Olá, estudante!
Seja bem-vindo(a) a mais uma lição de nossa disciplina. Já caminhamos para o fim de nossos estudos sobre Produção, Serviços e Turismo Rural. Inclusive, alguns desses assuntos já finalizamos por aqui. Na última lição mesmo, falamos sobre os principais métodos de custeio utilizados na gestão de custos, com foco no contexto do agronegócio e em outras áreas de atuação. Vimos ainda sobre como cada abordagem pode ser útil na gestão eficiente dos custos de produção, permitindo aos gestores tomar decisões estratégicas para otimizar os recursos, controlar os custos e maximizar os lucros.
Na lição de hoje, abordaremos os principais objetivos do Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS) e sua aplicação no contexto do agronegócio. Entre os principais objetivos, está a busca por vantagens competitivas, por meio da definição de estratégias competitivas claras, e a maximização das interações entre as partes da cadeia produtiva para atender eficientemente o consumidor final, reduzindo custos e melhorando a satisfação do cliente.
Além disso, veremos a criação de parcerias estratégicas visando controlar o custo total, melhorar a qualidade dos produtos e ampliar a gama de serviços ao consumidor. Veremos também a simplificação das tomadas de decisão operacionais, por meio da clareza nas funções de cada processo na cadeia de suprimentos, e o estímulo à colaboração, à comunicação e ao compartilhamento de informações entre os diversos agentes da cadeia, visando superar as barreiras à integração e promover um desempenho eficaz do SCM. Venha comigo aprender mais sobre esses assuntos na lição de hoje!
Apesar dos benefícios evidentes do Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS) no contexto do agronegócio, sua implementação enfrenta uma série de desafios e complexidades. Um dos principais desafios reside na resistência à mudança, por parte dos diversos atores envolvidos na cadeia de suprimentos. A integração eficaz dos processos internos e externos das empresas requer uma mudança de mentalidade e cultura organizacional, o que pode ser difícil de alcançar em um ambiente tradicionalmente marcado pela autonomia e fragmentação.
Além disso, a natureza dinâmica do agronegócio, sujeita a flutuações sazonais, condições climáticas imprevisíveis e volatilidade nos preços dos produtos agrícolas, apresenta desafios adicionais para a gestão eficaz da cadeia de suprimentos. A necessidade de adaptação rápida e flexível a essas mudanças requer uma infraestrutura logística robusta e sistemas de informação ágeis, o que nem sempre está disponível em todas as organizações do setor.
Outra questão crítica é a complexidade das relações entre os diversos atores da cadeia, incluindo produtores, fornecedores de insumos, distribuidores, varejistas e consumidores. A busca por alinhamento de interesses, compartilhamento de informações e cooperação efetiva nem sempre é fácil de alcançar, especialmente em um ambiente competitivo onde cada parte busca maximizar seus próprios interesses. Essa falta de colaboração pode levar a rupturas na cadeia de suprimentos, atrasos nas entregas e perdas financeiras para todas as partes envolvidas. Vamos entender então como podemos inserir essas ferramentas no contexto do agronegócio na lição de hoje?
Havia uma pequena comunidade agrícola localizada na região do interior do estado do Mato Grosso do Sul, no Brasil. Nos últimos anos, essa propriedade vem enfrentando desafios crescentes devido ao aumento da concorrência e das flutuações de preços dos produtos agrícolas. Determinados a manter a fazenda prosperando, os donos da propriedade decidiram adotar uma abordagem inovadora: o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS).
Inspirados por uma palestra oferecida pela cooperativa local, decidiram implementar algumas das práticas aprendidas em sua fazenda. Eles começaram integrando melhor seus processos internos, desde o plantio até a colheita e a distribuição. Usando tecnologia para monitorar o clima e prever a demanda do mercado, eles foram capazes de planejar suas safras com mais eficiência e reduzir o desperdício.
Além disso, estabeleceram parcerias estratégicas com fornecedores de insumos agrícolas e redes de distribuição, compartilhando informações e recursos para otimizar a produção e reduzir os custos. Como resultado, eles viram um aumento na qualidade de seus produtos, uma redução nos custos operacionais e um aumento na satisfação dos clientes. A fazenda tornou-se um exemplo de sucesso no agronegócio local e, também, nos mostra como o GCS pode transformar uma pequena operação agrícola em um empreendimento sustentável e lucrativo.
Pozo (2019) discute o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS), conhecido como Supply Chain Management (SCM), como uma nova e promissora abordagem para empresas que buscam vantagens competitivas. Ele destaca a importância de as empresas definirem suas estratégias competitivas ao se posicionarem como fornecedores e clientes dentro das cadeias produtivas em que operam. O SCM abrange toda a cadeia produtiva, incluindo as relações com fornecedores e clientes, e traz uma mudança significativa na visão de competição no mercado.
No SCM, o foco está em maximizar as interações entre as partes da cadeia produtiva para atender, mais eficientemente, o consumidor final, reduzindo os custos. As práticas eficazes implementadas pelas principais organizações em todo o mundo buscam simplificar e tornar a cadeia produtiva mais eficiente e lucrativa. Isso é alcançado adicionando mais valor aos produtos finais, reduzindo o volume de informações e os custos de transporte e armazenamento e diminuindo a variabilidade na demanda por produtos e serviços finais. Por exemplo, no agronegócio, a aplicação do SCM pode envolver a otimização da logística para reduzir o tempo e os custos de transporte de produtos agrícolas do campo para o mercado, garantindo, assim, que os produtos cheguem frescos e com alta qualidade aos consumidores, ao mesmo tempo que se reduzem os custos e os impactos ambientais.
Pozo (2019) descreve cinco passos importantes para implementar o SCM:
Isso envolve conectar os sistemas de informações, especialmente os computacionais, e usar sistemas entre fornecedores, clientes e operadores logísticos. Essa integração permite atender melhor os clientes e reduzir significativamente os custos. Por exemplo, permite adotar entregas Just-In-Time, sob encomenda, e diminuir os estoques em geral.
Envolver os fornecedores desde o início do desenvolvimento de novos produtos tem sido crucial. Isso ajuda a reduzir o tempo e os custos de desenvolvimento dos produtos, além de garantir que atendam aos requisitos reais dos clientes. Por exemplo, no agronegócio, trabalhar com fornecedores desde a fase de planejamento de cultivos pode ajudar a garantir a disponibilidade oportuna de insumos agrícolas necessários e reduzir custos.
Esse passo envolve projetar os produtos considerando seu desempenho logístico na cadeia de suprimentos, buscando reduzir custos em todo o processo e facilitar o atendimento ao cliente. Por exemplo, no agronegócio, isso poderia significar desenvolver embalagens que facilitem o transporte e a armazenagem de produtos agrícolas, reduzindo custos e garantindo a qualidade do produto final.
Aqui, a empresa estrutura estrategicamente os fluxos da cadeia de suprimentos e controla o desempenho em relação aos objetivos da cadeia produtiva como um todo. Por exemplo, no agronegócio, isso poderia envolver o planejamento de rotas de transporte eficientes para garantir a entrega oportuna e segura dos produtos aos clientes.
Nesse passo, a empresa reestrutura suas relações com fornecedores e clientes, concentrando-se em construir parcerias fortes e colaborativas. Isso pode envolver a redução do número de fornecedores e clientes para focar em relacionamentos mais estratégicos. No agronegócio, isso poderia significar estabelecer parcerias de longo prazo com produtores agrícolas confiáveis e distribuidores que compartilhem os mesmos valores e objetivos de negócio.
Pozo (2019) destaca ainda o conceito de outsourcing, como sendo uma parte importante do SCM. Originalmente utilizado em áreas consideradas secundárias, o outsourcing agora é amplamente adotado em setores, como manufatura, manutenção, distribuição e marketing. Ele envolve a contratação de uma terceira empresa para fornecer parte dos produtos e serviços necessários dentro da cadeia produtiva, em um relacionamento colaborativo e interdependente.
Essa empresa terceirizada trabalha continuamente para melhorar sua capacidade de atender às necessidades do cliente, enquanto o cliente mantém uma estreita integração colaborativa. É fundamental entender que o outsourcing não se resume à subcontratação ou terceirização; é uma relação de parceria e lealdade com fornecedores estratégicos na cadeia produtiva. O SCM está crescendo tanto globalmente quanto no Brasil, com avanços significativos tanto em serviços quanto na indústria.
Pozo (2014) introduz o conceito de Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM), também conhecido como Gerenciamento da Logística Empresarial, que abrange desde a obtenção de matérias-primas até a distribuição aos consumidores finais. O autor destaca que, para as empresas, a excelência logística se tornou uma vantagem competitiva significativa. Nas décadas de 1980 e 1990, a percepção da logística mudou: não era apenas sobre reduzir custos, mas também sobre melhorar produtos e serviços para os clientes. Isso marcou o início da inclusão do SCM como um diferencial de custo.
Além disso, Pozo (2014) discute o conceito em constante evolução da Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM), especialmente relevante no contexto do agronegócio. Ele destaca que o SCM é uma filosofia administrativa que busca integrar competências, recursos e funções de negócios dentro e fora da organização, visando agregar valor aos serviços oferecidos aos consumidores.
No contexto do agronegócio, o objetivo primordial do SCM é criar interação entre as partes da cadeia produtiva, visando atender, de forma eficiente, o consumidor final, reduzindo custos e melhorando a satisfação do cliente. Isso requer cooperação entre as organizações envolvidas, desde os produtores agrícolas até os distribuidores e varejistas. Pozo et al. (2019) destacam que o SCM busca controlar o custo total, melhorar a qualidade dos produtos, ampliar a gama de serviços ao consumidor e, consequentemente, aumentar os lucros. Isso é alcançado por meio de parcerias estratégicas que beneficiam toda a cadeia produtiva, envolvendo processos de negócios, clientes e fornecedores e integrando todas as atividades logísticas.
No mundo do agronegócio, isso pode significar estabelecer parcerias sólidas com fornecedores de insumos agrícolas, distribuidores e varejistas para garantir a disponibilidade oportuna de produtos agrícolas frescos e de alta qualidade para os consumidores, ao mesmo tempo que se otimizam os processos de produção e distribuição para reduzir custos e aumentar a eficiência.
Integrar processos internos e externos de uma empresa é um desafio significativo. No entanto, quando uma empresa consegue gerenciar eficazmente o SCM, alcança uma série de objetivos valiosos, como aumento da participação de mercado e crescimento das vendas, redução do estoque, diminuição dos custos de SCM, redução dos prazos de entrega, maior flexibilidade no atendimento às demandas dos clientes e melhoria na precisão das previsões (KATUNZI, 2011).
É importante ressaltar que o foco nas relações empresariais e na habilidade de explorá-las não deve se limitar apenas ao ambiente corporativo de unidades empresariais individuais. Como mencionado por Katunzi (2011), a busca por inter-relações, por parte de alguns concorrentes, está motivando outros a fazerem o mesmo ou então correm o risco de perder sua posição competitiva. Isso destaca a importância de uma abordagem colaborativa e integrada no SCM, tanto dentro das empresas quanto entre elas e seus parceiros comerciais.
Pozo (2019) destaca a importância dos processos eficientes e da inovação na produção de veículos automotivos. Para atender à demanda dos clientes de forma segura e manter o equilíbrio da produção, é necessário um fornecimento reativo e eficaz. A escolha dos fornecedores passa por rigorosas avaliações, visando obter colaboração no projeto do produto, na análise e na melhoria dos processos de produção, garantindo qualidade para ambas as partes envolvidas, pois uma vantagem significativa na compra pode impactar positivamente o lucro.
Uma cadeia de suprimentos bem estruturada apoia a adoção das melhores práticas para atender às demandas não apenas dos produtos resultantes de seus processos de negócios específicos, mas também de todos os outros produtos originados na interação com outros parceiros comerciais. Isso ressalta a importância de uma cadeia de suprimentos integrada e colaborativa para o sucesso do setor. Pozo (2019) destaca ainda que a clareza nas funções de cada processo na cadeia de suprimentos simplifica a tomada de decisões operacionais, especialmente aquelas relacionadas à sincronização e ao ajuste entre as operações internas. Esses ajustes, muitas vezes, envolvem a padronização de formatos de dados para uso em sistemas de informação ou de procedimentos operacionais internos para garantir a execução uniforme das tarefas.
A estrutura da cadeia de suprimentos é composta por potenciais fornecedores, fabricantes, distribuidores, varejistas e consumidores, conectados por fluxos bidirecionais de materiais, financeiros e de informação. Dentro desse contexto, destacam-se três fluxos principais: informação (comunicação de dados e informações ao longo da cadeia de suprimentos), materiais (movimento físico dos produtos desde a matéria-prima até o consumidor final) e financeiros (transferência de pagamentos e transações ao longo da cadeia).
Sob a perspectiva da cadeia de suprimentos, há uma correlação entre o alinhamento dos relacionamentos empresariais e o desempenho dos fornecedores. Quando os compradores detêm o poder, há uma tendência à proatividade, incentivando a aproximação e o desenvolvimento de novos produtos pelos fornecedores. Isso facilita as iniciativas de integração e melhoria do SCM.
Para implementar o SCM no contexto do agronegócio, é importante considerar que as barreiras podem ser difíceis de superar devido à resistência à mudança. No entanto, de acordo com Richey et al. (2010), os facilitadores da integração têm um impacto maior no desempenho do que as próprias barreiras. Alguns facilitadores-chave incluem o compartilhamento de informações, a comunicação eficaz e a definição de metas e objetivos comuns. No agronegócio, por exemplo, o compartilhamento de informações sobre condições climáticas, previsões de mercado e técnicas agrícolas entre os diversos agentes da cadeia, como produtores, fornecedores de insumos, distribuidores e varejistas, pode melhorar significativamente a eficiência e a eficácia do SCM. Isso pode levar a uma produção mais precisa, redução de desperdícios e melhor atendimento às demandas do mercado.
É importante, no entanto, reconhecer que a mudança e o compartilhamento de informações entre as pessoas podem ser percebidos como ameaçadores, especialmente no que diz respeito ao receio de perder o emprego. Portanto, é crucial abordar essas preocupações de forma transparente e envolver os colaboradores em todo o processo de implementação do SCM, demonstrando como a colaboração e o compartilhamento de informações podem beneficiar a todos os envolvidos na cadeia de suprimentos do agronegócio.
Chegamos à etapa de aplicação do conhecimento adquirido, e o desafio de hoje será interessante! Como você já aprendeu sobre a importância da gestão da cadeia de suprimentos no agronegócio, colocaremos em prática esse conhecimento! Imagine que você é um técnico em agronegócio contratado para esboçar a cadeia de suprimentos da produção de milho.
Sua missão é procurar as informações necessárias sobre esse assunto e descrever como ocorre essa cadeia de suprimentos. Comece identificando os insumos necessários para o cultivo do milho e de onde eles vêm. Considere aspectos, como sementes, fertilizantes, agroquímicos e equipamentos. Em seguida, explique como esses insumos são adquiridos pelos agricultores, destacando os fornecedores e os prazos de obtenção.
Além disso, você deve descrever como é realizado o escoamento da produção de milho, desde a colheita até a entrega aos pontos de distribuição. Leve em conta os diferentes métodos de transporte utilizados, como caminhões, trens ou navios, e os principais destinos da produção, como indústrias de processamento de alimentos, cooperativas agrícolas ou centros de distribuição.
Realizar essa atividade permitirá que você, como técnico em agronegócio, tenha um controle maior das necessidades de insumos e dos meios para adquiri-los, além de entender e fortalecer as relações existentes entre os diversos elos produtivos da cadeia de suprimentos do milho. Ao compreender todos esses passos, quando estiver atuando na área, você poderá otimizar os processos de aquisição e distribuição de insumos agrícolas, melhorando, assim, a eficiência e reduzindo os custos de produção. Não se esqueça de compartilhar com seus colegas o que você aprendeu e inseriu em seu esboço. Desejo sucesso na realização dessa tarefa e nos vemos na próxima lição!
KATUNZI, T. M. Obstacles to process integration along the supply chain: manufacturing firms perspective. International Journal of Business and Management, v. 6, n. 5, p. 105-113, 2011.
POZO, H. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística. São Paulo: Atlas, 2014.
POZO, H. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: uma introdução. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019.
POZO, H.; TACIZAWA, T.; AKABANE, G. K. Automaker in Brazil: integration of small business operations as suppliers. International Journal of Logistics Economics and Globalization, v. 8, n. 1, 2019.
RICHEY JR. et al. Exploring a governance theory of supply chain management: barriers and facilitators to integration. Journal of Business Logistics, v. 31, n. 1, 237-256, 2010.