Olá, estudante! Seja bem-vindo a mais uma lição da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural, do curso Técnico em Agronegócio. Em nossa última lição, vimos a definição de serviços e produtos dentro do contexto do agronegócio, bem como suas principais diferenças e características marcantes.
Na lição de hoje, teremos uma visão dos principais métodos de custeio utilizados na gestão de custos, com foco no contexto do agronegócio e em outras áreas de atuação, para que seja possível lhe fornecer uma compreensão clara e detalhada de cada método, incluindo o custeio por absorção, o custeio RKW, o custeio padrão, o custeio ABC e o custeio variável, com destaque às diferenças fundamentais entre esses métodos, tanto em termos de conceitos quanto de aplicabilidade prática.
Ainda demonstraremos como cada abordagem pode ser útil na gestão eficiente dos custos de produção, permitindo aos gestores tomar decisões estratégicas para otimizar os recursos, controlar os custos e maximizar os lucros. Ao compreender os principais aspectos de cada método de custeio, você será capaz de selecionar e aplicar a abordagem mais adequada às necessidades específicas de suas organizações, a fim de promover uma gestão financeira eficaz e sustentável. Vamos conhecer mais cada um desses métodos?
Apesar da variedade de métodos de custeio disponíveis, a escolha da abordagem mais adequada pode representar um desafio significativo para as organizações, especialmente no contexto do agronegócio e de outras áreas onde os custos de produção são complexos e variados. Um ponto importante a se considerar é o equilíbrio das exigências legais e contábeis, como aquelas impostas pela legislação tributária e pelos padrões contábeis, com a busca pela eficiência e precisão na gestão dos custos.
Além disso, outro desafio surge da complexidade crescente dos processos produtivos e das cadeias de suprimentos, o que tornam a atribuição e alocação de custos cada vez mais expostas a distorções. Tal cenário pode ser especialmente desafiador em ambientes onde as operações são altamente integradas e interdependentes, como é o caso da produção agrícola em larga escala, na qual diferentes culturas compartilham recursos e infraestrutura.
Outra questão relevante diz respeito à evolução constante das tecnologias e práticas de gestão, as quais são capazes de influenciar a eficácia e relevância dos métodos de custeio ao longo do tempo. À medida que novas tecnologias de monitoramento e coleta de dados se tornam disponíveis, surge a oportunidade de aprimorar a precisão e agilidade na atribuição de custos, no entanto essa situação também pode criar um cenário de incerteza e complexidade, onde os gestores precisam estar constantemente atualizados e adaptáveis para acompanhar as mudanças e garantir que os métodos de custeio permaneçam alinhados não só com as necessidades mas também com os objetivos da organização.
Possivelmente, você foi convencido, até aqui, de que é extremamente importante estudar esses assuntos, então, nos acompanhe!
Em uma fazenda familiar no interior do Brasil, uma família vive há gerações, dedicando-se ao cultivo de café. No entanto, nos últimos anos, essa família enfrenta desafios crescentes devido à volatilidade dos preços no mercado e aos custos de produção em constante elevação. Com a chegada de uma nova geração de gestores, liderada pelo filho do casal fundador, a fazenda enfrentou uma difícil decisão: modernizar seus métodos de gestão ou correr o risco de fechar as portas.
João, um jovem empreendedor formado em Administração Agrícola, herdeiro da propriedade, reconheceu a necessidade de implementar novas estratégias para tornar a fazenda mais competitiva e sustentável. Inspirado pelos estudos sobre métodos de custeio, ele decidiu realizar uma análise detalhada dos custos de produção do café, utilizando diferentes abordagens, desde o tradicional custeio por absorção até o mais inovador: o custeio baseado em atividades (ABC).
Ao longo de meses de trabalho árduo e colaboração com sua equipe, João conseguiu mapear, com precisão, todos os custos envolvidos na produção de café, desde a compra de insumos até a colheita e o processamento. Utilizando o método ABC, ele descobriu que uma parcela significativa dos custos indiretos está associada a atividades como irrigação, controle de pragas e manutenção de maquinário, as quais, anteriormente, eram rateadas de forma arbitrária. Com essas novas informações em mãos, João implementou medidas para otimizar o uso de recursos, como a adoção de práticas mais eficientes de irrigação e o investimento em tecnologias de monitoramento. Além disso, ele revisou os preços de venda do café, levando em consideração não apenas os custos diretos, mas também os custos indiretos alocados de forma mais precisa.
Ao final de um ano desafiador, os resultados falaram por si: a fazenda não apenas reduziu seus custos de produção, mas também aumentou sua rentabilidade e competitividade no mercado de café.
A história de João e sua fazenda familiar serve como um exemplo inspirador de como a aplicação adequada de métodos de custeio pode transformar um negócio agrícola, bem como garantir sua sustentabilidade e sucesso em longo prazo.
Nossos estudos dos principais aspectos da produção nos permitem adotar diversas abordagens. Segundo Alves et al. (2018), ao determinar o custo de cada unidade produzida, seja no agronegócio, seja em qualquer outra área, as despesas são registradas diretamente como parte do resultado do período. É essencial ter esses custos por unidade para entender o custo de manter os estoques, a fim de incluí-los nos relatórios financeiros e, ao determinar os custos das mercadorias vendidas, calcular o lucro líquido do período.
O método de custeio por absorção, que teve origem na Alemanha no início do século XX, através do RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichkeit), também conhecido como custeio pleno ou integral, é utilizado para isso. Com esse método, todos os gastos do período são atribuídos à produção do período, por meio de técnicas de rateio. Antigamente, as empresas focavam principalmente na produção e não consideravam tão importantes as despesas administrativas, comerciais e financeiras.
Martins e Rocha (2015) destacam que, com o avanço e modernização das economias, as despesas administrativas passaram a representar uma parte significativa dos gastos nas organizações. Por isso, tornou-se necessário separar as despesas dos custos e atribuí-las diretamente ao resultado financeiro do período. O critério de alocação de gastos, considerando tanto o custeio por absorção quanto o método RKW, é bastante semelhante, diferenciando-se principalmente na forma como as despesas são tratadas. No custeio por absorção, as despesas não são atribuídas aos elementos de custo, enquanto no método RKW todos os gastos, custos e despesas são atribuídos aos produtos.
Assim, faz-se necessário estudarmos os principais aspectos de cada um desses e de outros métodos de custeios.
Alves et al. (2018) explicam que o método RKW consiste em distribuir todos os custos e despesas, inclusive as financeiras, para todos os produtos. Assim, se uma fazenda produz diferentes produtos, por exemplo, milho, soja e trigo, utilizando o método RKW, todos os custos relacionados à produção desses produtos, como sementes, fertilizantes, mão de obra, equipamentos, além das despesas administrativas e financeiras da fazenda, seriam distribuídos de forma justa entre cada um deles. Isso ajuda a ter um controle mais preciso dos custos de produção de cada cultura e, consequentemente, a tomar decisões mais eficientes sobre preços e investimentos.
Em uma fazenda, o método RKW distribuiria as despesas com a manutenção de tratores, que são usados tanto na plantação de milho quanto na de soja, de forma proporcional entre as duas culturas, o que é importante para garantir que cada produto tenha seu custo de produção corretamente calculado e, assim, ajudaria os gestores a saber exatamente quanto estão gastando e a definir melhor seus preços de venda.
O método de custeio padrão, segundo Alves et al. (2018), é uma técnica que estabelece previamente os custos para todos os produtos que uma organização produz. Por exemplo, se uma fazenda produz diferentes tipos de queijos, como fresco, curado e defumado, utilizando o custeio padrão, a fazenda estabeleceria antecipadamente os custos esperados para cada etapa da produção de cada tipo de queijo, como os custos dos ingredientes, da mão de obra e dos equipamentos. Essa atitude ajuda os gestores a planejar melhor seus gastos e a controlar os custos durante o processo de produção.
Segundo Alves et al. (2018), o custeio padrão não é utilizado para avaliar os estoques na data do balanço, mas pode ser aceito se as diferenças forem consideradas insignificantes. Uma das principais finalidades desse método é fornecer uma base comparativa entre os custos planejados e os custos reais, o que ajuda na identificação de desvios e na implementação de medidas corretivas. No entanto, para que o custeio padrão seja eficaz, é importante buscar informações precisas de diversas fontes e considerar as variações do mercado, como a inflação, as quais são capazes de afetar as previsões de custo. Além disso, o acompanhamento regular do custeio padrão por meio de orçamentos é fundamental para garantir a eficiência.
Os autores Alves et al. (2018) descrevem assim o custeio ABC: uma abordagem que surge como resposta às críticas sobre a subjetividade dos métodos de rateio utilizados no custeio por absorção. Nesse método, os custos indiretos são alocados de maneira mais objetiva, de acordo com as atividades consumidas.
Para entender melhor, pense em uma fazenda que produz diferentes tipos de frutas. O custeio ABC identificaria as atividades específicas envolvidas na produção de cada tipo de fruta, como irrigação, colheita e embalagem, e atribuiria os custos indiretos com base nessas atividades.
O custeio por absorção, como explicam Alves et al. (2018), é um método em que todos os custos, fixos e variáveis, são atribuídos diretamente aos produtos. É o método preferido pela legislação tributária e pelos exames de auditoria externa, pois segue os princípios contábeis. Por exemplo, se uma fazenda produz leite, todos os custos relacionados à produção, como alimentação dos animais, mão de obra e depreciação dos equipamentos, são atribuídos ao custo do leite. Os custos indiretos, como manutenção da fazenda, são rateados entre os produtos de acordo com critérios específicos, por exemplo, a área ocupada ou o tempo de uso de equipamentos.
Essa atribuição é importante para determinar, com precisão, o custo total de produção de cada produto e para a prestação de contas em auditorias externas.
Esse tipo de custo, ou método de custeio, segundo Alves et al. (2018), baseia-se na distinção entre os gastos fixos e os variáveis. Com essa abordagem, é possível calcular o lucro de uma organização levando em conta como os custos se comportam em relação às mudanças no volume de produção.
Os custos variáveis são aqueles que mudam de acordo com a quantidade de produtos fabricados. Por exemplo, se uma fazenda produzir mais leite, os custos variáveis, como alimentação dos animais e embalagens, aumentarão proporcionalmente.
Nesse método, os custos fixos não são atribuídos diretamente aos produtos, o que é diferente da contabilidade financeira tradicional. No entanto isso não significa que o custeio variável não possa ser usado a fins gerenciais. Muitas organizações adotam mais de um método de custeio, um para atender às necessidades internas de gestão, e outro para cumprir as exigências legais da contabilidade financeira.
No custeio variável, apenas os custos diretos e indiretos variáveis, juntamente com as despesas variáveis, são incluídos nos produtos. Os custos de produção e as despesas são separados em fixos e variáveis e utilizados com o objetivo de fornecer informações que ajudam os gestores a tomar decisões. Os custos fixos são tratados como despesas do período em que ocorrem, incluem custos de produção e despesas fixas de vendas e administração.
Martins e Rocha (2015) explicam que as práticas do custeio variável são amplamente utilizadas no campo da Contabilidade Gerencial, mas não são aceitas pela legislação fiscal tampouco se enquadram nos princípios contábeis geralmente aceitos. Essa abordagem permite aos gestores relatar e analisar quais produtos e segmentos são mais vantajosos, além de acompanhar as mudanças nos volumes produzidos e comercializados, nos valores, nos custos e nas despesas. Por exemplo, em uma fazenda que produz diferentes tipos de frutas, o custeio variável poderia ajudar os gestores a identificar quais frutas geram maior margem de contribuição e quais têm custos mais elevados.
A partir dessas informações, os gestores podem tomar decisões sobre quais produtos enfatizar, ajustar os preços de venda ou até mesmo interromper a produção de produtos menos lucrativos. Além disso, o custeio variável fornece dados úteis para a determinação de preços, pois mostra, de forma transparente, a margem de contribuição de cada produto, bem como o ponto de equilíbrio da organização, ou seja, a quantidade mínima que a empresa precisa vender para cobrir todos os custos e despesas.
Por exemplo, se uma fazenda produz diferentes tipos de queijos, o custeio variável permitiria aos gestores calcular a margem de contribuição de cada tipo de queijo, levando em consideração apenas os custos variáveis associados à sua produção, como matéria-prima e mão de obra direta. A partir daí os gestores entenderiam quanto cada tipo de queijo contribui para cobrir os custos fixos da fazenda e, assim, eles tomariam decisões sobre preços e produção.
Alves et al. (2018) descrevem o custeio com base em atividades, também conhecido como ABC, como um método que visa reduzir os desvios causados pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. Esse método não apenas atribui custos aos produtos, mas também pode ser aplicado aos custos diretos, como a mão de obra direta. A diferença fundamental está no tratamento dos custos indiretos.
O ABC oferece duas visões para verificar os custos: uma visão econômica, que atribui custos aos elementos de custo com base nas atividades realizadas em cada setor, e uma visão de melhoria de processos, a qual analisa os custos dos processos com base nas atividades praticadas em diversos setores funcionais.
A visão vertical do custeio ABC fornece informações semelhantes às já presentes no método ABC. Por outro lado, a visão horizontal, focada na melhoria dos processos, reconhece que um processo é composto por uma sequência de atividades realizadas em diferentes setores da organização, o que permite a análise mais detalhada e a melhor compreensão dos custos envolvidos em cada etapa do processo.
O custeio ABC, segundo Alves et al. (2018), pode ser considerado um instrumento de análise de fluxos de custo, e costuma ser mais vantajoso quando há muitos processos interligados entre os setores da empresa. Por exemplo, em uma fazenda que produz diferentes tipos de grãos, o custeio ABC ajudaria a identificar os custos envolvidos em cada etapa do processo de produção, desde o plantio até a colheita, permitindo uma alocação mais precisa dos custos, além de identificar áreas para melhorias de eficiência.
O conteúdo de Cálculo de Custo de Produção é fundamental para você, futuro técnico em Agronegócio, pois fornece ferramentas destinadas a compreender e gerir os custos envolvidos na produção agrícola. Como o agronegócio envolve atividades de produção, comercialização e gestão relacionadas aos produtos agrícolas, entender os custos de produção é essencial para tomar decisões informadas sobre investimentos, precificação, planejamento de produção e avaliação de lucratividade.
Além disso, o conhecimento em Cálculo de Custo de Produção também se relaciona com a disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural. Nessa disciplina, estudamos as práticas de gestão e operação de atividades relacionadas ao turismo em áreas rurais, que, muitas vezes, incluem atividades agrícolas. Portanto, o entendimento dos custos de produção é importante para desenvolver planos de negócios sustentáveis, identificar oportunidades de melhorias e otimizar a rentabilidade das atividades turísticas relacionadas ao agronegócio.
Agora, vamos experimentar, de forma mais prática, o que estudamos na lição de hoje? O principal objetivo nosso por aqui será a aplicação dos conhecimentos adquiridos sobre diferentes métodos de custeio no contexto do agronegócio, a fim de promover a compreensão da importância da gestão eficiente de custos no sucesso de uma fazenda.
Assim, imagine a seguinte situação: você é gestor de uma fazenda, localizada em uma região agrícola de seu estado. Essa fazenda produz uma variedade de culturas, incluindo milho, soja e trigo, além da criação de gado leiteiro. No entanto ela enfrenta desafios comuns do setor agrícola, como flutuações nos preços dos produtos, variações climáticas e custos de produção em constante mudança.
Sabendo dos diferentes métodos de cálculos de custos existentes, escolha entre custeio por absorção, custeio variável e custeio ABC para analisar os custos de produção dessa fazenda. Utilizando uma abordagem qualitativa, analise e estime os custos associados à produção de cada cultura (milho, soja, trigo) e do leite. Considere fatores como sementes, fertilizantes, mão de obra, equipamentos e outros recursos necessários para cada atividade de produção.
Compare, sob diferentes métodos de custeio, os custos estimados para cada cultura e para a produção de leite, com destaque às diferenças nas abordagens e aos possíveis impactos na gestão da fazenda. Identifique, ainda, os principais desafios e oportunidades relacionados à gestão de custos da fazenda, levando em consideração as características específicas do agronegócio e os métodos de custeio discutidos em nossa lição.
Se você encontrar dados e estudos de casos, apresente a seus colegas, para se acostumarem com as atividades que farão parte da rotina de vocês, muito em breve.
Esperamos que encontre bons dados e estudos práticos resolvidos, pois, logo mais, será você a resolvê-los. Então, lhe esperamos na próxima lição. Até lá!
ALVES, A. et al. Análise de custo. Porto Alegre: Sagah, 2018.
MARTINS, E.; ROCHA, W. Métodos de custeio comparados: custos e margens analisados sob diferentes perspectivas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.