Há muito tempo, no reino de Silves, reinava um sultão mourisco chamado Al-Mutamid. Ele tinha uma filha, a bela princesa Salúquia, que era conhecida por sua inteligência e bondade. Um dia, durante um passeio nos jardins do palácio, Salúquia encontrou um jovem cavaleiro cristão chamado Gonçalo, que havia sido capturado durante uma batalha.
Salúquia e Gonçalo apaixonaram-se à primeira vista, mas sabiam que seu amor era proibido pelas leis e tradições de seus povos. Apesar disso, continuaram a se encontrar secretamente nos jardins do palácio, alimentando seu amor em segredo.
Quando o sultão descobriu o romance entre sua filha e o cavaleiro cristão, ficou furioso. Decidiu então enviar Gonçalo para longe, mantendo Salúquia trancada no palácio para evitar que se encontrassem novamente. No entanto, o amor entre eles era tão forte que nem mesmo a distância os separou.
Gonçalo jurou retornar para resgatar sua amada, e Salúquia esperou pacientemente por sua volta. Meses se passaram, até que finalmente Gonçalo conseguiu escapar de seus captores e voltar para Silves. Juntos, planejaram fugir para viverem seu amor livremente.
No entanto, o sultão descobriu o plano e, cheio de ira, ordenou que Salúquia fosse levada para uma torre alta, onde ficaria aprisionada para sempre. Gonçalo, desesperado, tentou resgatá-la, mas foi capturado e condenado à morte.
No momento da execução, Salúquia implorou aos céus por misericórdia, e um milagre aconteceu: as paredes da torre se abriram, permitindo que ela escapasse com Gonçalo. Juntos, fugiram para as montanhas, onde se diz que viveram o resto de seus dias em paz e felicidade, enquanto o sultão lamentava sua perda.
Esta é a lenda da Moura Salúquia, uma história de amor proibido e coragem que ainda é contada nas terras do Algarve até os dias de hoje.