Filipe Varea Leme, o Fi, foi um estudante de bacharelado e licenciatura em geografia. Era muito dedicado aos estudos e estava sempre lendo algum texto no Labur. Escolheu cursar geografia porque sonhava em ser professor. Dentre todas as disciplinas da geografia, ele tinha um carinho especial por agrária. Além de ser monitor da disciplina, o Fi desenvolvia pesquisas na área com bolsa do CNPq.
Teve contato com a Semana de Geografia, fez parte da Atlética da FFLCH e ainda participou ativamente do Grupo de Trabalho - Movimento de Área, GT que deu a ele a oportunidade de participar da EREG-SE (Executiva Regional de Estudantes de Geografia do Sudeste) e da CONEEG (Confederação Nacional de Entidades de Estudantes de Geografia). Foi assim que ele ajudou a construir diversos encontros estudantis.
Para além de tudo isso, o Fi foi um grande amigo para muitos estudantes da geografia - sempre gentil, sensível e solícito.
Infelizmente, devido ao desvio de função que a Escola Politécnica da USP impôs a sua atividade de monitoria, o Fi nos deixou. Investigações e sindicâncias omissas e duvidosas ainda não nos esclareceram o que ocorreu naquele 30 de abril de 2019.
Sabemos que, mesmo não estando fisicamente conosco, o Fi está presente na geografia e em todas as entidades que ele ajudou a construir. Por isso ele foi nomeado como patrono do CEGE, que antes era apadrinhado por Capistrano de Abreu.
PA.TRO.NO. 1. Pessoa que defende uma causa, uma ideia. 2. Personalidade ilustre que apadrinha uma entidade, aconselhando-a e guiando-a.
Acreditamos que o Fi é um exemplo. Carregamos orgulhosamente seu nome em nosso centro acadêmico. Essa é uma singela homenagem para este geógrafo que nos guia. Filipe Varea Leme, presente!
CAPISTRANO DE ABREU
João Capistrano Honório de Abreu nasceu na cidade de Maranguape, em 25 de outubro de 1853. Em 1869, viajou para Recife, onde cursou humanidades, retornando ao Ceará dois anos depois. Lecionou Corografia e História do Brasil no Colégio Pedro II, nomeado por concurso em que apresentou tese sobre O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI.
A obra de Capistrano foi marcada pela interseção entre história e geografia, prevalecendo a convicção de que as sociedades são condicionadas pela relação entre cultura e meio, sendo o pioneiro de uma “história radicular”, dedicada ao estudo das raízes do Brasil, estando interessado no “nó da nossa história”: o povoamento no interior, cuja compreensão considerava necessária para o entendimento das “origens” da nação.
Diante disso, sua obra dispersa em livros, artigos, notas, prefácios e cartas, pode ser lida como parte de um programa de investigação sobre a formação da nacionalidade, que envolvia o estudo da geografia, das línguas e costumes “indígenas” e “estrangeiros” (portugueses e negros). Suas pesquisas podem ser ordenadas a partir de um roteiro com três partes principais: descobrimento, desbravamento e ocupação do território.
Dedicou-se ao estudo da história colonial brasileira, elaborando uma teoria da literatura nacional, tendo por base os conceitos de clima, terra e raça, que reproduzia os clichês típicos do colonialismo europeu acerca dos trópicos, invertendo, todavia, o mito pré-romântico do “bom selvagem”. Morreu no Rio de Janeiro, aos 74 anos, em 13 de agosto de 1927.
"Não sou eleitor, não acredito haja alguém capaz de salvar o Brasil ou de perdê-lo. Bem nenhum poderá me fazer, porque desde muitos anos limitei minhas ambições a morrer sem escândalo, como nasci."
CAPISTRANO DE ABREU