Olá, estudante! Na lição passada, você aprendeu que o marketing verde emerge como uma ferramenta essencial para as organizações, inclusive no agronegócio, que buscam desenvolvimento sustentável e conquista de mercados. As aplicações práticas desse marketing incluem certificações, transparência nas redes sociais e estratégias sustentáveis desde a produção até a embalagem.
Conhecemos também o papel do técnico em Agronegócio, profissional que desempenha função crucial na implementação dessas práticas, sendo o guardião da produção consciente. Além disso, agora você já sabe que desafios como o greenwashing exigirão honestidade e transparência para manter a integridade ambiental.
Na lição de hoje, você se aprofundará no conceito daquele que, em volume, é o principal produto do agronegócio brasileiro: as commodities. Desenvolveremos uma compreensão sólida do conceito de commodities no contexto do agronegócio, destacando sua padronização, comercialização internacional e a importância de sua negociação nas Bolsas. Além disso, reconheceremos o papel fundamental dos técnicos em Agronegócio na orientação dos produtores, destacando a importância de estratégias sustentáveis, tecnologias eficientes e práticas inovadoras para enfrentar os desafios do mercado de commodities.
Juntos, identificaremos e analisaremos os desafios enfrentados no cenário das commodities, como a volatilidade de preços, a resistência à mudança e a busca por práticas sustentáveis. Por fim, exploraremos as oportunidades que surgem desses desafios, com intuito de incentivar a mentalidade empreendedora e adaptável!
No universo das commodities do agronegócio, encaramos uma série de desafios que vão muito além das plantações e fazendas. Um ponto crucial é a oscilação de preços, algo semelhante a uma montanha-russa de impactos econômicos. Quando os volumes de negociação aumentam nas Bolsas, os preços das commodities sobem, trazendo benefícios momentâneos para produtores, investidores e bolsas. No entanto, essa euforia, muitas vezes, resulta em bolhas que, ao estourarem, deixam para trás prejuízos consideráveis. A especulação torna-se uma dança arriscada, e a não aversão ao risco pode levar a resultados desastrosos.
Além disso, a globalização desse mercado, influenciada pela atuação dos fundos, cria uma dinâmica em que os fundamentos tradicionais do mercado perdem parte de sua influência. O cenário econômico mundial, marcado por prosperidade em alguns momentos e crises em outros, intensifica a volatilidade, impactando diretamente o agricultor, o investidor e até mesmo a Bolsa de Valores. Diante desse cenário, é essencial que alguém esteja preparado para lidar com toda essa oscilação, concorda?
A figura mais do que essencial nesse contexto é o(a) técnico(a) em Agronegócio, pois esse profissional é quem recebe o desafio de orientar produtores em meio a essas turbulências. A resistência à mudança no meio rural, aliada a custos iniciais de novas tecnologias, cria um terreno fértil para desafios e, nesse cenário, o técnico deve ser um agente de mudança, ao mostrar que práticas sustentáveis e eficientes economicamente são possíveis.
Veja que os desafios no mundo das commodities do agronegócio abrangem desde a volatilidade dos preços até a resistência à mudança, passando pela necessidade de práticas sustentáveis. Assim, os técnicos em Agronegócio são peças-chave para superar esses desafios, guiando os produtores em direção a um futuro mais estável, sustentável e lucrativo.
Espero que você esteja preparado(a) para adentrarmos mais fundo nesse assunto, pois, em sua prática profissional, ele será mais que essencial!
No case de hoje, conheceremos a família Campos, que pertence a uma pequena comunidade de produtores rurais. Recentemente, a família embarcou em uma jornada de aprendizado sobre as commodities no mundo do agronegócio. Liderados por Mário e Carmem Campos, um casal visionário, os Campos decidiram inovar nas práticas tradicionais de cultivo de trigo e soja em sua propriedade no interior do Brasil.
Tudo começou quando Mário participou de um workshop local sobre commodities, ministrado por um técnico em Agronegócio. A palestra abordou os conceitos de padronização e comercialização internacional, bem como a importância das commodities para a economia global. Intrigado, Mário percebeu que esse conhecimento poderia ser um trampolim para melhorar a vida da sua família e da comunidade. Assim, ele passou para a família Campos tudo o que aprendeu e, juntos, começaram a implementar os novos conhecimentos obtidos.
Inovaram nas técnicas de plantio, por meio da adoção de práticas sustentáveis para preservar o solo e otimizar o uso de insumos. Investiram em tecnologia para garantir a padronização dos produtos, facilitando a comercialização internacional. Enxergaram na sustentabilidade não apenas um compromisso com o meio ambiente, mas uma estratégia de longo prazo para se destacar no mercado das commodities. Com o passar do tempo, os resultados começaram a aparecer: a qualidade padronizada de trigo e da soja trouxe melhores oportunidades de negociação, impactando positivamente a renda da família. Além disso, a busca por práticas sustentáveis fez com que os Campos ganhassem reconhecimento na comunidade e entre compradores internacionais que valorizam produtos alinhados com princípios ambientais.
Durante esse processo, a família Campos contou com a orientação de um técnico em agronegócio local. Esse profissional desempenhou um papel fundamental ao fornecer informações sobre estratégias sustentáveis, tecnologias eficientes e práticas inovadoras. Sua orientação foi essencial para superar desafios e otimizar os processos agrícolas.
Obviamente, a jornada não foi isenta de desafios. A resistência à mudança, os custos iniciais dos investimentos em tecnologia e a volatilidade do mercado foram obstáculos enfrentados pela família. No entanto, ao persistir em sua visão sustentável, ela conseguiu superar esses desafios e colher os frutos de uma abordagem tão inovadora quanto consciente. Depois de alguns desafios superados e muita persistência, a família tornou-se referência na região, inspirando outros produtores a adotarem práticas mais sustentáveis e a compreenderem o potencial do mercado global de commodities.
Com esse relato envolvendo o caso da família Campos, podemos destacar a importância do conhecimento sobre commodities no agronegócio e como a aplicação prática desses conceitos transforma não apenas os resultados financeiros, mas também causa impacto social e ambiental.
A trajetória dessa família exemplifica como a combinação de inovação, sustentabilidade e orientação técnica pode impulsionar o sucesso econômico, bem como promover mudanças significativas em sua comunidade e no meio ambiente. Ao se tornarem uma referência na região, os Campos inspiram outros produtores a adotarem práticas mais sustentáveis e, também, demonstram o potencial do agronegócio em promover o desenvolvimento sustentável e a prosperidade.
Desde os anos 1980, os estudiosos das várias teorias começaram a explorar a formação dos complexos internacionais de algumas commodities agrícolas, como milho, soja, carne e óleos vegetais. Contudo estudos recentes têm se concentrado em destacar a influência das estratégias dos grandes grupos multinacionais na reestruturação dos sistemas agroalimentares, tanto nos países desenvolvidos quanto em nações do Mercosul, como é o caso do Brasil (BATALHA, 2013).
Antes de adentrarmos as especificidades do assunto, precisamos, inicialmente, descomplicar o termo “commodity”, pois ele será amplamente utilizado por aqui! Basicamente, commodity é um produto que pode ser padronizado em termos de qualidade, quantidade, peso e assim por diante. Tanto a produção quanto o consumo de cada commodity precisam envolver muitos compradores e vendedores, a fim de evitar que um único player dite os preços no mercado (ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2000).
A palavra “commodity”, que significa mercadoria em inglês, ganhou um significado específico no mundo do comércio. É preciso esclarecer: nem todas as mercadorias são commodities, para ser considerada como tal, é necessário que ela atenda a, pelo menos, três requisitos: padronização internacional, capacidade de entrega conforme acordado entre comprador e vendedor, possibilidade de armazenamento ou venda em unidades padronizadas. Por exemplo, frutas não entram nessa categoria por serem perecíveis, mas o suco de laranja concentrado e congelado, que permite armazenamento, é tratado como commodity (BATALHA, 2013).
O Quadro 1 ilustra alguns exemplos de commodities:
Um sistema de commodities abrange todos os atores envolvidos na produção, processamento e distribuição de um produto, desde o mercado de insumos agrícolas até o consumidor final. Ele inclui diversas instituições que afetam a coordenação do fluxo de produtos, como órgãos governamentais, mercados futuros e associações comerciais. Assim, enquanto as tradicionais cadeias produtivas consideram três subsistemas (produção, transferência e consumo), o sistema de commodities foca mais no último subsistema como a força central que molda o agribusiness. Pode-se pensar que diferentes subsistemas competem para atender às necessidades dos consumidores (ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2000).
Quanto mais empresas, mais homogêneo o produto e menos barreiras à entrada, menor a capacidade de uma empresa definir preços independentes ou estabelecer uma coordenação de preços. O mercado de commodities agrícolas é um exemplo clássico de uma organização de mercado chamada de competitiva. Devido à facilidade de entrada de novos concorrentes, qualquer lucro acima do normal some rapidinho. Nesse cenário, a liderança em custos é a estratégia chave para obter lucros diferenciados (ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2000).
Embora a agroindustrialização ainda não tenha avançado muito no Brasil, ela é mais proeminente na agricultura do que na pecuária. A maioria dos produtos da pecuária é comercializada como commodity, sem muitos diferenciais para aumentar os preços. Produtos agropecuários, enquanto commodities, dificultam a agregação de valor dentro da porteira, mas alguns esforços, como certificações de origem, têm sido feitos para superar esse desafio (MASSILON, 2013).
A região do Mercosul desempenha um papel estratégico nas economias devido à oferta diversificada de produtos, cujas origens vêm desde os climas temperados até os tropicais. Apesar dos desafios, a eficiência comparativa na produção de commodities agropecuárias e agroindustriais, aliada a uma oferta interessante de especialidades agrícolas, contribui para a relevância do setor agroalimentar na região (ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2000).
Recentemente, nota-se que muitas empresas rotulam seus produtos como commodities, sugerindo que não há distinção entre o que oferecem e o que a concorrência disponibiliza. Se de fato, as ofertas não diferem, cabe ao consumidor escolher, com base no preço, o mais vantajoso. No entanto vender apenas com base no preço não proporciona resultados duradouros, o que acarreta desafios tanto para o vendedor quanto para o comprador. Além disso, a transformação de um produto em commodity pode encurtar seu ciclo de vida e desmotivar iniciativas empreendedoras (BATALHA, 2013).
É essencial entender a diferença entre agregação de valor e margem de comercialização. Esta última não implica alterações no produto ou em sua apresentação, apenas resulta no aumento do preço em alguma etapa do processo comercial, visando à obtenção de maiores lucros pelo agente comercial, em determinado momento (MASSILON, 2013).
Os fatores que afetam os preços das commodities incluem, tradicionalmente, a oferta e a demanda. Contudo observa-se, atualmente, que, além desses elementos de mercado, é necessário considerar a influência dos fundos. Compreender o valor que o consumidor atribui psicologicamente é essencial para uma análise cada vez mais segmentada da economia.
Destaca-se a importância de estar atento aos ciclos de oferta, demanda e preços das commodities. Quando os preços sobem, transformando a commodity em uma tendência internacional, ocorre uma fase de euforia que beneficia todos os participantes do complexo, mas a forte atratividade do setor atrai novos concorrentes. O aumento no número de agricultores, instalações industriais e produtos, muitas vezes, resulta em reversão do cenário positivo anterior, desencadeando um ciclo de baixa, o que leva ao excesso de oferta, à desintegração ao longo da cadeia e à depuração do setor, com uma reorganização em patamares tecnológicos e de gestão mais elevados do que antes (MASSILON, 2013).
A dinâmica atual do planejamento destaca-se pela velocidade das mudanças. Ao contrário do que ocorria há 20 ou 30 anos, o futuro, hoje, torna-se presente com rapidez impressionante, tornando o presente mais próximo do passado. A necessidade de pintar o quadro do futuro é crucial, pois a inércia no planejamento pode levar a resultados obsoletos em um piscar de olhos (MASSILON, 2013).
O crescimento significativo das transações nas Bolsas resultou em elevação dos preços, gerando mais oscilação e volatilidade, influenciada também pela entrada e saída de fundos no mercado. Durante certo período, os preços das commodities aumentaram e tornaram-se sobrevalorizados, proporcionando benefícios aos produtores, investidores e bolsas. No entanto essa bolha, eventualmente, estourou e resultou em consideráveis perdas, muitas vezes, associadas à falta de aversão ao risco e à prevalência da especulação sobre a proteção (MASSILON, 2013).
Nesse contexto, a atuação no mercado exige profissionalismo e entendimento aprofundado das regras do jogo. Infelizmente, estamos testemunhando a falência de grandes empresas e prejuízos bilionários em negócios vinculados ao agronegócio que não conseguiram cumprir seus compromissos com as Bolsas. Durante essa fase de crise financeira, os fundamentos de mercado já não têm tanta influência sobre os preços das commodities, agora, são os movimentos imprevisíveis dos fundos que ditam as tendências (MASSILON, 2013).
O panorama econômico global está passando por transformações. Anteriormente, houve uma perspectiva de prosperidade que atraiu novos participantes para o mercado, impulsionando o aumento nos preços das commodities. Paralelamente, ocorreu a desvalorização do dólar, bem como a entrada de novos agentes no mercado de commodities, por exemplo, os especuladores. Porém, com o início da crise financeira global em 2008, os especuladores retiraram-se desse mercado, causando queda nos preços, o que coincidiu com o aumento nos custos dos insumos, as demissões em várias empresas e uma reavaliação das operações das Bolsas. Após o impacto desse furacão no mercado financeiro, permanecerão em operação somente as empresas que souberem atuar de maneira sustentável, utilizando derivativos como uma forma de proteção genuína, em vez de visarem ganhos irrealistas (MASSILON, 2013).
Em suma, o dinâmico cenário das commodities no mercado global revela a dualidade de suas influências. Se por um lado, a volatilidade dos preços impulsionada por transações nas Bolsas, junto com a entrada e saída de fundos podem gerar períodos de sobrevalorização, beneficiando produtores, investidores e Bolsas, por outro lado, essa aparente prosperidade tem potencial de resultar em bolhas que, ao estourarem, causam danos significativos.
A atual realidade econômica, marcada por incertezas, exige profissionalismo aguçado e entendimento sólido das dinâmicas desse mercado, para evitar prejuízos e garantir uma atuação sustentável.
Primeiramente, esqueça as palavras difíceis! Commodities são, basicamente, produtos, como arroz, soja, café, açúcar, petróleo etc., ou seja, sem complicar demais: são itens produzidos em grande quantidade e que todo mundo usa, e negociados no mercado mundial.
Imagine que você cultiva uma tonelada de milho em sua fazenda. Em seguida, colhe-o e vende-o para um comprador do outro lado do planeta. Agora, com intuito de entender como funciona essa questão da venda de commodity no mercado mundial, pegue esse exemplo e multiplique por bilhões de toneladas de produtos sendo comprados e vendidos o tempo todo. É isso que movimenta o agronegócio e a economia global!
Por que isso é tão importante? Explicarei com um exemplo da vida real! Imagine que o Brasil, um grande produtor de soja, decida mandar toneladas desse produto para a China. Os compradores chineses estão interessados porque decidiram aumentar sua produção de carne, portanto, utilizarão o farelo de soja na alimentação animal. O que acontece? A demanda por soja brasileira aumenta, impulsiona os preços e beneficia a economia local. É tipo um jogo de oferta e demanda, mas pensado em uma escala mundial.
Agora, claro que tem o outro lado da moeda. Se o clima não colaborar, e a produção de soja diminuir, os preços também podem subir e, como consequência, afetará desde o agricultor no campo até o consumidor que está comendo um x-salada na esquina de casa, pois o aumento no custo de produção da carne refletirá no preço do hambúrguer, devido ao aumento do custo da ração para os animais.
Resumindo: commodities são o alicerce do agronegócio. Elas exercem influência no mercado global, moldam os preços e afetam até o custo de um simples pacote de bolacha que você compra no mercado da sua cidade. Seu papel enquanto Técnico em Agronegócio é ser o(a) estrategista, o(a) líder do campo! Sua responsabilidade será orientar os produtores sobre as melhores práticas para garantir que nossas commodities sejam tops no mercado. Você também poderá sugerir tecnologias, táticas de plantio e manejo que mantenham a qualidade superior, bem como a manutenção dos custos baixos.
Agora, reconhecendo a importância dos commodities, quero propor um desafio empolgante a você! Na próxima refeição que fizer, leve em consideração todo o trabalho árduo realizado por diversas pessoas no campo, para que os alimentos cheguem até sua mesa. Faça um levantamento detalhado de todos os itens que está consumindo e tente identificar quais commodities são utilizadas na produção de cada um deles. Anote essas informações, em seguida, compartilhe-as com seus colegas.
Essa atividade proporcionará mais conscientização sobre a cadeia de produção de alimentos e a importância dos commodities agrícolas em nossa vida cotidiana. Ao analisar e identificar os diferentes commodities presentes em sua refeição, você entenderá melhor como esses produtos agrícolas desempenham um papel fundamental em nossa alimentação diária. Além disso, ao compartilhar suas descobertas com seus colegas, você não apenas promoverá a troca de conhecimento, mas também estimulará a reflexão sobre a origem e o processo de produção dos alimentos que consumimos.
BATALHA, M. O. Gestão da produção agroindustrial. v. 3. São Paulo: Atlas, 2013.
MASSILON, J. A. Fundamentos do agronegócio. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
ZYLBERSZTAJN, D.; NEVES, M. F. Economia e gestão dos negócios agroalimentares: indústria de alimentos, indústria de insumos, produção agropecuária, distribuição. São Paulo: Pioneira, 2000.