Olá, estudante! Seja bem-vindo(a) a mais uma lição da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural! Em nossa última lição, destacamos a importância da estrutura de gestão de risco e da comunicação eficaz na identificação, avaliação, tratamento e monitoramento dos riscos associados às atividades agrícolas. Além disso, identificamos a importância da adaptação e da melhoria constante das práticas de gestão em resposta às mudanças no ambiente operacional, para que você seja capaz de aplicar os princípios e as técnicas de gerenciamento de riscos de forma eficaz e responsável em sua futura carreira como Técnico(a) em Agronegócio.
Na lição de hoje, compreenderemos a importância de identificar e classificar os diferentes tipos de riscos enfrentados pelas organizações agrícolas. Também conheceremos as diversas etapas envolvidas no processo de gerenciamento de riscos. Além disso, aprenderemos como algumas tecnologias emergentes, como a Internet das Coisas (IoT) e a Inteligência Artificial (IA), estão sendo aplicadas para melhorar a eficiência e a produtividade no setor agrícola, enfatizando a importância da comunicação eficaz e do monitoramento contínuo como componentes essenciais para um gerenciamento de riscos bem-sucedido no agronegócio.
Venha comigo em um de nossos últimos passos por esta disciplina!
Você já parou para pensar no modo como as oscilações climáticas afetam não apenas a produção agrícola, mas também a gestão de estoques, os custos de produção e até mesmo o acesso a recursos hídricos vitais para a agricultura? Os produtores lidam com os riscos financeiros, especialmente em um contexto de flutuações nos preços das commodities e volatilidade nos mercados. Como resposta a esses desafios, eles adotam estratégias para reduzir os riscos financeiros, como o uso de contratos futuros ou seguros agrícolas, o que, por sua vez, impacta as estratégias de gestão dos negócios agrícolas que detêm.
Além disso, a tecnologia pode ser usada na tentativa de reduzir os riscos inerentes à atividade agrícola. Isso pode incluir a adoção de tecnologias, como drones, sensores e sistemas de monitoramento remoto, que podem melhorar a eficiência e a produtividade, além de trazerem desafios relacionados à segurança de dados e a dependência de infraestrutura tecnológica. Portanto, já que existem tantos riscos, nada melhor do que categorizá-los para facilitar o respectivo manuseio no dia a dia, não é mesmo?
Venha realizar essa tarefa comigo!
No case desta lição, vamos conhecer Alberto, um jovem agricultor que herdou a fazenda da família. Determinado a modernizar os métodos de produção e a enfrentar os desafios do agronegócio contemporâneo, ele decidiu investir em tecnologias inovadoras. Com o apoio da família e orientação de especialistas, Alberto implementou sistemas de monitoramento via IoT (Internet das Coisas) na própria plantação. Dessa forma, os sensores instalados nos campos forneciam dados em tempo real sobre as condições climáticas, umidade do solo e saúde das plantas.
Essas informações permitiam que Alberto tomasse decisões mais precisas e rápidas, desde o momento ideal de irrigação até a identificação precoce de pragas e doenças. No entanto, mesmo com tecnologias avançadas, Alberto percebeu que o agronegócio ainda enfrentava diversos riscos. Por exemplo, durante uma temporada de chuvas intensas, uma enchente inesperada devastou a plantação, resultando em danos significativos às culturas. A ausência de seguro agrícola e de estratégias para a mitigação de riscos financeiros colocou Alberto em uma situação difícil, desafiando a capacidade dele de se recuperar das perdas e manter a produção.
Determinado a superar os obstáculos, o jovem buscou aprender mais sobre gerenciamento de riscos no agronegócio. Com o auxílio de programas de capacitação e consultoria especializada, Alberto desenvolveu um plano abrangente de gestão de riscos, o que incluiu medidas para diversificar as culturas, estabelecer parcerias com outros agricultores e instituir políticas de seguro mais abrangentes. Apesar dos desafios e dos contratempos ao longo do caminho, Alberto aprendeu a importância de estar preparado para enfrentar os riscos inerentes ao agronegócio.
Com determinação, conhecimento e uso inteligente da tecnologia, Alberto não apenas fortaleceu a própria fazenda, mas também inspirou outros agricultores da região a adotarem práticas mais seguras e sustentáveis nas próprias atividades agrícolas. Portanto, o caso de Alberto demonstra como a categorização e o gerenciamento dos riscos inerentes à atividade agrícola atuam em nosso dia a dia.
Vamos explorar mais esse assunto?
Fraporti e Barreto (2018) explicam que categorizar os riscos é uma parte importante do processo de identificação e compreensão desses eventos. É mediante essa prática que se define quais eventos, tanto externos quanto internos, podem afetar os objetivos da organização, seja de forma negativa, seja de forma positiva, dentro do contexto do agronegócio. Entretanto, antes de categorizar os riscos, há uma etapa em que os objetivos estratégicos são associados aos possíveis riscos. Esta tarefa é realizada pelo conselho administrativo, responsável por definir a perspectiva da organização em relação a esses riscos, conhecida como perfil de riscos.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2017), esse perfil inclui:
Apetite ao risco: é basicamente a quantidade de risco que a organização está disposta a aceitar enquanto tenta alcançar os próprios objetivos no agronegócio.
Tolerância ao risco: trata do nível de variação aceitável para a organização quando atingir as metas e os objetivos já definidos.
Fraporti e Barreto (2018) destacam, ainda, que os objetivos estratégicos são aqueles que mostram como a organização deve operar para trazer benefícios a todos os envolvidos no sucesso, especialmente no contexto do agronegócio. Esses objetivos estão diretamente relacionados ao perfil de riscos da organização.
Na atividade de categorização dos riscos, é importante considerar dois elementos cruciais para o sucesso ou o fracasso do gerenciamento de riscos: as pessoas e a reputação. Geralmente, as pessoas são vistas como causadoras de riscos, enquanto a reputação é vista como uma consequência do resultado do gerenciamento de riscos. Os riscos ligados às pessoas podem estar presentes em diversos fatores de risco. Eles vão desde problemas de comunicação, que representam uma ameaça e podem causar prejuízos, até a eficiência na realização das atividades, que pode trazer muitos benefícios, por ser uma oportunidade no contexto do agronegócio.
Além disso, Fraporti e Barreto (2018) observam que os riscos relacionados à reputação da organização, como a imagem perante o público, por outro lado, não são um tipo específico de risco, mas uma consequência de um gerenciamento de riscos deficiente. Isso pode ocorrer quando um erro se torna conhecido publicamente, o que pode ser especialmente crítico no agronegócio, em que a confiança dos consumidores é vital.
Quanto à classificação dos riscos, não há um único padrão que sirva para todas as organizações. A categorização deve ser adaptada de acordo com as particularidades de cada empresa, levando em consideração alguns fatores, como ramo de atuação, mercado em que atua, concorrentes e clientes. No agronegócio, por exemplo, os riscos podem incluir variações climáticas, mudanças na legislação agrícola ou até mesmo flutuações nos preços das commodities. Portanto, é crucial considerar todos os elementos que possam representar riscos e que estejam ligados ao alcance dos objetivos estratégicos da empresa neste setor.
Uma abordagem comum para categorizar os fatores de risco é considerar a origem dos eventos ou a natureza dos riscos, assim como é descrito pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2017). Identificar a fonte de um evento é fundamental, pois isso facilita a tomada de decisões relacionadas ao gerenciamento de riscos.
Esses riscos estão relacionados aos eventos que surgem na própria estrutura da organização. Podem ser consequência dos processos, dos funcionários, da tecnologia disponível e de outros fatores internos. Aqui, a organização tem a responsabilidade de agir diretamente, de forma rápida e proativa. Por exemplo, no agronegócio, um risco interno pode ser uma falha nos processos de irrigação, o que leva a uma redução na produtividade da lavoura.
Esses riscos estão ligados a eventos que ocorrem fora da organização. Normalmente, estão associados à política, à economia, à sociedade, à cultura e ao setor ou ao mercado em que a empresa opera. Nesse caso, a organização não pode intervir diretamente para evitá-los, mas pode se preparar para agir de forma reativa conforme os eventos se desenrolam. Isso significa que os riscos externos também podem ser gerenciados, mas é necessário que a organização esteja preparada para reagir e enfrentá-los. Por exemplo, no agronegócio, eventos externos, como mudanças climáticas extremas, podem afetar a produção agrícola, exigindo uma resposta rápida e adaptável da empresa.
Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2017), é fundamental classificar a natureza de cada risco, pois isso permite organizar todos os fatores de risco de acordo com a área ou o nível organizacional ao qual pertencem. Os riscos podem pertencer a uma ou mais categorias, conforme descrito a seguir.
Estão ligados às decisões tomadas pela alta administração da organização, que podem resultar em perdas ou prejuízos significativos. Em muitos casos, decisões inadequadas de gestão podem levar a fraudes nos registros financeiros para encobrir problemas. Por exemplo, no agronegócio, uma decisão estratégica mal planejada pode resultar em grandes perdas financeiras devido a investimentos em culturas inadequadas para o clima da região.
Estão relacionados a perdas decorrentes de falhas nos processos internos, falta de competência ou preparo dos funcionários, sistemas de informática não confiáveis e eventos externos, como desastres naturais ou greves de fornecedores. Geralmente, esses riscos levam à interrupção parcial ou total das atividades de uma ou mais áreas da empresa, causando impacto negativo em sua imagem perante à sociedade. Por exemplo, no agronegócio, um risco operacional pode ser a falta de manutenção adequada dos equipamentos agrícolas, resultando em atrasos na colheita ou na qualidade dos produtos.
Estão associados às operações financeiras da organização, com o risco de má gestão do fluxo de caixa, que pode levar a um endividamento excessivo. Esses riscos podem causar sérios problemas financeiros para a empresa. No agronegócio, um risco financeiro poderia ser, por exemplo, a má administração dos custos de produção, levando a dificuldades para arcar com despesas, como compra de insumos ou pagamento de salários.
Fraporti e Barreto (2018) explicam que o gerenciamento de riscos, normalmente, envolve cinco fases distintas, cada uma com várias etapas ou conjuntos de atividades:
Identificação: todos os fatores de risco são reconhecidos e definidos com um nível básico de detalhamento. Isso inclui categorizar os diferentes tipos de riscos que podem surgir no agronegócio, como variações climáticas imprevistas ou instabilidades no mercado.
Avaliação: cada fator de risco é examinado quanto à probabilidade de ocorrer e ao impacto que pode ter, seja positivo ou negativo. Por exemplo, no agronegócio, pode-se avaliar o risco de uma praga afetar uma plantação e o impacto financeiro dessa eventualidade.
Tratamento: são elaboradas respostas para lidar com cada um dos fatores de risco identificados. A estratégia mais comum é a aceitação ativa, momento em que se decide conscientemente aceitar o risco. Todavia, também existem outras abordagens, como a implementação de medidas para mitigar ou transferir o risco, como o uso de seguros agrícolas.
Monitoramento: consiste na avaliação contínua dos fatores de risco e no acompanhamento das respostas adotadas para lidar com eles. É importante garantir que as estratégias de gerenciamento de riscos permaneçam eficazes ao longo do tempo, especialmente no ambiente dinâmico do agronegócio.
Comunicação: essa fase é crucial em todas as outras etapas do processo. Uma comunicação eficaz é essencial para o processo de tomada de decisões resultante do gerenciamento de riscos, garantindo que todas as partes interessadas no agronegócio estejam cientes dos riscos identificados e das medidas tomadas para gerenciá-los. Isso pode incluir comunicações com agricultores, investidores, parceiros comerciais e outros envolvidos na cadeia de valor do agronegócio.
Tavares (2018) destaca que as abordagens baseadas na Internet das Coisas (IoT) estão transformando a gestão de riscos e impulsionando a produtividade dos agricultores. Com essas abordagens, a coleta de dados é automatizada, o que, por sua vez, reduz os custos de trabalho. Apesar do acesso a uma grande quantidade de informações, muitos agricultores enfrentam o desafio de aproveitar esses dados de maneira eficaz. Felizmente, as inovações tecnológicas estão avançando rapidamente e, em breve, a Inteligência Artificial poderá analisar grandes volumes de dados em tempo hábil, oferecendo as melhores estratégias de produção.
Quando um produtor planta uma semente, ele automaticamente assume alguns riscos, como a incerteza sobre o preço do produto no momento da venda, a possibilidade de não cobrir os custos de produção e até mesmo de ter prejuízos. Esses riscos são inerentes à atividade econômica! A produção agrícola enfrenta uma variedade de riscos, o que adiciona instabilidade a toda a cadeia produtiva. Os mercados futuros são uma alternativa para reduzir os riscos de preço, possibilitando um melhor planejamento e aumentando a competitividade das cadeias agrícolas.
Na lição de hoje, entendemos como a categorização de riscos é um assunto que o(a) Técnico(a) em Agronegócio precisa conhecer, pois é essencial a compreensão clara dos diferentes tipos de riscos que afetam as atividades agrícolas. Ao identificar esses riscos, o(a) técnico(a) pode desenvolver estratégias específicas para mitigá-los, melhorando a eficiência operacional e a resiliência das operações agrícolas.
Como forma de aprofundar ainda mais os seus conhecimentos em relação a esse assunto, hoje, faremos uma nova simulação em relação ao Gerenciamento de Riscos no Agronegócio. No entanto, como já temos mais conhecimento dessa temática, será aumentado o grau de exigência. Primeiro, quero que você e os seus colegas se dividam em grupos de trabalho, cada um representando uma fazenda fictícia na mesma região agrícola. Em seguida, quero que vocês sorteiem as seguintes situações:
Variações Climáticas: uma temporada de seca prolongada afeta a disponibilidade de água para irrigação, comprometendo a saúde das plantações.
Flutuações nos Preços das Commodities: o preço internacional do café cai drasticamente devido a uma superprodução global, afetando a lucratividade das fazendas cafeicultoras na região.
Pragas e Doenças: uma infestação de cigarrinhas ameaça destruir plantações de milho em toda a região, exigindo medidas urgentes de controle e manejo integrado de pragas.
Problemas de Infraestrutura: uma ponte importante que conecta a área rural à cidade mais próxima desaba durante uma tempestade, dificultando o transporte de insumos e produtos agrícolas.
Instabilidade Política: mudanças repentinas na legislação agrícola trazem incertezas sobre os incentivos fiscais e os subsídios disponíveis para os produtores, impactando as estratégias de investimento e planejamento.
Falhas nos Equipamentos Agrícolas: uma colheitadeira quebra durante o pico da temporada de colheita, causando atrasos na colheita e potenciais perdas de produtividade.
Quando cada grupo já estiver com o cenário, quero que comecem a identificar e a classificar cada tipo de risco de acordo com a origem (interna ou externa) e natureza (estratégica, operacional ou financeira). Após a categorização dos riscos, os grupos devem desenvolver um plano de gerenciamento de riscos para a fazenda fictícia. É preciso, ainda, considerar estratégias de redução, transferência e aceitação de riscos, levando em consideração as características específicas de sua operação agrícola.
Realizadas as atividades, é claro que cada grupo deve exibir o plano de gerenciamento de riscos aos demais colegas, explicando as escolhas e as justificativas. Assim, todos incentivarão os colegas a analisar os diferentes enfoques adotados por cada grupo e a identificar as vantagens e as desvantagens de cada estratégia de gerenciamento de riscos. Ótima atividade!
FRAPORTI, S.; BARRETO, J. Gerenciamento de riscos. Porto Alegre: SAGAH, 2018.
IBGC. Gerenciamento de riscos corporativos: evolução em governança e estratégia. São Paulo: IBGC, 2017.
TAVARES, M. F. de F. Introdução à gestão do agronegócio. 2. ed. Porto Alegre: SAGAH, 2018.