Olá, querido aluno! Seja bem-vindo a mais uma lição da disciplina de Produção, Serviços e Turismo Rural, do curso Técnico em Agronegócio. Já estamos a algumas lições aprendendo essa importante possibilidade de atuação em uma propriedade rural. Na última lição, aprendemos como identificar uma boa oportunidade de mercado, até porque, não basta termos boas ideias se elas não forem viáveis. Assim, aprendemos várias características que podem nos auxiliar nesse processo de decisão, e uma delas é a que foi chamada de demanda latente. Você deve lembrar o que significa, não é mesmo?! No entanto, reforço aqui para você que se trata de uma necessidade ou desejo que ainda não foi plenamente satisfeita pelos produtos ou serviços que existem no mercado.
Na lição de hoje, nos aprofundaremos mais nessa vertente e estudaremos um pouco mais como são formadas as demandas por serviços turísticos, ou ainda, como aprender a identificá-las para transformá-las em ótimas oportunidades de mercado. Espero que você tenha se motivado a vir comigo, mais uma vez, nessa jornada. Vamos lá?!
Imagine que você mora em uma propriedade rural e, em uma análise, visualize uma oportunidade de utilização alternativa do local, ou, então, imagine que você foi contratado por um produtor rural para desenvolver um projeto visando uma atividade diferente daquela que ele realiza até o momento.
Bom, talvez você pense que um elemento crucial nessa decisão é: será que haverá público para essa minha nova oferta? Ou ainda, em outras palavras, será que existe uma demanda latente ou consumidores potenciais para esse empreendimento? Todos esses assuntos nos fazem pensar um pouco sobre o que devemos oferecer, de acordo com o que o público espera receber.
Quando falamos do setor turístico como um todo, e também em relação ao Turismo Rural – ou Turismo no Agronegócio – isso não é diferente. Precisamos visualizar qual é, ou será, a demanda para aquele serviço. Além disso, precisamos analisar se podemos induzi-la, ou seja, é necessário pensar em atitudes que levem os consumidores a desejar, mais, um determinado produto. Isso porque, se existir oportunidade de criação de demanda para um produto, podemos então administrar e direcionar clientes ao nosso negócio ou a uma região específica. Devemos, no entanto, fazer isso de maneira consciente e programada. Vamos entender um pouco mais esse assunto na lição de hoje. Vem comigo?!
O estudo de caso que vamos tratar hoje é um episódio fictício, no entanto, vou tentar aproximá-lo ao máximo de sua realidade, para que se torne algo possível de ser realizado. Trata-se de uma comunidade agrícola em meio às montanhas dos Andes, que enfrentava desafios econômicos severos e constantes. Frente a essa situação, os moradores da vila se organizaram e estavam determinados a encontrar uma maneira de prosperar e, ao mesmo tempo, manter suas tradições e conservar o ambiente natural que os cercavam.
Esse movimento foi liderado por Sofia, uma jovem que tinha estudado, em sua época de ensino médio, administração, turismo, agronegócio e outros temas que foram importantíssimos para que ela entendesse que tipo de turista estaria interessado em visitar esse vilarejo. Ela sabia também que, após identificar esse grupo, deveria adaptar o local para recebê-lo, de maneira que eles encontrassem aquilo que estavam procurando ao visitar tal destino.
Para isso, Sofia começou a fazer pesquisas, realizar entrevistas com os visitantes que passavam por ali, e percebeu que a principal demanda era a busca por experiências autênticas, o contato com as montanhas, principalmente motivados pela fuga da agitação da cidade, pelo experimento da vida no campo e por desfrutar aventuras ao ar livre. A partir disso, Sofia e os demais moradores envolvidos realizaram a elaboração de um Plano de Negócios do que veio a se chamar o Refúgio da Montanha Encantada. Era localizado em uma antiga fazenda, que foi transformada numa pousada acolhedora, onde os quartos tinham vistas para os picos das montanhas, para que os hóspedes pudessem ver o nascer e o pôr do sol de suas camas.
Além disso, foi desenvolvido um roteiro de atividades, incluindo caminhadas, passeio a cavalo, observação de aves e aulas de culinária tradicional local. Assim, os moradores daquela vila conseguiram não apenas resolver os seus problemas financeiros, mas garantir geração de empregos e elevar a sua renda sem prejudicar o ambiente e, ainda, transmitindo suas tradições para pessoas de todo o mundo.
Para divulgar seu trabalho, criaram páginas em redes sociais, onde divulgaram fotos profissionais da área, filmagens dos primeiros clientes em suas atividades programadas, colheram depoimentos dos turistas que por ali passavam e, assim, conseguiram atrair uma enorme demanda para o local, que acabou por transformar a comunidade em um local próspero e mundialmente conhecido.
Você percebe como identificar a demanda e ajustar o serviço de acordo com o cliente é um fator-chave para o sucesso? Mas, uma coisa é certa, para que você tenha sucesso nessa atividade é preciso conhecer mais o assunto. Então, nesta lição, esse será o nosso foco. Aprenda a fazer isso e será bem sucedido na vida e em seus negócios!
Seja qual for o negócio a que nos propormos, independentemente do produto ou serviço que estivermos dispostos a oferecer, entender a demanda é essencial para o sucesso de qualquer empreendimento. Isso também inclui o setor de Turismo Rural, principalmente pelo fato de que a demanda é um fator que impulsiona o mercado e influencia diretamente o desenvolvimento e a oferta de serviços. É por essa variável que podemos verificar se um determinado serviço está sendo bem aceito pelo público, ou se necessita de modificações.
Quando pensamos em Turismo Rural, visualizar a demanda significa entender os interesses dos turistas ao visitar determinada região ou ao utilizar os serviços oferecidos pelas propriedades rurais. Precisamos entender que eles desejam experiências únicas e autênticas, sejam elas relacionadas ao ambiente rural, à agricultura ou à cultura local. Destacamos também que essa demanda não é algo definido e duradouro. Na verdade, nem mesmo é algo previsível ou que tenha certa precisão. Isso significa que, a todo momento, devemos investigar quais são os fatores que impulsionam essa demanda e como podemos trabalhar com eles para que ela se concretize.
Em outras palavras, ocorre um efeito, já denominado em nossas lições, de sazonalidade, ou seja, oscilações importantes entre diferentes períodos de tempo, como altas e baixas temporadas, eventos culturais, ou, até mesmo, épocas de colheitas e outros eventos. Isso faz com que a procura, aqui sinônimo de demanda, dos turistas oscilem de um local para o outro ou de um período para outro. É claro que fatores como a localização geográfica de uma propriedade podem ser os responsáveis pela sua maior demanda. É o caso de propriedades próximas a centros urbanos ou destinos populares amplamente consagrados historicamente, a cultura local, incluindo as tradições culinárias, e outros eventos que levem o potencial cliente escolher os nossos serviços ao invés de outras opções disponíveis.
Desse modo, devemos continuar com as orientações passadas anteriormente em nossas lições, conhecer o nosso próprio público. Sabendo que existem diversos tipos de turistas que desejam diversos tipos de produtos ou serviços diferenciados, não adianta replicar uma ideia de sucesso em outra localidade ou período de tempo. É necessário que se conheça realmente o público a quem está se oferecendo aquele serviço naquele momento do tempo. E para tanto, emprestamos aqui, conceitos do pessoal do marketing, a chamada identificação de Persona, que não pretendo estender aqui, pois não é foco de nossa disciplina, mas que representa o personagem que identifica a pessoa para quem se oferece o serviço, uma espécie de “avatar” de nosso cliente, seu perfil, prioridades, gostos, necessidades, entre outros aspectos.
Assim, se eu tivesse que resumir toda a nossa matéria em uma única frase, isso seria um tanto quanto difícil. No entanto, talvez o que aprendemos até o momento, pelo que você já estudou até aqui, poderia fazer isso dizendo que estamos produzindo um bem ou prestando um serviço para um determinado consumidor. Atender às suas necessidades é a nossa obrigação, obter sucesso é a consequência de um bom atendimento, é esse nosso objetivo, nunca o contrário. Em outras palavras, primeiro se identifica a demanda, as necessidades, as dores do cliente e, em seguida, se oferece um produto que supra essas expectativas. Assim, a chance de sucesso é elevada exponencialmente.
Segundo Santos e Souza (2010), o potencial do espaço rural atual não está limitado a sua capacidade produtiva, mas, sim, contempla uma série de fatores e atribuições das quais não pensávamos há anos, devido nossa visão de mundo, desejos e angústias temporais. Em outras palavras, a cada momento do tempo essas questões tomam um novo rumo, e, em relação ao Turismo Rural, a demanda tem sido, sobretudo, crescente, devido a questões como visualização de uma melhor qualidade de vida, fuga da vida corrida e estressada da cidade, uma necessidade recorrente e extrema de descompressão. Esses e diversos outros atributos levam a valorizar mais a paisagem natural, a qualidade de vida, o bem-estar, idealizações e buscas que vão ao encontro dos desejos da população urbana em cada período de tempo.
Assim, devo lembrar a você alguns fatores que podem auxiliar nessa identificação do público-alvo de seus serviços prestados, como fatores demográficos, relacionados à faixa etária desses clientes, sua origem geográfica, ou seja, características que nos façam adaptar nossas ofertas de acordo com os grupos de consumidores encontrados. Além disso, lembramos dos fatores comportamentais, ou seja, das preferências em relação a atividades ao ar livre, interação com a natureza, padrões de compra, mecanismos pelos quais podemos atingir esses clientes potenciais com anúncios e vários outros fatores. Precisamos entender, inclusive, por que esses clientes demandam nossos serviços, ou seja, sua motivação; se estão fugindo do estresse urbano, se realmente se interessam pela cultura local, ou se apenas desejam vivenciar atividades, ter o contato com a natureza e desenvolver habilidades novas.
Depois de identificar a demanda, precisamos nos ajustar a ela, e nisso o planejamento estratégico é muito bem-vindo e essencial, pois uma coisa é identificar uma oportunidade de mercado, outra é aproveitá-la. Se fizemos bem a primeira parte, sabemos exatamente quais serviços deverão ser oferecidos. Acontece que, em relação à prestação de serviço em geral, podemos nos esbarrar com assuntos como: existe uma infraestrutura que nos dê suporte para execução desse tipo de atividade? Ou ainda, quais serão os aspectos legais e regulatórios que enfrentaremos ao decidir prestar esse determinado serviço? Alguns assuntos serão temas de lições futuras, mas cabe aqui destacar que são fatores que influenciam, e muito, a demanda existente e o atendimento a essa demanda identificada.
E claro, não poderia finalizar essa lição sem comentar o papel do marketing para estimular, criar e potencializar essa demanda. Para se obter maior chance de sucesso em um empreendimento como esse, é necessário que sejam criadas estratégias para promoção e comercialização dos serviços, iniciando pela parte de identificar o público-alvo, o que pode ser muito bem executado mediante pesquisas de mercado ou consultas públicas sobre intenções de consumo da população, isso porque a identificação permite que se personalize o serviço de acordo com o público a ser oferecido.
Esse papel é amplamente executado pelas mídias sociais, atualmente, sendo que elas têm um papel fundamental na promoção desses empreendimentos. O simples compartilhamento de fotos, vídeos e histórias em redes sociais pode levar uma enorme demanda de turistas para um local turístico. Por outro lado, podemos, inclusive, utilizar esses meios digitais para facilitar o atendimento das demandas operacionais, como realização de ofertas, reservas, elaboração de pacotes de serviços com agências de turismo, promoções visando datas comemorativas ou feriados locais, entre outros itens.
É importante destacar também que a visualização de uma demanda para o turismo rural pode acarretar diversos benefícios à comunidade local. É o que ficou comprovado no trabalho de Souza e Morais (2007), quando ao analisar a inserção do Turismo Rural em uma determinada comunidade rural do Estado do Rio Grande do Sul, conseguiu-se mensurar que, após esse episódio, promoveu-se a valorização, conscientização e ampliação da conservação de recursos naturais nessa comunidade. Além disso, ao visualizar a demanda crescente para essa região, os agricultores passaram a exercer um trabalho em equipe, no qual, toda a população passou a explorar as potencialidades existentes e identificá-las em suas propriedades. Isso permitiu que não apenas se conservasse o patrimônio histórico e arquitetônico existente, mas também se divulgasse e reforçasse a importância das tradições e produtos oferecidos naquela região que, segundo nossos estudos, ajudaria a intensificar e refinar a demanda existente.
Em outras palavras, identificar a demanda é item obrigatório. Saber como atendê-la é um trabalho que deve ser realizado com bastante cuidado, um ótimo planejamento estratégico. A execução desse planejamento, no entanto, deve ser realizada sempre atualizando as condições previstas, para que se possa atender da melhor forma possível um consumidor e suas necessidades.
O entendimento da demanda de serviços turísticos é fundamental para o profissional técnico em agronegócio, pois possibilita a diversificação das fontes de renda. Ao conhecer as preferências dos turistas, o profissional pode integrar atividades turísticas às práticas agrícolas, gerando uma fonte adicional de receita. Além disso, o conhecimento da demanda contribui para um planejamento estratégico mais eficiente. No aspecto de oportunidades de negócio, o conhecimento a respeito da demanda permite a identificação de lacunas no mercado. Assim, você, futuro técnico em agronegócio, poderá perceber oportunidades que atendam às necessidades específicas dos turistas, seja por meio de produtos agrícolas diferenciados, experiências únicas ou serviços personalizados.
Agora chegou o momento da nossa atividade, e realizaremos a aplicação dos conhecimentos aprendidos na lição. Inicialmente, gostaria que você pensasse em um cenário hipotético que pode ser encontrado em sua atuação profissional futura. Imagine uma fazenda de agroturismo, ou, ainda, uma pousada em uma área rural. O primeiro passo para identificação da demanda pode ser realizado respondendo algumas perguntas, como:
Quem é o público-alvo?
Quais são as necessidades e interesses desse público?
Como vocês podem ajustar os serviços oferecidos de acordo com a demanda identificada?
Após a identificação da demanda, vem a parte de elaborar as estratégias para atender essa demanda. Isso inclui responder a mais algumas perguntas, tais como:
Como é a infraestrutura disponível na região?
Quais os aspectos legais e regulatórios que você terá que enfrentar?
Quais as estratégias de marketing que poderão ser utilizadas?
Além disso, pense nos benefícios que essa atividade pode trazer à comunidade local, e se você tiver oportunidade, apresente aos demais colegas a proposta do seu grupo e as maneiras definidas para tornar esse empreendimento algo viável. Se possível, elabore uma apresentação com slides, cartazes ou apenas apresente oralmente. Esse desenvolvimento também permitirá que você e seus colegas entendam melhor como as distintas demandas devem ser atendidas de maneiras diferentes.
Se possível, identifique alguns empreendimentos reais que estão na sua região, para contextualizar a sua atuação e visualizar na prática quais as estratégias que foram assertivas ou não em cada situação encontrada. Espero que essa atividade traga a você todo envolvimento e atenção necessários para fixação dos conteúdos aqui abordados. Desejo uma boa atividade e espero você na próxima lição!
SANTOS, E. de O.; SOUZA, M. de (org.). Teoria e prática do turismo no espaço rural. Barueri- SP: Manole, 2010.
SOUZA, M. de; MORAES, C. dos S. A experiência da introdução do turismo numa comunidade rural do estado do Rio Grande do Sul. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO RURAL. Cultura no Espaço Rural Brasileiro. 6., 2007, Piracicaba. Anais [...] Piracicaba: Fealq, 2007.