Podemos dizer que até os insetos e os animais possuem níveis de administração em seu instinto, afinal, para sobreviverem, precisam buscar alimento e, para isso, é preciso elaborar uma espécie de planejamento, organização, direção e controle. Se você olhar para as abelhas ou formigas, verá que existe um senso de gestão em suas colônias. Em formigueiros e colmeias, há divisão do trabalho bem definida em que cada um tem suas tarefas específicas.
Por isso, e por outros motivos, é que podemos estudar a Administração como uma ciência. E, nessa lição, você conhecerá um pouco da história da Administração como uma ciência que evoluiu ao passar dos anos e chegou aos níveis que conhecemos hoje.
Você descobrirá como aconteceu esta evolução, desde os primórdios da humanidade até o momento atual, e compreenderá porque isso é importante para o administrador e de que maneira essa evolução pode impactar na maneira de estudar a Administração.
Você já parou para pensar por que é importante conhecer a história da evolução da Administração? Bem, já compreendemos que a Administração faz parte da vida, não é verdade? Mesmo que, de maneira instintiva, todos nós realizamos algum tipo de administração a cada dia. É preciso planejar, organizar, dirigir e controlar o nosso dia, mesmo que isso signifique passar o dia todo em casa, sem fazer nada. Observe que, ao decidir: “vou passar o dia em casa sem fazer nada”, já está feito um planejamento: o resto do dia será se organizar para passar o dia em casa.
Como tenho falado, a administração acompanha-nos em nossa vida. É impossível viver sem administrar. E, se existe esta possibilidade, você concorda que é melhor entender o que está acontecendo para poder tirar o melhor proveito disso? Pode acreditar que conhecer isso faz toda diferença.
Faremos uma viagem pela história e identificaremos alguns princípios de Administração em algumas civilizações.
Por volta do ano 5.000 a.C., a Administração começa a ser estudada de maneira mais séria pelos Sumérios. Estes antigos habitantes precisavam melhorar a maneira como eles resolviam os seus problemas do dia a dia e, com a arte e o exercício da administração, eles passaram a ter mais controle na resolução daqueles problemas.
Ptolomeu, no Egito, desenvolveu um modelo econômico que só pode ser colocado em prática, por meio de uma administração pública organizada. A China também surge nesta história, há cerca de 500 a.C., o império precisava organizar o seu sistema de governo e, para isso, elaboraram a Constituição de Chow, que tinha oito regras que deveriam ser seguidas pela administração pública: 1 - Alimentação, 2 - Mercado, 3 - Ritos, 4- Ministério do Emprego, 5 - Ministério da Educação, 6 - Administração da Justiça, 7 - Recepção dos Hóspedes e 8 - Exército.
Os otomanos, também conhecidos como Império Turco, eram outro povo que administrava seus feudos de maneira profissional e, talvez, o maior exemplo de administração da Antiguidade e que perdura até os dias de hoje como exemplo de boa gestão, a Igreja Católica. Ela desenvolveu um sistema único de administração estudado até hoje. Para alguns historiadores, poderíamos até mesmo considerar o modelo de gestão da Igreja Católica como o primeiro modelo de gestão no estilo de franquias, tamanha a sua competência e funcionalidade. Atravessou séculos provando sua força de atração e conquista de objetivos com técnicas organizacionais e administrativas eficientes e eficazes. Espalhou-se pelo mundo inteiro e foi capaz de influenciar, inclusive, o comportamento de seus fiéis.
As forças armadas também são exemplos de organizações extremamente bem administradas. Evoluíram da disciplina dos cavaleiros medievais e dos exércitos dos séculos XVII e XVIII sempre levando em consideração uma hierarquia de poder rígida, com princípios e práticas de gestão utilizadas até hoje por grande parte das empresas.
Desde o início desta lição, tenho comentado o fato de a Administração fazer parte da vida em todos os aspectos da natureza. No entanto somos nós, humanos, com nossa capacidade cerebral avançada e desenvolvida, que temos condição de perceber sua importância e a necessidade de uma vida bem administrada.
Maximiano (2009, p. 16) destaca que a “administração vem sendo praticada desde o momento em que a humanidade passou a conviver em sociedade, mais ou menos há uns 6.000 anos, em uma mesma época em que as primeiras cidades começaram a surgir”. Silva (2008, p. 78) concorda com o autor anterior e complementa explicando que a “origem de alguns conceitos e práticas da administração moderna terem sido utilizadas por Salomão, rei bíblico, que coordenou e elaborou acordos de comércio no século X a.C.” Ainda, o mesmo autor nos lembra que os sacerdotes sumérios já administravam enormes somas de bens e valores com um sistema tributário bastante complexo para a época e, deviam prestar contas ao sumo sacerdote, que tinha como uma de suas funções fiscalizar, administrativamente, o seu reino (SILVA, 2008).
Segundo Silva (2008), foram descobertos documentos sumérios que continham descrições de seus inventários, no qual a escrita seria utilizada, principalmente com objetivos de controle administrativo, e não religioso. Os egípcios são exemplos de outro povo que utilizou muito a administração. Maximiano (2009) comenta que a utilização da administração pelos egípcios também se deu por conta da necessidade de construir as tão famosas e gigantescas pirâmides. Isso proporcionou enormes problemas de gestão e de engenharia para aquela gente, que só uma administração profissional foi capaz de solucionar, como ele mesmo cita:
A pirâmide de Quéops, feita de 2.300.000 blocos de pedra, com peso médio de 2,5 toneladas cada bloco. Originalmente, tinha 146,5 metros de altura e 230 metros de cada um de seus lados. Estima-se que 100.000 pessoas tenham trabalhado em sua construção. Em média, a construção da pirâmide envolveu a movimentação de cerca de 270 blocos de pedra de 2,5 toneladas, todos os dias, durante 23 anos (MAXIMIANO, 2009, p. 18).
E não é por acaso que as pirâmides continuam até os dias de hoje, praticamente intactas, provando que uma boa administração é capaz de construir coisas duráveis. Silva (2008, p. 79) ainda complementa Maximiano (2009), ao explicar que os egípcios demandavam muito por planejamento, organização e controle na construção das suas pirâmides, especialmente na questão do planejamento de transporte, de alojamento dos trabalhadores (ou seriam escravos?) e na gestão, durante o período de construção delas, que, diga-se de passagem, demorou anos.
O Código de Hamurabi é outro grande exemplo de utilização da administração dos povos antigos. Desenvolvido pelos Babilônios e Assírios, que, segundo Silva (2008, p. 80), representou uma maneira de administrar seus reinos que perdurou de 2.000 a 1.700 a.C. O Código Hamurabi determinava, entre tantas coisas:
Salários-mínimos: ‘se um homem alugar um trabalhador do campo, pagar-lhe-á 8 gus de cereal por ano’.
Controle: ‘se um homem entregar, a outro, prata, ouro, ou qualquer coisa em depósito, seja o que for, mostrá-lo-á a uma testemunha, combinará os termos do contrato e fará, então, o depósito’.
Responsabilidade: ‘se um comerciante de vinhos permitir que homens turbulentos se reúnam em sua casa e não os expulsar, será morto’. ‘O pedreiro que constrói uma casa que desmorona e mata seus residentes será condenado à morte’ (HARPER, 1904 apud SILVA 2008, p. 80).
Além dos Babilônios e Assírios, os Chineses também têm vasta experiência em administração. Conhecidos por sua sabedoria milenar, os chineses, há mais de três mil anos utilizam os princípios da administração, Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar - PODC. Silva (2008) apresenta antigos documentos de Chow e de Mencius com referência ao PODC. Já Maximiano (2009) busca, no livro A arte da guerra, de Sun Tzu, um tratado militar com diversos exemplos e diversas referências ao planejamento, ao comando, à doutrina e aos diversos outros assuntos os quais são utilizados ainda hoje.
Já na Grécia antiga, conhecida pela sua arte e pela filosofia, também sua civilização utilizou muitos dos preceitos da administração. Maximiano (2009) aponta como princípios gregos: democracia, estratégia, igualdade perante a lei, ética na gestão pública, raciocínio metódico e qualidade. Silva (2008, p. 82) completa recordando que o método científico grego foi de grande influência na vida de Taylor (Pai da Administração Moderna), Gilberth, Fayol e outros representantes das teorias administrativas. Silva (2008) ainda ressalta a importância de os gregos terem reconhecido o princípio da produção máxima, obtido “por meio do uso de métodos uniformes, com ritmo estipulado e algo mais” (2008, p. 82).
O império Romano também tem a sua contribuição para a administração. Em seu auge, havia a necessidade de controlar uma população com mais de 50 milhões de pessoas alocadas em cidades que iam da Inglaterra, passavam pelo Oriente próximo e ocupavam o norte da África, ou seja, uma longa extensão. Para conseguirem administrar todo esse território e seus ocupantes, Silva (2008, p. 83) explica que “a ciência da administração muito aprendeu com os êxitos e equívocos de Roma na área da organização, o que foi, na realidade, a primeira experiência mundial de organização de um império verdadeiramente grande”. E Maximiano (2009, p. 23) completa:
A capacidade de construir e manter o Império e as instituições, muitas das quais ainda vivem, é evidência das habilidades administrativas dos romanos. A má administração, no entanto, ajudou a destruir Roma no final de seu longo período de glória.
Outro povo antigo que também utilizava ferramentas da administração foram os Hebreus. Silva (2008, p. 85) acredita que “nenhum outro povo em toda a história da humanidade [...] exerceu tamanha influência sobre a civilização, com uma possível exceção dos gregos”. Para o autor, Moisés, além de ter sido um grande líder hebreu, foi um excelente administrador que, com suas habilidades no governo, na legislação e nas relações humanas, fez-se uma figura de destaque, o que acabou auxiliando na sua liderança frente à libertação dos escravos do Egito.
Já falamos da Igreja Católica, mas é sempre bom lembrar de sua importância para a administração. Por conta da necessidade de se criar uma organização mais rigorosa em seus objetivos, suas doutrinas e suas atividades cristãs, Silva (2008) lembra que foi a utilização de um modelo de administração próprio que permitiu à Igreja Católica ter o seu franco crescimento e se mantivesse viva até hoje.
Ainda na Idade Média, a cidade de Veneza, na Itália do século XV, criou um sistema de montagem de navios mercantis muito singular. Por ter uma frota privada, considerável desses tipos de navios, foi criado um estaleiro para produzir navios de guerra com objetivos específicos de defender sua frota mercantil. Silva (2008, p. 87-88) explica-nos:
Para reduzir os custos e aumentar a eficiência, os venezianos que dirigiam o Arsenal desenvolveram e empregaram uma série de técnicas administrativas que ainda estão em uso atualmente. Essas técnicas incluíam uma linha de montagem, treinamento de pessoal e sistemas de recompensa, padronização, controle contábil, controle de estoques, controle de custos e controle de armazéns.
E, para finalizar, o período da Revolução Industrial é o momento na história com mais inovações na administração. Sua ampla mecanização na indústria não só contribuiu para modernizar o processo industrial, mas transformou o comportamento social da humanidade, encerrando, de uma vez por todas, o estilo de vida da Idade Média, isto é, com a fabricação de produtos manuais, em pequena escala. Esta modernização exigiu que a administração das empresas também mudasse e fosse vista de maneira diferente, muito mais profissional, passando a ser encarada como uma ciência que poderia ser estudada, ensinada e replicada. É a partir desse momento que as teorias da Administração como ciência surgem e iniciam o seu processo de evolução e transformação, contribuindo para um mundo com empresas cada vez mais eficientes e eficazes.
Na lição de hoje, citamos alguns exemplos de administração exercidos por civilizações ao longo da história, que evoluíram até chegar ao que conhecemos hoje. Mas há outras sociedades que criaram seus próprios mecanismos de organização. Os indígenas são marcados por uma forte presença hierárquica, por exemplo, ou seja, à sua maneira, os povos articulam-se para utilizar os recursos disponíveis da melhor forma possível.
Vamos recapitular, brevemente, todos os exemplos utilizados, seguindo uma sequência temporal dos acontecimentos mais antigos até os mais novos:
Suméria - 5.000 anos a.C: administrava altos valores a partir da aplicação de complexos impostos. Além disso, realizava inventários, que nada mais são que relatórios descrevendo os bens que possuía.
China - 3.000 anos a.C: já possuía uma forma própria de realizar a administração, o PODC - Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar.
Egito - 2.600 anos a.C: um dos fortes indícios de que os egípcios possuíam estruturas administrativas é a construção das pirâmides, que demandou muitos recursos, tempo e trabalhadores para ser executada.
Babilônia e Assíria - 2.000 anos a.C: possuíam regras a respeito dos salários, controles de recursos, responsabilização pelos atos cometidos, entre outros.
Hebreus: a administração concentrada na figura de Moisés, manteve o povo unido, mesmo que em terra estrangeira, demonstrando habilidades administrativas exemplares.
Grécia: o método científico da Grécia serviu como influência para Taylor, o pai da administração moderna, e, também, para outros estudiosos.
Roma: em seu auge, necessitou de habilidades administrativas para dar conta de controlar sua população de, aproximadamente, 50 milhões de pessoas.
Igreja Católica: por meio de uma unidade administrativa, é reconhecida pelos estudiosos como responsável pelo primeiro modelo de gestão no estilo de franquias.
Veneza - século XV (1401 a 1500): foi responsável por criar modelos de montagem de navios mercantis, ou seja, navios com propósitos comerciais. Assim como também elaborou um esquema de proteção às suas frotas de navios.
Revolução Industrial - século XVIII (1760): responsável pelo início de uma nova era, com produção em escala, por meio de máquinas, que inaugura a necessidade do desenvolvimento administrativo semelhante ao que conhecemos hoje.
Ufa! São muitos os exemplos históricos que demonstram que a Administração está em constante adaptação e desenvolvimento. E, nas próximas lições, você poderá acompanhar um pouco mais sobre esta história que ainda está em curso.
Foi no decorrer da Segunda Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, que as teorias da Administração, que, atualmente, são estudadas, surgiram. A primeira referência teórica da Administração é apresentada por Taylor, considerado o Pai da Administração Científica, que ficou conhecida por trazer melhorias significativas para o processo de produção das indústrias, e muitos dos seus preceitos são aplicados ainda hoje.
Ford, que criou o sistema de produção em linha, utilizando esteiras em movimento, é o mais importante seguidor de Taylor e faz parte desse período que ficou conhecido como a Escola Clássica da Administração. No entanto a Teoria da Administração Científica não resolvia todos os problemas de gestão na época e, logo depois, surge Fayol com sua teoria administrativa.
Fayol inova na maneira de se observar as empresas. Enquanto Taylor e Ford estavam preocupados com o processo de fabricação, ele percebe que uma empresa tem outros departamentos muito importantes e que também precisam ser bem administrados. Assim, nasce a Teoria Administrativa, que tem como preceitos: previsão, organização, comando, coordenação e controle. Com o passar do tempo e a evolução dos estudos da administração, esses preceitos se tornaram o PODC – Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar.
O tempo passa, e os administradores continuam tendo dificuldades na gestão de seus negócios. É aí que começam a se interessar por um estudioso chamado Max Weber, que traz algumas informações interessantes que poderiam ser utilizadas na Administração. Estamos falando da teoria da burocracia. Weber acredita que utilizar a burocracia como uma ferramenta de gestão poderia contribuir muito com a gestão. E ajudou, no entanto alguns efeitos nocivos começaram a surgir e demandam certo cuidado quando a burocracia é utilizada em excesso. Você já deve ter sofrido com algum excesso de burocracia, alguma quantidade exorbitante de documentação ou processos infinitos, não é mesmo?
Ainda assim, as organizações continuam com problemas, mas, agora, Mary Parker Follet e Chester Barnard percebem que não se pode tratar os funcionários como meras peças de uma máquina e apresentam o que ficou conhecido como Teoria da Transição, colocando, pela primeira vez, os funcionários com papéis centrais na administração de uma empresa. Eles são os precursores da utilização Psicologia na gestão das empresas, abrindo as portas para Elton Mayo criar a teoria das relações humanas e, com isso, propiciar toda uma década de estudos do comportamento humano e o surgimento de teorias da motivação e suas influências na gestão das organizações. Já ouviu falar que um colaborador motivado é um dos recursos mais preciosos que uma empresa pode ter?
De lá, para cá, temos várias outras maneiras de administrar uma organização, que foram surgindo ou sendo aprimoradas. O importante é que você perceba que não existe uma maneira única de se administrar, é necessário conhecer todas as teorias para que seja possível ir utilizando cada uma delas no dia a dia da empresa, conforme suas necessidades forem sendo apresentadas. Administrar é isso, uma arte na utilização de várias ferramentas na hora e no local certo.
MAXIMIANO, A. C. A. Fundamentos de Administração - Manual Compacto para cursos de Formação Tecnológica e Sequenciais. São Paulo: Atlas, 2009.
SILVA, R. O. Teorias da administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2008.