Todos os sábados, um grupo de pessoas vindas dos mais diversos cantos da cidade, se reunia na esquina da Rua Tupinambás com Avenida Olegário Maciel para dançar ao som de boleros, xotes, salsas e outros tantos ritmos. Homens e mulheres solitários, casais, grupos, professores e alunos de dança, dançarinos amadores... se encontravam no Baile do Sesc.
Nesse ambiente, é possível reconhecer a memória de tempos vividos, ou pelo imaginário acerca desse passado ou pelas falas entusiastas dos dançarinos. Talvez a isso esteja relacionado o fato da maior parte do público presente nesses eventos ser de pessoas a quem convencionou-se chamar “da terceira idade”. É possível crer que se trate, mais precisamente, da busca por um ideal de sociedade onde são praticados os valores que, na contemporaneidade, se perderam.
Neste documentário, a dança estabelece uma interlocução não verbal, durante a qual o corpo torna-se meio de uma linguagem, de um discurso. Aí tem lugar o corpo construído socialmente, assumindo nos lugares da dança, os papéis sociais (feminino e masculino) definidos a priori, conferindo às etiquetas próprias da performance, um aspecto dramático, fundindo a individualidade com a sensação de pertencimento a um grupo que não só expressa seus passos, mas também todo o seu bem-estar e prazer de viver.