Olá, estudante! A lição passada destacou a importância da comercialização no agronegócio, ressaltando que as decisões de comercialização desempenham um papel crucial na viabilidade das atividades produtivas. Foi enfatizado a necessidade de compreender os canais de distribuição, as diversas etapas do processo comercial e a adaptação às condições regionais e ao tamanho dos produtores. Além disso, você aprendeu a necessidade de gerir a flutuação na oferta e demanda, investir em tecnologia, considerar a comercialização internacional e focar na satisfação do consumidor. Na lição de hoje, vamos nos aprofundar um pouco mais sobre os conhecimentos do mercado agrícola e as características dos preços.
Para isso, nessa lição vamos compreender os fundamentos do mercado agrícola, onde você terá uma visão dos princípios que regem o mercado agrícola, incluindo fatores de oferta e demanda, sazonalidade e influência de fundos. Vamos também explorar sobre a gestão de riscos, a partir disso, você será capaz de discutir e entender estratégias de gestão de riscos, como o uso de derivativos e sua aplicação prática no agronegócio. Veremos também sobre o impacto social e econômico, ou seja, você irá compreender como os impactos sociais e econômicos interferem nas flutuações de preços no agronegócio, tanto para os produtores quanto para os consumidores.
Além disso, você entenderá porque é importante o desenvolvimento de habilidades de comunicação, para isso, teremos um momento para compartilhar suas descobertas e análises com seus colegas, promovendo discussões construtivas sobre o mercado agrícola, o que, por sua vez, contribuirá para a promoção do pensamento crítico, que será estimulado ao questionar e analisar as complexidades do mercado agrícola e as estratégias de gestão de riscos de preço. Esse conjunto de objetivos visa proporcionar a você uma compreensão abrangente dos desafios e princípios fundamentais relacionados aos Conhecimentos do Mercado Agrícola e Características de Preços, capacitando-o para aplicar esse conhecimento no mundo real do agronegócio.
O mundo do agronegócio é um cenário complexo e desafiador, onde a aplicação dos Conhecimentos do Mercado Agrícola e Características de Preços desempenham um papel vital. Vamos explorar os principais desafios que fazem parte desses temas e como eles impactam diversos aspectos da nossa sociedade?
Para lidar com a flutuação de preços, os produtores e outros agentes do agronegócio precisam adotar estratégias de gestão de riscos. Isso envolve o uso de derivativos, como contratos futuros, para proteger-se contra perdas financeiras. No entanto, compreender como aplicar essas estratégias de forma eficaz é um desafio, e é aqui que entra o papel crucial do técnico em agronegócio.
A cadeia de suprimentos no agronegócio é extensa e envolve diversos intermediários, desde o produtor até o consumidor final. A cada intermediação, os preços sofrem alterações, o que afeta a competitividade e a distribuição de lucros entre os diferentes elos da cadeia. Encontrar um equilíbrio entre os interesses dos produtores, comerciantes e consumidores também é um desafio constante.
As flutuações de preços no agronegócio não afetam apenas a economia, mas também têm um impacto social significativo. Preços instáveis podem levar a incertezas na vida dos produtores, especialmente aqueles que dependem da agricultura como sua principal fonte de renda. Além disso, os consumidores podem enfrentar aumentos nos preços dos alimentos básicos, afetando o custo de vida.
Além dos fatores de mercado, o agronegócio também lida com desafios ambientais. Mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e questões de sustentabilidade estão cada vez mais presentes. A gestão de riscos de preço deve estar alinhada com práticas sustentáveis, representando um desafio adicional.
Em resumo, os Conhecimentos do Mercado Agrícola e Características de Preços são fundamentais para entender e enfrentar os desafios do agronegócio. A volatilidade de preços, a gestão de riscos, a complexidade da cadeia de suprimentos e os impactos sociais e ambientais são aspectos interconectados que requerem atenção constante. Mas, então, como lidar com tudo isso? Bem, os profissionais do agronegócio desempenham um papel fundamental na busca por soluções que garantam estabilidade e sustentabilidade nesse setor vital! Sendo assim, vamos aprender sobre esse assunto? Vamos lá?
Que tal conhecer a história de Adolfo? Ele é um dedicado agricultor de soja no interior do Brasil, e já experimentou altos e baixos em sua carreira. Em 2022, ele colheu uma safra promissora de soja, aproveitando os preços elevados da commodity naquele ano. Com isso, Adolfo pôde quitar suas dívidas e investir em sua propriedade colhendo os frutos de seu trabalho árduo. Entretanto, o ano de 2023 trouxe desafios. Os preços da soja caíram, gerando preocupações para Adolfo, que estava ciente de que isso poderia impactar significativamente sua renda. Ele fez esforços para negociar melhores condições com seus compradores, mas enfrentou dificuldades nessa empreitada.
No final das contas, no ano de 2023, Adolfo teve que vender sua safra por um valor menor do que inicialmente previsto. Isso resultou em prejuízos, mas sua habilidade em lidar com as oscilações do mercado e tomar decisões informadas o ajudou a evitar uma perda ainda mais substancial.
Observe que mesmo este caso sendo uma história fictícia, ela ilustra como a compreensão das características de Preços no mercado agrícola é essencial para os produtores à medida que enfrentam variações na oferta e na demanda – como no caso do Adolfo. Esse é um exemplo de como a gestão de riscos, como o uso de contratos futuros, pode ser uma ferramenta valiosa para mitigar o impacto das flutuações de preços no agronegócio. É um lembrete de que, no mundo do agronegócio, o conhecimento e a adaptação são essenciais para o sucesso a longo prazo.
Nos sistemas agroindustriais, são encontradas particularidades que distinguem a produção agrícola de qualquer outro sistema. Em outras palavras, a produção agropecuária se distingue por conta da presença desses elementos, que incluem a sazonalidade, a influência de fatores biológicos e a rápida perecibilidade (VIEIRA, 2012). A figura 1, a seguir, exemplifica as características da produção agropecuária.
A sazonalidade na produção agropecuária decorre da dependência em relação às condições climáticas em diferentes regiões, levando a períodos de safra e entressafra. Esses períodos se caracterizam por abundância de produtos seguidos de escassez de produção. Essas flutuações têm um impacto direto nas variações de preços, requerem estratégias de estocagem e conservação, influenciam a demanda por insumos e fatores de produção, e demandam processamento e logística específicos (VIEIRA, 2012).
Tanto antes quanto após a colheita, produtos agropecuários estão vulneráveis ao ataque de pragas e doenças, que podem reduzir a quantidade e qualidade da produção ou até mesmo causar perdas totais. Esse fenômeno é conhecido como a influência de fatores biológicos, em que pragas e doenças podem ter um impacto significativo em termos econômicos. Portanto, é fundamental combater essas ameaças para evitar perdas na produção (VIEIRA, 2012).
Em vez de ser o resultado de um plano preconcebido, o agronegócio moderno é moldado por complexas forças evolutivas que operam de forma mais ou menos espontânea e descentralizada, sem uma coordenação central (ZYLBERSZTAJN, 2000). Assim, os preços desempenham um papel fundamental na coordenação do mercado. As decisões de produção e consumo são orientadas e direcionadas pelo comportamento dos preços, que também funcionam como indicadores de oportunidades de lucro, atraindo novos participantes para o mercado e orientando investimentos (ZYLBERSZTAJN, 2000).
Um mercado é considerado eficiente quando os preços refletem informações instantaneamente e oportunidades de lucro são rapidamente exploradas por empreendedores que direcionam seus investimentos para ele. Isso implica que, em ambientes competitivos, o lucro tende a se igualar entre diferentes mercados e empresas. Entretanto, na realidade, nem todas as indústrias e empresas têm um desempenho igual, mesmo a longo prazo (ZYLBERSZTAJN, 2000).
No âmbito dos sistemas agroindustriais, as empresas precisam tomar decisões cruciais relacionadas à política de preços. Dentro do conjunto de variáveis que compõem as estratégias de marketing (os famosos "4 Ps" – produto, preço, comunicação e distribuição), o preço desempenha o papel de valorizar o produto no mercado (ZYLBERSZTAJN, 2000). Os outros elementos, como o próprio produto, comunicação e canais de distribuição, envolvem custos que, por sua vez, influenciam diretamente a formação do preço e, consequentemente, a obtenção de lucro (ZYLBERSZTAJN, 2000).
Quando se trata das decisões de preços, algumas das mais cruciais incluem a determinação dos preços para produtos novos, a adaptação dos preços em resposta a mudanças no ambiente macroeconômico e as condições concorrenciais. Kotler e Keller (2019) descrevem um processo de seis etapas que compõem uma política de precificação. Aqui estão elas:
A empresa pode estabelecer metas que visam à sua sobrevivência, a obtenção do maior lucro possível, o alcance do maior crescimento nas vendas ou a exploração máxima do mercado, entre outras opções. Cada objetivo possui vantagens e desvantagens a serem ponderadas a curto, médio e longo prazos, conforme indicado por Zylbersztajn (2000).
Isso envolve a análise das quantidades que podem ser vendidas a diferentes preços, considerando os fatores que afetam a sensibilidade dos consumidores aos preços, bem como a elasticidade-preço da demanda.
Isso requer uma análise detalhada dos custos fixos e variáveis associados ao produto ou serviço.
Isso implica a investigação dos custos, preços e ofertas dos concorrentes, fazendo uso de sistemas de informação e pesquisas de mercado.
Isso envolve a escolha de um método específico de precificação, como a abordagem de mark-up (adicionar uma porcentagem fixa ao custo do produto), a definição do retorno desejado sobre o investimento (por exemplo, visando a um retorno de 15% sobre o investimento em ativos), a base na percepção de valor pelos consumidores (onde o valor percebido pelos consumidores determina o preço), ou mesmo a estratégia de seguir o preço do concorrente, entre outras alternativas.
Aqui, é crucial considerar fatores psicológicos, como a associação do preço à qualidade do produto, bem como o impacto das outras variáveis, como comunicação e distribuição para estabelecer um preço que atinja o equilíbrio ótimo. Frequentemente, o preço não é único, variando conforme a geografia da demanda, custos adicionais, segmentação de mercado, velocidade de entrega, serviços adicionais, descontos e promoções (ZYLBERSZTAJN, 2000).
Portanto, a política de preços é uma peça-chave na estratégia de uma empresa no agroindustrial, sendo necessário considerar cuidadosamente cada etapa para maximizar o desempenho e a eficácia no mercado.
Você se lembra da figura dos níveis da lição passada? Nele, exploramos os diferentes níveis de comercialização, onde vários tipos de agentes ou intermediários, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, desempenham papéis específicos na compra e venda de produtos ao longo da cadeia (MASSILON, 2013).
Agora, o que acontece toda vez que um produto muda de mãos, ou seja, é intermediado? Bem, nesse processo há um aumento nos preços. Por exemplo, quando o intermediário primário adquire um produto do produtor e, em seguida, vende-o ao intermediário secundário, isso representa uma etapa de intermediação, e assim por diante (MASSILON, 2013).
Vale ressaltar que, em geral, a elevação dos preços está diretamente relacionada à quantidade de intermediações. O número de intermediários refere-se à quantidade de agentes que operam em um determinado nível de intermediação, tanto em um único nível quanto ao longo de todos os níveis. Em linhas gerais, quanto mais intermediários em um mesmo nível, maior a competição entre eles, o que tende a elevar os preços nos níveis de intermediação anteriores (na compra) e a reduzí-los, pelo menos no nível seguinte (na venda) (MASSILON, 2013).
Assim, a situação ideal para produtores e consumidores é caracterizada por um menor número de intermediações, combinado com um maior número de intermediários em cada nível de intermediação. No entanto, na realidade, essa condição é muitas vezes difícil de ser alcançada. Isso explica porque, frequentemente, observamos diferenças substanciais entre os preços recebidos pelos produtores e os preços pagos pelos consumidores, às vezes com variações superiores a 1000% (MASSILON, 2013).
Geralmente, em cada etapa de intermediação, o preço do produto sofre alterações, mesmo que não tenha passado por qualquer modificação ou processamento. Essa mudança de preço ocorre devido a custos comerciais e aos lucros do intermediário. Esse ganho é conhecido como margem de comercialização, e é inversamente proporcional ao número de intermediários e diretamente proporcional ao tamanho desses intermediários em cada etapa de intermediação. Em outras palavras, quanto menor o número de intermediários e maior o porte deles, maior tende a ser a margem de comercialização (MASSILON, 2013).
Dentro do complexo universo que influencia os preços das commodities, é imprescindível não apenas contemplar os tradicionais fatores de oferta e demanda, mas também estar atento à influência dos fundos, como indicam Tejon e Xavier (2009).
Os instrumentos financeiros derivativos desempenham um papel significativo na gestão do risco de preço associado às commodities e estão integrados ao mercado físico, desempenhando um papel essencial em todo o ciclo que abrange a produção, processamento, comercialização, consumo e financiamento. A agricultura enfrenta diversos tipos de riscos que geram instabilidade em toda a cadeia de produção. Os mercados de futuros oferecem uma alternativa valiosa para mitigar os riscos de preço, permitindo um planejamento mais eficaz e, por conseguinte, impulsionando a competitividade das diferentes cadeias (TEJON; XAVIER, 2009).
Quando observamos o contexto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que inaugurou suas operações em 31 de janeiro de 1986, inicialmente com a negociação de contratos futuros de ouro, compreendemos que a BM&F desempenhou um papel central na negociação de commodities agropecuárias e financeiras. Com 14 anos de existência, a BM&F entrou para a Aliança Globex, um consórcio formado pelas prestigiosas bolsas: Chicago Mercantil e Exchange, Euronext NV (antiga ParisBourse), Singapore Exchange Derivatives Trading, Mercado Oficial de Futuros Financeiros (MEEF), de Madri, e Montreal Exchange (TEJON; XAVIER, 2009).
Risco e incerteza
No tocante à gestão de risco, é vital compreender os conceitos de incerteza e volatilidade. A incerteza denota a falta de conhecimento em relação a eventos no ambiente físico ou ao comportamento das partes envolvidas, sejam elas pessoas físicas ou jurídicas (TEJON; XAVIER, 2009).
Por sua vez, a volatilidade constitui a métrica do risco nos mercados de preços, medindo as oscilações nos contratos futuros e de opções. Ela reflete a flutuação dos preços, variando de acordo com a agitação do mercado. Sendo assim, em um mercado estável, a volatilidade é reduzida, enquanto em um mercado incerto ela é elevada. No contexto do agronegócio, fatores como a sazonalidade na produção, desequilíbrio entre oferta e demanda, flutuações nas taxas de câmbio e a influência de fundos de hedge – que geralmente são formados por investidores em busca de uma rápida diversificação de seus portfólios financeiros – podem contribuir para a volatilidade (TEJON; XAVIER, 2009).
Em resumo, a complexidade dos mercados de commodities no contexto do agronegócio exige uma análise abrangente, indo além dos tradicionais fatores de oferta e demanda. A influência dos fundos, a gestão do risco de preço por meio de derivativos e a volatilidade são elementos essenciais a serem considerados. Com a evolução dos mercados e o envolvimento de diversos agentes ao longo da cadeia produtiva, compreender o papel dos intermediários e o impacto das intermediações nos preços tornou-se fundamental. A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) desempenhou um papel central nesse cenário, conectando-se globalmente para aprimorar a dinâmica das negociações. No enfrentamento da incerteza e da volatilidade, a utilização de ferramentas de gestão de risco, como contratos futuros, torna-se um recurso valioso para os participantes do agronegócio. Em última análise, o equilíbrio entre os diversos elementos que afetam os preços das commodities é essencial para promover a estabilidade e a competitividade em toda a cadeia produtiva.
A teoria dos Conhecimentos do Mercado Agrícola e suas Características de Preços nos ajuda a entender como os preços das coisas que vêm do campo, como frutas, legumes, carne, grãos e muito mais são definidos. Isso é importante porque afeta a vida de produtores, comerciantes e consumidores. Nesse contexto, os técnicos em agronegócio desempenham um papel fundamental na gestão desses desafios. Eles ajudam os produtores a planejar suas safras, a lidar com as variações de preços e a tomar decisões inteligentes. Além disso, também auxiliam na gestão de riscos e na adoção de estratégias, como o uso de contratos futuros para proteger os produtores contra flutuações de preços.
Agora, quero te deixar um desafio! Em grupo de no máximo três colegas, escolham um produto agrícola que gostariam de investigar (pode ser uma fruta, um legume, ou qualquer outra coisa). Em seguida, pesquisem na internet ou conversem com produtores locais para descobrir como os preços desse produto variam ao longo do ano. Tentem entender as razões por trás dessas variações, como sazonalidade, oferta e demanda, e até mesmo eventos globais.
Depois, pensem em estratégias que um produtor poderia adotar para lidar com essas mudanças nos preços e minimizar os riscos. Vocês podem compartilhar suas descobertas com a turma e discutir as lições que aprenderam sobre como o mercado agrícola realmente funciona!
KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. São Paulo, Pearson, 2019.
MASSILON, J. A. Fundamentos do Agronegócio. 4 edição, São Paulo: Atlas, 2013.
TEJON, J. L.; XAVIER, C. Marketing & Agronegócio. São Paulo: Prentice Hall, 2009.
VIEIRA, P. R. C. Gestão Agroindustrial. Recife, Editora EDUFRPE, 2012.
ZYLBERSZTAJN, D.; NEVES, M. F. Economia e gestão dos negócios agroalimentares: indústria de alimentos, indústria de insumos, produção agropecuária, distribuição. Pioneira. São Paulo, 2000.