordenada e sustentável, um bem natural ou cultural em um atrativo turístico ou em objeto de exploração. É um produto diferenciado, pois necessita que sejam criados caminhos para a formação dos seus bens e, também, que sejam criados recursos pelas empresas e organizações envolvidas no processo, estimulando a sua efetivação, por meio de serviços de apoio, bem como de atrações comerciais e artísticas em um ambiente visualizado, atraindo, assim, mais produtos para aquela região. O status turístico pode inclusive, contribuir para o desenvolvimento local e regional, ou até mesmo nacional, valorizando algo que está presente nas localidades onde o turismo está inserido (MICHELON; CARDONA, 2007).
Percebe-se que o produto turístico é um conceito bem amplo, mas que pode ser definido a partir dos componentes que o formam. Podemos, assim, entender produtos turísticos como: “O conjunto de atrativos, equipamentos e serviços turísticos acrescidos de facilidades, localizados em um ou mais municípios, ofertado de forma organizada por um determinado preço” (BRASIL, 2007, p. 17). Segundo Michelon e Cardona (2007), o produto turístico adota a forma de um pacote de serviço colocado à venda no mercado, composto principalmente por três grandes elementos: atrativos, facilidades e acesso.
Veja com mais detalhes cada um deles no Quadro 1:
Podemos ainda, diferenciar um produto turístico real de um produto turístico potencial. Enquanto o produto turístico real representa aqueles bens ou serviços que, realmente, possuem condições de serem explorados ou de receber os turistas, por exemplo, uma propriedade já adaptada com serviços de alimentação, hospedagem, identificações, itens de segurança, rede de apoio, os produtos turísticos potenciais representam todos aqueles que ainda não estão em condições de operar ou que ainda não desenvolveram a execução de seus serviços complementares para sua ativação, porém têm uma possibilidade de ativação futura.
Lembrando que o produto turístico precisa ter alguns requisitos mínimos para sua efetivação e sucesso, tais como: qualidade e imagem positiva, estabelecimento de uma rede de trabalho envolvendo a comunidade, os empreendedores e o poder público e, claro, um bom planejamento. Além disso, deve ter alguma coisa autêntica, diferenciada, com plena interação com o ambiente no qual está inserido, preservando suas culturas locais. Deve ter, ainda, uma rede de informação acessível, estar num preço competitivo, ser organizado em relação à distribuição de seu serviço, conhecer as demandas e necessidades específicas de seu público e possuir acessibilidade facilitada.
Focamos nosso estudo em Produtos Turísticos nesta lição, pois o Técnico em Agronegócio pode se beneficiar ao compreender esse assunto, devido a várias razões interligadas. Primeiramente, o turismo rural oferece uma oportunidade de diversificar as receitas para os produtores rurais. Ao compreender como criar produtos turísticos a partir dos recursos naturais e culturais da área rural, o profissional Técnico em Agronegócio tem a chance de auxiliar os produtores a gerar renda adicional e, consequentemente, reduzir a dependência de um único mercado. É o mesmo que aconteceu com Joaquim, personagem apresentado na etapa do case.
Além disso, o turismo rural, frequentemente, destaca a agricultura local e os produtos agrícolas como parte das experiências oferecidas aos visitantes. Nesse contexto, o profissional Técnico em Agronegócio pode ajudar os produtores a comercializar seus produtos agrícolas aos turistas e, assim, criar oportunidades de vendas diretas e promover a produção local.
Portanto, entender sobre produtos turísticos é valioso para o(a) Técnico(a) em Agronegócio, pois contribui com o desenvolvimento sustentável e a prosperidade das áreas rurais, além de oferecer uma abordagem mais ampla e integrada para o setor agrícola.
Nesse sentido, para se sentir atuando nessa área, deixo a você uma tarefa um tanto quanto interessante: identifique em sua região, ou ainda, caso more em uma propriedade rural, identifique quais as possibilidades de atuação em relação ao turismo, sobretudo ao turismo rural. Se você morar em uma propriedade rural, ou conhecer alguém que resida nesse local, tente identificar quais diferenciais a propriedade possui e quais deles serão possíveis de transformar em objetos ou produtos turísticos. Identificando os diferenciais, explique porque escolheu esses itens e complemente colocando porque eles poderiam ser transformados em um produto turístico. Existindo mesmo a possibilidade desta transformação, insira quais deveriam ser os próximos passos para a tornar um negócio rentável.
Se você não morar em uma área rural, imagine como poderia ajudar o produtor rural nesse processo, ou então, realize essa tarefa pensando em sua região e na possibilidade que sua cidade tem em relação ao oferecimento desse tipo de serviço no meio urbano. Visualize se ela já tem algum serviço prestado. Realize essa pesquisa para adquirir conhecimento e vise a compreender o que já está sendo feito e qual a demanda potencial existente que, por sinal, pode se tornar seu trabalho após formado(a).
Não espere terminar o curso para, depois, tentar praticar essa visualização de oportunidades, inicie desde agora! Espero que essa tarefa seja inspiradora e aguardo você na próxima lição. Ótimo trabalho e até a próxima oportunidade!
BRASIL. Roteiros do Brasil: Promoção e Apoio à Comercialização. Brasília-DF: Ministério do Turismo, Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, 2007. (Módulo Operacional 8).
MICHELON, R.; CARDONA, R. O processo de comercialização de produtos turísticos: Manual do participante. Porto Alegre: Sebrae-RS, 2007. Disponível em: https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/3A3813A26EAB176A8325762700509631/$File/NT00041FDA.pdf. Acesso em: 3 out. 2023.