A Comissão de Interseccionalidades (Diretoria BMUC) do Centro de Estudos Geográficos “Filipe Varea Leme” propõe a realização de um ciclo de atividades com intuito de colocar em pauta o debate interseccional na geografia.
Nosso principal objetivo é refletir sobre qual geografia as universidades brasileiras estão produzindo e, principalmente, quem está produzindo essa ciência.
Nos últimos anos estamos percebendo um aumento na diversidade dos ingressantes dos cursos de graduação, sobretudo devido a implantação da Lei de Cotas em 2012. Desde então, o número de estudantes pretes, pardes e indígenes aumentaram, assim como o número de pesquisas sobre o tema. A grande mudança aqui é que pessoas que historicamente foram objetos, agora tem a oportunidade de serem sujeitos de sua própria pesquisa.
Tal mudança traz um debate pouco falado na universidade desde sua fundação: outras epistemologias para a ciência geográfica. O que vemos é um aumento de pesquisas sobre geografias das populações tradicionais, feministas, LGBTQIA+, negras e etc. Entretanto, todas essas geografias - e colocamos no plural, porque de fato existe uma pluralidade de ideias e métodos - são invisibilizadas pela Academia.
Na Geografia da USP (considerada a “melhor” da América Latina), 94% dos/as autores/as são brancos e 83% são homens* . Além disso, dos autores não-brasileiros, 68% são da Europa*. Isso nos faz retomar a questão: quem produz essa geografia e que geografia é essa?
O Acontece na FFLCH divulga o Ciclo de Atividades Quem tem medo da Geografia? organizada pelo CEGE.
fflch.usp.br/2872 | SCS-FFLCH | outubro de 2020
Aviso: devido a invasão bolsonarista ocorrida na última atividade (02/11 - geografias feministas), iremos trocar a plataforma de realização da atividade. Utilizaremos o Conferência WEB, plataforma gratuita e sem necessidade de cadastro para uso, disponibilizada pela Rede Nacional de Pesquisa.
Aviso: devido a dificuldade no uso do Conferência WEB, a Comissão de Interseccionalidades optou por realizar as demais atividades através do canal do CEGE no YouTube.
QUEM TEM MEDO DAS GEOGRAFIAS FEMINISTAS?
No nosso primeiro encontro, buscaremos colocar em evidência as geografias feministas que eclodem na Geografia há um bom tempo, mas que ainda assim não tem o seu devido espaço. Na nossa própria universidade, foi uma mulher que defendeu a primeira tese de doutorado do país , Maria da Conceição Vicente de Carvalho em 1944*.
Desde então, aparentemente estamos observando uma aproximação a um tom de equidade de gênero em algumas esferas, enquanto em outras, direitos vêm sendo ameaçados. Diante disso, cabe perguntar: realmente estamos diante de alguma mudança estrutural?
Como se dão as relações em espaços ocupados por mulheres, principalmente naqueles que sempre lhes foram negados? Qual é o espaço das mulheres? Afinal, quem tem medo das potencialidades das geografias feministas?
CONVIDADAS
Suzi Meire Corrêa > professora de geografia da rede municipal de São Paulo e geógrafa formada na FFLCH defendo o TGI intitulado "Mulheres-Geógrafas: as pioneiras do Departamento de Geografia da USP" (disponível aqui)
Marília Lisboa > estudante de geografia do oitavo semestre na UEPA, bolsista do Residência Pedagógica e pesquisadora do feminismo camponês e lideranças rurais femininas no Pará
Patrícia Manoela de Souza > doutora pela UFF, professora do IFRJ - Pinheiral participante do NEABI (IFMS), vice-coordenadora do NUGEDS (IF Sul-Rio-Grandense) e coordenadora do projeto "Feminismo Negro e Diversidade"
Beatriz Oliveira de Carvalho (mediadora) > estudante de geografia do oitavo semestre na FFLCH, bolsista de IC do NEV (USP), organizadora do "Atlas da Dinâmica Criminal em São Paulo (SP)" e integrante da Diretoria BMUC
QUEM TEM MEDO DAS GEOGRAFIAS DOS POVOS TRADICIONAIS?
Esse segundo encontro colocará em evidência as geografias dos povos tradicionais e, falamos aqui de geografias e povos, pois é composto por diversos grupos e comunidades. Apesar de serem cerca de 4,5 milhões e ocuparem cerca de 25% do território nacional, apenas em 2007 o Governo Federal criou uma política para esses grupos.
Segundo o Decreto 6040/2007: “Povos e Comunidades Tradicionais são grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”. Estranho pensar que uma definição que traz tantos termos comuns à geografia (território, recursos naturais, econômico, cultural, social), não tenha o devido espaço em nosso curso de geografia. Afinal, quem tem medo das geografias dos povos e comunidades tradicionais?
CONVIDADES
Márcia Kambeba > indígena, doutoranda pelo PPGL/UFPA, escritora, fotógrafa, poeta, contadora de histórias, compositora e ouvidora do município de Belém/PA
Iezus Bizzera > quilombola, graduando em geografia pela UFBA, bolsista do Laboratório Marsol/UFBA, integrante do MPP e da ANQ e pesquisador das questões raciais e sociais das comunidades tradicionais
Paula Regina Cordeiro > doutoranda do PPGG/UFBA, pesquisadora do Grupo Costeiro/UFBA, do Núcleo de Agroecologia e Educação do Campo/UFRB e do Núcleo de Estudos Geográficos/UNEB e fundadora do AYO Cartografias
Aline Titon (mediadora) > estudante de geografia do sexto semestre na FFLCH e integrante da Comissão de Interseccionalidades do CEGE
QUEM TEM MEDO DAS GEOGRAFIAS NEGRAS?
Já no terceiro encontro, iremos tratar sobre geografias negras - no plural, por se tratar de uma pluralidade de ideias. Para que possamos refletir acerca dessas geografias, cabe a mesma reflexão que trouxemos na ementa principal: somente a partir de 2012, com a Lei de Cotas, estudantes pretes, pardes e indígenas começaram a adentrar em maior número na universidade.
Em um país que foi invadido e construído historicamente com base no racismo, no genocídio, na escravidão e na necropolítica, que contribuições pesquisadores/as vem trazendo para se explicar e explicar o mundo? O objetivo aqui é ter contato com uma série de perspectivas pouco tratada durante a graduação, de maneira que possamos pensar não apenas em geografias negras, mas também em geografias antirracistas.
CONVIDADES
Amanda Benedetti (Mandi) > servidora da Secretaria Municipal de Cultura e geógrafa formada na FFLCH defendo o TGI intitulado "'Eu Vi os Menor Pegando em Armas, Pois Ceis Foram Silenciadores': TGI-manifesto contra o genocídio e o epistemicídio preto na Geografia - USP" (disponível aqui).
Alene de Godoy > professora de geografia da rede pública, geógrafa formada pela UEL, mãe, camponesa, defensora da agroecologia e criadora de conteúdo no @afroecologia
Juliane Ribeiro > professora de geografia da rede estadual de São Paulo, geógrafa formada pela UNESP de Pres. Prudente defendendo o TCC "Território da Atenção Básica em Presidente Prudente: do espaço da norma ao território de fato" (disponível aqui) e mestranda em ensino de geografia pelo PPGH
Matheus Fernandes (mediador) > estudante de geografia do oitavo semestre na FFLCH, integrante da Diretoria da AGB - SL SP, da Semana de Geografia e da Diretoria BMUC
QUEM TEM MEDO DAS GEOGRAFIAS LGBTQIAP+?
Esse quarto encontro colocará em evidência as geografias LGBTQIAP+. A ideia é explorar um terreno até então pouco explorado em nosso curso, se aprofundar em conceitos como corpo, território e cotidiano. É fugir um pouco do plano de ideias que foca no estrutural, para refletir em como toda essa estrutura reflete, nesse caso, nos LGBTQIAP+. Principalmente, partindo do pressuposto de que essa comunidade é muito heterogênea, havendo sempre um foco maior em homens gays e deixando de escanteio os outros grupos. Com isso, esse primeiro encontro busca discutir as razões de existir o apagamento dessas produções e pensamentos geográficos e tentar responder a questão central da atividade: quem tem medo das geografias LGBTQIAP+?
CONVIDADES
Uma Reis > educadora, geógrafa formada pela UFSCAR de Sorocaba defendendo o TCC intitulado "Quem Fez de Você o Centro do Universo? Um ensaio do Homem como sujeito universal" (disponível aqui), transfeminista cuir sudaca descolonial e mestranda em comunicação pelo PPGCOM/ESPM
Glendha Rocha > professora de geografia substituta da rede pública, geógrafa formada pela UERN defendendo o TCC institulado "Geografia dos crimes contra as Pessoas Trans no Rio Grande do Norte", coordenadora LGBTQIA+ do DCE/UERN (2017-18) e integrante da Diretoria do CA Josué de Castro
Pedro Mota > estudante de geografia do oitavo semestre na UFPA, integrante da Diretoria do CA da Geografia, integrante do grupo de pesquisa Geografia do Pará Urbano e do Observatório da Violência
Jùpirã Transeunte (mediadore) > estudante de geografia do quarto semestre na FFLCH, atriz/atroz, performer, ocupante do Galpão Cultural Parque Anilinas, integra a U[z]ina Coletivae a Diretoria BMUC
AFINAL, QUEM TEM MEDO DA GEOGRAFIA?
Esse último encontro é para tentar amarrar tudo o que discutimos até aqui e relacioná-lo com o ensino de nossa disciplina. Afinal, o que motivou todo esse ciclo de atividades foi um artigo veiculado na Gazeta do Povo que afirmava que a Geografia hoje, nada mais é do que a “beatificação do MST”, perdendo seu caráter enquanto ciência e se resumindo a ideologia.
Esse último encontro, irá tentar trazer diverses pensadores ligades à educação para nos falar sobre que geografia estamos ensinando e que geografia podemos ensinar nas nossas escolas? Principalmente se levarmos em consideração os constantes ataques que a educação vem sofrendo nos últimos anos, onde nossa ciência é deixada de lado, com proposições de tirá-la da grade do Ensino Médio. Qual o interesse em tirar geografia das escolas? Quem ganha com isso?
Sendo assim, o último encontro (e esse ciclo de atividades) se encaminha para responder duas principais perguntas: quem tem medo da geografia? E quem tem medo do ensino de geografia?
CONVIDADES
Eduardo Girotto > professor de graduação e pós em geografia da USP, geógrafo e doutor formado pela FFLCH, coordenador do Laboratório de Ensino e Material Didático e do Atlas da Rede Estadual de Educação de São Paulo
Alene de Godoy > professora de geografia da rede pública, geógrafa formada pela UEL, mãe, camponesa, defensora da agroecologia e criadora de conteúdo no @afroecologia
Juliane Ribeiro > professora de geografia da rede estadual de São Paulo, geógrafa formada pela UNESP de Pres. Prudente defendendo o TCC "Território da Atenção Básica em Presidente Prudente: do espaço da norma ao território de fato" (disponível aqui) e mestranda em ensino de geografia pelo PPGH
Matheus Fernandes (mediador) > estudante de geografia do oitavo semestre na FFLCH, integrante da Diretoria da AGB - SL SP, da Semana de Geografia e da Diretoria BMUC